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Eu ♥ Resenhas: Mistério de Natal
Marcadores: Cia das Letras, Eu ♥ Resenhas, Jostein Gaarder
Salve, salve!
Algum tempo atrás eu lancei no
blog a pergunta: “Qual resenha vocês gostariam de ver no blog?” e as opções
eram O Guia Oficial de House, do autor Ian Jackman, e Mistério de Natal, de
Jostein Gaarder.
Mistério de Natal ficou na
frente! (:
Pra mim o resultado foi ótimo,
porque eu sou apaixonada pelos livros de Jostein Gaarder desde que li O Mundo
de Sofia e um dia ainda vou ter a coleção completa na minha estante!
Haha, então, sem demorar né?
Autor: Jostein Gaarder.
Ano: 1992
Número de Páginas: 254
Editora: Cia. Das Letras
Edição: 2 / 2006
Tradutor: Isa Mara Lando e Sérgio Tellaroli
Mistério de natal é um livro de
fantasia infantil que conta a história de Joaquim, um garoto norueguês que um
mês antes do Natal, se vê ainda sem o seu calendário comemorativo. Na Noruega
há uma tradição bem popular, em que você compra um calendário cheio de
“portinhas”, uma para cada dia. Na data respectiva você abre a portinha e tem
uma surpresa lá dentro – um doce ou um brinquedo, por exemplo.
Quando Joaquim e seu pai já
estavam para desistir, encontram um calendário com uma aparência diferente,
envelhecido, numa livraria antiga. O dono diz que foi esquecido ali por um
senhor que sempre está pelas redondezas, mas que aceita vendê-lo ao garoto.
É quando Joaquim descobre que seu
calendário é diferente. Não são balas ou lembranças que ele encontra ali e sim
um pedacinho de papel, com o início da história de uma garotinha chamada
Elisabet, que numa manhã de Natal, correu atrás de um cordeirinho saltitante e
ingressou na maior aventura de todas.
Como sempre, Gaarder consegue ser
um ícone quando o assunto é a literatura infanto-juvenil fantasiosa. Sua
capacidade de construir um texto cativante e encantador é inegável. Mistério de
Natal envolve a história cristã do feriado, um anjo que guia Elisabet e a
acompanha – juntamente com vários outros personagens que se juntam a sua
caravana enquanto viajam pelo tempo e espaço até Belém – e os três reis magos
também, portanto a influência católica é muito presente na obra. Eu não posso
dizer que sou uma praticante dessa religião em particular ou de qualquer outra
– nem as minhas crenças são relevantes – e, portanto, não vou nem entrar no
mérito da discussão que vi em algumas resenhas por aí. Na minha humilde
opinião, Jostein Gaarder não ofendeu nenhuma outra religião ou seus praticantes
ao escrever um livro focado no prisma cristão do feriado natalino.
A história é absolutamente linda
e a leitura flui muito bem. Não é um livro extenso e pode facilmente ser o
passatempo de uma tarde. Os capítulos são correspondentes aos dias faltantes até o Natal. A cada início novo há um pequeno trecho que está no texto do capítulo. Um dos meus favoritos é logo de cara o do dia 1º de Dezembro! (:
A trama merece destaque: Gaarder
acertou na medida o ponto de descrever a jornada de Elisabet e seus
companheiros, sem entretanto, descuidar-se da narrativa de Joaquim. É fácil
acompanhar a caravana que ruma à Belém como se fosse parte dela e ao mesmo
tempo, sentir-se tão ansioso quanto o menino norueguês para descobrir o fim da
história e o mistério de natal que envolve aquele calendário mágico.
E o desfecho é absolutamente perfeito. Como toda a narrativa, o final da história também é cheio de magia e encanto, demonstrando que Gaarder conhece o seu público e sabe como cativá-lo.
O clima é leve e
gostoso, sendo as descrições um ponto muito forte na escrita do autor,
especialmente considerando o fato de que a caravana rumo à Belém passa por
diversas cidades e locais por entre o tempo. A forma como Gaarder permite ao
leitor construir um cenário preciso, torna a leitura algo muito agradável e
visual.
O livro é um exemplar que eu
recomendo muito. Publicado aqui no Brasil pela Cia. das Letras (yay!) ele tem a
qualidade ímpar característica da editora – e quem acompanha as pos tagens e a
page, sabe que é uma das minhas favoritas – e as gravuras no início de cada
capítulo são um verdadeiro mimo. Eu paguei mais ou menos vinte e cinco reais no meu, na Estante Virtual. Veio lacrado! (:Tirei
algumas fotos dele aqui, ó:
A história é simplesmente bela e
é capaz de encantar leitores de todas as idades. Repleto de surpresas envolvendo
uma menininha, um cordeirinho com sino no pescoço, um velho vendedor de flores,
um garotinho norueguês e um calendário especial, Mistério de Natal é capaz de
trazer a magia do dia 25 a qualquer época do ano.
Meus queridos foi isso!
Espero que tenham gostado da
resenha. Não me aprofundei muito no contexto porque tive medo de dar spoilers
sem querer ): Mas espero ter despertado o interesse em que nunca leu a obra!
Quem aí já teve a oportunidade de ler o livro?
Me conta o que achou nos comentários!
Até a próxima!
Até a próxima!
Boas leituras e um beijo da heavy.
Eu ♥ Resenhas: O Livro de NOD
Marcadores: DEVIR editora, Eu ♥ Resenhas, Vampiros
Salve, salve!
E então, como vão vocês? Muito bem, com muitos livros para ler e muito
tempo sobrando para fazer isso também, eu espero!
