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Eu ♥ Resenhas: O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra e Outras Histórias

Salve, salve!

E então, meus narnianos queridos? Como vão?
Bem, eu espero.
Eu ando um pouco off de resenhas e Mestres, porque como eu já expliquei, andei em época de provas na faculdade e aí fica bem complicado conciliar provas + estágio + concurso + grupo de pesquisa. Mesmo que eu escreva um pouquinho cada dia, ainda assim não é o suficiente pra me manter sempre up por aqui. Lamento muito, de novo ):
De toda forma, hoje eu trouxe uma resenha nova pra vocês!
Quem aí gosta de poesia?
Meus queridos, muitos podem não saber, mas eu sou verdadeiramente apaixonada por Tim Burton. Suas obras – literárias ou cinematográficas – são vícios que eu ainda vou ter todos na minha estante. O primeiro filme infantil que meu pai me levou para ver no cinema foi O Estranho Mundo de Jack (e eu era tão pequena que nem me lembro, mas ele guardou os ingressos da estreia!) e eu sou apaixonada pelo estilo stop-motion tão característico de Burton. Isso pra não contar Vincent, Frankenweenie, Beetlejuice, Edward Scissorhands... E os mais-não-tão-atuais, Alice, A Fantástica Fábrica de Chocolate, Sweeney Todd.
Enfim.
Há algum tempo eu ganhei um dos meus mimos mais queridos.
E hoje eu vim fazer resenha para vocês.

O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra e Outras Histórias.


Título Original: "The Melancholy Death of Oyster Boy & Other Stories"
Autor: Tim Burton.
Ano: 1997.
Número de Páginas: 123.
Editora: Girafinha.
Edição: 3 / 2012
Tradutor: Márcio Suzuki




Ok. É um pouco complicado fazer uma resenha de um livro de poesias, mas dá pra fazer alguns comentários que eu espero ajudá-los, caso tenham interesse em ler a obra. (:
O livro é composto por vinte e três poesias, além de conter imagens de ilustrações feitas pelo próprio Burton em cada um, que são verdadeiros plus à leitura.
Como é de se esperar de todo trabalho do autor, há uma mistura entre o bizarro e o infantil, não sendo um livro recomendado para crianças, contendo temas mais voltados para público juvenil e adulto.
Há insinuações de traição (conjunção carnal com um aparelho de cozinha), vício em substâncias entorpecentes, mutilação e infanticídio. Ou seja, pode ser melhor não ler os poemas pro seu irmãozinho de três anos.
O trabalho de edição da editora Girafinha ficou muito bom, mas eu não posso fazer uma análise mais detalhada como geralmente gosto nas resenhas. Meu livro foi comprado na Estante Virtual e eu paguei acho que dez reais por ele. Uma bagatela! O problema é que o vendedor esqueceu de dizer que o exemplar tinha uns cortes nas orelhas das capas e que a lombada estava torta (como se tivessem colado errado no livro). Isso não é, de forma alguma, culpa do site. O sebo que me vendeu deveria ter especificado melhor. Mas como de forma geral o livro estava bem novinho mesmo, eu acabei relevando (:
A capa é de um amarelo pastel bem bonito, com uma ilustração em preto com traços bem infantis que eu achei quase melancólica. Mas um amor.
Tirei algumas fotos pra vocês poderem dar uma olhada!

A primeira foto é só da capa - ignorem o fone de ouvido ): - e ali tem a lombada meio "deslocada". A segunda é a capa e a orelha, e dá pra ver o corte enorme que eu mencionei, bem como na foto debaixo, que é o final do livro e tem o mesmo defeito. E também uma foto de uma das ilustrações, da poesia "A Menina de Olhos Fitos" (Staring Girl.)

O poema principal conta a história do menino ostra, um garotinho que nasce com uma terrível deformidade. Filho de pais “normais” que o concebem em sua lua de mel, após ingerirem um prato de frutos do mar, ele é visto por sua família como um estorvo e uma maldição.
A história demonstra com bastante clareza a repulsa que os pais sentem pelo garoto tão diferente que tiveram. Não há em momento algum qualquer empatia dos dois pelo pobre menino ostra e eu senti pena dele o tempo todo. Mesmo sendo uma poesia, é incrível como a história se desenrola quase como se fosse uma narrativa.
Não vou dar spoilers aqui, mas o final é realmente triste e o leitor vai perceber exatamente o que eu disse: os pais nunca amaram aquela criança e eram egoístas demais pra isso. Nunca houve sequer compaixão da parte de ambos.
E o pobre menino ostra não passou de um odioso acidente para os dois.
O livro é excelente e os poemas são mimos adoráveis, porque os personagens mais estranhos e deslocados – como só Burton sabe criar – são verdadeiramente cativantes e é quase impossível não sentir afeto por eles.
Vale muito a pena ter e eu recomendo para quem, como eu, é apaixonado pelo belo e distorcido mundo de Tim Burton.
Até a próxima!

