Filme musical é um gênero de filme em que a narrativa se apóia sobre uma sequência de músicas coreografadas, utilizando a música e a dança como forma de narrativa, predominante ou exclusivamente.
Mas o que há nos musicais que tanto encantam as pessoas? Talvez seja a música transbordando sentimentos que conseguem tocar o telespectador e fazê-los sentir muito mais profundamente a emoção de determinada ação que simplesmente executá-la. Talvez seja a sensibilidade em cada ato do filme. É difícil explicar a magia, apenas podemos senti-la enquanto observamos os atores cantando no espetáculo cinematográfico.
Em 1927 surge o primeiro filme com trilha sonora gravada e sincronizada: “O Cantor de Jazz”, não por acaso um musical, conta a história de um pretendente a cantor que sofre preconceito dos jazzistas tradicionais por ser branco. Esse ano é duplamente marcante para o musical-espetáculo. Na técnica, surge a possibilidade de realizar filmes sonoros. Na linguagem, o espetáculo “Show Boat'” revoluciona a narrativa do gênero musical, amarrando intrinsecamente as letras à trama e inovando nas temáticas abordadas (conflito racial, alcoolismo, vício em jogo, e tudo sem final-feliz).

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Cena de "Amor, Sublime Amor" |
Logo após a Segunda Guerra Mundial inicia-se a então chamada “era de ouro” dos musicais e que vai até o início da década de 60. Foi nesta época que obras fantásticas como “Cantando na Chuva” e “A Noviça Rebelde”, “Oklahoma”, “South Pacific”, “O Rei e Eu” (baseado na obra literária de Margaret Landon, “Anna and the King of Siam”), “Cinderela em Paris”, “Gigi” (baseado num dos romances da escritora francesa Colette), “Amor, Sublime Amor” (baseado na fantástica obra de Shakespeare “Romeu e Julieta”, adaptado e ambientado na década de 50), “Mary Poppins” e “ My Fair Lady” (baseado na peça teatral Pigmalião, de George Bernard Shaw).
Chegando ao que no Wikipédia determinou como “musicais alternativos”, falaremos agora das particularidades de musicais como “Cabaret”, “Chicago”, “All the Jazz” este último, inspirado nas dificuldades de realização do segundo) e “Nine” (baseado em "8 1/2" de Fellini) em que a inserção da música e da coreografia no campo diagético não ocorre, forçando uma separação entre trama e canção – ou seja – ninguém sai cantando ou dançando no meio da calçada. Há sempre um palco que justifique o show.
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Julie Andrews em "Victor/Victoria" |
Apesar de eu ter apreciado bastante os filmes citados, confesso que essa separação não me desse tão bem pela garganta. Acho que as cenas musicais desta forma ficam um tanto forçadas. Mas conheço pessoas que preferem mil vezes o estilo de “Chicago” à “Moulin Rouge”.
Mesmo assim, os modelos de filmes musicais mais tradicionais predominam, são filmados ainda “Um Violinista no Telhado”, “Annie, a Pequena Órfã” (baseado em peça baseada nos quadrinhos), “Victor ou Victoria” (Julie Andrews, sua diva!) e “A Chorus Line”. Mas, quando se chega aos anos 1980, a fórmula já parece esgotada.
Um dos sinais de caducidade do modelo clássico do musical-espetáculo é a valorização dada a montagens do circuito dito "alternativo" das produções teatrais — o chamado off - Broadway. Começam a ser filmadas peças que lidam com temas incomuns ou tabus (humor negro, terror, sexo), como “A Pequena Loja dos Horrores”, “The Rocky Horror Picture Show” e “Hair!”. A própria música já vinha sofrendo interferências com novos estilos (rock, disco, eletrônicos), como o trabalho do grupo The Who em “Tommy!” ou Andrew Lloyd Webber em “Jesus Cristo Superstar”, ou ainda o esquecido “Xanadu”.



Mas não posso esquecer de mencionar que o já citado Sir Andrew Lloyd Webber também produziu “O Fantasma da Ópera” (baseado na obra homônima de Gaston Leroux) e “Cats” (baseado na obra “Old Possum’s Book of Practical Cats” de T.S Elliot). Sou tão grata a ele por ter composto os melhores arranjos musicais ever. "Memory" de Cats já foi cantada por diversos artistas, entre eles minha querida Simone Simons da banda Epica e, bem, a clássica "The Phatom of the Opera" do musical de mesmo nome que já foi cantada por ninguém mais ninguém menos que a diva, rainha, deusa Tarja Turunen quando ainda estava no Nightwish.
O que eu mais aprecio em musicais é o simples fato de conseguirem trazer mensagens maravilhosas através não só do enredo do filme, mas em músicas maravilhosas também. Em Hairspray temos um exemplo fantástico do que acontece atualmente em nossa sociedade, nessa ditadura da magreza, como se alguém fosse mais feio apenas porque tem uns quilinhos a mais, sem mencionarmos o preconceito racial, como se a quantidade de melanina na pele de alguém a tornasse diferente.

Alguns musicais como Rent tratam do desemprego, o uso de drogas, a homossexualidade, a liberação sexual e a AIDS. Ainda não tive a oportunidade de vê-lo, mas segundo amigos meus o filme é genial.
Em “O Mágico de Oz” temos uma menina que sofre com a incompreensão dos adultos e vive se metendo em encrencas junto com seu cachorrinho Totó, assim, decide fugir de casa, mas com chegada de um furacão acaba indo parar numa terra mágica. A fantástica terra de Oz, onde faz grandes amigos, porém, acaba por perceber que “não existe lugar como nosso lar”. Filme e livro incríveis. Para aqueles que ainda não sabem, aqui vai uma curiosidade, o sapatinho de Dorothy originalmente é de prata, mas como o filme seria colorido, acharam melhor trocar a prata por rubi para dar mais cor que, na época, era novidade.
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"A Noviça Rebelde" |
São tantos filmes, tantas mensagens, tantos sonhos cantados, coreografados e filmados para nós que não teria como falar individualmente de cada sem levar uma vida inteira para isso. Mas me conta aí nos comentários, qual o seu musical preferido? :D
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