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Eu ♥ Resenhas: Sombras da Noite - 3
Marcadores: Contos, Eu ♥ Resenhas, horror, Ótimo, Resenha, Stephen King, Terror
Salve, salve!
E estamos na penúltima parte da resenha de Sombras da Noite! Depois destes, só - ou seria ainda? - teremos mais cinco contos!
Vamos lá?
Primavera Vermelha: Nesse conto, um jovem universitário
narra a respeito de misteriosos assassinatos no campus de sua faculdade,
cometidos por aquele que chamam “Jack Salto-de-Molas”, sempre encoberto pelo
nevoeiro da primavera vermelha, evento atípico que acontece uma vez a cada dez
anos, mais ou menos.
O conto inspira muito a
imaginação, especialmente quando o título, mesclado a narrativa, torna o enredo
tão instigante. O cenário, o campus de uma universidade, traz um clima de suspense
inquietante e é possível caminhar pelas sombras, entre os prédios e gramados,
com a incrível sensação de se estar sendo observado.
Incrível como todo
final de história desse livro é tenso. E digníssimo. E tenso.
“Caminhei até perto da meia noite, até
ficar coberto de umidade, e passei por muitas sombras, ouvi muitos passos
ecoando sonhadoramente pelas aleias sinuosas. Quem pode dizer que uma daquelas
sombras não era o homem ou a coisa que veio a ser conhecida como Jack
Salto-de-Molas? Eu não, pois passei por muitas sombras no nevoeiro, mas não vi
rosto algum."
O Ressalto: Outra história que eu releio sempre. Aqui, um
professor de tênis de um clube local, sr. Norris, se apaixona pela mulher de um
homem velho e poderoso, Cressner, e com quem mantém um caso. Quando Cressner
descobre, Norris e Márcia (a esposa do velho que muito me pareceu um mafioso)
armam de fugir juntos.
O conto começa com Cressner e Norris
conversando no apartamento de luxo do primeiro, um encontro de “cavalheiros”
por assim dizer. E é onde o antagonista faz uma proposta a Norris. Se ele
aceitar dar a volta no parapeito do prédio que fica a 43 andares do chão, ganha
uma grande quantia em dinheiro e pode ficar com a esposa dele. Se não...
Esse conto ganha pelo
mesmo motivo do anterior, mas com um ambiente de suspense muito mais forte. A
trama toda se desenvolve baseada nas sensações que é capaz de causar ao leitor
enquanto acompanha a trajetória de Norris em sua missão.
Coração disparado e
respiração descompassada são uma constante durante a leitura.
Minha maior paixão
pelos contos desse livro é que não tem final piegas. Bom e velho horror do
início ao fim.
“-Então você é um tenista profissional – disse ele. – Acho que nunca
tinha visto um antes.
-Quer dizer que os seus detetives
não tiraram nenhuma fotografia?
-Ah, sim, tiraram – ele gesticulou
negligentemente com a piteira. – Fizeram até um filme em câmera lenta de vocês
dois no Motel Bayside. Havia uma câmera atrás do espelho. Mas as fotografias
raramente são fiéis a realidade, não é mesmo?
-Se você diz.”
O Homem do Cortador de Grama: Enredo simples, história
surpreendente. Um homem contrata os serviços de uma empresa para aparar a grama
de seu quintal. Até aí parece uma coisa muito cotidiana e comum. E é mesmo.
Justamente este motivo, torna esta história tão chocante.
Aqui não há muito que
eu possa comentar sem acabar revelando parte essencial do enredo e o que gosto
nesse conto é justamente o ar grotesco e obsceno que ele traz – quem leu ou
vier a ler, vai saber exatamente da cena que falo quando se deparar com ela.
Absolutamente chocante.
“Em meados de Julho, o gramado parecia mais uma campina do que o quintal
de uma casa de subúrbio, e Jack Castonmeyer começara a fazer todo tipo de piada
extremamente sem graça, a maioria delas aludindo ao preço do feno e da alfafa.
E Jenny, a filha de 4 anos de idade de Don Smith, começara a se esconder ali
quando havia mingau de aveia no café da manhã ou espinafre no jantar.”
Ex-Fumantes Ltda: Conta a história de Dick Morrison,
um fumante que depois de algum tempo, reencontra um velho conhecido em um
aeroporto. Os dois conversam e Dick fica sabendo quão bem este colega está e
que sua vida mudou completamente - para melhor - depois que parou de fumar,
graças a uma empresa chamada Ex-Fumantes Ltda. e seu método único de parar com
o vício. Dick resolve tentar.