Eu sei que venho adiando terminar a resenha de Sombras da Noite, mas por um bom
motivo. Como é um livro que eu já li há algum tempo, para resenhar eu acabo
tendo que voltar à obra, pegar nomes, lugares e detalhes que escapam da
memória. Isso consome um tempo que, ultimamente, por conta do fim do semestre,
eu não tenho ): Eu sei que a responsabilidade é minha de terminar a resenha e
eu vou fazê-lo, só peço um pouquinho de paciência (:
Mas isso não impede outras resenhas, não é?
Hoje eu trouxe uma obra um pouco diferente pro blog. Era um livro que
eu já estava namorando há um tempão e finalmente tomei coragem pra comprar há
uns dois ou três meses, mais ou menos.
Para os apaixonados como eu pela literatura vampiresca, na minha opinião, ele é um must have.
Meus queridos, O Livro de Nod.
Título
Original: "The Book of Nod"
Autor: Sam Chupp e Andrew Greenberg.
Ano: 1999.
Número
de Páginas: 134.
Editora: Devir.
Edição: 1 / 1999 – 5º Reimpressão/2012
Tradutor: Marcel Murakami Iha
O Livro de NOD foi originalmente publicado pela editora White Wolf, em
1999. Foi trazido para o Brasil pela editora DEVIR e desde sua primeira
tiragem, foi reimpresso 5 vezes. Ele foi feito para servir como material
complementar e de apoio para os jogos de RPG (Role-playing Game) baseados em Vampiro: A Máscara, também da White
Wolf.
O conhecimento prévio, entretanto, não é absolutamente necessário para
a leitura desse livro. Eu já tinha contato com o universo de O Mundo das
Sombras e já tive a oportunidade de ler alguns livros de RPG da White Wolf,
como Vampiro: A Máscara e Lobisomem: O Apocalipse, então a terminologia não me
soou estranha, embora possa chamar a atenção daqueles que nunca leram nada
relacionado ao storytelling da White Wolf. Mas isso também não é um problema!
No final do livro há um glossário que explica direitinho as nomenclaturas
usadas, como Antediluviano e Caitiff, por exemplo. Então dá para ler sem
problema algum.
Como eu já disse aqui no blog, a editora DEVIR é uma das poucas que
nunca me decepcionou quanto à qualidade dos livros. Eles são fiéis aos originais
da White Wolf e têm extraordinária qualidade. Pode até ser que o storytelling e
o RPG não agradem a todos, mas que os livros são lindíssimos, isso é inegável.
NOD tem a capa preta, toda texturizada como se imitasse tecido, feita
em material tipo papel-cartão. O símbolo prateado na frente é liso e parece ter
sido prensado ali, bem como o título e os dizeres atrás. Não possui orelhas em
nenhuma das capas e o papel é de excelente qualidade. Muitos pontos pra DEVIR!
O meu exemplar eu adquiri no site da devir e custou R$34,90. (:
Eu tirei algumas fotos dele para vocês poderem ver melhor!
O Livro de NOD é dividido em três partes:
A Crônica de Caim: Conta a história do assassinato de Abel por Caim e
seu posterior exílio, como foi amaldiçoado pelos arcanjos e toda a sua
trajetória até que ele se encontrasse em plenitude com a natureza vampírica.
Trata de seu encontro com Lilith e com a primeira cidade... Enfim, o começo de
tudo.
A Crônica das Sombras: Aqui temos explicações sobre os seres da noite, “Sobre as Bestas da Lua”, por exemplo, onde somos informados sobre os garou (ou
lobisomem). Essa parte também fala sobre as caraterísticas da vida de um
vampiro – a progênie, a alimentação, os clãs, as regras da Máscara. Em minha
opinião, seria um excelente manual para um neófito¹!
A Crônica dos Segredos: Aqui são reveladas as profecias e visões a
respeito da espécie vampírica, entre elas a Gehenna, que seria o apocalipse dos
vampiros. Quando os vampiros mais velhos – adormecidos e há muito incógnitos –
se levantariam e consumiriam os mais jovens. Também trata do retorno do “Pai
Sombrio” tido como o bastardo de Caim, que se levantará para devorar o sangue
que lhe foi ofertado. Basicamente, temos aqui as previsões do que seria o
Armageddon vampiresco.
Ao início de cada Crônica há um breve comentário do vampiro que reuniu
as crônicas, Aristotle de Laurent. O LDN é apresentado como a compilação de
documentos e informações coletadas pelo decorrer das eras, todos decodificados
e colocados no que seria sua suposta ordem. Essa coletânea forma então o Livro
de NOD, que seria o tomo com todos os conhecimentos da pós-vida vampírica.
A escrita é impecável e o estilo de apresentação de Aristotle é
preciso: Você se vê imediatamente envolvido pela história que ele se propõe a
contar. Sente sua angústia. E quando ele diz que não é este o conteúdo integral
do texto, havendo outras partes faltantes espalhadas pelo mundo, outras
perdidas para sempre, há aquela sensação de lamento. O que haveria naqueles
papéis ou pedras? Que segredos eles conteriam?
O livro é riquíssimo. Cheio de ilustrações, todas em preto, branco e
cinza. As páginas são repletas de desenhos e gravuras que representam o que as
palavras descrevem. Os traços são muito bonitos e combinam perfeitamente com a
atmosfera pesada da história.
Outro ponto muito positivo é que ao final de cada Crônica há
comentários explicando trechos devidamente marcados. Então ao final da leitura,
talvez você tenha que voltar ao ¹ para lembrar do que a observação referente se
trata, mas isso só torna tudo mais divertido.
Por último, há o Posfácio. Sinceramente, uma das minhas partes
favoritas. Nele, Ayisha Jocastatian nos traz suas próprias anotações sobre o
Livro de NOD, Aristotle e outros tópicos constantes no texto. Ao final, ele ainda nos lança uma dúvida
cruel e suas perguntas são capazes de nos fazer sentir como um filho da noite
que, além de extasiado com o que acabou de descobrir sobre todo o universo
vampiresco escondido por detrás da Máscara, vê-se chocado e perdido em meio às
perguntas que lhe são feitas.
