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Eu ♥ Resenhas: Sombras da Noite - 3


Salve, salve!
E estamos na penúltima parte da resenha de Sombras da Noite! Depois destes, só - ou seria ainda? - teremos mais cinco contos!
Vamos lá?


Primavera Vermelha: Nesse conto, um jovem universitário narra a respeito de misteriosos assassinatos no campus de sua faculdade, cometidos por aquele que chamam “Jack Salto-de-Molas”, sempre encoberto pelo nevoeiro da primavera vermelha, evento atípico que acontece uma vez a cada dez anos, mais ou menos.
O conto inspira muito a imaginação, especialmente quando o título, mesclado a narrativa, torna o enredo tão instigante. O cenário, o campus de uma universidade, traz um clima de suspense inquietante e é possível caminhar pelas sombras, entre os prédios e gramados, com a incrível sensação de se estar sendo observado.
Incrível como todo final de história desse livro é tenso. E digníssimo. E tenso.
“Caminhei até perto da meia noite, até ficar coberto de umidade, e passei por muitas sombras, ouvi muitos passos ecoando sonhadoramente pelas aleias sinuosas. Quem pode dizer que uma daquelas sombras não era o homem ou a coisa que veio a ser conhecida como Jack Salto-de-Molas? Eu não, pois passei por muitas sombras no nevoeiro, mas não vi rosto algum."

O Ressalto: Outra história que eu releio sempre. Aqui, um professor de tênis de um clube local, sr. Norris, se apaixona pela mulher de um homem velho e poderoso, Cressner, e com quem mantém um caso. Quando Cressner descobre, Norris e Márcia (a esposa do velho que muito me pareceu um mafioso) armam de fugir juntos.
 O conto começa com Cressner e Norris conversando no apartamento de luxo do primeiro, um encontro de “cavalheiros” por assim dizer. E é onde o antagonista faz uma proposta a Norris. Se ele aceitar dar a volta no parapeito do prédio que fica a 43 andares do chão, ganha uma grande quantia em dinheiro e pode ficar com a esposa dele. Se não...
Esse conto ganha pelo mesmo motivo do anterior, mas com um ambiente de suspense muito mais forte. A trama toda se desenvolve baseada nas sensações que é capaz de causar ao leitor enquanto acompanha a trajetória de Norris em sua missão.
Coração disparado e respiração descompassada são uma constante durante a leitura.
Minha maior paixão pelos contos desse livro é que não tem final piegas. Bom e velho horror do início ao fim.
-Então você é um tenista profissional – disse ele. – Acho que nunca tinha visto um antes.
-Quer dizer que os seus detetives não tiraram nenhuma fotografia?
-Ah, sim, tiraram – ele gesticulou negligentemente com a piteira. – Fizeram até um filme em câmera lenta de vocês dois no Motel Bayside. Havia uma câmera atrás do espelho. Mas as fotografias raramente são fiéis a realidade, não é mesmo?
-Se você diz.”

O Homem do Cortador de Grama: Enredo simples, história surpreendente. Um homem contrata os serviços de uma empresa para aparar a grama de seu quintal. Até aí parece uma coisa muito cotidiana e comum. E é mesmo. Justamente este motivo, torna esta história tão chocante.
Aqui não há muito que eu possa comentar sem acabar revelando parte essencial do enredo e o que gosto nesse conto é justamente o ar grotesco e obsceno que ele traz – quem leu ou vier a ler, vai saber exatamente da cena que falo quando se deparar com ela.
Absolutamente chocante.
Em meados de Julho, o gramado parecia mais uma campina do que o quintal de uma casa de subúrbio, e Jack Castonmeyer começara a fazer todo tipo de piada extremamente sem graça, a maioria delas aludindo ao preço do feno e da alfafa. E Jenny, a filha de 4 anos de idade de Don Smith, começara a se esconder ali quando havia mingau de aveia no café da manhã ou espinafre no jantar.”

Ex-Fumantes Ltda: Conta a história de Dick Morrison, um fumante que depois de algum tempo, reencontra um velho conhecido em um aeroporto. Os dois conversam e Dick fica sabendo quão bem este colega está e que sua vida mudou completamente - para melhor - depois que parou de fumar, graças a uma empresa chamada Ex-Fumantes Ltda. e seu método único de parar com o vício. Dick resolve tentar.
Mal sabia ele...
História vale muito a pena! Para quem prestar atenção, vai ter um pequeno ponto no início que é relembrado no final de forma espetacular!
EX-FUMANTES LTDA.
237  East 47th Street
Nova York, N.Y. 10017

1 Tratamento $2500.00
Orientador (Victor Donnati) $2500.00
Eletricidade $0.50
Total (favor pagar esta importância) $5000.50.”

