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Eu ♥ Resenhas: Sombras da Noite - 3


Salve, salve!
E estamos na penúltima parte da resenha de Sombras da Noite! Depois destes, só - ou seria ainda? - teremos mais cinco contos!
Vamos lá?


Primavera Vermelha: Nesse conto, um jovem universitário narra a respeito de misteriosos assassinatos no campus de sua faculdade, cometidos por aquele que chamam “Jack Salto-de-Molas”, sempre encoberto pelo nevoeiro da primavera vermelha, evento atípico que acontece uma vez a cada dez anos, mais ou menos.
O conto inspira muito a imaginação, especialmente quando o título, mesclado a narrativa, torna o enredo tão instigante. O cenário, o campus de uma universidade, traz um clima de suspense inquietante e é possível caminhar pelas sombras, entre os prédios e gramados, com a incrível sensação de se estar sendo observado.
Incrível como todo final de história desse livro é tenso. E digníssimo. E tenso.
“Caminhei até perto da meia noite, até ficar coberto de umidade, e passei por muitas sombras, ouvi muitos passos ecoando sonhadoramente pelas aleias sinuosas. Quem pode dizer que uma daquelas sombras não era o homem ou a coisa que veio a ser conhecida como Jack Salto-de-Molas? Eu não, pois passei por muitas sombras no nevoeiro, mas não vi rosto algum."

O Ressalto: Outra história que eu releio sempre. Aqui, um professor de tênis de um clube local, sr. Norris, se apaixona pela mulher de um homem velho e poderoso, Cressner, e com quem mantém um caso. Quando Cressner descobre, Norris e Márcia (a esposa do velho que muito me pareceu um mafioso) armam de fugir juntos.
 O conto começa com Cressner e Norris conversando no apartamento de luxo do primeiro, um encontro de “cavalheiros” por assim dizer. E é onde o antagonista faz uma proposta a Norris. Se ele aceitar dar a volta no parapeito do prédio que fica a 43 andares do chão, ganha uma grande quantia em dinheiro e pode ficar com a esposa dele. Se não...
Esse conto ganha pelo mesmo motivo do anterior, mas com um ambiente de suspense muito mais forte. A trama toda se desenvolve baseada nas sensações que é capaz de causar ao leitor enquanto acompanha a trajetória de Norris em sua missão.
Coração disparado e respiração descompassada são uma constante durante a leitura.
Minha maior paixão pelos contos desse livro é que não tem final piegas. Bom e velho horror do início ao fim.
-Então você é um tenista profissional – disse ele. – Acho que nunca tinha visto um antes.
-Quer dizer que os seus detetives não tiraram nenhuma fotografia?
-Ah, sim, tiraram – ele gesticulou negligentemente com a piteira. – Fizeram até um filme em câmera lenta de vocês dois no Motel Bayside. Havia uma câmera atrás do espelho. Mas as fotografias raramente são fiéis a realidade, não é mesmo?
-Se você diz.”

O Homem do Cortador de Grama: Enredo simples, história surpreendente. Um homem contrata os serviços de uma empresa para aparar a grama de seu quintal. Até aí parece uma coisa muito cotidiana e comum. E é mesmo. Justamente este motivo, torna esta história tão chocante.
Aqui não há muito que eu possa comentar sem acabar revelando parte essencial do enredo e o que gosto nesse conto é justamente o ar grotesco e obsceno que ele traz – quem leu ou vier a ler, vai saber exatamente da cena que falo quando se deparar com ela.
Absolutamente chocante.
Em meados de Julho, o gramado parecia mais uma campina do que o quintal de uma casa de subúrbio, e Jack Castonmeyer começara a fazer todo tipo de piada extremamente sem graça, a maioria delas aludindo ao preço do feno e da alfafa. E Jenny, a filha de 4 anos de idade de Don Smith, começara a se esconder ali quando havia mingau de aveia no café da manhã ou espinafre no jantar.”

