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Eu ♥ Mestres Literários: Rubem Fonseca
Marcadores: Cia das Letras, Eu ♥ Mestres Literários, Eu ♥ Autores Nacionais, HBO, Literatura Brasileira
Salve, salve!
E então, como vão vocês? Espero que todos cheios de livros pra ler!
Andei
meio em falta com o blog essas duas últimas semanas, mas a faculdade começou a
apertar e eu tenho dois artigos para escrever, além das provas pra estudar, o
grupo de pesquisa, o estágio... Enfim, eu sei que não é desculpa, mas espero que possam
entender que não é sempre, mas só durante alguns períodos do semestre (:
De
toda forma, hoje estou aqui para falar de um grande mestre, dessa vez
brasileiríssimo! Em clima de patriotismo, eu trouxe para a coluna do blog um
dos mais consagrados escritores brasileiros de todos os tempos: Rubem Fonseca.
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| José Rubem Fonseca |
José
Rubem Fonseca nasceu em 11 de Maio de 1925, na cidade de Juiz de Fora, em Minas
Gerais. Aos oito anos ele se mudou para o Rio de Janeiro, onde se graduou em
Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade do Brasil, hoje Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A
literatura não foi seu primeiro ofício e antes de se dedicar integralmente a
escrita, ele foi comissário de polícia, no 16º Distrito em São Cristóvão, ainda
no Rio de Janeiro, até fevereiro de 1958, quando foi exonerado, após seis anos
na força policial.
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| Obra Mandrake |
Ele
não fazia muito o trabalho nas ruas, atuando mais na área de relações públicas
da polícia, em serviços internos. Por ser um exímio aluno da academia, recebeu
a oportunidade juntamente com nove colegas policiais – em Julho de 1954 – de
estudar nos Estados Unidos. A essa altura, ainda não havia no mestre nenhum
viés que acusasse sua veia literária.
No
exterior ele estudou Administração e Comunicação nas universidades de Nova York
e de Boston e de volta ao Brasil, começou a lecionar na Fundação Getúlio Vargas.
Após seu trabalho como policial, ainda teve uma breve estadia na Light, antes
de voltar-se integralmente a escrita e literatura.
Seu
tempo na polícia e sua grande capacidade de percepção acerca da psicologia
humana acabaram influenciando seus trabalhos: Tema constante das obras de Rubem
Fonseca são os marginalizados, ladrões, prostitutas, policiais e todos os
outros personagens que vivem à margem da sociedade. Violência explícita e o
alto teor de sexualidade também estão presentes em seus contos e livros,
demonstrados claramente por meio de uma linguagem direta e sem floreios. Por
essas razões, ficou conhecido como o precursor de um estilo chamado, em 1975,
de “brutalista”.
Uma
grande observação a ser feita sobre o seu trabalho é a falta de moral de seus
personagens: Sejam eles assassinos profissionais ou executivos corruptos, não
há culpa ou remorso em suas ações, não importa quão mal acarretaram. A
dualidade entre o herói e o vilão existe, mas pode ser uma tarefa difícil
determiná-los visto que o autor consegue fazê-los fugir ao clichê de extremos
claramente opostos. Os mocinhos possuem defeitos e distinguem-se dos “caras
maus” por ainda terem algum sentimento de justiça e igualdade que os move
contra a maré de violência que domina as ruas nos enredos de Fonseca.
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| Marcos Palmeira como Mandrake. |
Um
de seus personagens mais notórios é o advogado Mandrake. Atualmente vivido pelo
ator Marcos Palmeira e sob a direção do filho do próprio Rubem Fonseca numa
séria do canal HBO, o criminalista é especializado em casos de extorsão e
exemplifica perfeitamente o que é fato presente nas obras que inspiraram a
série: convive com os extremos da sociedade carioca, de prostitutas a
executivos, sempre tentando achar o melhor jeito de ajudar seus clientes – e
claro, tirar o melhor proveito disso. Cínico, irônico, mulherengo e desprovido
de código moral, Mandrake não é somente um ícone da literatura como também
personifica o trabalho fantástico de Fonseca ao retratar a índole humana.
Em
1967 chegou a escrever críticas cinematográficas para a revista Veja, tendo
também recebido prêmios louváveis por seus roteiros para o cinema, como o
Coruja de Ouro por Relatório de um Homem Casado (dirigido por Flávio Tambelini)
e o Kikito de Ouro por Stelinha (direção de Miguel Faria) no Festival de Cinema
de Gramado.