Eu Sei do que Você Precisa: Conta a história de Elizabeth, uma jovem que estava estudando para as provas finais – com medo de perder a bolsa caso seja reprovada – quando um jovem misterioso aparece, afirmando saber do que ela precisa.
Uma casquinha de morango com duas bolas.
Esse conto acerta em vários aspectos, indo além do terror propriamente dito.
Edward Jackson Hammer Junior, o rapaz que encontra Beth na biblioteca da faculdade, foge ao estereótipo clássico de jovens universitários sedutores: Ele é magrelo, desengonçado, usa roupas sem combinação alguma e óculos enormes.
Ponto forte, visto que o clichê rapaz lindo sedutor misterioso que todas querem e só a protagonista consegue ter já está passado e na minha opinião, obsoleto. Ed Hammer conquista Elizabeth por realmente saber tudo o que ela precisa. Seja um sorvete de morango, anotações exatas sobre a prova na qual ela precisa ser aprovada ou um ombro amigo quando ela mais precisa desabafar. É quase como se ele fosse perfeito.
Perfeito demais.
Gosto de todo o clima da trama, revelando personagens passíveis de erros e pensamentos nada lisonjeiros que revelam a verdadeira essência humana, egoísta em momentos que nos deixaria envergonhados admitir.
Edward é um personagem extremamente carismático, destarte o enredo e a forma como ele é abordado mais ao final. Incita a pena, a compaixão e até mesmo, a compreensão visto tudo que passou em sua vida. Será que ele é mesmo tão condenável assim?
Texto para reflexões, incluindo a respeito de relações destrutivas e obsessivas, mostrando-as como realmente são: venenosas e perigosas. E não é só porque os envolvidos não enxergam ou acreditam nisso, que deixa de ser verdade.
Começou a chorar novamente, e ficou um pouco abalada com a força inesperada daquele choro. Então ele a abraçou, e então tudo ficou bem.”


Meus queridos, foi isso! Se você ainda não leu as outras partes da resenha, pode encontrá-las aqui: parte 1 e parte 2.
Terminamos o terceiro quarto de Sombras da noite e fechamos quinze contos hoje! Mais cinco e encerramos o livro (: O que estão achando? Qual conto você ficou mais instigado a ler?
Me conte nos comentários e não se esqueça de cobrir os pés a noite para se proteger daquela mão cadavérica escondida no escuro, debaixo da cama.

Boas leituras e um beijo da Heavy.

Eu♥Resenhas: A Menina Morta-Viva



Título Original: "Living Dead Girl".
Autor: Elizabeth Scott.
Ano: 2011.
Número de Páginas: 172 páginas.
Editora: Editora Underworld.
Edição: 1ª edição.
Tradução: Ronaldo Passarinho.


Era uma vez, eu era uma menininha que desapareceu. Era uma vez, o meu nome não era Alice. Era uma vez, eu não sabia como tinha sorte. Quando Alice tinha dez anos, Ray levou-a de sua família, seus amigos ― a sua vida. Ela aprendeu a desistir de todo o poder, para suportar toda a dor. Ela esperou que o pesadelo acabasse. Alice agora tem quinze e Ray ainda a tem, mas ele fala mais e mais da sua morte. Ele não sabe é o que ela anseia. Ela não sabe que ele tem algo mais assustador do que a morte em mente para ela. Esta é a história de Alice. É uma que você nunca ouviu falar, e que você nunca, jamais esquecerá.

Falar desse livro é complicado pra mim. Porque eu o comprei na bienal do Rio de Janeiro no ano passado e protelei a leitura por bastante tempo e quando consegui terminá-lo foi um grande alívio. O alívio não é pela qualidade do livro, ao contrário, o livro é ótimo no que tange o tema abordado, tão bom que machuca quem lê. "A Menina Morta-Viva" traz uma história para leitores fortes. Algumas partes são tão cruéis e vis que eu me senti sufocada e me fez segurar as lágrimas em algumas passagens. A dor de Alice acaba se tornando nossa porque há partes em que a autora coloca "em xeque" nossas atitudes. Afinal, quantas vezes podemos esbarrar em Alices por aí e nem ao menos reparamos? Alice nos fala isso em várias páginas e, da mesma forma que soa como um apelo, ao mesmo tempo ela soa conformada em ninguém reparar seu sofrimento.


Como eu já li "Lolita" de Nabokov, foi como se eu tivesse visto os dois lados da moeda, só que o Humbert-Humbert nunca fora tão cruel ou agressivo com Lolita, não que eu me lembre. A doença do personagem criado por Nabokov soa até um pouco diferente do que nos é apresentado aqui. Talvez pela forma poética que ele tratou a história. Apesar dos pesares, Lolita ainda era mimada por H. H. e era apreciada por ele também. Mas não é de Lolita que devo ou quero falar agora, isso fica para outra resenha.

"Alice", entre aspas porque esse não é o verdadeiro nome da protagonista, mas o nome que Ray escolheu, a todo o momento duvida do amanhã. Não sabe se vai comer, não sabe se vai estar viva, aliás, não sabe nem mesmo se está realmente viva agora. Afinal, quem gostaria de viver uma vida como aquela? Mas da mesma forma que era difícil continuar vivendo daquela maneira, era mais difícil ainda conseguir morrer. Só poderia morrer quando Ray permitisse.

Os capítulos são curtos e o livro não é nem tão grande, mas possuem um peso de um livro de mais de 600 páginas com parágrafos que se arrastam por páginas e mais páginas. É muito pesado para o emocional. Eu só consegui terminá-lo quando estava apática, porque das vezes que eu o peguei, se conseguia ler mais de três páginas, era muito. Cada parágrafo era acompanhado de um suspiro e um gole de café. Muita violência descrita em poucas palavras e linhas. Parecia mesmo ter sido escrito por uma menina, o que soa mais desesperador quando lemos. Soa real, porque no fundo sabemos que pode ser realmente real, senão com essa menina, mas com outras pelo mundo a fora. Outras Alices de outros tantos Rays.

Quando terminei tudo, só o que conseguia pensar em Ray, Ray, Ray... e no fantasma da pobre "Alice". Queria que ele sofresse, mas aí eu lembro que ele um dia foi como Alice e era apenas um produto da violência que sofreu e que agora transmite para as outras "Alices". Triste, mas pelo menos eu cheguei ao fim e pude me libertar.