Ex-Fumantes Ltda: Conta a história de Dick Morrison, um fumante que depois de algum tempo, reencontra um velho conhecido em um aeroporto. Os dois conversam e Dick fica sabendo quão bem este colega está e que sua vida mudou completamente - para melhor - depois que parou de fumar, graças a uma empresa chamada Ex-Fumantes Ltda. e seu método único de parar com o vício. Dick resolve tentar.
Mal sabia ele...
História vale muito a pena! Para quem prestar atenção, vai ter um pequeno ponto no início que é relembrado no final de forma espetacular!
EX-FUMANTES LTDA.
237  East 47th Street
Nova York, N.Y. 10017

1 Tratamento $2500.00
Orientador (Victor Donnati) $2500.00
Eletricidade $0.50
Total (favor pagar esta importância) $5000.50.”

Eu Sei do que Você Precisa: Conta a história de Elizabeth, uma jovem que estava estudando para as provas finais – com medo de perder a bolsa caso seja reprovada – quando um jovem misterioso aparece, afirmando saber do que ela precisa.
Uma casquinha de morango com duas bolas.
Esse conto acerta em vários aspectos, indo além do terror propriamente dito.
Edward Jackson Hammer Junior, o rapaz que encontra Beth na biblioteca da faculdade, foge ao estereótipo clássico de jovens universitários sedutores: Ele é magrelo, desengonçado, usa roupas sem combinação alguma e óculos enormes.
Ponto forte, visto que o clichê rapaz lindo sedutor misterioso que todas querem e só a protagonista consegue ter já está passado e na minha opinião, obsoleto. Ed Hammer conquista Elizabeth por realmente saber tudo o que ela precisa. Seja um sorvete de morango, anotações exatas sobre a prova na qual ela precisa ser aprovada ou um ombro amigo quando ela mais precisa desabafar. É quase como se ele fosse perfeito.
Perfeito demais.
Gosto de todo o clima da trama, revelando personagens passíveis de erros e pensamentos nada lisonjeiros que revelam a verdadeira essência humana, egoísta em momentos que nos deixaria envergonhados admitir.
Edward é um personagem extremamente carismático, destarte o enredo e a forma como ele é abordado mais ao final. Incita a pena, a compaixão e até mesmo, a compreensão visto tudo que passou em sua vida. Será que ele é mesmo tão condenável assim?
Texto para reflexões, incluindo a respeito de relações destrutivas e obsessivas, mostrando-as como realmente são: venenosas e perigosas. E não é só porque os envolvidos não enxergam ou acreditam nisso, que deixa de ser verdade.
Começou a chorar novamente, e ficou um pouco abalada com a força inesperada daquele choro. Então ele a abraçou, e então tudo ficou bem.”


Meus queridos, foi isso! Se você ainda não leu as outras partes da resenha, pode encontrá-las aqui: parte 1 e parte 2.
Terminamos o terceiro quarto de Sombras da noite e fechamos quinze contos hoje! Mais cinco e encerramos o livro (: O que estão achando? Qual conto você ficou mais instigado a ler?
Me conte nos comentários e não se esqueça de cobrir os pés a noite para se proteger daquela mão cadavérica escondida no escuro, debaixo da cama.

Boas leituras e um beijo da Heavy.

Eu ♥ Resenhas: Sombras da Noite - 2


Salve, salve!

E sem perder tempo, vamos pra segunda parte das resenhas sobre Sombras da Noite, que é o que interessa.

O Bicho-Papão: Essa história. Ok, que criança nunca teve medo do bicho-papão? Ou do homem do saco, do chupa-cabra ou qualquer desses monstros que nos impediam de dormir quando éramos pirralhos? Na trama, um homem é assombrado por essa criatura dos contos de horror e procura a ajuda de um psicólogo para contar sua experiência com um ser que, no início, ele acreditava ser apenas uma invenção de seus filhos.

Trama muitíssimo bem trabalhada quando trata os medos “infantis” sendo retratados pelo ponto de vista de um homem adulto e, acima de tudo, cético, que acredita que seus filhos estão mentindo ou inventando coisas. Afinal, até aquele momento, para ele monstros não existiam. Ponto final.

melhor da trama é a construção narrativa que envolve a personagem: um pai de família de mentalidade arcaica que se vê confrontado com uma realidade que ele simplesmente jamais havia considerado. É compreensível, portanto, que ele tenha achado que seus filhos estavam mentindo, mesmo em vista de circunstâncias dramáticas.