Mal sabia ele...
História vale muito a
pena! Para quem prestar atenção, vai ter um pequeno ponto no início que é
relembrado no final de forma espetacular!
“EX-FUMANTES
LTDA.
237 East 47th Street
Nova York,
N.Y. 10017
1 Tratamento $2500.00
Orientador (Victor Donnati) $2500.00
Eletricidade $0.50
Total (favor pagar esta
importância) $5000.50.”
Eu Sei do que Você Precisa: Conta a história de Elizabeth, uma
jovem que estava estudando para as provas finais – com medo de perder a bolsa
caso seja reprovada – quando um jovem misterioso aparece, afirmando saber do
que ela precisa.
Uma casquinha de
morango com duas bolas.
Esse conto acerta em
vários aspectos, indo além do terror propriamente dito.
Edward Jackson Hammer
Junior, o rapaz que encontra Beth na biblioteca da faculdade, foge ao
estereótipo clássico de jovens universitários sedutores: Ele é magrelo,
desengonçado, usa roupas sem combinação alguma e óculos enormes.
Ponto forte, visto que
o clichê rapaz lindo sedutor misterioso que todas querem e só a protagonista
consegue ter já está passado e na minha opinião, obsoleto. Ed Hammer conquista
Elizabeth por realmente saber tudo o
que ela precisa. Seja um sorvete de morango, anotações exatas sobre a prova na
qual ela precisa ser aprovada ou um ombro amigo quando ela mais precisa
desabafar. É quase como se ele fosse perfeito.
Perfeito demais.
Gosto de todo o clima
da trama, revelando personagens passíveis de erros e pensamentos nada
lisonjeiros que revelam a verdadeira essência humana, egoísta em momentos que
nos deixaria envergonhados admitir.
Edward é um personagem
extremamente carismático, destarte o enredo e a forma como ele é abordado mais
ao final. Incita a pena, a compaixão e até mesmo, a compreensão visto tudo que
passou em sua vida. Será que ele é mesmo tão condenável assim?
Texto para reflexões,
incluindo a respeito de relações destrutivas e obsessivas, mostrando-as como
realmente são: venenosas e perigosas. E não é só porque os envolvidos não
enxergam ou acreditam nisso, que deixa de ser verdade.
“Começou a chorar novamente, e ficou um pouco abalada com a força
inesperada daquele choro. Então ele a abraçou, e então tudo ficou bem.”
Meus queridos, foi isso! Se você ainda não leu as outras partes da resenha, pode encontrá-las aqui: parte 1 e parte 2.
Terminamos o terceiro quarto de Sombras da noite e fechamos quinze contos hoje! Mais cinco e encerramos o livro (: O que estão achando? Qual conto você ficou mais instigado a ler?
Me conte nos comentários e não se esqueça de cobrir os pés a noite para se proteger daquela mão cadavérica escondida no escuro, debaixo da cama.
Boas leituras e um beijo da Heavy.
Eu ♥ Resenhas: Sombras da Noite - 2
Marcadores: Eu ♥ Resenhas, horror, Resenha, Stephen King
Salve, salve!
E sem perder tempo, vamos pra segunda
parte das resenhas sobre Sombras da Noite, que é o que interessa.
O Bicho-Papão: Essa história. Ok, que criança nunca teve medo do
bicho-papão? Ou do homem do saco, do chupa-cabra ou qualquer desses monstros
que nos impediam de dormir quando éramos pirralhos? Na trama, um homem é assombrado por essa criatura dos contos de horror e procura a ajuda de um psicólogo para contar sua experiência com um ser que, no início, ele
acreditava ser apenas uma invenção de seus filhos.
Trama muitíssimo
bem trabalhada quando trata os medos “infantis” sendo retratados pelo ponto de
vista de um homem adulto e, acima de tudo, cético, que acredita que seus filhos
estão mentindo ou inventando coisas. Afinal, até aquele momento, para ele
monstros não existiam. Ponto final.
O melhor
da trama é a construção narrativa que envolve a personagem: um pai de família
de mentalidade arcaica que se vê confrontado com uma realidade que ele
simplesmente jamais havia considerado. É compreensível, portanto, que ele tenha
achado que seus filhos estavam mentindo, mesmo em vista de circunstâncias dramáticas.