E se pega olhando para os lados, protegendo o Livro de NOD de possíveis
agentes da Jyhad e ao mesmo tempo se perguntando se qualquer palavra escrita
ali é verdade ou apenas delírios de um Malkaviano entediado.
Ao final, cabe a você decidir no que acreditar.
Bom, meus queridos, é isso!
Espero que tenham gostado da resenha dessa semana! Eu realmente estava
namorando esse livro há bastante tempo e, sinceramente, ele valeu cada centavo.
Eu sei que o preço pode parecer um pouco salgado, porque ele não é um livro tão
grande, é material de apoio para os livros da White Wolf e talz, mas eu acho
que ele cumpre o seu papel com maestria. Nunca foi a proposta da obra se
apresentar como um guia definitivo ou uma versão absoluta da origem dos
vampiros e isso é deixado bem claro já no início, mas apenas servir como
material complementar e de inspiração para os narradores. O livro, contudo, vai
muito além. A White Wolf conseguiu criar um texto altamente envolvente e
bastante embasado, construído sobre bases sólidas e argumentos convincentes a
respeito da origem dos vampiros, sua organização e as profecias a respeito da
Gehenna.
Como aficcionada que sou da literatura
vampiresca, o Livro de NOD é um must have,
como eu já tinha dito. A versão da White Wolf é uma das minhas favoritas com
relação aos seres da noite, uma vez que trabalha o vampiro de uma forma
diferente da clássica “Drácula de Bram Stoker”, mas sem descaracterizar o mito.
Minha próxima compra será Ritos do Dragão, também da DEVIR.
Lembrando que eu não sou uma especialista em RPG, então se algum leitor souber de algum detalhe que eu deixei passar ou de algum erro que cometi em relação a obra, eu peço desculpas por qualquer possível falha. E se puder, por favor, me corrigir, eu ficaria muito grata! É sempre importante aprender mais! (:
Lembrando que eu não sou uma especialista em RPG, então se algum leitor souber de algum detalhe que eu deixei passar ou de algum erro que cometi em relação a obra, eu peço desculpas por qualquer possível falha. E se puder, por favor, me corrigir, eu ficaria muito grata! É sempre importante aprender mais! (:
E então, alguém aí já leu o Livro de NOD? Alguém já tinha ouvido falar
ou quer ler? Me conta nos comentários!
Um beijo da heavy e boas leituras!
¹ Vampiro recém-criado.
Eu ♥ Resenhas: Carmela e Lorenzo
Marcadores: Carmela e Lorenzo, Eu ♥ Resenhas, MODO Editora Tradicional, Rubens ConederaTítulo: Carmela e Lorenzo
Autor: Rubens Conedera
ISBN: 978.85.65588.09-6
Capa: André Siqueira
Projeto Gráfico: Marina Avila
Ilustrador: Gbr Aguiar
Revisora: Bianca Machado
Linha Literária: Romance sobrenatural
Ano: 2012
Um amor floresceu na Itália Renascentista, contrariando os costumes de uma época em que casamentos aconteciam mediante acordos financeiros. A jovem Carmela e o enigmático Lorenzo apaixonam-se de forma inesperada, dando início a uma conturbada história de amor entre tintas, obras de arte e sangue.Um romance cheio de mistérios, onde sentimentos se desenrolam em situações que desafiam o leitor a explorar os limites do amor exposto em cenários ricos em obras de arte, intrigas e violência. Após algumas revelações acerca de um segredo que norteia a vida de Lorenzo, poderá Carmela aceitá-lo como é, desafiando perigos e contrariando os costumes patriarcais e suas próprias crenças?
Não é segredo que sou apaixonada por romances históricos, não só em escrevê-los, como também, em lê-los. Talvez, por ter começado pelos clássicos e ter ocorrido tantas mudanças no mundo, num relativo, e curto, espaço de tempo. Curiosamente, também, não são todos os períodos da história que me atraem, principalmente para se construir uma trama atrativa e dinâmica. Até, porque, trabalhar com uma história alinhada a fatos históricos, traz consigo, a proposta de pesquisa, para edificar uma trama coesa. E, como era de esperar, logo que li a sinopse de Carmela e Lorenzo foi um convite à minha mente.
O que, primeiramente, me chamou atenção em Carmela e Lorenzo foi o período escolhido por Rubens Conedera, apesar de ter lidado com artes em boa parte do curso de Arquitetura, não é comum me ver utilizando-a em meus textos, porém, é impossível não admirar quem o faça. E foi exatamente isso que me fez folhear o livro: minha curiosidade em saber como o autor explorou essa época de genialidade e intensa produção artística. Uma fase em que o homem estava imbuído de todo espírito para romper seus limites, como também os divinos. A força e influência da igreja ainda era muito presente, mas a mente dos artistas imprimia, de forma rara, sua aspiração em humanizar cada vez mais o divino. Tudo deveria ter vida própria, com cores latentes... E, é nesse universo rico, que ele desenvolve a história do casal.