Traz lembranças muito infantis dos nossos medos mais inocentes e que, aqui, Stephen King faz virar medo de adultos. Acreditem ou não, eu olhei pro meu guarda-roupas desconfiada na noite em que li esse conto, antes de dormir. Sério.

E o final é um integrante do meu top 5 de finais favoritos do livro.

“-Vim vê-lo porque quero contar minha história – dizia o homem no divã do dr. Harper.

O homem era Lester Billings, de Waterbury, Connecticut. De acordo com o histórico anotado pela enfermeira Vickers, tinha 28 anos, trabalhava numa firma industrial em Nova York, era divorciado e pai de três filhos. Todos falecidos.

-Não posso procurar um padre porque não sou católico. Não posso procurar um advogado porque nada do que eu fiz justificaria uma consulta. Tudo o que fiz foi matar meus filhos. Um de cada vez. Matei todos.”.


Massa Cinzenta: Eu adoro essa história e, particularmente, é uma das minhas preferidas.

Começa em um bar, onde um grupo de amigos está bebendo. Repentinamente, um garoto chamado Timmy, choroso, entra correndo no bar. O dono do lugar, Henry Parmalee, leva-o para os fundos e descobre que o pobre menino está em desespero porque, aparentemente, há algo errado com seu pai, Richie Grenadine – um homem aposentado por invalidez que gasta muito de sua pensão com cervejas.

Confesso que fiquei com muita pena do Timmy logo no início – e isso só se intensificou justificadamente ao longo do conto. Depois disso, Henry chama dois outros clientes que estavam no bar, Bertie e o protagonista que nos dá a visão da história, para ir checar o pai do garoto. O nome da personagem, que narra tudo em primeira pessoa, não é dito, ou, pelo menos, eu não vi ser citado em momento algum. Enquanto caminham até o pequeno apartamento de Richie em meio à neve e um vento congelante, Henry conta a eles o que Timmy lhe relatou... Algo horrendo, macabro. E real. Enquanto o grupo vai até o apartamento sujo, num prédio completamente abandonado, você se sente impelido a segui-los. O cheiro de podridão dentro do recinto é tão intenso que chega ser palpável. Sufocante.

Clima de mega tensão durante todo o conto. A visão dada pelo protagonista dos fatos narrados por Henry, que foram ditos a ele por Timmy, e alguns dos acréscimos que ele mesmo, o narrador, faz à história, são pontos muitíssimo interessantes. O final é deixado em aberto, então você pode imaginar o que aconteceu e o que vai acontecer dali pra frente. Já perdi as contas de quantas vezes reli esse conto.

O garoto disse que devia ter sido a cerveja – você sabe como, de vez em quando, aparece uma lata estragada. Choca ou cheirando mal, ou verde como as manchas de urina nas cuecas de um irlandês. Um sujeito uma vez me disse que só é preciso um buraquinho de nada para deixar entrar bactérias que fazem coisas bastante estranhas. O buraco pode ser tão pequeno que a cerveja mal se derrama, mas as bactérias conseguem entrar. E cerveja é um bom alimento para alguns desses bichos.”


Campo de Batalha: Nessa história, John Renshaw, um assassino de aluguel, recebe um pacote contendo soldadinhos de guerra com uma dedicatória suspeita. Brinquedos muito famosos nos EUA, conjuntos de infantaria são marcos da história da indústria de brinquedos americana (atualmente não tão famosos e feitos de plástico, ao contrário do que acontecia há dois ou três séculos, época em que eram feitos de chumbo). Mas esse, em particular... Pode não ser exatamente a melhor opção para dar de presente para o seu filho no Natal.

Eu digo o que já falei sobre os outros: é tenso e chocante. Quero dizer, você recebe um livro na sua casa e ele começa a te atacar, se jogar na sua cara e ameaça te cortar até a morte com as páginas. É muito surreal. Mas quando você abre a mente e pensa... “E se...?” O conto acerta na medida para te deixar com um gosto estranhamente ácido na boca ao olhar pros seus antigos brinquedos.

Apesar de ser um conto de suspense e ação mais do que terror propriamente dito, é muito gostoso de ler. Quem gosta de histórias de guerra vai curtir essa e reconhecer alguns traços da estratégia usada pelos soldadinhos! Muito legal mesmo!