Um beijo da heavy e boas leituras!

Eu ♥ Resenhas: Sombras da Noite - 3


Salve, salve!
E estamos na penúltima parte da resenha de Sombras da Noite! Depois destes, só - ou seria ainda? - teremos mais cinco contos!
Vamos lá?


Primavera Vermelha: Nesse conto, um jovem universitário narra a respeito de misteriosos assassinatos no campus de sua faculdade, cometidos por aquele que chamam “Jack Salto-de-Molas”, sempre encoberto pelo nevoeiro da primavera vermelha, evento atípico que acontece uma vez a cada dez anos, mais ou menos.
O conto inspira muito a imaginação, especialmente quando o título, mesclado a narrativa, torna o enredo tão instigante. O cenário, o campus de uma universidade, traz um clima de suspense inquietante e é possível caminhar pelas sombras, entre os prédios e gramados, com a incrível sensação de se estar sendo observado.
Incrível como todo final de história desse livro é tenso. E digníssimo. E tenso.
“Caminhei até perto da meia noite, até ficar coberto de umidade, e passei por muitas sombras, ouvi muitos passos ecoando sonhadoramente pelas aleias sinuosas. Quem pode dizer que uma daquelas sombras não era o homem ou a coisa que veio a ser conhecida como Jack Salto-de-Molas? Eu não, pois passei por muitas sombras no nevoeiro, mas não vi rosto algum."

O Ressalto: Outra história que eu releio sempre. Aqui, um professor de tênis de um clube local, sr. Norris, se apaixona pela mulher de um homem velho e poderoso, Cressner, e com quem mantém um caso. Quando Cressner descobre, Norris e Márcia (a esposa do velho que muito me pareceu um mafioso) armam de fugir juntos.
 O conto começa com Cressner e Norris conversando no apartamento de luxo do primeiro, um encontro de “cavalheiros” por assim dizer. E é onde o antagonista faz uma proposta a Norris. Se ele aceitar dar a volta no parapeito do prédio que fica a 43 andares do chão, ganha uma grande quantia em dinheiro e pode ficar com a esposa dele. Se não...
Esse conto ganha pelo mesmo motivo do anterior, mas com um ambiente de suspense muito mais forte. A trama toda se desenvolve baseada nas sensações que é capaz de causar ao leitor enquanto acompanha a trajetória de Norris em sua missão.
Coração disparado e respiração descompassada são uma constante durante a leitura.
Minha maior paixão pelos contos desse livro é que não tem final piegas. Bom e velho horror do início ao fim.
-Então você é um tenista profissional – disse ele. – Acho que nunca tinha visto um antes.
-Quer dizer que os seus detetives não tiraram nenhuma fotografia?
-Ah, sim, tiraram – ele gesticulou negligentemente com a piteira. – Fizeram até um filme em câmera lenta de vocês dois no Motel Bayside. Havia uma câmera atrás do espelho. Mas as fotografias raramente são fiéis a realidade, não é mesmo?
-Se você diz.”

O Homem do Cortador de Grama: Enredo simples, história surpreendente. Um homem contrata os serviços de uma empresa para aparar a grama de seu quintal. Até aí parece uma coisa muito cotidiana e comum. E é mesmo. Justamente este motivo, torna esta história tão chocante.
Aqui não há muito que eu possa comentar sem acabar revelando parte essencial do enredo e o que gosto nesse conto é justamente o ar grotesco e obsceno que ele traz – quem leu ou vier a ler, vai saber exatamente da cena que falo quando se deparar com ela.
Absolutamente chocante.
Em meados de Julho, o gramado parecia mais uma campina do que o quintal de uma casa de subúrbio, e Jack Castonmeyer começara a fazer todo tipo de piada extremamente sem graça, a maioria delas aludindo ao preço do feno e da alfafa. E Jenny, a filha de 4 anos de idade de Don Smith, começara a se esconder ali quando havia mingau de aveia no café da manhã ou espinafre no jantar.”