Ainda que muitos digam que o tema vampiresco já foi abordado de várias formas, que, em tese, esse universo seja limitado por lendas, e não fatos; e mais ainda, que haja o ceticismo de que nada que se apresente seja inovador, eu infelizmente irei contra todos. Um livro não se faz somente pelo tema, que muitas vezes pode vir derivado de modismo - o que traz um BOOM ao gênero e muitos autores (ou não) se alcem à posições de destaque por suas vendas vultosas, já que seguem a receita de Crepúsculo ou Academia de Vampiros -, ou como, em outros muitos casos (pouco conhecidos do público em geral) o autor se identifique com essas criaturas fantásticas - que vão muito além de vampiros -, e você verá várias obras dele dentro deste gênero - no caso, fantástico - sem se importar com a dita moda literária. Todavia, mesmo que o autor se enverede por outros caminhos, é fácil ao leitor detectar seu comprometimento com a obra, quando ela vai além da trama "populista" que o modismo induz. Geralmente, quando o autor está inserido no modismo - seja ele de que gênero for - ela segue uma vertente; as tramas são muito parecidas, quase simbióticas a outros livros já editados e de alcance mundial.
Exposto esse fator importante à apreciação de Carmela e Lorenzo, e outras tramas que merecem destaque no gênero - claro que sob meu ponto de vista - Rubens nos apresenta a Itália Renascentista. O pano de fundo que o autor descreve para o amor de Carmela e Lorenzo é riquíssimo para um leitor que se atem aos detalhes. Não só pelo cuidado e pesquisa envolvidos para a construção do personagem Marcello, pai de Lorenzo, e sua condição artista, apresentado as técnicas de afrescos, as aplicações, e, principalmente, conforme as imagens vão se desenhando em pinceladas, sob as letras do autor, em sua imaginação; assim como, o cuidado com as frases litúrgicas utilizadas no texto. A influência da igreja não me parece, e aí falo como leitora, apenas intensa nos personagens, mas também no autor, que teve a preocupação de manter essa fidelidade em suas palavras. Eu realmente me senti na Itália, sob os olhares de papas.
A trama inicia com Carmela, oriunda de uma família pobre, que terá o mesmo destino que suas irmãs, que é fazer uma bom casamento, escolhido por seu pai. Todavia, para nossa felicidade, e de Lorenzo, Marcello ao ver a jovem macerar ervas em uma visita que faz a casa da moça, se encanta com sua técnica e logo vê utilidade para ela em seu grupo. Não obstante, a maneira como o pai a trata, muito influência o pedido de Marcello a ele. E, desta forma, nossa protagonista segue com o grupo, como ajudante de Marcello, e numa das noites em que estão trabalhando na capela de uma viúva - que requisitou os serviços do artesão - ela conhece Lorenzo. Aos poucos ela começa se envolver com o rapaz e fazer os pais dele temerem por sua segurança enquanto o trabalho vai sendo concluído. Carmela desperta a atenção de Giovane, um aprendiz de Marcello, rico e que irá a todos custo querê-la para si. Não importando os ardis que tenha que usar, ou mesmo a traição ao homem que lhe ensinou um ofício. E, quando pensamos ter superado esse percalço e estamos ao lado Michelangêlo, defrontamo-nos com a vampira que transformou Lorenzo no que é, que entrará na trama para apimentá-la e nos confrontar com a inevitável pergunta: esse amor sobreviverá a tudo?
Essa é uma pergunta que eu vou deixar vocês responderem, lendo o livro, que pode ser encontrado aqui: http://modoeditora.com.br/loja/carmela-e-lorenzo. Confesso que houve uma parte do texto em que achei que o autor havia perdido a vontade de escrever. Não que ele não soubesse como fazê-lo, mas como se algo tivesse ocorrido e ele pensasse duas vezes antes de continuar, porém, foi um momento que passou e eu voltei a me surpreender com a trama, principalmente o final. Um livro recomendado e, que, quem for à Bienal, poderá encontrar no estande da MODO tradicional editora, Rua P, pavilhão Verde.
Te espero lá!
Merry Meet
Roxane Norris
Eu ♥ Resenhas: O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra e Outras Histórias
Marcadores: Editora Girafinha, Eu ♥ Resenhas, Poesia, Resenha, Tim Burton
Salve,
salve!
E
então, meus narnianos queridos? Como vão?
Bem,
eu espero.
Eu
ando um pouco off de resenhas e Mestres, porque como eu já expliquei, andei em
época de provas na faculdade e aí fica bem complicado conciliar provas +
estágio + concurso + grupo de pesquisa. Mesmo que eu escreva um pouquinho cada
dia, ainda assim não é o suficiente pra me manter sempre up por aqui. Lamento
muito, de novo ):
De
toda forma, hoje eu trouxe uma resenha nova pra vocês!
Quem
aí gosta de poesia?
Meus
queridos, muitos podem não saber, mas eu sou verdadeiramente apaixonada por Tim
Burton. Suas obras – literárias ou cinematográficas – são vícios que eu ainda
vou ter todos na minha estante. O primeiro filme infantil que meu pai me levou
para ver no cinema foi O Estranho Mundo de Jack (e eu era tão pequena que nem
me lembro, mas ele guardou os ingressos da estreia!) e eu sou apaixonada pelo
estilo stop-motion tão característico
de Burton. Isso pra não contar Vincent, Frankenweenie, Beetlejuice, Edward
Scissorhands... E os mais-não-tão-atuais, Alice, A Fantástica Fábrica de Chocolate,
Sweeney Todd.
Enfim.
Há
algum tempo eu ganhei um dos meus mimos mais queridos.
E
hoje eu vim fazer resenha para vocês.
O Triste Fim do Pequeno Menino Ostra e
Outras Histórias.
Título Original: "The Melancholy Death of Oyster
Boy & Other Stories"
Autor:
Tim Burton.
Ano:
1997.
Número
de Páginas: 123.
Editora:
Girafinha.
Edição:
3 / 2012
Tradutor:
Márcio Suzuki
Ok. É
um pouco complicado fazer uma resenha de um livro de poesias, mas dá pra fazer
alguns comentários que eu espero ajudá-los, caso tenham interesse em ler a
obra. (:
O
livro é composto por vinte e três poesias, além de conter imagens de
ilustrações feitas pelo próprio Burton em cada um, que são verdadeiros plus à
leitura.