“Ei, crianças! Especial neste Baú do Vietnã!
(Promoção por tempo limitado)
1 Lança-mísseis
20 Misséis terra-ar “Twister”
1 Arma Termonuclear (Modelo em Escala)”


Caminhões: Como seria o mundo se os automóveis criassem vida própria e se revoltassem contra os humanos? O que aconteceria se jatos, navios, carros, motos, tratores... Se cada um desses automotores não fosse mais suscetível ao nosso controle?

Um grupo de pessoas fica preso numa lanchonete à beira da estrada quando essa revolução dos automóveis começa. O conto narra os eventos que se arrastam e as pessoas em suas desesperadas tentativas de sobreviver enquanto esperam que algo aconteça para se vejam livres daquela realidade.

Ótimas cenas de morte; há um trecho em particular que eu adoro. É quando um certo personagem que todos julgavam morto começa a gritar do lado de fora, pedindo ajuda; é meio da noite e ninguém o ouve, exceto o personagem principal e uma garota. Ela diz que eles precisam ir ajudá-lo, mas o personagem principal pergunta a ela se estaria disposta a abraçar a possibilidade de que o próprio namorado fosse lá fora para resgatar o pobre homem e acabasse morrendo na tentativa. A menina simplesmente arregala os olhos e afirma que também não ouviu nada. Abraça o namorado e volta a dormir. O homem grita por horas, até silenciar.

Isso demonstra um lado não muito lisonjeiro dos seres humanos, mas extremamente real. Quem estaria disposto, realmente, a enfrentar a morte para tentar salvar alguém que mal conhece? Quem, de fato, numa situação daquelas, estaria disposto a arriscar? Gosto especialmente dessa parte pela reflexão que ela traz.

E eu confesso, o último parágrafo me fez sentir um ser humano bem pequenino, perto das catástrofes que podem acontecer.

“O cozinheiro já está cambaleando um pouco. Também é um cara velho. Tenho de acordar a garota.

Dois aviões deixam rastros prateados no horizonte que vai escurecendo, a leste.

Gostaria de poder acreditar que há pessoas a bordo.”


Às Vezes Eles Voltam: História tensa que tem magia negra. Sério.

Um professor reencontra, já adulto, a gangue de marginais que causaram um evento trágico em sua vida quando ele era criança e que parecem ter voltado para atormentá-lo. Dessa vez, contudo, ele está decidido a não ser mais um garoto com medo dos mesmos fantasmas que o infernizaram há tantos anos.

Clima de super-tensão e agonia. Eu quase queria pular as páginas para saber como é que ia acabar, fora o fato de que é possível vislumbrar, no desenrolar da trama, a transição da personagem de um homem quase apático e assustado para outro mais decidido, moldado especialmente pela dor de um acontecimento. Essa mudança é essencial para o final e o arco narrativo é muito bem fechado e trabalhado.

Excelente para quem gosta de histórias com ritual, demônios e cenas de mutilação.

“Ele veio pela calçada, segurando a pasta nova numa das mãos e quatro livros didáticos na outra. Ela podia ver o título na capa do que estava por cima – Introdução à Gramática. Pôs as mãos em seu ombro e perguntou:

-Como foi?

E ele sorriu.


Mas naquela noite, ele voltou a ter o velho sonho pela primeira vez em muito tempo, e acordou suando, com um grito preso na garganta.”


Bom galera, essa foi a segunda parte da resenha de Sombras da Noite. Se você ainda não leu a primeira parte, pode conferir aqui.

Até a próxima!

Um beijo da heavy e boas leituras.

Eu ♥ Resenhas: Sombras da Noite - 1

Salve, salve!

Essa semana não tem Mestres Literários, mas tem resenha! E a obra da vez é Sombras da Noite, Stephen King!













Título Original:
 "Night Shift"
Autor: Stephen King.
Ano: 1978.
Número de Páginas: 511.
Editora: Objetiva.
Edição: 1 / 2013
Tradutor: Adriana Lisboa

Esse livro foi originalmente publicado em fevereiro de 1978, nos Estados Unidos, com o título original Night Shift e reúne 20 contos de Stephen King, sendo alguns de seus mais conhecidos, integrantes desta obra.