Eu♥Resenhas: Alice no País das Maravilhas


Título Original: "Alice in Wonderland".
Autor: Lewis Carroll.
Ano: 2010.
Número de Páginas: 317 páginas.
Editora: Jorge Zahar
Edição: 1ª Edição.
Tradução: Maria Luiza X. de A. Borges


  Alice no País das Maravilhas conta a história de uma menina que, ao perseguir um coelho branco curiosamente vestido de paletó e segurando um relógio, cai em uma toca e vai parar em um lugar fantástico e onírico. 


  A primeira vista achamos que a Terra das Maravilhas na verdade não passa de um lugar completamente louco e, de certa forma, não estamos completamente errados. Esse clássico inglês é muito mais que um conto para crianças, a história possui enigmas e poemas da era vitoriana que escapam muitas vezes dos olhos até dos leitores mais atentos. Certamente é uma das obras mais complexas na questão significativa das passagens que tive oportunidade de ler. Os livros por si só já possuem inúmeros significados, mas Alice, ah, em Alice certamente há muito mais do que mil. Acredito que essa obra de Lewis seja atemporal e, por isso, devemos relê-la após alguns anos para tentarmos arrancar outra interpretação e, quem sabe, descobrir novas coisas e desvendar algumas passagens desse louco mundo das maravilhas.


  Da última vez que tive o prazer de lê-la, tive Alice como uma menina inocente que aos poucos vai crescendo e entrando nesse mundo louco dos adultos, mas sem perder sua ingenuidade. As coisas que nos parecem insanas por um lado, de certa forma soam naturais pelo outro. Analisando friamente, temos dentro da história pessoas que vemos no nosso dia-a-dia, mas de maneira mais estereotipada, digamos assim. Alice não consegue entender ou mesmo compreender tudo o que se passa naquele "mundo fantástico" justamente porque ela não faz parte dele. De certa forma, o país das maravilhas soa até de forma irônica uma vez que Alice não quer ficar ali, apenas procura o caminho de volta para casa. De certa forma, a personagem me fez lembrar de quando eu era criança e tentava entender como funcionava o mundo dos "adultos". Fez-me lembrar o quão fantástico e assustador aquilo tudo parecia.

  A pequena Alice passa por várias crises de identidade devido as transformações que seu corpo e ela mesma passam enquanto ela tenta descobrir como pode fazer para sair dali. Um dos trechos que mais ilustram essas questões existenciais da Alice se dá quando ela encontra a Lagarta:

  “Quem é você?”, perguntou a Lagarta.

     Não era uma maneira encorajadora de iniciar uma conversa. Alice retrucou, bastante timidamente: “Eu — eu não sei muito bem, Senhora, no presente momento — pelo menos eu sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que tenho mudado muitas vezes desde então.
     “O que você quer dizer com isso?”, perguntou a Lagarta severamente. “Explique-se!”
     “Eu não posso explicar-me, eu receio, Senhora”, respondeu Alice, “porque eu não sou eu mesma, vê?”
     “Eu não vejo”, retomou a Lagarta.
     “Eu receio que não posso colocar isso mais claramente”, Alice replicou bem polidamente, “porque eu mesma não consigo entender, para começo de conversa, e ter tantos tamanhos diferentes em um dia é muito confuso.”
     “Não é”, discordou a Lagarta.
     “Bem, talvez você não ache isso ainda”, Alice afirmou, “mas quando você transformar-se em uma crisálida — você irá algum dia, sabe — e então depois disso em uma borboleta, eu acredito que você irá sentir-se um pouco estranha, não irá?”
     “Nem um pouco”, disse a Lagarta.
     “Bem, talvez seus sentimentos possam ser diferentes”, finalizou Alice, “tudo o que eu sei é: é muito estranho para mim.”
     
  Temos várias figuras de adultos caricatos na história como, por exemplo, o coelho que está sempre sem tempo e correndo para algum compromisso e a rainha de copas que representa o adulto autoritário e que mesmo sem razão, acha que é correto em tudo o que faz.

  É difícil definir essa história porque Alice passa por tantas coisas diferentes e fantasiosas que ilustram tantas situações que fica complicado estabelecer alguma definição. Até porque não deve existir uma definição propriamente dita. Afinal essa obra trabalha um estilo "sem sentido" mesmo. Há muitas metáforas nas entrelinhas, algumas que nós talvez nem percebamos da maneira que Lewis teve a intenção de colocar e outras que só fazem sentido em inglês.

  Um dos meus personagens favoritos é o gato que sempre aparece nos momentos mais inoportunos e com frases enigmáticas. Um dos personagens mais curiosos em minha humilde opinião é o gato de Cheshire junto ao chapeleiro e a Lebre de Março. O capítulo “Um chá maluco” é um dos meus favoritos.

“Gatinho de Cheshire”, começou, bem timidamente, pois não tinha certeza se ele gostaria de ser chamado assim: entretanto ele apenas sorriu um pouco mais. “Acho que ele gostou”, pensou Alice, e continuou. “O senhor poderia me dizer, por favor, qual o caminho que devo tomar para sair daqui?”