Outros
prêmios que merecem destaque especial são o Prêmio Jabuti de Literatura, o mais
importante prêmio literário do Brasil, que o autor recebeu nas categorias:
Contos, Crônicas e Novelas, Romance e Literatura Infantil; e o Prêmio Camões,
em 2003, que é considerado o mais importante prêmio para autores da língua
portuguesa, por sua contribuição para a literatura no conjunto de sua obra.
O
autor é muito reservado quanto a sua vida particular e não há muitos registros
de aparições suas, tampouco é figura presente na mídia. Quem o conhece, afirma
que é uma pessoa extremamente afável, bem humorada e modesta, tendo o respeito
não apenas de seus familiares e amigos, como também de todos os admiradores de
seu trabalho.
Atualmente aos 88 anos, é viúvo de Théa Maud e pai de três filhos: Maria Beatriz, José Alberto e o diretor
cinematográfico (inclusive da série Mandrake) José Henrique Fonseca.
E esse foi o Mestres dessa semana! Espero que tenham gostado! E aí, quem já leu alguma obra do autor? Particularmente, as minhas favoritas são Mandrake e Pequenas Criaturas, ambas da Cia. das Letras. As duas estão na minha lista de livros para resenhar ainda esse ano! (:
Me contem suas opiniões sobre o Mestres dessa semana e o que estão achando da coluna em geral (: Qual autor você gostaria de ver por aqui? Me fala nos comentários!
Até a próxima!
Boas leituras e um beijo da heavy.
Eu♥Resenhas: Chamas de Sangue - The Burns
Marcadores: Literata, Literatura Brasileira, Literatura Fantástica, Literatura Vampiresca, M. L. Bastilho, Resenha, The Burns, YATítulo Original: Chamas de Sangue ~ Série The Burns
Autores: M.L. Bastilho.
Ano: 2011.
Número de Páginas:
Editora: Literata.
Edição: 1ª Edição.
The Burns conta a história de Débora Spencer, uma aspirante a atriz que acaba fazendo papéis que não condizem com seus planos e sonhos. Fazendo mais um papel em um filme B de vampiros e no papel da mocinha ingênua - para não dizer estúpida - Débora se sente cada vez mais frustrada e sem chances de sair do fundo do poço. Suas únicas fontes de alegria são Rodrigo, seu melhor amigo e conselheiro e sua linda cachorra da raça labrador. Até que em uma noite, um convite pronunciado na hora errada (ou certa!?) muda tudo.
Marcos Burns entra em sua vida, a mata e depois a faz renascer para a noite como uma vampira. Débora se vê completamente perdida dentro desse novo mundo e essa nova sociedade que tem suas próprias regras. Qualquer passo fora da lei é motivo para uma cabeça rolar, Débora aprende isso da pior maneira possível durante a sua jornada no primeiro volume da trilogia.
Em The Burns existem clãs e um conselho formado pelos líderes dos clãs mais poderosos, entre eles o clã Burns - é claro. A forma como a autora criou a estrutura da sua sociedade vampiresca me remeteu um tanto a Vampire Knight em alguns pontos, mas nada que matasse a história. Muito pelo contrário.
A personagem principal, Débora, é um tanto caricata em determinados momentos e chega a ser não só irritante, mas definitivamente chata, porém ela vai melhorando ao longo do livro (mesmo!). A indecisão sobre qual Burns ela quer acaba se tornando massante em certas partes e nós queremos estrangulá-la por fazer o Marcos sofrer tanto (coitado!).
Gostei bastante da parte que mostra o passado e história dos pais dos irmãos Burns, pois esses pequenos capítulos interferem bastante na visão do leitor sobre os dois irmãos, dando tons humanos aos vampiros principais da saga criada por Bastilho.
Certamente esse é um Young Adult bastante divertido e que eu não esperava que pudesse me agradar tanto. A escrita decorre bastante leve e a história é bastante dinâmica.
Vale ressaltar que a edição que tenho em mãos é a primeira e ela está com vários errinhos de revisão e a diagramação e o tamanho da letra são de matar qualquer leitor. Espero que numa segunda edição a editora em conjunto com a autora possam elaborar um livro mais agradável aos olhos na parte interior. Dar um espaço entre a margem e o começo do texto é algo essencial. Ninguém aqui gosta de ler arreganhando livro nenhum, aposto!
Marcos Burns, se tiver cansado da Debby, estamos aí! (Hahahaha, brincadeira! Mas não deu pra resistir :D)
Eu ♥ Especiais: Criaturas Fantásticas - Zumbis
Marcadores: Especial, Eu ♥ Especiais, Literatura Brasileira, Literatura Estrangeira, Literatura Fantástica, O Guia de Sobrevivência a Zumbis, ZumbisEstreando a série de posts sobre os seres que saíram das páginas dos livros para tomarem conta do nosso imaginário, eu vos apresento os dançarinos de Michael Jackson. Mortos-vivos! Cadáveres ambulantes! Mastigadores em decomposição!