Os contos são:

Jerusalem's Lot
Último Turno
Ondas Noturnas
Eu Sou o Portal
A Máquina de Passar Roupa
O Bicho-Papão
Massa Cinzenta
Campo de Batalha
Caminhões
Às Vezes Eles Voltam
Primavera Vermelha
O Ressalto
O Homem do Cortador de Grama
Ex-Fumantes Ltda
Eu Sei do que Você Precisa
As Crianças do Milharal
O Último Degrau da Escada
O Homem que Adorava Flores
A Saideira
A Mulher no Quarto

Então, ao livro.

Sombras da Noite é essencialmente de suspense e horror. Aqui é possível perceber como Stephen King gosta – e sabe - não apenas de mexer com os medos mais intrínsecos do ser humano, como também de explorá-los, relembrá-los. E torná-los assustadoramente reais. Digo isso porque enquanto lia O Bicho-Papão, me vi realmente – acreditem! – olhando de soslaio pro meu armário. Lia mais uma página. Outra corrida com os olhos para o móvel que de alguma maneira, parecia até zombar de mim.

Eu ♥ Mestres Literários: Stephen King


Salve, salve!

A convite da Roxane e da Carine, eu fui convidada para integrar a equipe do Eu <3 Livros e com muito orgulho, estou aqui pra tentar dividir com vocês o meu vício pela literatura como um todo e para tentar trazer um pouquinho do que eu sei e do que acho legal de ser compartilhado com os leitores do blog. E para começar, eu resolvi criar essa pequena coluna sobre autores. Afinal de contas, o que seria de nossas estantes sem as obras dos nossos queridos mestres?

E para estrear esse espaço, eu escolhi um autor que me influenciou muito mais do que qualquer outro. Ele é um ícone mundial, especialmente para os fãs do bom e velho horror que como ele, só dormem com os pés debaixo do cobertor.

Porque se não o fizermos, uma mão fria e cadavérica com certeza segurará nossos tornozelos no meio da noite.

Senhoras e senhores, o ilustríssimo mestre do terror: Stephen King.


Stephen Edwin King


Stephen Edwin King nasceu em 21 de Setembro 1947, em Portland, Maine. É o segundo filho de Donald Edwin King (nascido em 1913, em Peru, Indiana) e Nellie Ruth Pillsbury King (nascida em 13 de Março de 1913, em Scarborough, no Maine) que se casaram em 1939, na cidade de Cumberland Country, no Maine.

Quando ele tinha apenas dois anos, seus pais se separaram. O pai, sob o famoso jargão de "Sair para comprar um pacote de cigarros" abandonou a família. Desde então, Stephen King e seu irmão mais velho adotivo, David King, foram criados por sua mãe, enfrentando algumas vezes, graves dificuldades financeiras que nunca impediram Ruth de cuidar dos dois garotos.

Sua infância foi passada entre Fort Wayne, Indiana, onde a família de seu pai vivia na época, e em Stratford, Connecticut, onde ele viveu até os onze anos de idade, com sua mãe. A essa altura, eles voltaram para a cidade de Durham, Maine, uma vez que seus avós maternos (Guy e Nellie Pillsbury) já debilitados pela idade avançada, precisavam de cuidados e Ruth foi persuadida por suas irmãs a tomar conta dos pais.

Lá, eles receberam de familiares uma pequena casa e algum suporte financeiro. Ruth cuidou dos pais até que os mesmos morreram, passando depois a trabalhar em uma cozinha, numa casa para pessoas mentalmente adoentadas.

Conta-se uma história sobre Stephen, na qual quando era apenas uma criança, ele viu um amigo ficar preso em uma linha ferroviária e ser morto por um trem. Várias pessoas especularam ser esse momento tão traumatizante a origem de sua inspiração para escrever histórias de terror. Entretanto, o próprio Stephen já admitiu não ter memórias desse evento e não faz menção a respeito em sua obra On Writing: A Memoir of the Craft. O que se sabe é que um dia, ele saiu de casa para brincar com um amigo e voltou algum tempo depois, paracendo estar em completo estado de choque. Somente mais tarde, a família soube o que havia acontecido com o garoto e fez a associação.