Traz lembranças
muito infantis dos nossos medos mais inocentes e que, aqui, Stephen King faz
virar medo de adultos. Acreditem ou não, eu olhei pro meu guarda-roupas
desconfiada na noite em que li esse conto, antes de dormir. Sério.
E o final é
um integrante do meu top 5 de finais favoritos do livro.
“-Vim vê-lo porque quero contar minha história – dizia o homem no divã do
dr. Harper.
O homem era Lester Billings, de Waterbury, Connecticut. De acordo com o
histórico anotado pela enfermeira Vickers, tinha 28 anos, trabalhava numa firma
industrial em Nova York, era divorciado e pai de três filhos. Todos falecidos.
-Não posso procurar um padre porque não sou católico. Não posso procurar
um advogado porque nada do que eu fiz justificaria uma consulta. Tudo o que fiz
foi matar meus filhos. Um de cada vez. Matei todos.”.
Massa Cinzenta: Eu adoro essa história e, particularmente, é uma das minhas preferidas.
Começa em
um bar, onde um grupo de amigos está bebendo. Repentinamente, um garoto chamado
Timmy, choroso, entra correndo no bar. O dono do lugar, Henry Parmalee, leva-o
para os fundos e descobre que o pobre menino está em desespero porque,
aparentemente, há algo errado com seu pai, Richie Grenadine – um homem
aposentado por invalidez que gasta muito de sua pensão com cervejas.
Confesso
que fiquei com muita pena do Timmy logo no início – e isso só se intensificou
justificadamente ao longo do conto. Depois disso, Henry chama dois outros
clientes que estavam no bar, Bertie e o protagonista que nos dá a visão da
história, para ir checar o pai do garoto. O nome da personagem, que narra tudo
em primeira pessoa, não é dito, ou, pelo menos, eu não vi ser citado em momento
algum. Enquanto caminham até o pequeno apartamento de Richie em meio à neve e
um vento congelante, Henry conta a eles o que Timmy lhe relatou... Algo
horrendo, macabro. E real. Enquanto o grupo vai até o apartamento sujo, num
prédio completamente abandonado, você se sente impelido a segui-los. O cheiro
de podridão dentro do recinto é tão intenso que chega ser palpável. Sufocante.
Clima de mega tensão durante todo o conto. A visão dada pelo protagonista dos fatos narrados por Henry, que foram ditos a ele por Timmy, e alguns dos acréscimos que ele mesmo, o narrador, faz à história, são pontos muitíssimo interessantes. O final é deixado em aberto, então você pode imaginar o que aconteceu e o que vai acontecer dali pra frente. Já perdi as contas de quantas vezes reli esse conto.
Clima de mega tensão durante todo o conto. A visão dada pelo protagonista dos fatos narrados por Henry, que foram ditos a ele por Timmy, e alguns dos acréscimos que ele mesmo, o narrador, faz à história, são pontos muitíssimo interessantes. O final é deixado em aberto, então você pode imaginar o que aconteceu e o que vai acontecer dali pra frente. Já perdi as contas de quantas vezes reli esse conto.
“O garoto disse que devia ter sido a cerveja – você sabe como, de vez em
quando, aparece uma lata estragada. Choca ou cheirando mal, ou verde como as
manchas de urina nas cuecas de um irlandês. Um sujeito uma vez me disse que só
é preciso um buraquinho de nada para deixar entrar bactérias que fazem coisas
bastante estranhas. O buraco pode ser tão pequeno que a cerveja mal se derrama,
mas as bactérias conseguem entrar. E cerveja é um bom alimento para alguns
desses bichos.”
Campo de Batalha: Nessa
história, John Renshaw, um assassino de aluguel, recebe um pacote contendo
soldadinhos de guerra com uma dedicatória suspeita. Brinquedos muito famosos
nos EUA, conjuntos de infantaria são marcos da história da indústria de
brinquedos americana (atualmente não tão famosos e feitos de plástico, ao
contrário do que acontecia há dois ou três séculos, época em que eram feitos de
chumbo). Mas esse, em particular... Pode não ser exatamente a melhor opção para
dar de presente para o seu filho no Natal.
Eu
digo o que já falei sobre os outros: é tenso e chocante. Quero dizer, você
recebe um livro na sua casa e ele começa a te atacar, se jogar na sua cara e
ameaça te cortar até a morte com as páginas. É muito surreal. Mas quando você
abre a mente e pensa... “E se...?” O conto acerta na medida para te deixar com
um gosto estranhamente ácido na boca ao olhar pros seus antigos brinquedos.