Enfim, esse é o nosso dossiê literário sobre zumbis.
“Outros monstros podem ameaçar humanos individuais, mas os mortos vivos ameaçam toda a raça humana …. Zumbis são os limpadores de ardósia.” Max Brooks
ORIGEM
Bem antes do eterno Rei do Pop inspirar o mundo a imitar os passinhos de Thriller, ou da marcha arrastada dos mortos-vivos nos filmes de George A. Romero ganharem as telonas, os zumbis já estavam por aí. E não apenas no sentido figurado – mortos reanimados são reais para muita gente.
De acordo com o folclore haitiano, um feiticeiro é perfeitamente capaz de trazer uma pessoa do túmulo. Claro que, para isso, há todo um ritual envolvido. O feiticeiro, ou bokor, precisa fornecer uma poção venenosa à pessoa que será dada como morta e enterrada. Algum tempo depois, o feiticeiro desenterraria a vítima e reclamaria controle sobre o corpo, que passaria a obedecê-lo cegamente, sem consciência própria. Esses zumbis haitianos não dão a mínima para devorar cérebros alheios. O conceito era fazer um cadáver de marionete - o que não deixa de ser assustador. Segundo os haitianos, para livrar o zumbi dos comandos do bokor e levá-lo de volta à cova era preciso alimentá-lo com sal.
Tal lenda atraiu a curiosidade científica de um certo etnobotânico de Harvard chamado Wade Davis. Na década de 80, Davis viajou até o Haiti para tentar descobrir o quanto de verdade havia por trás desse burburinho. Dois livros bem controversos nasceram ali.
Em A Serpente e o Arco-Íris (1985) e Passagem das Trevas: A Etnobiologia do Zumbi do Haiti (1988), Davis afirma que os feiticeiros destruíam as funções motoras e o raciocínio lógico do ser humano através da injeção diretamente na corrente sanguínea de toxinas extraídas de peixes e moluscos. As pessoas submetidas ao envenenamento entrariam em um condição inicial de morte, parecido com animação suspensa, despertando em estado psicótico que as levariam a acreditar que estavam efetivamente mortas. Para Davis, a forte crença popular serviria para empurrar a vítima para sua “condição de zumbi”, acarretando em comportamento deprimido e hábitos viciosos (como passear em cemitérios e outras esquisitices supostamente características do cotidiano de um zumbi despertado).
A comunidade científica considera esse estudo tendencioso e crédulo demais para ser levado a sério. O envenenamento pelas substâncias sugeridas por Davis tem entre seus sintomas: enrijecimento dos membros, dormência, náuseas e pode levar uma pessoa à morte – mas nada que explique o comportamento característico de um morto-vivo ou o suposto controle mental exercido pelo feiticeiro.
Aprovada cientificamente ou não, essa lenda afro-caribenha é considerada a inspiração ancestral para os pútridos mastigadores de cérebro.
PRIMEIROS LIVROS
Seria Frankenstein o primeiro livro de um zumbi? Em minhas pesquisas para escrever este humilde post, percebi que muita gente encara como marco zero da história literária de mortos-vivos o romance escrito pela britânica Mary Shelley no início do século XIX. Eu penso diferente. A criatura do Dr. Victor Frankenstein é composta por partes de diversos cadáveres, não um defunto revivido. O princípio de um zumbi não é o de alguém que atravessou a fronteira da morte e voltou? Pois bem. O monstro feito de um catadão do cemitério jamais tinha experimentado a vida antes, e não passou por nenhum processo de transformação para se tornar um zumbi.
O primeiro livro que se atreveu a relatar a existência de zumbis foi publicado nos primórdios do século XX, pelo antropólogo grego Lafcadio Hearn. Em O País dos que Voltam, Hearn descreve vagamente a lenda haitiana sobre os zumbis. Porém, a obra que veio a se tornar a verdadeira apresentação dos zumbis ao mundo ocidental veio a público em 1929 sob o título de A Ilha da Magia. Após ler o livro de Hearn, o jornalista americano William Seabrook viajou até a “terra dos mortos viventes” e escreveu sua narração sensacionalista sobre o grupo de trabalhadores despertados da morte por um feiticeiro vodu para servirem nas fazendas cafeeiras. Para esses haitianos azarados a morte deixou de ser descanso eterno para se tornar lavoura eterna. Até que a mulher do feiticeiro resolve comemorar o feriado de Corpus Christi sendo boazinha, dando doces aos zumbis escravizados por seu marido. O alimento desperta os infelizes do transe por tempo o suficiente para voltarem às suas covas e tombarem de uma vez por todas. O final do feiticeiro é ser massacrado pelos familiares de suas vítimas, entretanto o feitiço de atração pelos mortos-vivos já estava lançado sobre o mundo da literatura.