Ex-Fumantes Ltda: Conta a história de Dick Morrison, um fumante que depois de algum tempo, reencontra um velho conhecido em um aeroporto. Os dois conversam e Dick fica sabendo quão bem este colega está e que sua vida mudou completamente - para melhor - depois que parou de fumar, graças a uma empresa chamada Ex-Fumantes Ltda. e seu método único de parar com o vício. Dick resolve tentar.
Mal sabia ele...
História vale muito a pena! Para quem prestar atenção, vai ter um pequeno ponto no início que é relembrado no final de forma espetacular!
EX-FUMANTES LTDA.
237  East 47th Street
Nova York, N.Y. 10017

1 Tratamento $2500.00
Orientador (Victor Donnati) $2500.00
Eletricidade $0.50
Total (favor pagar esta importância) $5000.50.”

Eu Sei do que Você Precisa: Conta a história de Elizabeth, uma jovem que estava estudando para as provas finais – com medo de perder a bolsa caso seja reprovada – quando um jovem misterioso aparece, afirmando saber do que ela precisa.
Uma casquinha de morango com duas bolas.
Esse conto acerta em vários aspectos, indo além do terror propriamente dito.
Edward Jackson Hammer Junior, o rapaz que encontra Beth na biblioteca da faculdade, foge ao estereótipo clássico de jovens universitários sedutores: Ele é magrelo, desengonçado, usa roupas sem combinação alguma e óculos enormes.
Ponto forte, visto que o clichê rapaz lindo sedutor misterioso que todas querem e só a protagonista consegue ter já está passado e na minha opinião, obsoleto. Ed Hammer conquista Elizabeth por realmente saber tudo o que ela precisa. Seja um sorvete de morango, anotações exatas sobre a prova na qual ela precisa ser aprovada ou um ombro amigo quando ela mais precisa desabafar. É quase como se ele fosse perfeito.
Perfeito demais.
Gosto de todo o clima da trama, revelando personagens passíveis de erros e pensamentos nada lisonjeiros que revelam a verdadeira essência humana, egoísta em momentos que nos deixaria envergonhados admitir.
Edward é um personagem extremamente carismático, destarte o enredo e a forma como ele é abordado mais ao final. Incita a pena, a compaixão e até mesmo, a compreensão visto tudo que passou em sua vida. Será que ele é mesmo tão condenável assim?
Texto para reflexões, incluindo a respeito de relações destrutivas e obsessivas, mostrando-as como realmente são: venenosas e perigosas. E não é só porque os envolvidos não enxergam ou acreditam nisso, que deixa de ser verdade.
Começou a chorar novamente, e ficou um pouco abalada com a força inesperada daquele choro. Então ele a abraçou, e então tudo ficou bem.”


Meus queridos, foi isso! Se você ainda não leu as outras partes da resenha, pode encontrá-las aqui: parte 1 e parte 2.
Terminamos o terceiro quarto de Sombras da noite e fechamos quinze contos hoje! Mais cinco e encerramos o livro (: O que estão achando? Qual conto você ficou mais instigado a ler?
Me conte nos comentários e não se esqueça de cobrir os pés a noite para se proteger daquela mão cadavérica escondida no escuro, debaixo da cama.

Boas leituras e um beijo da Heavy.

Eu ♥ Resenhas: Youkai - Roxane Norris

Sinopse

Heilel é um jovem anjo da guarda que tem sua história mudada duplamente num único momento. No dia em que ascende ao cargo de confiança mais alto do Renkai - o plano do julgamento - acaba tendo uma difícil decisão nas mãos: manter sua lealdade a Deus ou salvar sua protegida - uma alma suicida por quem ele cria um vínculo afetivo. Ciente de suas responsabilidades, e não vendo outra saída, ele abidica da honraria e entrega sua alma em troca da dela ao Diabo, que vem exigir pessoalmente seus despojos sobre o julgo. Todavia, a presença de Lúcifer no Renkai não é uma mera coincidência e Heilel - agora nominado Akuma e vivendo no plano terrestre como um Youkai - irá descobrir que há muito mais por trás de uma simples barganha, e que tanto Deus como o Diabo estão envolvidos numa aposta cujo o desfecho pode exigir um preço ainda maior de si mesmo.