Apesar de
ser um conto de suspense e ação mais do que terror propriamente dito, é muito
gostoso de ler. Quem gosta de histórias de guerra vai curtir essa e reconhecer
alguns traços da estratégia usada pelos soldadinhos! Muito legal mesmo!
“Ei, crianças! Especial neste Baú do Vietnã!
(Promoção por tempo limitado)
1 Lança-mísseis
20 Misséis terra-ar “Twister”
1 Arma Termonuclear (Modelo em Escala)”
Caminhões: Como seria o mundo se os automóveis criassem vida
própria e se revoltassem contra os humanos? O que aconteceria se jatos, navios,
carros, motos, tratores... Se cada um desses automotores não fosse mais
suscetível ao nosso controle?
Um grupo
de pessoas fica preso numa lanchonete à beira da estrada quando essa revolução
dos automóveis começa. O conto narra os eventos que se arrastam e as pessoas em
suas desesperadas tentativas de sobreviver enquanto esperam que algo aconteça
para se vejam livres daquela realidade.
Ótimas
cenas de morte; há um trecho em particular que eu adoro. É quando um certo
personagem que todos julgavam morto começa a gritar do lado de fora, pedindo
ajuda; é meio da noite e ninguém o ouve, exceto o personagem principal e uma
garota. Ela diz que eles precisam ir ajudá-lo, mas o personagem principal
pergunta a ela se estaria disposta a abraçar a possibilidade de que o próprio
namorado fosse lá fora para resgatar o pobre homem e acabasse morrendo na
tentativa. A menina simplesmente arregala os olhos e afirma que também não
ouviu nada. Abraça o namorado e volta a dormir. O homem grita por horas, até
silenciar.
Isso demonstra um lado
não muito lisonjeiro dos seres humanos, mas extremamente real. Quem estaria
disposto, realmente, a enfrentar a morte para tentar salvar alguém que mal
conhece? Quem, de fato, numa situação daquelas, estaria disposto a arriscar?
Gosto especialmente dessa parte pela reflexão que ela traz.
E eu confesso, o último
parágrafo me fez sentir um ser humano bem pequenino, perto das catástrofes que
podem acontecer.
“O cozinheiro já está cambaleando um pouco. Também é um cara velho. Tenho
de acordar a garota.
Dois aviões deixam rastros prateados no horizonte que vai escurecendo, a
leste.
Gostaria de poder acreditar que há pessoas a bordo.”
Às Vezes Eles Voltam: História tensa que tem magia negra.
Sério.
Um professor
reencontra, já adulto, a gangue de marginais que causaram um evento trágico em
sua vida quando ele era criança e que parecem ter voltado para atormentá-lo.
Dessa vez, contudo, ele está decidido a não ser mais um garoto com medo dos
mesmos fantasmas que o infernizaram há tantos anos.
Clima de
super-tensão e agonia. Eu quase queria pular as páginas para saber como é que
ia acabar, fora o fato de que é possível vislumbrar, no desenrolar da trama, a
transição da personagem de um homem quase apático e assustado para outro mais
decidido, moldado especialmente pela dor de um acontecimento. Essa mudança é
essencial para o final e o arco narrativo é muito bem fechado e trabalhado.
Excelente para quem
gosta de histórias com ritual, demônios e cenas de mutilação.
“Ele veio pela calçada, segurando a pasta nova numa das mãos e quatro
livros didáticos na outra. Ela podia ver o título na capa do que estava por
cima – Introdução à Gramática. Pôs as mãos em seu ombro e perguntou:
-Como foi?
E ele sorriu.
Mas naquela noite, ele voltou a ter o velho sonho pela primeira vez em
muito tempo, e acordou suando, com um grito preso na garganta.”
Bom galera, essa foi a segunda parte da resenha de Sombras da Noite. Se você ainda não leu a primeira parte, pode conferir aqui.
Até a próxima!
Um beijo da heavy e boas leituras.
Eu ♥ Resenhas: Sombras da Noite - 1
Marcadores: Contos, Eu ♥ Resenhas, Stephen King, Terror
Salve, salve!
Essa semana não tem Mestres Literários, mas tem resenha! E a obra da vez é Sombras da Noite, Stephen King!