LEIA ZUMBIS!
Por volta de 1930, HP Lovecraft, venerado autor de terror, escreveu romances explorando os mortos-vivos. Entre eles, o memorável
Na Vault, no qual um zumbi assume as características de devorador ao morder outro
personagem, e o popular Hebert West – Reanimator (que rendeu adaptação livre para o filme ainda mais popular).
Stephen King, o rei das histórias modernas de terror, também se rendeu ao apelo
dos zumbis. Para King, O Cemitério ressuscita entes queridos, mas os traz como
versões psicopatas e demoníacas de si mesmos. Já a trama de Celular mostra
sinais de telefonia móvel transformando pessoas normais em irracionais zumbis
assassinos.
Max Brooks é considerado o especialista
supremo da literatura de zumbis. O Guia de Sobrevivência a Zumbis prepara o
leitor para a futura contaminação mundial de forma completa – estudando desde a
fisiologia dos monstros até a escolha de armas para combatê-los. Na sequência,
Guerra Mundial Z, o narrador entrevista sobreviventes ao Apocalipse Zumbi que
quase extinguiu a humanidade. O livro usa da fantasia para comentar as reações
humanas em situações extremas e criticar problemas da organização social atual.
Best-seller instantâneo.
The Walking Dead, que já era um grande sucesso como HQ e série de TV, agora
invade também as livrarias com seu primeiro livro, A Ascensão do Governador. Os autores Robert Kirkman e Hay Bonansinga trazem
ao leitor uma trilogia separada da HQ, com história independente protagonizada
pelo Governador que comanda a Woodbury pós-apocalíptica.
O inimigo, de Charlie Higson, mostra a
infestação zumbi em Londres. Contudo, apenas pessoas maiores de 16 anos são
afetadas. A criançada que resta precisa se unir para tentar sobreviver.
Em Mar Morto, escrito por Briane Keene, os ratos não transmitem só as doenças nojentas
que nós já conhecemos. Eles são os disseminadores da praga zumbi que transforma
humanos em devoradores irracionais de carne viva.
O roteiro criado por
Paul W. S. Anderson para o
quinto filme da ilustre franquia Resident Evil foi transformado em romance pelo
escritor John Shirley. Resident Evil: Retribuição é a guerra já
conhecida contra a Umbrella Corporation – só que o trabalho de imaginar a Milla
Jovovich barbarizando os zumbis fica por conta da sua imaginação.
Para os pequeninos aprenderem a se virar no caso de um Apocalipse Zumbi, temos
o didático That's not Your Mommy Anymore (sem versão em português), de Matt
Mogk. Alguém tinha que pensar na educação das crianças! Ufa!
Um dos mestres da literatura brasileira,
Érico Veríssimo, usou o tema dos mortos-vivos para fazer uma inteligente crítica
social em Incidente em Antares. No livro, uma greve de coveiros impede a
realização de enterros na cidade de Antares por vários dias. Cansados de
esperar pelo serviço, os mortos se levantam e vão atrás de seus problemas mal
resolvidos em vida. Esse eu li e recomendo para todos os leitores exigentes - fãs de zumbis ou não.
Nenhum autor conseguiu despertar tanto
interesse quanto revolta nos amantes de desmortos do que Isaac Marion. No livro
Sangue Quente, o zumbi R não só é capaz de tecer linhas de raciocínio enquanto
devora seres vivos, como também de se apaixonar. Há quem diga que a história é
apenas uma jogada para aproveitar o sucesso de romances adolescentes com
monstros “adocicados” (como Crepúsculo, é claro). Uma coisa é certa: esse livro
vendeu pra burro e já está com adaptação cinematográfica no forno.
O Guia de Sobrevivência a Zumbis: Protocolo
Bluehand é a versão brasileiríssima de uma enciclopédia para superar um
eventual Apocalipse Zumbi por essas bandas. Escrito pela dupla Deive
Pazos e Alexandre Ottoni, do site Jovem Nerd, a ideia do livro surgiu na
brincadeira durante as gravações do podcast.