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Devo dizer que me senti amedrontada em escrever essa resenha. Youkai é um livro muito importante para mim e vê-lo sendo publicado traz uma emoção que poucas pessoas entendem. Além, é claro, da linda e maravilhosa dedicatória com o meu nome que me fez chorar por pelo menos meia hora a fio. Youkai é o segundo livro do amor da minha vida, Roxane Norris, que mais uma vez arrasou ao escolher o tema de seu romance. 

O livro conta a história de um anjo da guarda que se vê obrigado a fazer uma escolha que, inicialmente, ele pensa ter a ver apenas com ele mesmo, mas que na realidade, envolve um jogo entre Deus e do Diabo pelas almas humanas. 

Heiliel é um anjo da guarda que demonstra grande apreço por sua protegida, Hanya, uma humana de alma sofrida que, por conta das intempéries da vida acaba cometendo suicídio. Isto acontece quando ele é obrigado a deixá-la para assumir um cargo de confiança ao lado Deus e é este fato que o obriga a fazer a tal escolha: Salvar a alma de Hanya de ir para o inferno em troca da sua, ou salvar a si mesmo permanecendo no céu enquanto a essência da mulher por quem se apaixonou sofre em agonia por toda a eternidade nos tártaros do demônio. Heiliel faz sua escolha sem pestanejar, salvando a alma de Hanya e descendo ao inferno, passa a ser chamado de Akuma.

Algum tempo depois, nos vemos no ano de 2006, Akuma alcançou o cargo de confiança do demônio e vive na terra como um Youkai. Tornou-se um grande empresário com uma grande fortuna, mas mesmo depois de tantos anos Akuma nunca foi capaz de esquecer o amor que sentia por Hanya. Porém, enquanto ele pensava que estava tudo bem, o jogo começa novamente entre Deus e o Diabo e mais uma vez, ele parece ser o ponto de ebulição entre as duas apostas. A alma de Hanya volta a encarnar na terra trazendo com ela novamente escolhas que somente ele poderá fazer.

Aí você pensa: “Tudo bem, ele vai encontrar ela e ser feliz para sempre.”

Errado. Duas mulheres cruzam o caminho de Akuma. Duas mulheres diferentes, mas com semelhanças visíveis com o amor de seu passado.

Tudo começa com Carine. Uma camareira empregada em seu hotel de luxo. Cabelos e gestos que o lembram quase imediatamente de Hanya. Ele se deixa envolver pela doçura e carisma e tudo parece bem até que é a vez de Aine.

Uma adolescente bela e de vida sofrida. Aine é filha de um empresário crápula que a explora para manter seus negócios em alta, deixando que seus clientes a “usem” quase como bem entendem. Ela é noiva de Akuma desde bebê, quando ele prometeu a sua mãe que a protegeria das atrocidades cometidas pelo pai.

Ele se vê envolvido demais com Carine e aposta quase todas as suas fichas de que ela é a reencarnação de sua Hanya porém, não entende como a menina Aine não lhe sai da cabeça.
As coisas mudam quando um velho inimigo resolve aparecer no colégio de Aine. Miguel é o anjo mais próximo de Deus, porém está longe de ser o cara mais bonzinho. Ele não se esqueceu de sua rixa com Akuma e agora que a alma de Hanya está em jogo outra vez, ele vai fazer de tudo para ficar ao lado dela e atrapalhar a cofiança depositada em Akuma.

Mas Heiliel ainda deve fazer uma escolha. Ele deve escolher entre as duas jovens: uma o levará novamente para as graças de Deus, a outra o manterá dentro do inferno.

Agora me digam qual delas você gostaria que fosse a escolhida?

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Youkai é uma obra sensacional, de linguagem simples e que prende totalmente a atenção. Em apenas quatro dias eu o li por inteiro e confesso que fiquei com um gostinho de quero mais gigantesco. Mas com um protagonista como Akuma e um rival como Miguel fica quase impossível não desejar que este livro tenha uma continuação.

Ainda tem os demais personagem que cativam a cada linha lida, como as excêntricas e maravilhosas aparições de Lúcifer, as pequenas participações de Gabriel e as próprias falas de Deus que exprimem uma visão bonita Daquele que a tudo rege.

Ao meu ver este é mais um dos maravilhosos livros que a Rô nos deu de presente e, graças a Deus, sei que virão muitos mais tão maravilhosos quanto este.