     “Isso depende muito de para onde você quer ir”, respondeu o Gato.
     “Não me importo muito para onde...”, retrucou Alice.
     “Então não importa o caminho que você escolha”, disse o Gato.
     “...contanto que dê em algum lugar”, Alice completou.
     “Oh, você pode ter certeza que vai chegar”, disse o Gato, “se você caminhar bastante.”
     Alice sentiu que isso não deveria ser negado, então ela tentou outra pergunta.
     “Que tipo de gente vive lá?”
     “Naquela direção”, o Gato disse, apontando sua pata direita em círculo, “vive o Chapeleiro, e naquela”, apontando a outra pata, “vive a Lebre de Março. Visite qualquer um que você queira, os dois são malucos.”
     “Mas eu não quero ficar entre gente maluca”, Alice retrucou.
     “Oh, você não tem saída”, disse o Gato, “nós somos todos loucos aqui. Eu sou louco. Você é louca.”
     “Como você sabe que eu sou louca?”, perguntou Alice.
     “Você deve ser”, afirmou o Gato, “ou então não teria vindo para cá.”
Mas o que podemos dizer além do que já foi dito? Alice é um livro para todas as idades e gêneros, um livro que todos deveriam ler ao menos uma vez na vida. Àqueles que ainda não leram, só posso desejar boa leitura! :D

Xoxo,

Julliana.

Eu ♥ Resenhas: Fallen

Título: Fallen
Título Original: Fallen
Autor: Lauren Kate
Editora: Galera Record
Ano da Edição: 2010
Ano Original de Publicação: 2009
Nº de Páginas: 401
Série: Fallen - Vol. 1


Eu demorei muito para comprar Fallen justamente por todas as resenhas que já li. Achava a capa linda, todavia, de dez resenhas, nove eram dizendo que o livro era um Crepúsculo de anjos. E mesmo achando que nada me faria mais mal do que ler Diário de Vampiros, eu relutei muito até Fallen “cair” literalmente em minhas mãos numa ocasião muito curiosa. Eu estava indo à Bienal do livro quando entrei nas Lojas Americanas e ele me acenou assim: me leva!

A curiosidade venceu qualquer reserva que eu tivesse sobre o livro. Carreguei ele por toda a Bienal e me vi devorando suas palavras rapidamente entre minha casa e o trabalho. Acredite em mim, em momento algum eu tive vontade de fechar o livro e arquivá-lo, muito pelo contrário. Lauren me fez crer numa narrativa despretensiosa de início, que tem em Lucie uma adolescente problema enviada ao reformatório Sword&Cross na clara desculpa básica que os pais dão a si mesmo para justificar a ida de seu único filho para uma instituição desse porte: é para o seu bem. Não posso crer que nenhum pai ache que algo nesses termos seja bem algum para seu filho, todavia, tenho que acolher isso como a premissa de que eles só visam o bem da menina... Ou poderia dizer que é mais difícil aceitar que seu filho tem problemas e lidar com eles sob seu teto? Ainda assim, essa discussão de âmbito familiar é apenas pincelada por Lauren como pano de fundo, mesmo crendo que ela adoraria muitas vezes ir até o fundo da questão. O que de fato talvez pudesse tornar o livro cansativo ou monótono... Isso por que eu me lembrei de questionar o que nos faz procurar na prateleira livros tidos como gêneros sobrenatural e/ou fantasia. Entretenimento, né? Eu não penso em abrir um livro desse e encontrar uma discussão filosófica... 

Logo, é por esse mar de experiência e não experiência que vamos navegar com Lucie, enquanto ela descobre que não sabe nada sobre si mesma e os amigos de infortúnio... Conforme vemos Cam e Daniel desfilar seus belos olhos verdes e cinzentos, respectivamente, e ficar por páginas indecisos com quem a menina deve se envolver mais. Note que eu disse menina, ou seja, não pense você que verá atitudes maduras ou justificadas quando estamos falando de adolescentes, principalmente americanos. Essa é a fase em que mais nos é permitidos erros, devaneios e insensatez! 

E, é nesse ponto que você pensa na Lucie-história-adolescente-comum que Lauren te tira o chão e te envolve numa trama linda! Uma trama que me surpreendeu e me fez devorar páginas e linhas inteiras torcendo pela guria. Para quem não sabe que é uma história de anjo, mas que também não se resume só a isso (é eu contei!), não há uma só nota que diga quem Daniel é; e Cam... Esse realmente me surpreendeu! Eu podia esperar tudo deles, mas não um thriller que me fizesse querer ler o segundo livro tão rápido. Não foi isso que pensei quando paguei R$19,90 por ele... Eu pagaria agora o dobro por Tormenta! 

Eu me apaixonei pela maneira como a Lauren nos insere na busca da Lucie pelo o passado de Daniel... e você se vê indo para a biblioteca e procurando também. Eu me vi emocionada muitas vezes e segurei minha vontade de abraçar tanto Cam, quanto Daniel e Pen! Eu criei uma identificação com os personagens, e Lauren me fez gostar do que li... Fez-me querer mais quando cheguei à última linha do primeiro volume.

Eu não posso afirmar que a série inteira seja boa, porque manter um pique numa trama assim é muito difícil. Uns conseguem, outros não. Mas, eu acredito que passar indiferente a essa série se tornou impossível, como já fiz a outras.      
  
Boa leitura, amores!

Roxane Norris


Eu ♥ Resenhas: Arma de Vingança




Autor: Danilo Barbosa 
Ano: 2011
Número de Páginas:278
Editora: Baraúna
Edição:




 

“Como uma deusa cruel e vingativa, passei por cima de todos que atravessaram meu caminho, para conseguir castigar aqueles que me fizeram sofrer. Cada doce carícia que deixei a quem não merecia foi retribuída com sedutores toques manchados de sangue.
Por isso, sem qualquer remorso, pense que estou ao seu lado, minha única testemunha, e direi ao pé do seu ouvido: eu matei.”