Mashups com obras clássicas se multiplicaram
no mercado literário recentemente. O mais popular deles é a versão de Seth
Grahame-Smith do romance Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. Nessa
releitura, a corajosa Elizabeth Bennett, treinada em artes marciais, combate
uma misteriosa doença que afeta a Inglaterra do século XIX, trazendo os mortos
de volta à vida devorando cérebros. Claro que o orgulhoso Sr. Darcy aparece
para desconcentrá-la. Nem o clássico brasileiro Memórias Póstumas de Brás Cubas
escapou de ganhar sua versão trash: Memórias Desmortas de Brás Cubas. Escrito
por Pedro Vieira, o livro mostra a “continuação” da história de Brás Cubas, que
se levanta do caixão para aterrorizar o Rio de Janeiro.
Prometendo ser um guia completo e recheado de
ilustrações nada agradáveis aos olhos, Zumbi: O Livro dos Mortos chegou às
livrarias. O autor e jornalista Jamie Russel acompanha a evolução dos zumbis no
mundo do cinema, com direito a uma extensa lista de obras cinematográficas
protagonizadas por eles.
Pra quem prega que o universo dos mortos-vivos é o cinema, estão aí boas dicas para encher sua estante com provas do contrário. Zumbis estão em alta, e a influência deles no mundo da literatura inspirou histórias para todos os gostos.
Boa leitura e até a próxima Zombie Walk!
Eu ♥ Resenhas : Kaori – Perfume de Vampira
Marcadores: Eu ♥ Resenhas, Giulia Moon, Giz Editorial, Kaori, Literatura Brasileira, Literatura Fantástica, Literatura Vampiresca, ResenhaAutora: Giulia Moon
Ano: 2009
Número de Páginas: 371
Editora: Giz Editorial
Edição: 1ª
A primeira vez que ouvi falar do trabalho de Giulia Moon foi através de uma entrevista com outro autor brasileiro, do qual já era fã, André Vianco. Perguntado sobre a produção de romances vampirescos no país, o nome de Giulia apareceu entre os indicados. Uma rápida pesquisa sobre esta escritora paulistana me revelou “Kaori – Perfume de Vampira”. O trabalho feito na capa é lindo, e a edição caprichada me deixou ainda mais interessada. Comentando com algumas amigas, descobri um número surpreendente de fãs da vampira oriental. Elas me indicaram o livro com tanto entusiasmo, que fiquei tentada a correr atrás do meu exemplar. Até aí, meu romance com Kaori estava indo muito bem, mas, com o livro na mão, surgiu a dúvida:
Será que é tudo isso mesmo?
Para descobrir, tentei me livrar das impressões positivas antes de começar a leitura.
A primeira surpresa foi a disposição dos capítulos, que se alternam entre o presente, em São Paulo, e o distante passado do Japão feudal. Em São Paulo, acompanhamos os passos de Samuel Jouza. No Japão, testemunhamos o passado de Kaori. É delicioso ver como as duas histórias caminham para o mesmo destino. A mistura inesperada de fantasia, Japão e Brasil, passado e presente, foi muito bem dosada.
Giulia Moon nos dá uma aula de cultura nipônica. O livro é recheado de termos em japonês, que podem parecer um pouco estranhos de início, mas que o leitor logo incorpora ao vocabulário. Como boa parte da história se desenrola no período feudal da terra do sol nascente, dá para aprender um pouquinho do que era viver naquela época ao lado de samurais, gueixas e camponeses.
As descrições de cenários, vestuários e hábitos me lembraram o clima de outro excelente livro, “Memórias de uma Gueixa”, de Arthur Golden.
Obviamente, a fantasia não foi esquecida em nenhum momento, e está presente nessa fase da trama através das lendas japonesas. Você sabe o que é um Nekomata? E um Tengu? Ao ler Kaori, descobrirá essas e outras criaturas folclóricas do outro lado do mundo. Os vampiros ainda dividem espaço com uma nova classe de seres místicos, os Canis Famélicos (tem até nome científico!), mais conhecidos como limpadores. Esses não constam em nenhum folclore que eu conheça, e foram inseridos no enredo como cães sobrenaturais, cuja sobrevivência depende diretamente dos sugadores de sangue. Os vampiros de Giulia seguem a linha mais “tradicional” do mito, assemelhando-se mais aos personagens de escritores como Anne Rice, tão sexualmente ativos quanto os mortos-vivos de Charlaine Harris, e totalmente diferente das versões mais adolescentes e açucaradas de Stephenie Meyer ou P.C. Cast.