Youkai será lançado no dia 22-06-2013 no evento Identidade Literária em São Paulo. Deixo aqui minha invejinha das pessoas que vão poder estar lá para prestigiar este dia tão  importante.




Você pode saber mais sobre o evento neste link

Aqui você pode descobrir mais sobre o livro, a autora e seus trabalhos:

Página de Youkai no Facebook.

Youkai no Skoob.

Encontre Roxane no site oficial.

E também no Facebook.


Deixo pra vocês o BookTrailer para dar uma aguinha na boca <3





Um beijo a todos e preparem-se para Youkai!

Eu ♥ Resenhas: Sombras da Noite - 2


Salve, salve!

E sem perder tempo, vamos pra segunda parte das resenhas sobre Sombras da Noite, que é o que interessa.

O Bicho-Papão: Essa história. Ok, que criança nunca teve medo do bicho-papão? Ou do homem do saco, do chupa-cabra ou qualquer desses monstros que nos impediam de dormir quando éramos pirralhos? Na trama, um homem é assombrado por essa criatura dos contos de horror e procura a ajuda de um psicólogo para contar sua experiência com um ser que, no início, ele acreditava ser apenas uma invenção de seus filhos.

Trama muitíssimo bem trabalhada quando trata os medos “infantis” sendo retratados pelo ponto de vista de um homem adulto e, acima de tudo, cético, que acredita que seus filhos estão mentindo ou inventando coisas. Afinal, até aquele momento, para ele monstros não existiam. Ponto final.

melhor da trama é a construção narrativa que envolve a personagem: um pai de família de mentalidade arcaica que se vê confrontado com uma realidade que ele simplesmente jamais havia considerado. É compreensível, portanto, que ele tenha achado que seus filhos estavam mentindo, mesmo em vista de circunstâncias dramáticas.

Traz lembranças muito infantis dos nossos medos mais inocentes e que, aqui, Stephen King faz virar medo de adultos. Acreditem ou não, eu olhei pro meu guarda-roupas desconfiada na noite em que li esse conto, antes de dormir. Sério.

E o final é um integrante do meu top 5 de finais favoritos do livro.

“-Vim vê-lo porque quero contar minha história – dizia o homem no divã do dr. Harper.

O homem era Lester Billings, de Waterbury, Connecticut. De acordo com o histórico anotado pela enfermeira Vickers, tinha 28 anos, trabalhava numa firma industrial em Nova York, era divorciado e pai de três filhos. Todos falecidos.

-Não posso procurar um padre porque não sou católico. Não posso procurar um advogado porque nada do que eu fiz justificaria uma consulta. Tudo o que fiz foi matar meus filhos. Um de cada vez. Matei todos.”.


Massa Cinzenta: Eu adoro essa história e, particularmente, é uma das minhas preferidas.

Começa em um bar, onde um grupo de amigos está bebendo. Repentinamente, um garoto chamado Timmy, choroso, entra correndo no bar. O dono do lugar, Henry Parmalee, leva-o para os fundos e descobre que o pobre menino está em desespero porque, aparentemente, há algo errado com seu pai, Richie Grenadine – um homem aposentado por invalidez que gasta muito de sua pensão com cervejas.

Confesso que fiquei com muita pena do Timmy logo no início – e isso só se intensificou justificadamente ao longo do conto. Depois disso, Henry chama dois outros clientes que estavam no bar, Bertie e o protagonista que nos dá a visão da história, para ir checar o pai do garoto. O nome da personagem, que narra tudo em primeira pessoa, não é dito, ou, pelo menos, eu não vi ser citado em momento algum. Enquanto caminham até o pequeno apartamento de Richie em meio à neve e um vento congelante, Henry conta a eles o que Timmy lhe relatou... Algo horrendo, macabro. E real. Enquanto o grupo vai até o apartamento sujo, num prédio completamente abandonado, você se sente impelido a segui-los. O cheiro de podridão dentro do recinto é tão intenso que chega ser palpável. Sufocante.

Clima de mega tensão durante todo o conto. A visão dada pelo protagonista dos fatos narrados por Henry, que foram ditos a ele por Timmy, e alguns dos acréscimos que ele mesmo, o narrador, faz à história, são pontos muitíssimo interessantes. O final é deixado em aberto, então você pode imaginar o que aconteceu e o que vai acontecer dali pra frente. Já perdi as contas de quantas vezes reli esse conto.