Stephen King quando era garoto.

Seu interesse pelo horror foi expressado ainda cedo, sendo ele um ávido fã e leitor da EC's horror comics, incluindo Tales from the Crypt. Ele começou a escrever por diversão enquanto ainda estava na escola contribuindo para o jornal que seu irmão David publicava, o Dave's Rag. Algum tempo depois, ele começou a vender suas histórias para os seus amigos, sendo estas baseadas em filmes que ele via, tendo sido forçado a parar quando seus professores descobriram e o obrigaram a retornar aos seus estudos acadêmicos.

Ele se formou na Lisbon Falls High School em 1966, ingressando na University of Maine, em Orono onde estudou inglês e escreveu para o jornal estudantil, o Maine Campus, uma coluna intitulada "Steve King's Garbage Truck" (ou "Caminhão de Lixo do Steve King"). Ele se graduou Bacharel de Artes em Inglês, em 1970, mesmo ano em que nasceu sua primeira filha, Naomi Rachel King. Um ano depois, ele se casou com Tabitha Spruce, sua esposa até hoje, que ele conheceu inclusive, na biblioteca Fogler da faculdade onde estudava, depois de um workshop de um professor.
Entretanto, foi em 1967 que Stephen King vendeu sua primeira história, profissionalmente, para a Startling Mystery Stories, o conto The Glass Floor ("Chão de Vidro"). Depois, nos primeiros anos de seu casamento, ele continuou vendendo contos para revistas masculinas e muitos deles foram reunidos e publicados na obra Night Shift (traduzido no Brasil como Sombras da Noite) ou em coleções posteriores.

Em 1971, ele começou a lecionar inglês na Hampden Academy. Ele continou escrevendo durante a noite e nos finais de semana, para então em 1973 ter o conto Carrie aceito para publicação pela Doubleday & Co. e seu novo editor, Bill Thompson, disse a ele que uma grande venda de livros o permitiria deixar a licenciatura e se dedicar unicamente a escrita.

Em 1974, Carrie foi publicada com um investimento inicial de U$ 2,500 gerando em retorno mais de U$ 400,000 para Stephen King nos anos seguintes, com direitos autorais e vendas dos livros.  Pouco antes, a família King se mudou para o Maine em razão da saúde precária de sua mãe e foi nesse período que ele escreveu o conto que originalmente se intitulava Second Coming, depois mudado para Jerusalem's Lot e finalmente, Salem's Lot (que também se encontra em Sombras da Noite). Ruth King faleceu de câncer no útero pouco depois da publicação de Carrie e foi sua tia Emrine quem leu a história para ela antes de sua morte. Ruth tinha apenas 59 anos.

Nessa época, ele já enfrentava um sério problema com a bebida, que viria a permanecer durante dez anos, e chegou admitir que estava bêbado durante o funeral de sua mãe.

Depois da morte de Ruth, a família King trocou o Maine por Boulder, no Colorado, que foi onde Stephen escreveu The Shinning (traduzido “O Iluminado” no Brasil) e onde ele começou e escreveu boa parte do conto The Stand, que foi terminado quando em 1975 a família retornou ao Maine, sendo este conto publicado apenas três anos depois.



Em 1978, Night Shift foi lançado, reunindo vinte das obras de Stephen. Dentre elas, várias foram adpatadas para o cinema, como As Crianças do Milharal (Colheita Maldita), Último Turno (A criatura do Cemitério) e O homem do Cortador de Grama (O Passageiro do Futuro). Nesta obra, no prefácio, ele admite seu problema com o tabagismo, mas diz que conseguiu diminuir o vício trocando a marca de cigarros que fumava desde os dezoito anos, sem filtro, por outra com baixos níveis de nicotina e alcatrão. Além de falar sobre medo e sobre escrever, ao final, ele agradece a quatro grupos de pessoas. Sua mãe, sua esposa e filhos, compõe o primeiro grupo, por todo apoio e carinho durante sua carreira. No segundo grupo, está seu editor William G. Thompson, que segundo suas palavras: “foi gentil com um jovem escritor sem qualquer currículo alguns anos atrás, ficando ao seu lado desde então.”. No terceiro grupo, Stephen dedicou seu obrigado aos primeiros compradores de sua obra.