Título Original: "Night Shift"
Autor: Stephen King.
Ano: 1978.
Número de Páginas: 511.
Editora: Objetiva.
Edição: 1 / 2013
Tradutor: Adriana Lisboa
Esse livro foi originalmente publicado em fevereiro de 1978, nos Estados Unidos, com o título original Night Shift e reúne 20 contos de Stephen King, sendo alguns de seus mais conhecidos, integrantes desta obra.
Os contos são:
Jerusalem's Lot
Último Turno
Ondas Noturnas
Eu Sou o Portal
A Máquina de Passar Roupa
O Bicho-Papão
Massa Cinzenta
Campo de Batalha
Caminhões
Às Vezes Eles Voltam
Primavera Vermelha
O Ressalto
O Homem do Cortador de Grama
Ex-Fumantes Ltda
Eu Sei do que Você Precisa
As Crianças do Milharal
O Último Degrau da Escada
O Homem que Adorava Flores
A Saideira
A Mulher no Quarto
Então, ao livro.
Sombras da Noite é essencialmente de suspense e horror. Aqui é possível perceber como Stephen King gosta – e sabe - não apenas de mexer com os medos mais intrínsecos do ser humano, como também de explorá-los, relembrá-los. E torná-los assustadoramente reais. Digo isso porque enquanto lia O Bicho-Papão, me vi realmente – acreditem! – olhando de soslaio pro meu armário. Lia mais uma página. Outra corrida com os olhos para o móvel que de alguma maneira, parecia até zombar de mim.
Eu ♥ Mestres Literários: Stephen King
Marcadores: Eu ♥ Mestres Literários, horror, Stephen King
Salve, salve!
A convite da Roxane e da
Carine, eu fui convidada para integrar a equipe do Eu <3 Livros e com muito
orgulho, estou aqui pra tentar dividir com vocês o meu vício pela literatura
como um todo e para tentar trazer um pouquinho do que eu sei e do que acho legal
de ser compartilhado com os leitores do blog. E para começar, eu resolvi criar
essa pequena coluna sobre autores. Afinal de contas, o que seria de nossas
estantes sem as obras dos nossos queridos mestres?
E para estrear esse
espaço, eu escolhi um autor que me influenciou muito mais do que qualquer
outro. Ele é um ícone mundial, especialmente para os fãs do bom e velho horror
que como ele, só dormem com os pés debaixo do cobertor.
Porque se não o fizermos,
uma mão fria e cadavérica com certeza segurará nossos tornozelos no meio da
noite.
Senhoras e senhores, o
ilustríssimo mestre do terror: Stephen King.
![]() |
| Stephen Edwin King |
Stephen Edwin King nasceu
em 21 de Setembro 1947, em Portland, Maine. É o segundo filho de Donald Edwin
King (nascido em 1913, em Peru, Indiana) e Nellie Ruth Pillsbury King (nascida
em 13 de Março de 1913, em Scarborough, no Maine) que se casaram em 1939, na
cidade de Cumberland Country, no Maine.
Quando ele tinha apenas
dois anos, seus pais se separaram. O pai, sob o famoso jargão de "Sair
para comprar um pacote de cigarros" abandonou a família. Desde então,
Stephen King e seu irmão mais velho adotivo, David King, foram criados por sua
mãe, enfrentando algumas vezes, graves dificuldades financeiras que nunca
impediram Ruth de cuidar dos dois garotos.
Sua infância foi passada
entre Fort Wayne, Indiana, onde a família de seu pai vivia na época, e em
Stratford, Connecticut, onde ele viveu até os onze anos de idade, com sua mãe. A
essa altura, eles voltaram para a cidade de Durham, Maine, uma vez que seus
avós maternos (Guy e Nellie Pillsbury) já debilitados pela idade avançada,
precisavam de cuidados e Ruth foi persuadida por suas irmãs a tomar conta dos
pais.
Lá, eles receberam de
familiares uma pequena casa e algum suporte financeiro. Ruth cuidou dos pais
até que os mesmos morreram, passando depois a trabalhar em uma cozinha, numa
casa para pessoas mentalmente adoentadas.
