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Eu ♥ Resenhas: Sombras da Noite - 3
Marcadores: Contos, Eu ♥ Resenhas, horror, Ótimo, Resenha, Stephen King, Terror
Salve, salve!
E estamos na penúltima parte da resenha de Sombras da Noite! Depois destes, só - ou seria ainda? - teremos mais cinco contos!
Vamos lá?
Primavera Vermelha: Nesse conto, um jovem universitário
narra a respeito de misteriosos assassinatos no campus de sua faculdade,
cometidos por aquele que chamam “Jack Salto-de-Molas”, sempre encoberto pelo
nevoeiro da primavera vermelha, evento atípico que acontece uma vez a cada dez
anos, mais ou menos.
O conto inspira muito a
imaginação, especialmente quando o título, mesclado a narrativa, torna o enredo
tão instigante. O cenário, o campus de uma universidade, traz um clima de suspense
inquietante e é possível caminhar pelas sombras, entre os prédios e gramados,
com a incrível sensação de se estar sendo observado.
Incrível como todo
final de história desse livro é tenso. E digníssimo. E tenso.
“Caminhei até perto da meia noite, até
ficar coberto de umidade, e passei por muitas sombras, ouvi muitos passos
ecoando sonhadoramente pelas aleias sinuosas. Quem pode dizer que uma daquelas
sombras não era o homem ou a coisa que veio a ser conhecida como Jack
Salto-de-Molas? Eu não, pois passei por muitas sombras no nevoeiro, mas não vi
rosto algum."
O Ressalto: Outra história que eu releio sempre. Aqui, um
professor de tênis de um clube local, sr. Norris, se apaixona pela mulher de um
homem velho e poderoso, Cressner, e com quem mantém um caso. Quando Cressner
descobre, Norris e Márcia (a esposa do velho que muito me pareceu um mafioso)
armam de fugir juntos.
O conto começa com Cressner e Norris
conversando no apartamento de luxo do primeiro, um encontro de “cavalheiros”
por assim dizer. E é onde o antagonista faz uma proposta a Norris. Se ele
aceitar dar a volta no parapeito do prédio que fica a 43 andares do chão, ganha
uma grande quantia em dinheiro e pode ficar com a esposa dele. Se não...
Esse conto ganha pelo
mesmo motivo do anterior, mas com um ambiente de suspense muito mais forte. A
trama toda se desenvolve baseada nas sensações que é capaz de causar ao leitor
enquanto acompanha a trajetória de Norris em sua missão.
Coração disparado e
respiração descompassada são uma constante durante a leitura.
Minha maior paixão
pelos contos desse livro é que não tem final piegas. Bom e velho horror do
início ao fim.
“-Então você é um tenista profissional – disse ele. – Acho que nunca
tinha visto um antes.
-Quer dizer que os seus detetives
não tiraram nenhuma fotografia?
-Ah, sim, tiraram – ele gesticulou
negligentemente com a piteira. – Fizeram até um filme em câmera lenta de vocês
dois no Motel Bayside. Havia uma câmera atrás do espelho. Mas as fotografias
raramente são fiéis a realidade, não é mesmo?
-Se você diz.”
O Homem do Cortador de Grama: Enredo simples, história
surpreendente. Um homem contrata os serviços de uma empresa para aparar a grama
de seu quintal. Até aí parece uma coisa muito cotidiana e comum. E é mesmo.
Justamente este motivo, torna esta história tão chocante.
Aqui não há muito que
eu possa comentar sem acabar revelando parte essencial do enredo e o que gosto
nesse conto é justamente o ar grotesco e obsceno que ele traz – quem leu ou
vier a ler, vai saber exatamente da cena que falo quando se deparar com ela.
Absolutamente chocante.
“Em meados de Julho, o gramado parecia mais uma campina do que o quintal
de uma casa de subúrbio, e Jack Castonmeyer começara a fazer todo tipo de piada
extremamente sem graça, a maioria delas aludindo ao preço do feno e da alfafa.
E Jenny, a filha de 4 anos de idade de Don Smith, começara a se esconder ali
quando havia mingau de aveia no café da manhã ou espinafre no jantar.”
Ex-Fumantes Ltda: Conta a história de Dick Morrison,
um fumante que depois de algum tempo, reencontra um velho conhecido em um
aeroporto. Os dois conversam e Dick fica sabendo quão bem este colega está e
que sua vida mudou completamente - para melhor - depois que parou de fumar,
graças a uma empresa chamada Ex-Fumantes Ltda. e seu método único de parar com
o vício. Dick resolve tentar.
Mal sabia ele...
História vale muito a
pena! Para quem prestar atenção, vai ter um pequeno ponto no início que é
relembrado no final de forma espetacular!
“EX-FUMANTES
LTDA.
237 East 47th Street
Nova York,
N.Y. 10017
1 Tratamento $2500.00
Orientador (Victor Donnati) $2500.00
Eletricidade $0.50
Total (favor pagar esta
importância) $5000.50.”