Logo de cara, o leitor encontra Kaori no momento do seu jogo de sedução, onde a vítima sortuda é o brasileiro Samuel Jouza (assim mesmo: JOUZA, e não SOUZA). Samuel é um vampwatcher, profissão oculta dos olhos da sociedade, cujo trabalho consiste basicamente em observar e catalogar os vampiros de uma área e entregar os dados ao IBEFF (Instituto Brasileiro de Estudos de Fenômenos Fantásticos), agência responsável por investigar toda sorte de seres místicos em território nacional.
Samuel nem mesmo sabe para o quê seus dados são usados, mas cumpre sua função com competência e discrição, até a noite em que, como era de se esperar, acaba atrapalhando os planos de certo vampiro perigoso. Como resultado, Samuel acorda com uma marca de mordida no pescoço, um grande espaço em branco na memória, além de ser suspeito de ter matado uma criança. A partir daí, o vampwatcher deixa de ser um mero espectador dos sugadores de sangue, e é obrigado a interagir com os seres da noite, investigando o que realmente aconteceu. De quebra, ele tem a oportunidade de reencontrar a vampira oriental que, anos atrás, deixou a vaga lembrança de seu perfume inebriante na memória confusa de Samuel... Esse é o início da ação em São Paulo, no ano de 2008, onde o leitor acompanha a jornada investigativa de Samuel pelos redutos dos vampiros paulistanos.
A narrativa é ágil, leve, e empolgante. Simplesmente impossível chegar ao final de um capítulo sem estar ansioso pelo próximo movimento de Samuel nesse jogo mortal, que rendeu ótimas cenas de tensão e nos apresentou a vampiros modernos maravilhosos. Conhecemos Karl, o vampiro caçador violento e devasso, que fatura vendendo humanos para famintos mortos-vivos que preferem gastar dinheiro a buscar a própria comida. Mimi, o improvável vampirinho no estilo visual kei (movimento ligado ao rock oriental, onde jovens se vestem de forma extravagante e andrógena), gay, carismático, com tiradas hilárias e surpreendente fixação por artilharia pesada. Felipe, o vampiro metrossexual, rico, ambicioso, poderoso e dono da melhor danceteria vamp de São Paulo. Takezo, japonês, tradicionalista, sábio como só um disciplinado oriental poderia ser, e com porte de guerreiro forte e imortal.
Isso para não falar dos membros do IBEFF, humanos com os quais a criei forte empatia, como a cientista Beatriz e o empresário Sidnei.
A autora soube construir personagens secundários excelentes, daqueles que a gente torce para que apareçam em mais e mais cenas. A vilania da história fica por conta de Missora, típica personagem sádica e inescrupulosa que todos amam odiar! Fuyu e Yuki formam a dupla de lindas orientais mais cruéis e sanguinárias que já vi! Claro que, como em todo bom livro de vampiros, ninguém pode ser considerado bonzinho ou livre de pecados, mas essas mulheres foram capazes de se destacar entre as criaturas da noite.
Não posso falar muito sobre a vampira que dá título ao livro, ou revelaria mais do que devo. Como descrever Kaori em poucas palavras? Kaori nos é apresentada como uma bela garota que viveu no Japão em 1647. Cobiçada por seus encantos, atrai o interesse da influente dona de uma casa dos prazeres, Missora. Acompanhamos a saga dessa menina por tragédias, paixões, sangue e sexo, até que sua transformação na sedutora vampira Kaori. Ela é misteriosa, sensual, inteligente e intensa. Não espere por uma vampira cheia de pudores, daquelas que choram mais do que bebem sangue. Essa vampira abraça sua natureza assassina, conhece muito bem seus instintos. Ela não é robótica, fria ou extremamente violenta, mas isso não significa que tenha um lado angelical. Kaori mata. A japonesa nos seduz e nos atrai para seu abraço fatal com naturalidade. Essa é a especialidade de Kaori.
O final deixa diversas pontas soltas, o que pode decepcionar o leitor que esperava pelo fim de todos os mistérios. Porém, isto não é fruto de inabilidade para concluir a história. Intencionalmente, Giulia Moon guardou mais do seu perfume de vampira para a sequência, Kaori 2.
P.S.: No livro, é revelado que o primeiro encontro de Kaori e Samuel foi narrado no conto “Dragões Tatuados”, publicado na coletânea de contos vampirescos “Amor Vampiro”, também da Giz Editorial. A resenha para o conto você encontra aqui.
Eu♥Resenhas: Esmera
Marcadores: A. P. Ribeiro, Editora Porto de Ideias, Eu ♥ Resenhas, Literatura Brasileira, Literatura Fantástica, Resenha
Título Original: "Esmera".
Autor: A. P. Ribeiro.
Ano: 2010.