No último e quarto grupo, Stephen dedica seu obrigado a cada um dos leitores que um dia compraram suas obras. Segundo ele: “Jamais teria acontecido sem você. Então, obrigado.”

Eu sou apaixonada por esse prefácio!

Essas são as duas versões brasileiras (uma lançada pela Suma e a outra pela Ponto de Leitura) e uma das versões americanas. Nos EUA existem ainda outras capas, uma bem famosa tem uma mão com vários olhos estampada.

Em 1978 os King já tinham se estabelecido no Maine novamente. A essa altura, a família já estaria completa com Naomi Rachel, Joe Hill e Owen Phillip King, os três únicos filhos do casal. Ainda hoje, Stephen e Tabitha mantém uma casa no local, mas agora dividem sua estadia entre as casas que tem na Florida, em Bangor e em Center Lovell.


A Coleção Torre Negra e Pseudônimos

A coleção Torre Negra (“The Dark Tower Series” título original) é uma coleção de livros que começou a ser escrita na década de 70. Foi publicado o primeiro conto, The Dark Tower: The Gunslinger (“A Coleção Torre Negra: O Pistoleiro”) originalmente sob a edição de Edward L. Ferman, em cinco partes, de 1977 a 1981, na revista The Magazine of Fantasy & Science Fiction. Um ano depois, foi relançado em forma de livro.

Nos próximos quarenta anos, seriam escritos e publicados os outros volumes da série que alcançariam a marca de mais de trinta milhões de livros vendidos em cerca de 40 países.

A trama se passa em um cenário que mistura os mundos de Tolkien (O Senhor dos Anéis) e os velho-oestes americanos, principalmente os do veterano Clint Eastwood. Não vou contar a trama porque na verdade, são livros que contém histórias entrelaçadas – tendo cada um sua própria sinopse - e pra mim é bem complicado falar deles sem dar spoilers. Basicamente, é a trajetória de Roland Deschain em sua busca pela Torre Negra, que na trama seria o nexo de todo o universo.

Melhor que isso eu não consigo, meus queridos. Eu lamento ): E em off um instante, eu pretendo fazer resenhas sobre os livros da coleção, então eu espero me redimir com vocês pela falta de informações contidas aqui.

De todas as formas, os demais volumes são:

The Drawing of the Three (A Escolha dos Três) (1987)
The Waste Lands (As Terras Devastadas) (1991)
Wizard and Glass (Mago e Vidro) (1997)
Wolves of the Calla (Lobos de Calla) (2003)
Song of Susannah (A Canção de Susannah) (2004)
The Dark Tower (A Torre Negra) (2004)
The Wind Through the Keyhole (O Vento Pelo Buraco da Fechadura) (2012)

No Brasil, foram publicados pelas editoras Objetiva, Suma de Letras e Ponto de Leitura (sendo desta, uma edição de bolso). Nos EUA, pela editora Grant.

A versão brasileira, da editora Objetiva, é essa aqui:


E a ameri-meusonhodeconsumoeterno-cana:



Sobre Richard Bachman, cabe dizer que foi um pseudônimo que King usou, para publicar os textos Rage (1977), The Long Walk (1979), Roadwork (1981), The Running Man (1982) e Thinner (1984). A ideia dele era refutar as alegações de alguns de que seu sucesso era mero “acidente”. Ele também usou outro pseudônimoJohn Swithen que usou para publicar The Fifth Quarter.


Acidente e Aposentadoria

Em 1999, enquanto corria por uma rodovia, Stephen sofreu um grave acidente quando foi atingido por um carro e lançado para fora da pista, caindo de um barranco de cerca de cinco metros de altura. Ironicamente, naquela época, ele também escrevia um texto onde um jovem morria atropelado por um carro. King teve uma perfuração no pulmão, lacerações na escápula, várias fraturas na perna direita e uma fratura no quadril – problema este que viria influenciar sua decisão de aposentadoria, anos depois.

Depois de passar por dez cirurgias em cinco dias e tratamento fisioterápico intenso, Stephen terminou sua obra On Writing, sendo que ele já não conseguia ficar mais do que quarenta minutos sentado, sem sentir dor em função dos danos causados pelo acidente. Com o passar do tempo, o incômodo tornou-se insuportável.