Eu Sei do que Você Precisa: Conta a história de Elizabeth, uma
jovem que estava estudando para as provas finais – com medo de perder a bolsa
caso seja reprovada – quando um jovem misterioso aparece, afirmando saber do
que ela precisa.
Uma casquinha de
morango com duas bolas.
Esse conto acerta em
vários aspectos, indo além do terror propriamente dito.
Edward Jackson Hammer
Junior, o rapaz que encontra Beth na biblioteca da faculdade, foge ao
estereótipo clássico de jovens universitários sedutores: Ele é magrelo,
desengonçado, usa roupas sem combinação alguma e óculos enormes.
Ponto forte, visto que
o clichê rapaz lindo sedutor misterioso que todas querem e só a protagonista
consegue ter já está passado e na minha opinião, obsoleto. Ed Hammer conquista
Elizabeth por realmente saber tudo o
que ela precisa. Seja um sorvete de morango, anotações exatas sobre a prova na
qual ela precisa ser aprovada ou um ombro amigo quando ela mais precisa
desabafar. É quase como se ele fosse perfeito.
Perfeito demais.
Gosto de todo o clima
da trama, revelando personagens passíveis de erros e pensamentos nada
lisonjeiros que revelam a verdadeira essência humana, egoísta em momentos que
nos deixaria envergonhados admitir.
Edward é um personagem
extremamente carismático, destarte o enredo e a forma como ele é abordado mais
ao final. Incita a pena, a compaixão e até mesmo, a compreensão visto tudo que
passou em sua vida. Será que ele é mesmo tão condenável assim?
Texto para reflexões,
incluindo a respeito de relações destrutivas e obsessivas, mostrando-as como
realmente são: venenosas e perigosas. E não é só porque os envolvidos não
enxergam ou acreditam nisso, que deixa de ser verdade.
“Começou a chorar novamente, e ficou um pouco abalada com a força
inesperada daquele choro. Então ele a abraçou, e então tudo ficou bem.”
Meus queridos, foi isso! Se você ainda não leu as outras partes da resenha, pode encontrá-las aqui: parte 1 e parte 2.
Terminamos o terceiro quarto de Sombras da noite e fechamos quinze contos hoje! Mais cinco e encerramos o livro (: O que estão achando? Qual conto você ficou mais instigado a ler?
Me conte nos comentários e não se esqueça de cobrir os pés a noite para se proteger daquela mão cadavérica escondida no escuro, debaixo da cama.
Boas leituras e um beijo da Heavy.
Eu ♥ Resenhas: Sombras da Noite - 1
Marcadores: Contos, Eu ♥ Resenhas, Stephen King, Terror
Salve, salve!
Essa semana não tem Mestres Literários, mas tem resenha! E a obra da vez é Sombras da Noite, Stephen King!
Título Original: "Night Shift"
Autor: Stephen King.
Ano: 1978.
Número de Páginas: 511.
Editora: Objetiva.
Edição: 1 / 2013
Tradutor: Adriana Lisboa
Esse livro foi originalmente publicado em fevereiro de 1978, nos Estados Unidos, com o título original Night Shift e reúne 20 contos de Stephen King, sendo alguns de seus mais conhecidos, integrantes desta obra.
Os contos são:
Jerusalem's Lot
Último Turno
Ondas Noturnas
Eu Sou o Portal
A Máquina de Passar Roupa
O Bicho-Papão
Massa Cinzenta
Campo de Batalha
Caminhões
Às Vezes Eles Voltam
Primavera Vermelha
O Ressalto
O Homem do Cortador de Grama
Ex-Fumantes Ltda
Eu Sei do que Você Precisa
As Crianças do Milharal
O Último Degrau da Escada
O Homem que Adorava Flores
A Saideira
A Mulher no Quarto
Então, ao livro.
Sombras da Noite é essencialmente de suspense e horror. Aqui é possível perceber como Stephen King gosta – e sabe - não apenas de mexer com os medos mais intrínsecos do ser humano, como também de explorá-los, relembrá-los. E torná-los assustadoramente reais. Digo isso porque enquanto lia O Bicho-Papão, me vi realmente – acreditem! – olhando de soslaio pro meu armário. Lia mais uma página. Outra corrida com os olhos para o móvel que de alguma maneira, parecia até zombar de mim.
Eu ♥ Resenhas (Colaboradores): Drácula
Marcadores: Bram Stoker, Colaboradores, Drácula, Eu ♥ Resenhas, Literatura Vampiresca, Resenha, Terror, Vampiros
Título: Drácula
Autor: Bram Stoker
Editora: L&PM
Tradutor: Theobaldo de Souza
Ano: 1998
Páginas: 553
Autor: Bram Stoker
Editora: L&PM
Tradutor: Theobaldo de Souza
Ano: 1998
Páginas: 553
Oi, pessoal.
Devo confessar que ainda não estou bem certa sobre
saber fazer resenhas, mas sempre é tempo de aprender algo novo e, para começar
em grande estilo, vamos falar de algo que eu realmente amo — e quem me conhece
sabe muito bem disso.