Ano: 2010.
Número de Páginas: 168 páginas.
Editora: Editora Porto de Idéias.
Edição: 1ª edição.
"Esmera" nos chama de volta à infância e nos faz sonhar com um mundo de fantasia. A premissa da história não é inteiramente original, afinal esse meio já foi tão explorado que é complicado criar algo novo quando quase todos os recursos já foram utilizados. Porém, a história que A. P. Ribeiro construiu é muito fácil de nos encantar. O mundo de Esmera foi muito bem elaborado e os personagens são adoráveis.
Então, a história começa com uma mulher deixando uma criança sob a proteção de um padre. Alguns anos se passam e conhecemos Annia/Anika que é uma jovem que se sente deslocada e superprotegida sem razão aparente. Annia/Anika, no começo do livro, transmite uma aura de desconforto, infelicidade e desesperança. Mas tudo muda quando um gato falante pede para que ela o siga, pois os sete demônios marcados viriam buscá-la.
É bastante interessante a forma como a autora elaborou os personagens mágicos de Esmera. O gato falante mencionado acima é Mariska, uma das personagens que mais gostei, junto com Katherine e Iriard. Annia/Anika não é tão interessante porque ela ainda soa um pouco mimada e imatura no começo da leitura, mas devido a situação, a atitude se explica por si só. Com o passar o livro, Anika vai melhorando, mas ainda assim não se torna uma das minhas favoritas, devo confessar.
Esmera nos dá aquela sensação de estarmos vivenciando uma animação fantástica daquelas que víamos quando éramos crianças, nos faz sonhar. A. P. Ribeiro construiu uma trama curta e direta, sem muita enrolação e páginas soltas com diálogos vazios e desnecessários, ficando - assim - explicado o tamanho do livro. Esmera não precisa de nenhuma página a mais ou a menos. Do jeito que está, está ótimo.
E o final, ah, o final! Perfeito. Eu esperava até o tradicional clichê, mas a autora conseguiu dar o final certo para essa história, deixando o leitor satisfeito com o rumo da história. Eu, pelo menos, adorei o final. Não conseguiria imaginar nada mais adequado do que aquilo e olhem que minha mente é bastante fértil.
A capa de Esmera é bem bonita. O livro é bem acabado nos detalhes também, mas a revisão é ruim. Encontrei vários errinhos de digitação ou algumas trocas que a autora fez sem querer como o "obrigada" no lugar do "obrigado". Nada que uma segunda edição não resolva, mas vale mais atenção da próxima vez. Não dá pra deixar a revisão nas mãos do leitor, fica feio para a editora e para o livro. Porém esse não é um problema só dessa editora, não vou entrar em detalhes aqui porque pretendo abrir uma postagem para isso. Fiquem no aguardo.
Eu♥Resenhas: Yume
Marcadores: Eu ♥ Resenhas, Kamile Girão, Literatura Brasileira, Literatura Fantástica, Resenha
Título Original: "Yume".
Autor: Kamile Girão.
Ano: 2011.
Ano: 2011.
Número de Páginas: 364 páginas.
Editora: Editora Dracaena.
Edição: 1ª edição.
Yume conta a história de Nádia, uma adolescente não tão comum assim. Nádia mora na Alemanha com a mãe, ambas passam por dificuldades financeiras e Nádia aproveita-se do seu dom para a arte de desenhar para ajudar em casa. A maior parte do guarda-roupas da menina é composto por peças usadas por seus amigos, resultando num visual masculinizado em nossa protagonista. Nádia é bastante imaginativa e, constantemente, vive no mundo da lua, sonhando com lugares e rostos que nunca viu. Numa dessas, acaba se deparando com um belo rapaz em um sonho. Sonho que se repete por semanas. Então surge a proposta irrecusável que irá fazer girar a história ao longo do livro.
Yume não foi a primeira história que li de Kamile Girão e acho que isso colaborou para a minha facilidade em compreender o jeito da Kami de escrever e me fazer apreciar ainda mais este livro. Não sou puxa-saco nem nada, mas é que eu realmente gostei de Yume. Apesar de o comecinho ser meio morno por nós, leitores, estarmos ansiosos em saber quem raios é Adrien e como ele e Nádia irão se encontrar, porque eles fatalmente irão e isso é um fato que você deduz desde o começo do livro.
No começo nós temos dois cenários que, mesmo sem querer, se parecem: Berlim e São Paulo. Mesmo que em países diferentes, grandes cidades se assemelham. Seja pelo tom cinza e ambiente noir ou simplesmente pelo trânsito de milhares de pessoas. Dessa forma, nós temos dois opostos que se completam e - no fundo - nem são tão opostos assim: Adrien e Nádia.