Vou começar exatamente do mesmo ponto em que iniciei minha leitura, convidando vocês a penetrar o mundo de Ana.  

Ana, uma moça normal como tantas outras. Bonita, inteligente, com amigos legais e, também, uma séria queda para “homens problemas”. Mas, alto lá, não pense que Ana é aquela mulher de arroubos adolescentes, que porta como uma menina desnorteada e senso nenhum mesmo quando alcança quarenta anos de idade. Não que vamos conviver com a Ana até esses idos, mas de fato, veremos a Ana como uma menina que se torna uma grande mulher.

Particularmente, eu juro que teria muitas dúvidas diante das questões que Ana raciocina rápida e friamente. Todavia, em muitos momentos me vi em Ana. 

A Ana menina que anseia por um romance perfeito depois de um namoro conturbado e arrasador com o Rambo, onde Ricardo cai como uma luva. O gentleman implacável em atitudes e palavras sussurradas, que nos adoça e envolve em sua trama. Um homem digno de ser capa da Vogue e mister em ser “o canalha”. Pior do que Rambo, porque Ricardo nos manipula através de nossa alma. Sem que sintamos e possamos combatê-lo. É assim com Ana e com que se envolve com ela.

As verdades se chocam e se confundem no desenrolar da trama, e acho muito interessante, que ao invés de um trailer de ação, que o Dan poderia ter feito do início ao fim, ele nos propõe a ótica do psicológico. Isso faz o leitor se questionar a cada letra. Questionar Ana e a si mesmo. É um compromisso que o autor firma com quem está do outro lado das páginas: eu te apresento a alma de Ana. Não é como um romance policial que prima por cenas de perseguição e caça ao rato; Arma se desvenda pelo elo que o seu subconsciente faz com Ana. A Ana destruída pelo Ricardo e que ressurge em vingança.

Eu não tinha desvendado isso, até ir para o trabalho e não conseguir ler uma página depois da entrada de Rafael na trama. Rafael, que como um anjo que é, veio iluminar nossas vidas. Então, tocou uma música no rádio, e cara, lá tava eu sonhando.

É, eu sonho com músicas. E escrevo com elas. E agora, resenho com elas tb. E, bom, tava tocando “Eu não estou nesses planos”, do Gabriel Guerra. Passei bons momentos com ela sem perceber. Cantando e lembrando de Ana... do meu compromisso com o Dan. Para mim era aquela a música do Rafael, e eu tinha certeza de quando ele entrou na vida de Ana, e na minha, tudo ia caminhar bem... Eu e Ana íamos nos salvar de nossa sede. Sede de sangue e vingança. Só que aí, o Dan brinca com nós, e coloca a gente dentro de um jogo policial. E eu viro e digo: ei, temos muita ação. 

As páginas realmente se derreteram sob meus dedos, e foi delicioso ler Ana. Arma de Vingança não é um convencional romance policial, não cai na mesmice, que é feito pra encantar a mente, nos sufocar gritos e preencher várias prateleiras de livrarias por aí. Arma nos leva ao ser humano e às conturbações que acontecimentos, aparentemente cotidianos, podem desfraldar. Nos remete a analise do mal e bem que habita cada um de nós... Do que podemos nos transformar se guiados por instintos errados... mas mesmo assim, ainda há chance de retorno. Sempre há, basta encontrar em nós a resposta. 

Eu encontrei em Ana, e você?

Ps: Resenha feita pela Roxane Norris, autora de Immortales - a ser lançado pela editora Baraúna -, que também faz parte do blog, eu só postei porque sou uma boa menina. Vale também ressaltar que nós temos uma nova amiga no blog, a dona Teffy - Stefhany como eu carinhosamente a chamo. Então dêem as boas-vindas as meninas!

Eu ♥ Resenhas: A Estrada da Noite

Título Original: Heart-Shaped Box
Autor:
Joe Hill
Ano:
2007
Páginas:
254
Editora:
Sextante
Edição: 1ª Edição

O livro de terror mais bem escrito que li nos últimos tempos. A razão? Simples: causar tensão e susto sem o auxílio de trilhas sonoras ou de imagens sanguinolentas é o grande desafio de quem escreve esse gênero, e "A Estrada da Noite" conseguiu isso com primor. Incrível a forma que palavras impressas em papel me fizeram arrepiar e olhar sobre os ombros com a impressão de estar sendo observada. Um livro que cumpre a proposta inicial.
Pode-se dizer que o autor traz no DNA a inspiração para o macabro. Ele até tentou esconder suas origens através de um pseudônimo, mas o disfarce não durou muito. Logo foi revelado que Joe Hill é, na verdade, Joseph Hillstrom King - um dos filhos do mestre do suspense Stephen King com a romancista Tabitha King. O nome do pai, obviamente, direcionou os holofotes da mídia para o trabalho de Joe. Eu fui mais uma leitora curiosa para conferir se o talento de King tinha herdeiro, e por isso comprei “A Estrada da Noite”. Depois de poucas páginas, já tinha a resposta para o dilema: SIM! 