O garoto disse que devia ter sido a cerveja – você sabe como, de vez em quando, aparece uma lata estragada. Choca ou cheirando mal, ou verde como as manchas de urina nas cuecas de um irlandês. Um sujeito uma vez me disse que só é preciso um buraquinho de nada para deixar entrar bactérias que fazem coisas bastante estranhas. O buraco pode ser tão pequeno que a cerveja mal se derrama, mas as bactérias conseguem entrar. E cerveja é um bom alimento para alguns desses bichos.”


Campo de Batalha: Nessa história, John Renshaw, um assassino de aluguel, recebe um pacote contendo soldadinhos de guerra com uma dedicatória suspeita. Brinquedos muito famosos nos EUA, conjuntos de infantaria são marcos da história da indústria de brinquedos americana (atualmente não tão famosos e feitos de plástico, ao contrário do que acontecia há dois ou três séculos, época em que eram feitos de chumbo). Mas esse, em particular... Pode não ser exatamente a melhor opção para dar de presente para o seu filho no Natal.

Eu digo o que já falei sobre os outros: é tenso e chocante. Quero dizer, você recebe um livro na sua casa e ele começa a te atacar, se jogar na sua cara e ameaça te cortar até a morte com as páginas. É muito surreal. Mas quando você abre a mente e pensa... “E se...?” O conto acerta na medida para te deixar com um gosto estranhamente ácido na boca ao olhar pros seus antigos brinquedos.

Apesar de ser um conto de suspense e ação mais do que terror propriamente dito, é muito gostoso de ler. Quem gosta de histórias de guerra vai curtir essa e reconhecer alguns traços da estratégia usada pelos soldadinhos! Muito legal mesmo!

“Ei, crianças! Especial neste Baú do Vietnã!
(Promoção por tempo limitado)
1 Lança-mísseis
20 Misséis terra-ar “Twister”
1 Arma Termonuclear (Modelo em Escala)”


Caminhões: Como seria o mundo se os automóveis criassem vida própria e se revoltassem contra os humanos? O que aconteceria se jatos, navios, carros, motos, tratores... Se cada um desses automotores não fosse mais suscetível ao nosso controle?

Um grupo de pessoas fica preso numa lanchonete à beira da estrada quando essa revolução dos automóveis começa. O conto narra os eventos que se arrastam e as pessoas em suas desesperadas tentativas de sobreviver enquanto esperam que algo aconteça para se vejam livres daquela realidade.

Ótimas cenas de morte; há um trecho em particular que eu adoro. É quando um certo personagem que todos julgavam morto começa a gritar do lado de fora, pedindo ajuda; é meio da noite e ninguém o ouve, exceto o personagem principal e uma garota. Ela diz que eles precisam ir ajudá-lo, mas o personagem principal pergunta a ela se estaria disposta a abraçar a possibilidade de que o próprio namorado fosse lá fora para resgatar o pobre homem e acabasse morrendo na tentativa. A menina simplesmente arregala os olhos e afirma que também não ouviu nada. Abraça o namorado e volta a dormir. O homem grita por horas, até silenciar.

Isso demonstra um lado não muito lisonjeiro dos seres humanos, mas extremamente real. Quem estaria disposto, realmente, a enfrentar a morte para tentar salvar alguém que mal conhece? Quem, de fato, numa situação daquelas, estaria disposto a arriscar? Gosto especialmente dessa parte pela reflexão que ela traz.

E eu confesso, o último parágrafo me fez sentir um ser humano bem pequenino, perto das catástrofes que podem acontecer.

“O cozinheiro já está cambaleando um pouco. Também é um cara velho. Tenho de acordar a garota.

Dois aviões deixam rastros prateados no horizonte que vai escurecendo, a leste.

Gostaria de poder acreditar que há pessoas a bordo.”


Às Vezes Eles Voltam: História tensa que tem magia negra. Sério.

Um professor reencontra, já adulto, a gangue de marginais que causaram um evento trágico em sua vida quando ele era criança e que parecem ter voltado para atormentá-lo. Dessa vez, contudo, ele está decidido a não ser mais um garoto com medo dos mesmos fantasmas que o infernizaram há tantos anos.