Como
é de se esperar de todo trabalho do autor, há uma mistura entre o bizarro e o
infantil, não sendo um livro recomendado para crianças, contendo temas mais
voltados para público juvenil e adulto.
Há
insinuações de traição (conjunção carnal com um aparelho de cozinha), vício em
substâncias entorpecentes, mutilação e infanticídio. Ou seja, pode ser melhor
não ler os poemas pro seu irmãozinho de três anos.
O
trabalho de edição da editora Girafinha ficou muito bom, mas eu não posso fazer
uma análise mais detalhada como geralmente gosto nas resenhas. Meu livro foi
comprado na Estante Virtual e eu paguei acho que dez reais por ele. Uma
bagatela! O problema é que o vendedor esqueceu de dizer que o exemplar tinha
uns cortes nas orelhas das capas e que a lombada estava torta (como se tivessem
colado errado no livro). Isso não é, de forma alguma, culpa do site. O sebo que
me vendeu deveria ter especificado melhor. Mas como de forma geral o livro
estava bem novinho mesmo, eu acabei relevando (:
A
capa é de um amarelo pastel bem bonito, com uma ilustração em preto com traços
bem infantis que eu achei quase melancólica. Mas um amor.
Tirei algumas fotos pra vocês poderem dar uma olhada!
O
poema principal conta a história do menino ostra, um garotinho que nasce com
uma terrível deformidade. Filho de pais “normais” que o concebem em sua lua de
mel, após ingerirem um prato de frutos do mar, ele é visto por sua família como
um estorvo e uma maldição.
A
história demonstra com bastante clareza a repulsa que os pais sentem pelo
garoto tão diferente que tiveram. Não há em momento algum qualquer empatia dos
dois pelo pobre menino ostra e eu senti pena dele o tempo todo. Mesmo sendo uma
poesia, é incrível como a história se desenrola quase como se fosse uma
narrativa.
Não
vou dar spoilers aqui, mas o final é realmente triste e o leitor vai perceber
exatamente o que eu disse: os pais nunca amaram aquela criança e eram egoístas
demais pra isso. Nunca houve sequer compaixão da parte de ambos.
E o
pobre menino ostra não passou de um odioso acidente para os dois.
O
livro é excelente e os poemas são mimos adoráveis, porque os personagens mais
estranhos e deslocados – como só Burton sabe criar – são verdadeiramente cativantes
e é quase impossível não sentir afeto por eles.
Vale muito a pena ter e eu
recomendo para quem, como eu, é apaixonado pelo belo e distorcido mundo de Tim
Burton.
Até a próxima!
Um beijo da heavy e boas leituras!
Eu ♥ Resenhas: Mitral - O Esconderijo do Mundo
Marcadores: Eu ♥ Resenhas, Mitral, MODO Editora Tradicional, Thayane Gaspar
Mitral
Thayane Gaspar
MODO Tradicional Editora/ Lançamento Bienal Rio 2013
"Mitral é o nome de uma válvula responsável pela passagem de sangue no coração. E isso traduzia toda a guerra. Os mitrais eram responsáveis também por um controle: a passagem de pessoas. As pessoas que saiam dele, normalmente não voltavam. E as pessoas que ficavam dentro dele, tinham o coração paralisado, sem fluxo, sem sangue, sem vida. Mas pelo menos estavam a salvo."
Mitral - O Esconderijo do Mundo é muito mais que um romance. Apesar de conhecer a Thayane Gaspar há quase um ano, pelas intempéries do destino, eu não tive contato com sua escrita antes de ter esse livro em mãos. A menina que é a Thay, transborda uma autora fascinante e madura nas linhas desse triller de guerra. Confesso que, de início, eu tive receio de que o tema não me agradasse porque não curto nem mesmo filmes de guerra, porém, qualquer ressalva que eu pudesse ter quanto a obra por esse ângulo, se desfez no momento em que a magia da escrita da autora me arrebatou.
Narrado por Selena, ou seja, em primeira pessoa, o livro aborda as relações pessoais, principalmente a familiar, e suas transformações e desdobramentos quando o ser humano se vê acuado e confinado sob o mesmo teto, num isolamento do mundo. Tendo com pano de fundo uma guerra provocada por um desconhecido, onde o caos toma a vida de todos de assalto, e a insegurança e a impotência parecem ser compartilhadas por todos e nos mais variados níveis. Juntamente com sua família, Selena é levada ao Mitral, um esconderijo para sobreviventes, algo como bunkers, e isolada de seu amigo Lorenzo, por quem acaba desenvolvendo um sentimento de amor, que é revelado com o passar da história.
Em Mitrais diferentes eles perdem o contato, porém, são incapazes de modificar esse amor por conta da distância. Todavia, a guerra acaba, e o casal é afastado por algo ainda mais forte, a inaptidão de se voltar à vida de antes. Como conhecedores dos segredos da guerra, a família de Selena recebe proteção do governo, o que torna as coisas ainda mais difíceis para o casal.
Experimentei diversos sentimentos durante a leitura, fui do ódio ao amor; da tensão à alegria em minutos. Assim como, tive muita vontade de matar a autora, mas ela está perdoada pelo simples fato de ter amado sua forma de escrever. É intensa, viva, com cores e sutilezas que vão nos arrebatando aos poucos. Às vezes, até mesmo numa vírgula. Mitral é ação do início ao fim, é suspense e amor misturado.
Recomendadíssimo! Não vejo a hora de ter o meu autografado! #ficaadica
Booktrailler:
Na Bienal você encontrará a autora no Estande da Modo,
dia 08/09 às 16:00 hs
Acesse o site da autora:
Merry Meet, seus lindos!