Deixando a comparação de lado, a atenção dirigida ao segundo livro de Joe Hill se provou merecida.
O autor soube criar personagens com um poder de empatia sensacional. Jude Coyne (trocadilho com “moedas de Judas”, em inglês) não é o protagonista simpático de costume. Roqueiro de meia-idade, Jude é o único sobrevivente de uma banda metaleira que foi sucesso no passado. Dá para fazer uma trilha sonora das boas para a história com as bandas que Jude cita como influências. O roqueiro cumpre seu papel entre altos e baixos. Tem alguns momentos heróicos, mas também deixa de agir por medo, comodismo, ou simplesmente por não se importar o bastante. Abandonou quase todos os vícios, mantendo apenas um: namorar meninas mais novas, góticas, e sensuais. A namorada da vez atende pelo apelido de Geórgia (Jude nomeia as namoradas em homenagem aos seus estados de origem), e é a personagem que mais cresce ao longo da história.


“Vou vender o fantasma do meu padrasto pelo lance mais alto...”

O livro começa com a oferta , via e-mail, de um produto que promete coroar a coleção de objetos macabros de qualquer maluco: um paletó assombrado. O roqueiro que possuía crânio humano, laços usados em forcas, livro de receitas para canibais, e até a confissão assinada de uma bruxa, não foi capaz de resistir à chance de aumentar seu conjunto de horrores. Intrigado, e divertindo-se com a idéia de comprar um fantasma, Jude pede que seu assistente, Danny, requisite o objeto. O paletó do morto chega dias mais tarde, numa estranha caixa negra em formato de coração, e parece assustar os cães de Jude a ponto de fazer as feras fugirem com o rabo entre as pernas. O próprio Jude sente calafrios inexplicáveis ao ver Geórgia vestir o paletó, e resolve devolvê-lo à caixa e deixá-lo longe das suas vistas. Porém, a presença do paletó na casa é o suficiente para que Jude comece a ver um terceiro morador pelos corredores. Um velho, vestindo o paletó, parece estar por toda parte. Trata-se do fantasma de Craddock McDermott, padrasto de uma fã com quem Jude se relacionou no passado e que, após ser dispensada por ele, cometeu suicídio. Ao se dar conta da armadilha em que se meteu, Jude tenta devolver o paletó, mas a vendedora ri do desespero do roqueiro, e confessa que essa era justamente sua intenção inicial: enviar o fantasma assassino de Craddock para que Jude pagasse por seus pecados. O que torna o fantasma ainda mais perigoso é que Craddock, quando vivo, era especialista em hipnose, e a morte não diminuiu em nada suas habilidades. Sugestões de homicídio e suicídio começam a se infiltrar na mente de Jude, Geórgia, Danny e qualquer um que se aproxime do objetivo de vingança de Craddock. A partir daí, a paz do casal está oficialmente terminada. A casa não é mais segura, e a fuga de Jude e Geórgia a bordo do Ford Mustang 1965 não desacelera em nenhum momento. Cheio de fantasmas no armário – literalmente – Jude é obrigado a enfrentar cada um deles para tentar sobreviver a caçada implacável que ameaça levar tanto ele quanto Geórgia a percorrer a estrada que leva ao mundo dos mortos.

"Mais cedo ou mais tarde os mortos nos alcançam..."

A idéia mais interessante de Joe Hill a respeito dos espectros é a seguinte proposta:
E se você pudesse planejar sua participação no mundo após a morte? Morrer com um plano construído, pronto para pôr em prática assim que a alma deixar a prisão de carne e osso. Do que – ou de quem – você viria atrás, se soubesse exatamente como resolver seus assuntos inacabados quando se tornar um fantasma? Premeditar sua assombração é possível, caro leitor. Basta treinar a mente. Aprendam com o nosso amigo Craddock como se transformar num mortífero espectro do mal para tirar o sono – e a vida – de qualquer desafeto.

"- Por que você tem de fazer todas essas malditas perguntas? – Ele quis saber. [...]

- Prefiro fazer perguntas – disse ela – a respondê-las."

Outra questão que o livro aborda é o abuso infantil, e o quanto o trauma impacta na formação do ser humano. Mais de um personagem traz essa cicatriz invisível, derivada tanto de violências sexuais quanto de torturas físicas sofridas ainda na infância. Revelar muito sobre esse aspecto da história acabaria com a graça de lê-la. Entretanto, posso afirmar que o leitor que reflete a respeito do livro após terminá-lo, consegue enxergar que o passado pode ser o pior tipo de assombração para qualquer pessoa.

“Se o inferno fosse alguma coisa, seria conversa de rádio – e família."


Joe Hill construiu uma trama ágil, que consegue mostrar o passado de cada personagem sem atrasar a ação da história. Ação, aliás, é a marca registrada do autor, que não dá chance para o leitor recuperar o fôlego durante a corrida desenfreada dos personagens em direção ao palco da cena final – o lugar de origem dos pesadelos de Jude.

“A Estrada da Noite" se tornou uma viagem melhor e mais intensa do que eu esperava.

Eu♥Resenhas - As Brumas De Avalon


Título Original: The Mists of Avalon.
Editora: Imago.
Autor: Marion Z. Bradley.
Livros:
A Senhora da Magia

A Grande Rainha
O Gamo Rei
O Prisioneiro da Árvore.

    NOTA






    Eu ♥ Resenhas: A Guardiã da Meia-Noite




    Título Original: The Midnight Guardian.
    Editora: Planeta do Brasil.
    Autor: Sarah Jane Stratford.
    Páginas: 336.


     



    Não eram apenas judeus e negros prejudicados na Segunda Guerra Mundial, os vampiros também corriam perigo. Afinal, com Guerras há mortes e sangue humano desperdiçado.