Conta-se uma história
sobre Stephen, na qual quando era apenas uma criança, ele viu um amigo ficar
preso em uma linha ferroviária e ser morto por um trem. Várias pessoas
especularam ser esse momento tão traumatizante a origem de sua inspiração para
escrever histórias de terror. Entretanto, o próprio Stephen já admitiu não ter
memórias desse evento e não faz menção a respeito em sua obra On Writing: A
Memoir of the Craft. O que se sabe é que um dia, ele saiu de casa para
brincar com um amigo e voltou algum tempo depois, paracendo estar em completo
estado de choque. Somente mais tarde, a família soube o que havia acontecido
com o garoto e fez a associação.
![]() |
| Stephen King quando era garoto. |
Seu interesse pelo horror
foi expressado ainda cedo, sendo ele um ávido fã e leitor da EC's horror
comics, incluindo Tales from the Crypt. Ele começou a escrever por diversão
enquanto ainda estava na escola contribuindo para o jornal que seu irmão David publicava,
o Dave's Rag. Algum tempo depois, ele começou a vender suas histórias para os
seus amigos, sendo estas baseadas em filmes que ele via, tendo sido forçado a
parar quando seus professores descobriram e o obrigaram a retornar aos seus
estudos acadêmicos.
Ele se formou na Lisbon
Falls High School em 1966, ingressando na University of Maine, em Orono onde
estudou inglês e escreveu para o jornal estudantil, o Maine Campus, uma coluna
intitulada "Steve King's Garbage Truck" (ou "Caminhão de Lixo do
Steve King"). Ele se graduou Bacharel de Artes em Inglês, em 1970, mesmo
ano em que nasceu sua primeira filha, Naomi Rachel King. Um ano depois, ele se
casou com Tabitha Spruce, sua esposa até hoje, que ele conheceu inclusive, na
biblioteca Fogler da faculdade onde estudava, depois de um workshop de um
professor.
Entretanto, foi em 1967
que Stephen King vendeu sua primeira história, profissionalmente, para a
Startling Mystery Stories, o conto The
Glass Floor ("Chão de Vidro"). Depois, nos primeiros anos de seu
casamento, ele continuou vendendo contos para revistas masculinas e muitos
deles foram reunidos e publicados na obra Night
Shift (traduzido no Brasil como Sombras da Noite) ou em coleções
posteriores.
Em 1971, ele começou a
lecionar inglês na Hampden Academy. Ele continou escrevendo durante a noite e
nos finais de semana, para então em 1973 ter o conto Carrie aceito para publicação pela Doubleday & Co. e seu novo
editor, Bill Thompson, disse a ele que uma grande venda de livros o permitiria
deixar a licenciatura e se dedicar unicamente a escrita.
Em 1974, Carrie foi publicada com um investimento
inicial de U$ 2,500 gerando em retorno mais de U$ 400,000 para Stephen King nos
anos seguintes, com direitos autorais e vendas dos livros. Pouco antes, a família King se mudou para o
Maine em razão da saúde precária de sua mãe e foi nesse período que ele
escreveu o conto que originalmente se intitulava Second Coming, depois mudado para Jerusalem's Lot e finalmente, Salem's
Lot (que também se encontra em Sombras da Noite). Ruth King faleceu de
câncer no útero pouco depois da publicação de Carrie e foi sua tia Emrine quem
leu a história para ela antes de sua morte. Ruth tinha apenas 59 anos.
Nessa época, ele já
enfrentava um sério problema com a bebida, que viria a permanecer durante dez
anos, e chegou admitir que estava bêbado durante o funeral de sua mãe.
Depois da morte de Ruth,
a família King trocou o Maine por Boulder, no Colorado, que foi onde Stephen
escreveu The Shinning (traduzido “O Iluminado” no Brasil) e onde ele começou e escreveu boa parte do
conto The Stand, que foi terminado
quando em 1975 a família retornou ao Maine, sendo este conto publicado apenas
três anos depois.
Em 1978, Night Shift foi
lançado, reunindo vinte das obras de Stephen. Dentre elas, várias foram
adpatadas para o cinema, como As Crianças do Milharal (Colheita Maldita),
Último Turno (A criatura do Cemitério) e O homem do Cortador de Grama (O
Passageiro do Futuro). Nesta obra, no prefácio, ele admite seu problema com o
tabagismo, mas diz que conseguiu diminuir o vício trocando a marca de cigarros
que fumava desde os dezoito anos, sem filtro, por outra com baixos níveis de
nicotina e alcatrão. Além de falar sobre medo e sobre escrever, ao final, ele
agradece a quatro grupos de pessoas. Sua mãe, sua esposa e filhos, compõe o
primeiro grupo, por todo apoio e carinho durante sua carreira. No segundo
grupo, está seu editor William G. Thompson, que segundo suas palavras: “foi
gentil com um jovem escritor sem qualquer currículo alguns anos atrás, ficando
ao seu lado desde então.”. No terceiro grupo, Stephen dedicou seu obrigado aos
primeiros compradores de sua obra.