Nádia aparenta ser uma menina animada e ela tem sempre uma resposta na ponta da língua. Mas, no fundo, conseguimos encontrar alguns tons de melancolia na personagem. Com a vida familiar e financeira conturbada, Nádia encontra seu refúgio em seus amigos e em seu mundo particular criado em sua mente e que pode trazê-lo para o nosso através de seus desenhos.
Já Adrien que vive o sonho imaginário de muitos adolescentes: tocar numa banda com amigos e fazer sucesso com as garotas, é apático e imprime em si um sentimento de vazio, como se tivesse perdido as esperanças e expectativas com a vida. Adrien não é feliz, percebemos isso desde a sua primeira aparição. Curiosamente ele me remeteu a um rapaz que conheci algum tempo atrás, mas prefiro não entrar em detalhes. É um personagem misterioso que só conseguimos compreender com o passar das páginas.
Eu poderia citar vários outros personagens que me chamaram à atenção, mas vou me reter a esses dois já que a história gira em torno deles (e porque eu não tenho a pretensão de fazer um estudo em cima do livro, nem dos personagens).
Yume, literalmente, surge como um sonho bom dentro desse meio literário. Gostei da forma como a Kamile construiu a história e manteve o suspense até o encontro dos dois. Mantendo sempre um clima leve e descontraído durante a leitura, nós chegamos até a parte final, onde a história rouba o nosso fôlego e só permite que respiremos novamente quando viramos a última folha. A criação desse mundo de horrores que surge na última parte do livro me deixou embriagada de fascínio com os detalhes elaborados pela cabeça da Kamile. É a parte do livro que lemos mais rápido. Eu, particularmente, me deixei guiar por entre as páginas finais como se estivesse num bote em um rio selvagem, descendo corredeiras sem saber o que me esperava pela frente. Porque essa última parte é assim. Nós simplesmente não sabemos como as coisas irão acontecer, torcemos pelo melhor e aguardamos ao lado de Nádia nessa sua aventura digna de uma adaptação de Tim Burton (só conseguia imaginar esse mundo adaptado por ele).
A forma como a autora envolveu Alemanha e Brasil, Nádia e São Paulo foi bastante legal, Yume também apresenta essa mistura étnica e cultural que existe aqui na nossa terra tupiniquim. Especialmente São Paulo que é mais que uma selva de pedra, é uma cidade feita por milhões de pessoas diferentes 24 horas por dia.
A Kamile também me surpreendeu pela escrita sofisticada, talvez para algumas pessoas soe estranho, mas é que a maior parte de YA's que eu já peguei para ler possuem uma escrita rápida e com descrições sutis e rasas (apesar de ser para um público mais jovem, não acho isso uma desculpa para o pouco esforço em melhorar a escrita de alguns escritores).
Não é como se ela rebuscasse a escrita, não. Por ter lido "Outubro" (sou VIP, cof cof) dela antes de "Yume! e que é um trabalho mais maduro, eu percebi em Yume que a escrita dela busca conversar com o íntimo do leitor, pelo menos foi assim que eu me senti nas duas vezes. Ao mesmo tempo em que estamos ali lendo a história, a história está conversando conosco e com as nossas memórias. Palavras suaves e passagens que nos levam a refletir e nos incluir na história, vivendo duas vezes o que está escrito ali: uma pelo personagem e outra por nós mesmos.
Agora vamos a parte da editora. Bem, a capa é muito bonita, embora não se encaixe tanto com a história de Yume em si, nos remete somente a uma passagem (pelo menos comigo foi assim) que foi o sonho que Nádia e Adrien tiveram, e só. O trabalho interno foi um pouco desleixado, os capítulos poderiam ter ganhado números e letras mais estilizados, sendo um livro Young Adult/Infanto-juvenil, acho que seria interessante para a própria editora criar esse tipo de chamariz para cativar o público-alvo que é bastante ligado em imagens. O livro também precisaria de uma revisão para retificar alguns errinhos (erros de revisão que têm sido constantes em muitas editoras pra ser sincera).
No mais é isso, é um livro de uma escritora não tão madura ainda nesse mercado e que ainda vai aprender e aprimorar muitas coisas em seu trajeto. No mais, um dos infanto-juvenis nacionais que mais gostei de ler e, por que não dizer internacional também? As pessoas acabam cobrando demais do autor nacional enquanto consome porcaria diária vinda do exterior. Vai entender, mas esse tipo de reclamação fica para outro post que está sendo preparado com bastante carinho (ou não).
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