    Mas, eles não deixariam tão facilmente sua raça ruir… 

    Então, forma-se um grupo de vampiros milenares - Brigit, Mors, Meaghan, Swefred e Cleland - temerosos pela falta de alimento e orientados por um conselho vampiresco, tentam atrapalhar a expansão das ideias nazistas.

    Desenvolve-se então uma fabulosa rede de intrigas, de perdas e fracassos. E o nazismo só se expande.
    Ao mesmo tempo em que a missão fracassa, a protagonista, Brigit, sofre pela falta de seu amado Eamon – que por ser não ser milenar não pode estar junto dela. Então a narrativa, por vezes, muda de foco direcionando-se ao romance dos dois vampiros. É possível perceber que o amor de ambos é tão forte que mesmo na distancia, a paixão e a música de Eamon tocam o coração de Brigit tornando-a cada vez mais forte e determinada. E mesmo com todas as missões caminhando ao fracasso, como sol e outras dificuldades, Brigit recebe um valioso encargo: salvar e proteger uma importante carga.

    Que carga é essa? Qual a importância de tal segredo para os vampiros? Por que a vampira milenar aceita tal incumbência? – Tais perguntas somente a leitura do livro pode proporcionar e, no fim, o desfecho é nada mais do que o esperado da forma mais imprevisível. Com todas as perguntas respondidas da forma mais surpreendente nos prendendo até a última linha.

    Eu ♥ Resenhas: Entrevista Com o Vampiro



    Título Original: Interview with the Vampire.
    Autor: Anne Rice.
    Editora: Rocco.
    Paginas: 276.
    Série: Crônicas Vampirescas.







    É através de uma entrevista que Louis conta sua história...

    Quando Louis tinha perdido a vontade de viver, Lestat surge em sua vida e transforma-o em algo imortal chamado vampiro. A partir daí o seu alimento é o sangue humano, mas arrancar a vida de outros é algo que não agrada o recém-criado vampiro.

    Louis se incomoda em matar e se priva ao máximo de tal atitude por considerá-la incorreta. Mas Lestat, por sua vez, não se importa com a vida alheia e mata com toda sua sensualidade e mesquinhez sem um mínimo rancor. E são tais atitudes egoístas e inconseqüentes que o levam a transformar uma criança em vampiro, a menina Cláudia.

    Cláudia, uma mulher presa pela eternidade em um corpo infantil, desenvolve uma mentalidade sedutora e vingativa. Que convence Louis a se livrar de Lestat e, com ela, encontrar outros vampiros...

    Trazendo consigo personagens profundos e inevitavelmente, humanos, o primeiro volume das Crônicas Vampirescas tornar a morte algo mais palpável e a eternidade uma questão de existência. Entrevista com Vampiro é o livro que demonstra que fantasia e realidade histórica podem andar lado-a-lado. Pois, os vampiros de Anne Rice, além de sedentos e historicamente situados de forma esplendida, são evidentemente uma metáfora para o outsider.

    Eu ♥ Resenhas: Mãos de Cavalo



    Título Original: Mãos de Cavalo
    Autor: Daniel Galera
    Número de Páginas: 189
    Editora: Companhia das Letras










    "O tema principal do livro é a identidade, a obsessão que temos por defini-la e a inutilidade geral desse esforço", diz o autor. "Até que ponto é possível decidir como queremos ser e que imagem os outros terão de nós? Talvez definir isso racionalmente seja tão inviável quanto decidir se queremos ou não amar uma determinada pessoa."

    Um pequeno garoto de dez anos percorrendo as ruas da zona sul da cidade de Porto Alegre com a sua bicicleta é o início de nossa jornada pela descoberta da identidade de Hermano. O que um tombo e o contato com uma velha senhora pode nos revelar?

    O sangue que escorria dos ferimentos do garoto era um sangue escuro, sangue-ruim, e era bom que ele fosse todo embora. Como essas palavras afetaram o menino é algo que os leitores de Mãos de Cavalo podem perceber ao descobrirem a adolescência do garoto que, apaixonado pela virilidade e, desconhecendo a diferença entre heroísmo e masoquismo, encontra-se confuso e perdido, buscando uma definição para a identidade do que ele poderia ser.

    O livro transita entre três fases da vida de Hermano, personagem central da trama. No princípio, o encontramos como um pequeno garoto de dez anos, e depois, alternamos entre sua adolescência e sua fase adulta. Nas duas fases, no entanto, percebemos um ponto em comum: a busca de Hermano por sua identidade; a descoberta que ele quer fazer dele mesmo.

    Com o decorrer da obra, nos deparamos com fatos que aparentemente não possuem nenhuma relação entre si. Os tombos de bicicletas, uma brincadeira no banheiro envolvendo sangue falso, um parto de cesariana que não envolvia anestesia, uma disputa em um campo de futebol, uma viagem à Bolivia com fins "alpinísticos", um sonho sem dentes...

    Todas essas memórias, que inicialmente são totalmente desconexas, começam a se conectar como um quebra-cabeças ao decorrer da história. O livro, que se transforma em uma auto-análise do próprio personagem sobre suas ações passadas e sobre o seu futuro desconhecido, começam a transformar o caráter do personagem, que sente-se farto da covardia que ele acredita ter assombrado sua vida durante muitos anos, quando tudo com o que ele sonhava era o heroísmo e a virilidade dos heróis que via na televisão, nos quadrinhos e nos filmes.