No último e quarto grupo, Stephen dedica
seu obrigado a cada um dos leitores que um dia compraram suas obras. Segundo
ele: “Jamais teria acontecido sem você. Então, obrigado.”
Eu sou apaixonada por esse prefácio!
Em 1978 os King já tinham se estabelecido no Maine novamente. A essa
altura, a família já estaria completa com Naomi Rachel, Joe Hill e Owen Phillip
King, os três únicos filhos do casal. Ainda hoje, Stephen e Tabitha mantém uma
casa no local, mas agora dividem sua estadia entre as casas que tem na Florida,
em Bangor e em Center Lovell.
A Coleção Torre
Negra e Pseudônimos
A coleção Torre Negra (“The Dark
Tower Series” título original) é uma coleção de livros que começou a ser
escrita na década de 70. Foi publicado o primeiro conto, The Dark Tower: The Gunslinger (“A Coleção Torre Negra: O
Pistoleiro”) originalmente sob a edição de Edward L. Ferman, em cinco partes, de 1977
a 1981, na revista The Magazine of Fantasy & Science Fiction. Um ano
depois, foi relançado em forma de livro.
Nos
próximos quarenta anos, seriam escritos e publicados os outros volumes da série
que alcançariam a marca de mais de trinta milhões de livros vendidos em cerca
de 40 países.
A trama se
passa em um cenário que mistura os mundos de Tolkien (O Senhor dos Anéis) e os
velho-oestes americanos, principalmente os do veterano Clint Eastwood. Não vou
contar a trama porque na verdade, são livros que contém histórias entrelaçadas
– tendo cada um sua própria sinopse - e pra mim é bem complicado falar deles
sem dar spoilers. Basicamente, é a trajetória de Roland Deschain em sua busca
pela Torre Negra, que na trama seria o nexo de todo o universo.
Melhor que
isso eu não consigo, meus queridos. Eu lamento ): E em off um instante, eu
pretendo fazer resenhas sobre os livros da coleção, então eu espero me redimir
com vocês pela falta de informações contidas aqui.
De todas as
formas, os demais volumes são:
The Drawing of the Three (A Escolha dos Três) (1987)
The Waste Lands (As Terras Devastadas) (1991)
Wizard and Glass (Mago e Vidro) (1997)
Wolves of the Calla (Lobos de Calla) (2003)
Song of Susannah (A Canção de Susannah) (2004)
The Dark Tower (A Torre Negra) (2004)
The Wind Through the Keyhole (O Vento
Pelo Buraco da Fechadura) (2012)
No Brasil,
foram publicados pelas editoras Objetiva, Suma de Letras e Ponto de Leitura (sendo desta, uma edição de
bolso). Nos EUA, pela editora Grant.
A versão
brasileira, da editora Objetiva, é essa aqui:
E a
ameri-meusonhodeconsumoeterno-cana:
Sobre
Richard Bachman, cabe dizer que foi um pseudônimo que King usou, para publicar
os textos Rage (1977), The Long Walk (1979), Roadwork (1981), The Running Man (1982) e Thinner (1984). A ideia dele era refutar
as alegações de alguns de que seu sucesso era mero “acidente”. Ele também usou
outro pseudônimoJohn Swithen que usou para publicar The Fifth Quarter.
Acidente e Aposentadoria
Em 1999, enquanto corria por uma rodovia, Stephen sofreu um grave
acidente quando foi atingido por um carro e lançado para fora da pista, caindo
de um barranco de cerca de cinco metros de altura. Ironicamente, naquela época,
ele também escrevia um texto onde um jovem morria atropelado por um carro. King
teve uma perfuração no pulmão, lacerações na escápula, várias fraturas na perna
direita e uma fratura no quadril – problema este que viria influenciar sua
decisão de aposentadoria, anos depois.
Depois de passar por dez cirurgias em cinco dias e tratamento
fisioterápico intenso, Stephen terminou sua obra On Writing, sendo que ele já não conseguia ficar mais do que
quarenta minutos sentado, sem sentir dor em função dos danos causados pelo acidente. Com o passar do tempo, o incômodo
tornou-se insuportável.