Clima de super-tensão e agonia. Eu quase queria pular as páginas para saber como é que ia acabar, fora o fato de que é possível vislumbrar, no desenrolar da trama, a transição da personagem de um homem quase apático e assustado para outro mais decidido, moldado especialmente pela dor de um acontecimento. Essa mudança é essencial para o final e o arco narrativo é muito bem fechado e trabalhado.

Excelente para quem gosta de histórias com ritual, demônios e cenas de mutilação.

“Ele veio pela calçada, segurando a pasta nova numa das mãos e quatro livros didáticos na outra. Ela podia ver o título na capa do que estava por cima – Introdução à Gramática. Pôs as mãos em seu ombro e perguntou:

-Como foi?

E ele sorriu.


Mas naquela noite, ele voltou a ter o velho sonho pela primeira vez em muito tempo, e acordou suando, com um grito preso na garganta.”


Bom galera, essa foi a segunda parte da resenha de Sombras da Noite. Se você ainda não leu a primeira parte, pode conferir aqui.

Até a próxima!

Um beijo da heavy e boas leituras.

Eu♥Resenhas: Chamas de Sangue - The Burns


Título Original: Chamas de Sangue ~ Série The Burns
Autores: M.L. Bastilho.
Ano: 2011. 
Número de Páginas: 
Editora: Literata.
Edição: 1ª Edição.


The Burns conta  a história de Débora Spencer, uma aspirante a atriz que acaba fazendo papéis que não condizem com seus planos e sonhos. Fazendo mais um papel em um filme B de vampiros e no papel da mocinha ingênua - para não dizer estúpida - Débora se sente cada vez mais frustrada e sem chances de sair do fundo do poço. Suas únicas fontes de alegria são Rodrigo, seu melhor amigo e conselheiro e sua linda cachorra da raça labrador. Até que  em uma noite, um convite pronunciado na hora errada (ou certa!?) muda tudo.

Marcos Burns entra em sua vida, a mata e depois a faz renascer para a noite como uma vampira. Débora se vê completamente perdida dentro desse novo mundo e essa nova sociedade que tem suas próprias regras. Qualquer passo fora da lei é motivo para uma cabeça rolar, Débora aprende isso da pior maneira possível durante a sua jornada no primeiro volume da trilogia.

Em The Burns existem clãs e um conselho formado pelos líderes dos clãs mais poderosos, entre eles o clã Burns - é claro. A forma como a autora criou a estrutura da sua sociedade vampiresca me remeteu um tanto a Vampire Knight em alguns pontos, mas nada que matasse a história. Muito pelo contrário. 

A personagem principal, Débora, é um tanto caricata em determinados momentos e chega a ser não só irritante, mas definitivamente chata, porém ela vai melhorando ao longo do livro (mesmo!). A indecisão sobre qual Burns ela quer acaba se tornando massante em certas partes e nós queremos estrangulá-la por fazer o Marcos sofrer tanto (coitado!).

Gostei bastante da parte que mostra o passado e história dos pais dos irmãos Burns, pois esses pequenos capítulos interferem bastante na visão do leitor sobre os dois irmãos, dando tons humanos aos vampiros principais da saga criada por Bastilho.

Certamente esse é um Young Adult bastante divertido e que eu não esperava que pudesse me agradar tanto. A escrita decorre bastante leve e a história é bastante dinâmica.

Vale ressaltar que a edição que tenho em mãos é a primeira e ela está com vários errinhos de revisão e a diagramação e o tamanho da letra são de matar qualquer leitor. Espero que numa segunda edição a editora em conjunto com a autora possam elaborar um livro mais agradável aos olhos na parte interior. Dar um espaço entre a margem e o começo do texto é algo essencial. Ninguém aqui gosta de ler arreganhando livro nenhum, aposto!

Marcos Burns, se tiver cansado da Debby, estamos aí! (Hahahaha, brincadeira! Mas não deu pra resistir :D)

Eu ♥ Resenhas: O Livro das Religiões




Título Original: Religionsboka 

Autores: Jostein Gaarder, Victor Hellern, Henry Notaker (Apêndice por Antônio Flávio Pierucci 

Ano:  2005 

Número de Páginas:  323 

Editora: Companhia de Bolso 

Edição:


 


“Um rápido olhar para o mundo ao redor mostra que a religião desempenha um papel bastante significativo na vida social e política de todas as partes do globo. Ouvimos falar de católicos e protestantes em conflito na Irlanda do Norte, cristãos contra mulçumanos nos Bálcãs, atrito entre mulçumanos e hinduístas na Índia, guerra entre hinduístas e budistas no Sri Lanka. Nos Estados Unidos e no Japão há seitas religiosas extremistas que já praticaram atos de terrorismo. Ao mesmo tempo, representantes de diversas religiões promovem ajuda humanitária aos pobres e destituídos do Terceiro Mundo. É difícil adquirir uma compreensão adequada da política internacional sem que se esteja consciente do fator religião.”