Roxane Norris
Eu ♥ Resenhas: Sombras da Noite - 3
Marcadores: Contos, Eu ♥ Resenhas, horror, Ótimo, Resenha, Stephen King, Terror
Salve, salve!
E estamos na penúltima parte da resenha de Sombras da Noite! Depois destes, só - ou seria ainda? - teremos mais cinco contos!
Vamos lá?
Primavera Vermelha: Nesse conto, um jovem universitário
narra a respeito de misteriosos assassinatos no campus de sua faculdade,
cometidos por aquele que chamam “Jack Salto-de-Molas”, sempre encoberto pelo
nevoeiro da primavera vermelha, evento atípico que acontece uma vez a cada dez
anos, mais ou menos.
O conto inspira muito a
imaginação, especialmente quando o título, mesclado a narrativa, torna o enredo
tão instigante. O cenário, o campus de uma universidade, traz um clima de suspense
inquietante e é possível caminhar pelas sombras, entre os prédios e gramados,
com a incrível sensação de se estar sendo observado.
Incrível como todo
final de história desse livro é tenso. E digníssimo. E tenso.
“Caminhei até perto da meia noite, até
ficar coberto de umidade, e passei por muitas sombras, ouvi muitos passos
ecoando sonhadoramente pelas aleias sinuosas. Quem pode dizer que uma daquelas
sombras não era o homem ou a coisa que veio a ser conhecida como Jack
Salto-de-Molas? Eu não, pois passei por muitas sombras no nevoeiro, mas não vi
rosto algum."
O Ressalto: Outra história que eu releio sempre. Aqui, um
professor de tênis de um clube local, sr. Norris, se apaixona pela mulher de um
homem velho e poderoso, Cressner, e com quem mantém um caso. Quando Cressner
descobre, Norris e Márcia (a esposa do velho que muito me pareceu um mafioso)
armam de fugir juntos.
O conto começa com Cressner e Norris
conversando no apartamento de luxo do primeiro, um encontro de “cavalheiros”
por assim dizer. E é onde o antagonista faz uma proposta a Norris. Se ele
aceitar dar a volta no parapeito do prédio que fica a 43 andares do chão, ganha
uma grande quantia em dinheiro e pode ficar com a esposa dele. Se não...
Esse conto ganha pelo
mesmo motivo do anterior, mas com um ambiente de suspense muito mais forte. A
trama toda se desenvolve baseada nas sensações que é capaz de causar ao leitor
enquanto acompanha a trajetória de Norris em sua missão.
Coração disparado e
respiração descompassada são uma constante durante a leitura.
Minha maior paixão
pelos contos desse livro é que não tem final piegas. Bom e velho horror do
início ao fim.
“-Então você é um tenista profissional – disse ele. – Acho que nunca
tinha visto um antes.
-Quer dizer que os seus detetives
não tiraram nenhuma fotografia?
-Ah, sim, tiraram – ele gesticulou
negligentemente com a piteira. – Fizeram até um filme em câmera lenta de vocês
dois no Motel Bayside. Havia uma câmera atrás do espelho. Mas as fotografias
raramente são fiéis a realidade, não é mesmo?
-Se você diz.”
O Homem do Cortador de Grama: Enredo simples, história
surpreendente. Um homem contrata os serviços de uma empresa para aparar a grama
de seu quintal. Até aí parece uma coisa muito cotidiana e comum. E é mesmo.
Justamente este motivo, torna esta história tão chocante.
Aqui não há muito que
eu possa comentar sem acabar revelando parte essencial do enredo e o que gosto
nesse conto é justamente o ar grotesco e obsceno que ele traz – quem leu ou
vier a ler, vai saber exatamente da cena que falo quando se deparar com ela.
Absolutamente chocante.
“Em meados de Julho, o gramado parecia mais uma campina do que o quintal
de uma casa de subúrbio, e Jack Castonmeyer começara a fazer todo tipo de piada
extremamente sem graça, a maioria delas aludindo ao preço do feno e da alfafa.
E Jenny, a filha de 4 anos de idade de Don Smith, começara a se esconder ali
quando havia mingau de aveia no café da manhã ou espinafre no jantar.”
Ex-Fumantes Ltda: Conta a história de Dick Morrison,
um fumante que depois de algum tempo, reencontra um velho conhecido em um
aeroporto. Os dois conversam e Dick fica sabendo quão bem este colega está e
que sua vida mudou completamente - para melhor - depois que parou de fumar,
graças a uma empresa chamada Ex-Fumantes Ltda. e seu método único de parar com
o vício. Dick resolve tentar.
Mal sabia ele...
História vale muito a
pena! Para quem prestar atenção, vai ter um pequeno ponto no início que é
relembrado no final de forma espetacular!
“EX-FUMANTES
LTDA.
237 East 47th Street
Nova York,
N.Y. 10017
1 Tratamento $2500.00
Orientador (Victor Donnati) $2500.00
Eletricidade $0.50
Total (favor pagar esta
importância) $5000.50.”
Eu Sei do que Você Precisa: Conta a história de Elizabeth, uma
jovem que estava estudando para as provas finais – com medo de perder a bolsa
caso seja reprovada – quando um jovem misterioso aparece, afirmando saber do
que ela precisa.
Uma casquinha de
morango com duas bolas.
Esse conto acerta em
vários aspectos, indo além do terror propriamente dito.
Edward Jackson Hammer
Junior, o rapaz que encontra Beth na biblioteca da faculdade, foge ao
estereótipo clássico de jovens universitários sedutores: Ele é magrelo,
desengonçado, usa roupas sem combinação alguma e óculos enormes.