    Sonhando com esse heroísmo, Hermano espelha-se em sua adolescência em um dos garotos do bairro, com quem tivera conflitos em um evento em particular. O rapaz, que possuía uma má fama pelo bairro acaba se tornando um companheiro, ainda que silencioso, do personagem principal. Mas a amizade encerra-se com uma tragédia que transforma-se em um fantasma chamado covardia que assombra Hermano por muitos anos.

    Os personagens da obra, em geral, são apresentados pelo autor conforme a necessidade exija que assim seja feito. Embora não saibamos muito sobre todos eles, os personagens apresentam uma profundidade absurda, tornando-se tão palpáveis quanto humanos. Toda a turma que Hermano possuía em sua adolescência passava diante de meus olhos conforme eu lia as descobertas e aventuras (ou desventuras, quem sabe) do rapaz.

    Possuindo uma escrita visível, que chega a ser quase cinematográfica (e ah, como seria um belo filme!), Daniel Galera presenteia os seus leitores com uma interrogação sobre o que é a identidade humana. O que nós somos? Como nos definimos, o que queremos? Será que sabemos tudo que imaginamos saber sobre nós mesmos, ou ainda tenhamos dúvidas do que somos?

    O autor concede à Hermano uma segunda chance em sua obra, e ele a agarra com todas as suas forças, para tentar espantar os fantasmas de seu passado que, assombrando o seu presente, fazem com que o protagonista tema o seu próprio futuro.

    Quero encerrar por aqui, para não me estender demais e acabar revelando mais do que deveria. Mas não sem antes dizer: posso ter sido vago nesta resenha, mas só o fiz assim para despertar a curiosidade de vocês, leitores, para essa fantástica obra de nossa literatura brasileira, que deixou muitas obras estrangeiras que já li para trás. Pelo menos, na minha modesta opinião.

    Eu ♥ Resenhas: As Máscaras do Destino




    Título Original: As Máscaras do Destino
    Autor: Florbela Espanca
    Número de Páginas: 136
    Editora: Martin Claret








    “Este livro é dum Morto, este livro é do meu morto.
    Que os vivos passem adiante…”



    Se você acha que só de poesia vivem os simbolistas, engana-se. Afinal, em As máscaras do Destino, a portuguesa decadentista Florbela Espanca aventura-se a narrar histórias sobre o que nos é inevitável: a morte.

    Florbela escreve tal livro após o falecimento do irmão Apeles. O irmão, que até então era um de seus alicerces, padece tragicamente em um acidente de avião por ele mesmo pilotado. Florbela, a partir de então, nunca mais foi a mesma…
    Sua doença se agravou e em sua profunda tristeza escreveu em homenagem ao seu morto, Apeles, as Máscaras do Destino.

    Neste volume são presentes os contos:

    •  Aviador
    • A Morta
    • Os Mortos não Voltam
    • O Resto é Perfume
    • A Paixão de Manuel Garcia
    • O Inventor
    • As Orações de Sóror Maria da Pureza
    • O Sobrenatural


    Começando com o Aviador ela nos transporta a sinestésica visão mítica da morte do irmão. Cheias de imagens, uma discreta sensualidade e até mesmo obviedade de idéias em alguns contos, traz ao livro uma beleza decadente. Uma linguagem tradicional em um ritmo spleen evidente… Confusos são alguns trechos, mas nada que uma releitura nos faça entender, para que o significado da morte – e conseqüentemente da vida - fique mais evidente. Afinal, a vida é tudo e o resto é perfume
     
    “Tenho certeza de que os mortos não voltam.”

    O velho e simpático Dr. X., quebrando o silêncio em que se tinha emparedado toda a noite, fez esta estranha afirmação num tom tão peremptório, com tal firmeza de acentuação, com uma tão grande autoridade, que a sua frase, balde de água gelada na exaltação do grupo, fechou a discussão como por encanto.

    “Os mortos não voltam”, repetiu.

    Eu ♥ Resenhas - Angelologia: O Conhecimento dos Anjos

     

    Título Original: Angelology
    Autor: Danielle Trussoni
    Editora: Objetiva
    Número de páginas: 456
    Ano: 2010





     
     
    Evangeline vive como uma freira comum até o momento em que recebe em forma de carta uma solicitação de pesquisa. Aparentemente, é só mais uma solicitação de pesquisa que ela deveria, pela regra do convento, recusar. Mas algo a intriga. E assim, Evangeline acaba quebrando as regras da Ordem das Franciscanas da Perpétua Adoração e se envolvendo com o caso pesquisado por Verlaine.

    Ambos descobrem que Nefilins estão em toda parte. Não há como negar. E, por mais que sejam descendentes de anjos, não se apresentam divinos ou puros, mas dotados de ganância e luxúria. São seres que corrompem a história do mundo com suas ideologias desde a queda… Alguns Nefilins agora estão doente e somente um antigo instrumento angélico é capaz de curá-los. Eles estão dispostos a tudo para encontrá-lo.

    Mas o que Evangeline menos espera é que sua família, seu passado e o próprio convento são integrantes vitais desses mistérios. Uma narrativa extremamente descritiva, intrigante e inteligente. Angelologia utiliza-se da história como nenhum livro da contemporaneidade foi capaz de fazer. Os personagens são profundos, os detalhes históricos e bíblicos foram minuciosamente estudados… E como afirma Raymond Khoury, Angelologia, sem dúvida, é misterioso, envolvente e, se me perdoem o trocadilho, diabolicamente bom.
     
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