Uma das versões do livro. Eu já vi também outras duas capas, mas nunca encontrei aqui no Brasil pra comprar, infelizmente ):


Em 2002, ele anunciou que estaria se aposentando da literatura.
Para a felicidade de todos os fãs do terror, isso acabou nunca acontecendo de fato. Em 2003, publicou “Cell” ou “Cellphone” (O Celular) e até 2010, publicaria ainda “Duma Key”, a coleção “Just After the Sunset” e a história “Under the Dome”.


Novidades
Seus últimos trabalhos publicados foram “11/22/63”, de 2011. Em 2012 foi publicado o oitavo livro da coleção Torre Negra, “The Wind Through the Keyhole” (Traduzido como “O Vento Pelo Buraco da Fechadura”) e anunciadas as publicações de “Joyland” (previsto para 4 de Junho deste ano) e uma sequência de The Shinning, chamada Doctor Sleep (previsto para 24 de Setembro de 2013). Essas datas são do lançamento dos EUA, então não sei quando os livros vão – e se vão, já que muitas obras nunca vieram para o Brasil – vir para cá. Todos de dedos cruzados!
De todas as formas, ainda esse ano teremos mais uma adaptação do trabalho do mestre. Em 24 de Junho, vai estrear nos EUA a série baseada na obra “Under the Dome” produzida pela CBS. A história é sobre uma cidadezinha chamada Chester’s Mill’s e seus habitantes que lutam para sobreviver, quando uma redoma misteriosa recobre toda a cidade, separando-os do mundo exterior. Esse livro foi trazido pro Brasil – Hell yeah! – e publicado pela editora Suma de Letras com o título traduzido “Sob a Redoma”. No Submarino.com tem disponível, para quem quiser adquirir um. O preço pode variar, mas a faixa média gira em torno de R$ 55,00.


Também foi anunciada uma edição especial do livro The Shinning que será lançado em Novembro deste ano, em capa dura. Em três formatos, Gift Edition, Limited Edition e Lettered Edition, a editora Subterranean Press vendeu 802 cópias assinadas (Limited e Lettered Edition) sendo que as 750 cópias da Limited custavam $ 450 e as da Lettered, $2,500.
As Gift Edition, que estão estimadas em 1.500 cópias não autografadas, custam $95 e ainda podem ser encomendadas pelo site da editora, enquanto as outras duas edições já estão esgotadas ):

Imagem do site da Subterranean Press.
Atualmente, Stephen e sua esposa ainda vivem no Maine e agora a família King conta com quatro integrantes a mais, os netos do casal. Tabitha também é escritora e romancista, além de seus filhos Joe Hill e Owen Phillip também terem seguido os passos dos pais, sendo autores publicados nos EUA.


Bom, acho que era isso. Espero ter conseguido aprofundar o conhecimento de quem já conhecia o autor e para quem ainda não, ter despertado o interesse em ler seus contos. Meu post é mega mega mega puxa-saco mesmo, porque eu sou terrivelmente apaixonada pelas histórias dele e já li a maioria delas. Sendo uma grande fã de Stephen King e do bom e velho horror, posso dizer que é o meu autor favorito e um mestre na arte de assustar.
E então galera, o que acharam? Quem já leu uma história dele e qual? Me contem o que acharam nos comentários e qual a sua história de terror favorita!
Até o próximo Mestres Literários, um beijo da heavy e boas leituras!

P.SOs livros em inglês podem ser adquiridos pela Amazon.com e você pode tê-los entregues na sua casa (: Eu recomendo o site para quem, como eu, gosta de ter as versões originais das histórias.

P.P.SAs versões brasileiras podem ser encontradas na Saraiva.com e na Submarino.com (no Submarino eu achei as edições da Objetiva e da Ponto de Leitura da coleção Torre Negra) mas vale a pena dar uma conferida no site da Livraria Cultura também.


(¹) As informações contidas neste post foram coletadas em sites diversos, de pesquisa e notícias, dentre eles o site oficial do autor e a wikipedia, além de registros de jornais (a exemplo das informações referentes ao acidente de 1999). Ainda foi utilizada como fonte a própria obra On Writing.
 
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