Ponto forte, visto que
o clichê rapaz lindo sedutor misterioso que todas querem e só a protagonista
consegue ter já está passado e na minha opinião, obsoleto. Ed Hammer conquista
Elizabeth por realmente saber tudo o
que ela precisa. Seja um sorvete de morango, anotações exatas sobre a prova na
qual ela precisa ser aprovada ou um ombro amigo quando ela mais precisa
desabafar. É quase como se ele fosse perfeito.
Perfeito demais.
Gosto de todo o clima
da trama, revelando personagens passíveis de erros e pensamentos nada
lisonjeiros que revelam a verdadeira essência humana, egoísta em momentos que
nos deixaria envergonhados admitir.
Edward é um personagem
extremamente carismático, destarte o enredo e a forma como ele é abordado mais
ao final. Incita a pena, a compaixão e até mesmo, a compreensão visto tudo que
passou em sua vida. Será que ele é mesmo tão condenável assim?
Texto para reflexões,
incluindo a respeito de relações destrutivas e obsessivas, mostrando-as como
realmente são: venenosas e perigosas. E não é só porque os envolvidos não
enxergam ou acreditam nisso, que deixa de ser verdade.
“Começou a chorar novamente, e ficou um pouco abalada com a força
inesperada daquele choro. Então ele a abraçou, e então tudo ficou bem.”
Meus queridos, foi isso! Se você ainda não leu as outras partes da resenha, pode encontrá-las aqui: parte 1 e parte 2.
Terminamos o terceiro quarto de Sombras da noite e fechamos quinze contos hoje! Mais cinco e encerramos o livro (: O que estão achando? Qual conto você ficou mais instigado a ler?
Me conte nos comentários e não se esqueça de cobrir os pés a noite para se proteger daquela mão cadavérica escondida no escuro, debaixo da cama.
Boas leituras e um beijo da Heavy.
Eu ♥ Resenhas: Sombras da Noite - 2
Marcadores: Eu ♥ Resenhas, horror, Resenha, Stephen King
Salve, salve!
E sem perder tempo, vamos pra segunda
parte das resenhas sobre Sombras da Noite, que é o que interessa.
O Bicho-Papão: Essa história. Ok, que criança nunca teve medo do
bicho-papão? Ou do homem do saco, do chupa-cabra ou qualquer desses monstros
que nos impediam de dormir quando éramos pirralhos? Na trama, um homem é assombrado por essa criatura dos contos de horror e procura a ajuda de um psicólogo para contar sua experiência com um ser que, no início, ele
acreditava ser apenas uma invenção de seus filhos.
Trama muitíssimo
bem trabalhada quando trata os medos “infantis” sendo retratados pelo ponto de
vista de um homem adulto e, acima de tudo, cético, que acredita que seus filhos
estão mentindo ou inventando coisas. Afinal, até aquele momento, para ele
monstros não existiam. Ponto final.
O melhor
da trama é a construção narrativa que envolve a personagem: um pai de família
de mentalidade arcaica que se vê confrontado com uma realidade que ele
simplesmente jamais havia considerado. É compreensível, portanto, que ele tenha
achado que seus filhos estavam mentindo, mesmo em vista de circunstâncias dramáticas.
Traz lembranças
muito infantis dos nossos medos mais inocentes e que, aqui, Stephen King faz
virar medo de adultos. Acreditem ou não, eu olhei pro meu guarda-roupas
desconfiada na noite em que li esse conto, antes de dormir. Sério.
E o final é
um integrante do meu top 5 de finais favoritos do livro.
“-Vim vê-lo porque quero contar minha história – dizia o homem no divã do
dr. Harper.
O homem era Lester Billings, de Waterbury, Connecticut. De acordo com o
histórico anotado pela enfermeira Vickers, tinha 28 anos, trabalhava numa firma
industrial em Nova York, era divorciado e pai de três filhos. Todos falecidos.
-Não posso procurar um padre porque não sou católico. Não posso procurar
um advogado porque nada do que eu fiz justificaria uma consulta. Tudo o que fiz
foi matar meus filhos. Um de cada vez. Matei todos.”.
Massa Cinzenta: Eu adoro essa história e, particularmente, é uma das minhas preferidas.
Começa em
um bar, onde um grupo de amigos está bebendo. Repentinamente, um garoto chamado
Timmy, choroso, entra correndo no bar. O dono do lugar, Henry Parmalee, leva-o
para os fundos e descobre que o pobre menino está em desespero porque,
aparentemente, há algo errado com seu pai, Richie Grenadine – um homem
aposentado por invalidez que gasta muito de sua pensão com cervejas.
Confesso
que fiquei com muita pena do Timmy logo no início – e isso só se intensificou
justificadamente ao longo do conto. Depois disso, Henry chama dois outros
clientes que estavam no bar, Bertie e o protagonista que nos dá a visão da
história, para ir checar o pai do garoto. O nome da personagem, que narra tudo
em primeira pessoa, não é dito, ou, pelo menos, eu não vi ser citado em momento
algum. Enquanto caminham até o pequeno apartamento de Richie em meio à neve e
um vento congelante, Henry conta a eles o que Timmy lhe relatou... Algo
horrendo, macabro. E real. Enquanto o grupo vai até o apartamento sujo, num
prédio completamente abandonado, você se sente impelido a segui-los. O cheiro
de podridão dentro do recinto é tão intenso que chega ser palpável. Sufocante.
Clima de mega tensão durante todo o conto. A visão dada pelo protagonista dos fatos narrados por Henry, que foram ditos a ele por Timmy, e alguns dos acréscimos que ele mesmo, o narrador, faz à história, são pontos muitíssimo interessantes. O final é deixado em aberto, então você pode imaginar o que aconteceu e o que vai acontecer dali pra frente. Já perdi as contas de quantas vezes reli esse conto.