Não importa onde você mora, em que acredita ou se participa de alguma comunidade religiosa. Como o trecho acima do excelente O Livro das Religiões deixa bem claro, nem eu e nem você podemos escapar desse tema polêmico, pois sua influência moldou a história da humanidade. E o objetivo dessa obra é justamente ajudar o leitor na difícil missão de entender a complexa teia de crenças que compõe as principais religiões praticadas pelo mundo todo.
 
O Livro das Religiões foi escrito em parceria por três noruegueses, e a versão brasileira foi a primeira tradução feita do idioma original. Jostein Gaarder é conhecido do público pelo grande sucesso de O Mundo de Sofia – se você já teve oportunidade de ler essa obra, perceberá a semelhança no estilo de escrita de O Livro das Religiões. Victor Hellern é historiador e teólogo. Henry Notaker é jornalista, especializado em política exterior, com correspondências no Leste Europeu e Espanha no currículo. Esse time ainda teve o reforço do cientista social Antônio Flávio Pierucci, que escreveu um apêndice sobre as religiões no Brasil especialmente para a edição tupiniquim. Se algum livro pode ser considerado uma enciclopédia de bolso para desvendar as diferentes crenças da humanidade, é esse aqui.

A introdução do livro abrange a importância da religião na formação do homem com tópicos como “Será que precisamos de uma filosofia de vida?”. Logo depois, no capítulo “Conhecimento religioso” os autores apresentam de forma bem didática os conceitos de rito, sagrado, sacrifícios e várias outras questões inerentes a qualquer religião, preparando o leitor para iniciar a parte verdadeiramente interessante –  as diversas religiões descritas pelos autores.

O texto é simples, direto e imparcial. Não prega nada, apenas informa. Dividido entre religiões orientais e ocidentais, os autores resumiram habilmente desde o Hinduísmo até o Cristianismo (incluindo as diferentes interpretações desse último, como a Igreja Católica Apostólica Romana, a Igreja Católica Ortodoxa, a Igreja Batista, Adventista, e etc). Vale apontar que as informações sobre religiões orientais e africanas parecem mais resumidas do que as ocidentais, principalmente por se tratar de crenças tão antigas, detalhistas e complexas. Eu fiquei satisfeita com a apresentação de algumas religiões das quais eu tinha ideias totalmente equivocadas, mas também com curiosidade suficiente para procurar um texto se aprofundasse mais no assunto – principalmente no Xintoísmo e Taoísmo.

A maior surpresa do livro, e também meu capítulo favorito, encontrei em “Filosofias de vida não religiosas”. Não esperava que os autores fossem falar sobre Humanismo, Ateísmo e até Ufologia! O livro não se abstém de levantar questões como “Convicção ou lavagem cerebral?” ao falar sobre seitas como as que levam fiéis a cometer suicídio coletivo, e encerra refletindo sobre a ética como guia de conduta.

No apêndice brasileiro, o Candomblé, a Ubanda, a diversidade de igrejas cristãs e o Kardecismo entram em cena como elementos da formação religiosa do Brasil. Se você é daqueles que só de olhar uma oferenda para Iemanjá sai dizendo que é macumba, recomendo sinceramente prestar atenção nesse apêndice e desconstruir alguns preconceitos.

Nem precisa dizer que eu adorei o livro, não é? É uma leitura instrutiva, se você estiver inspirado a abrir a cabeça pra diferentes perspectivas de vida. Não é um mergulho emotivo no mundo das palavras, é um exercício de reflexão.
 Algumas pessoas acham esse tipo de coisa maçante, mas eu consegui verdadeiramente me distrair com o texto.

Ao passar pela última página de O Livro das Religiões, senti que era uma obrigação moral trazê-lo aqui pro blog.

Talvez uma pequena dose de conhecimento como essa possa ser o primeiro passo para viver num mundo mais tolerante.
 
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