![]() |
| Uma das versões do livro. Eu já vi também outras duas capas, mas nunca encontrei aqui no Brasil pra comprar, infelizmente ): |
Em 2002, ele anunciou que estaria se aposentando da literatura.
Para a felicidade de todos os fãs do terror, isso acabou nunca
acontecendo de fato. Em 2003, publicou “Cell”
ou “Cellphone” (O Celular) e até
2010, publicaria ainda “Duma Key”, a
coleção “Just After the Sunset” e a
história “Under the Dome”.
Novidades
Seus últimos
trabalhos publicados foram “11/22/63”,
de 2011. Em 2012 foi publicado o oitavo livro da coleção
Torre Negra, “The Wind Through the
Keyhole” (Traduzido como “O Vento Pelo Buraco da Fechadura”) e anunciadas
as publicações de “Joyland” (previsto
para 4 de Junho deste ano) e uma sequência de The Shinning, chamada Doctor Sleep (previsto para 24 de
Setembro de 2013). Essas datas são do lançamento dos EUA, então não sei quando
os livros vão – e se vão, já que muitas obras nunca vieram para o Brasil – vir
para cá. Todos de dedos cruzados!
De todas as formas,
ainda esse ano teremos mais uma adaptação do trabalho do mestre. Em 24 de
Junho, vai estrear nos EUA a série baseada na obra “Under the Dome” produzida pela CBS. A história é sobre uma
cidadezinha chamada Chester’s Mill’s e seus habitantes que lutam para
sobreviver, quando uma redoma misteriosa recobre toda a cidade, separando-os do
mundo exterior. Esse livro foi trazido pro Brasil – Hell yeah! – e publicado
pela editora Suma de Letras com o título traduzido “Sob a Redoma”. No
Submarino.com tem disponível, para quem quiser adquirir um. O preço pode
variar, mas a faixa média gira em torno de R$ 55,00.
Também foi
anunciada uma edição especial do livro The
Shinning que será lançado em Novembro deste ano, em capa dura. Em três
formatos, Gift Edition, Limited Edition e Lettered Edition, a editora
Subterranean Press vendeu 802 cópias assinadas (Limited e Lettered Edition)
sendo que as 750 cópias da Limited custavam $ 450 e as da Lettered, $2,500.
As Gift Edition,
que estão estimadas em 1.500 cópias não autografadas, custam $95 e ainda podem
ser encomendadas pelo site da editora, enquanto as outras duas edições já estão
esgotadas ):
![]() |
| Imagem do site da Subterranean Press. |
Atualmente, Stephen
e sua esposa ainda vivem no Maine e agora a família King conta com quatro
integrantes a mais, os netos do casal. Tabitha também é escritora e romancista,
além de seus filhos Joe Hill e Owen Phillip também terem seguido os passos dos
pais, sendo autores publicados nos EUA.
Bom, acho que era
isso. Espero ter conseguido aprofundar o conhecimento de quem já conhecia o
autor e para quem ainda não, ter despertado o interesse em ler seus contos. Meu post é mega mega mega puxa-saco mesmo, porque eu sou
terrivelmente apaixonada pelas histórias dele e já li a maioria delas. Sendo
uma grande fã de Stephen King e do bom e velho horror, posso dizer que é o meu
autor favorito e um mestre na arte de assustar.
E então galera, o
que acharam? Quem já leu uma história dele e qual? Me contem o que acharam nos
comentários e qual a sua história de terror favorita!
Até o próximo
Mestres Literários, um beijo da heavy e boas leituras!
P.S – Os livros em
inglês podem ser adquiridos pela Amazon.com e você pode tê-los entregues na sua
casa (: Eu recomendo o site para quem, como eu, gosta de ter as versões
originais das histórias.
P.P.S – As versões brasileiras podem ser encontradas
na Saraiva.com e na Submarino.com (no Submarino eu achei as edições da Objetiva
e da Ponto de Leitura da coleção Torre Negra) mas vale a pena dar uma conferida
no site da Livraria Cultura também.
(¹) As informações contidas neste post foram coletadas em sites diversos, de pesquisa e notícias, dentre eles o site oficial do autor e a wikipedia, além de registros de jornais (a exemplo das informações referentes ao acidente de 1999). Ainda foi utilizada como fonte a própria obra On Writing.
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