Clima de mega tensão durante todo o conto. A visão dada pelo protagonista dos fatos narrados por Henry, que foram ditos a ele por Timmy, e alguns dos acréscimos que ele mesmo, o narrador, faz à história, são pontos muitíssimo interessantes. O final é deixado em aberto, então você pode imaginar o que aconteceu e o que vai acontecer dali pra frente. Já perdi as contas de quantas vezes reli esse conto.
“O garoto disse que devia ter sido a cerveja – você sabe como, de vez em
quando, aparece uma lata estragada. Choca ou cheirando mal, ou verde como as
manchas de urina nas cuecas de um irlandês. Um sujeito uma vez me disse que só
é preciso um buraquinho de nada para deixar entrar bactérias que fazem coisas
bastante estranhas. O buraco pode ser tão pequeno que a cerveja mal se derrama,
mas as bactérias conseguem entrar. E cerveja é um bom alimento para alguns
desses bichos.”
Campo de Batalha: Nessa
história, John Renshaw, um assassino de aluguel, recebe um pacote contendo
soldadinhos de guerra com uma dedicatória suspeita. Brinquedos muito famosos
nos EUA, conjuntos de infantaria são marcos da história da indústria de
brinquedos americana (atualmente não tão famosos e feitos de plástico, ao
contrário do que acontecia há dois ou três séculos, época em que eram feitos de
chumbo). Mas esse, em particular... Pode não ser exatamente a melhor opção para
dar de presente para o seu filho no Natal.
Eu
digo o que já falei sobre os outros: é tenso e chocante. Quero dizer, você
recebe um livro na sua casa e ele começa a te atacar, se jogar na sua cara e
ameaça te cortar até a morte com as páginas. É muito surreal. Mas quando você
abre a mente e pensa... “E se...?” O conto acerta na medida para te deixar com
um gosto estranhamente ácido na boca ao olhar pros seus antigos brinquedos.
Apesar de
ser um conto de suspense e ação mais do que terror propriamente dito, é muito
gostoso de ler. Quem gosta de histórias de guerra vai curtir essa e reconhecer
alguns traços da estratégia usada pelos soldadinhos! Muito legal mesmo!
“Ei, crianças! Especial neste Baú do Vietnã!
(Promoção por tempo limitado)
1 Lança-mísseis
20 Misséis terra-ar “Twister”
1 Arma Termonuclear (Modelo em Escala)”
Caminhões: Como seria o mundo se os automóveis criassem vida
própria e se revoltassem contra os humanos? O que aconteceria se jatos, navios,
carros, motos, tratores... Se cada um desses automotores não fosse mais
suscetível ao nosso controle?
Um grupo
de pessoas fica preso numa lanchonete à beira da estrada quando essa revolução
dos automóveis começa. O conto narra os eventos que se arrastam e as pessoas em
suas desesperadas tentativas de sobreviver enquanto esperam que algo aconteça
para se vejam livres daquela realidade.
Ótimas
cenas de morte; há um trecho em particular que eu adoro. É quando um certo
personagem que todos julgavam morto começa a gritar do lado de fora, pedindo
ajuda; é meio da noite e ninguém o ouve, exceto o personagem principal e uma
garota. Ela diz que eles precisam ir ajudá-lo, mas o personagem principal
pergunta a ela se estaria disposta a abraçar a possibilidade de que o próprio
namorado fosse lá fora para resgatar o pobre homem e acabasse morrendo na
tentativa. A menina simplesmente arregala os olhos e afirma que também não
ouviu nada. Abraça o namorado e volta a dormir. O homem grita por horas, até
silenciar.
Isso demonstra um lado
não muito lisonjeiro dos seres humanos, mas extremamente real. Quem estaria
disposto, realmente, a enfrentar a morte para tentar salvar alguém que mal
conhece? Quem, de fato, numa situação daquelas, estaria disposto a arriscar?
Gosto especialmente dessa parte pela reflexão que ela traz.
E eu confesso, o último
parágrafo me fez sentir um ser humano bem pequenino, perto das catástrofes que
podem acontecer.
“O cozinheiro já está cambaleando um pouco. Também é um cara velho. Tenho
de acordar a garota.
Dois aviões deixam rastros prateados no horizonte que vai escurecendo, a
leste.
Gostaria de poder acreditar que há pessoas a bordo.”
Às Vezes Eles Voltam: História tensa que tem magia negra.
Sério.
Um professor
reencontra, já adulto, a gangue de marginais que causaram um evento trágico em
sua vida quando ele era criança e que parecem ter voltado para atormentá-lo.
Dessa vez, contudo, ele está decidido a não ser mais um garoto com medo dos
mesmos fantasmas que o infernizaram há tantos anos.
Clima de
super-tensão e agonia. Eu quase queria pular as páginas para saber como é que
ia acabar, fora o fato de que é possível vislumbrar, no desenrolar da trama, a
transição da personagem de um homem quase apático e assustado para outro mais
decidido, moldado especialmente pela dor de um acontecimento. Essa mudança é
essencial para o final e o arco narrativo é muito bem fechado e trabalhado.
Excelente para quem
gosta de histórias com ritual, demônios e cenas de mutilação.
“Ele veio pela calçada, segurando a pasta nova numa das mãos e quatro
livros didáticos na outra. Ela podia ver o título na capa do que estava por
cima – Introdução à Gramática. Pôs as mãos em seu ombro e perguntou:
-Como foi?
E ele sorriu.
Mas naquela noite, ele voltou a ter o velho sonho pela primeira vez em
muito tempo, e acordou suando, com um grito preso na garganta.”
Bom galera, essa foi a segunda parte da resenha de Sombras da Noite. Se você ainda não leu a primeira parte, pode conferir aqui.
Até a próxima!
Um beijo da heavy e boas leituras.
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