Quando a gente fala em “sobrenatural”, muitas coisas
nos vêm à cabeça. Pra alguns vem a série de TV, pra outros algum dos
personagens célebres do gênero, algum livro, filme ou outro seriado qualquer.
Pra mim, vem a palavra “vampiros” e quando falo de vampiros, a primeira coisa
que me vem à cabeça é Drácula. (E se você
pensou em Edward Cullen, shame on you!)
O livro começa quando
Jonathan Harker vai até o castelo do Conde Drácula, que tinha por objetivo sair
de seu castelo na Transilvânia e adquirir uma propriedade em Londres. Jonathan
se hospeda no castelo e logo começa a perceber que “há algo de podre no reino dos Cárpatos”. Conforme o tempo passa,
Jonathan não só passa a notar as peculiaridades de seu anfitrião como sabe que
está sendo feito prisioneiro dele, principalmente quando o Conde viaja até a
Inglaterra e Jonathan fica aos “cuidados” de três vampiras até que consegue
fugir e encontrar-se com Mina.
Meanwhile, na
Inglaterra, Lucy, amiga de Mina, passa a sofrer de uma “doença” misteriosa com alguns
sintomas bem curiosos e característicos (e hoje bem conhecidos por nós), tais
como palidez e dois furinhos no pescoço. Nenhum de eus amigos ou parentes
consegue descobrir o que está havendo e é quando entra na história o Dr.
Abraham Van Helsing, que após se dedicar ao caso percebe que a jovem Lucy é
vítima dos ataques de um morto-vivo que se alimentava de sangue humano (Os vampiros,
os bons... Digo, os maus).
Logo
depois, como se isso não fosse o bastante, eles descobrem que o Drácula já tem
uma nova vítima e está prestes a atacá-la: Mina.
Paro
de contar por aqui, caso alguém ainda não tenha lido e queira fazê-lo. Apenas
digo que se está procurando um motivo para fazer isso o quanto antes, darei
vários. Drácula não é
somente um marco pra literatura vampiresca, deixou de ser apenas isso pra se
tornar um clássico da literatura. Muito antes dele, já existiam outros livros
de vampiro, isso é bem verdade, mas foi o que teve mais destaque dentre os seus
contemporâneos. Duvida? Qualquer discussão que envolva amantes de vampiros,
mais cedo ou mais tarde alguém vai acabar citando Bram Stoker. O livro fez e
faz tanto sucesso, mesmo tanto tempo depois de sua publicação que é usado como
referência para a maioria dos autores.
Drácula é narrado
inteiramente através de diários, cartas e textos dos personagens, além de
recortes de jornais e trechos do gravador do Dr. Seward datilografados pela
Mina, entre outros, o que nos deixa bem mais perto do que eles realmente estão
sentindo. Tal estrutura é chamada de romance epistolar (sim, li isso na
Wikipedia, ninguém pode me julgar) e é um recurso interessante, já que, em
determinados momentos, sentimos e olhamos os acontecimentos da mesma ótica que
os personagens.
Através desse livro,
consagrou-se o mito do vampiro como um ser exclusivamente noturno, que morre se
exposto à luz do sol (não sei bem porque, pois em algumas partes do livro o
Drácula anda durante o dia), tem problemas com alho, água benta, crucifixos,
etc. Apesar de algumas versões diferenciadas, tal parâmetro permanece na
maioria das obras atuais, chegando a ser referência de “vampiro de verdade”.
Depois de anos, uma coisa parece certa: o mito dos
vampiros parece que nunca vai envelhecer. E mesmo sabendo que gosto é algo
particular, devemos colocar que até pra falar mal de algo, precisamos saber do
que se trata e conhecer seus pontos fortes (tudo tem um lado bom) e os pontos
fracos (esses é que têm mesmo), colocar ambos numa balança e tirar uma
conclusão disso para saber se gostamos ou não.
Sem dúvida esse é um livro que todo aquele que se diz
amante de vampiros tem que ler, nem que seja para tecer críticas não muito
positivas em cima dele depois.
De vez em quando receber uma mordida no pescoço de um
bom (quero dizer, mau) vampiro faz bem. ;)
Resenha enviada pela colaboradora Michele Elisa. Eu adorei a resenha cheia de personalidade da dona Michele e, entre tantos textos semelhantes discutindo a obra de Bram Stoker, conseguiu se destacar. E vocês, o que acharam?
Estefânia
Eu ♥ Resenhas: A Estrada da Noite
Marcadores: A Estrada da Noite, Fantasmas, Joe Hill, Literatura Estrangeira, Literatura Fantástica, Ótimo, Terror
Edição: 1ª Edição
O livro de terror mais bem escrito que li nos últimos tempos. A razão? Simples: causar tensão e susto sem o auxílio de trilhas sonoras ou de imagens sanguinolentas é o grande desafio de quem escreve esse gênero, e "A Estrada da Noite" conseguiu isso com primor. Incrível a forma que palavras impressas em papel me fizeram arrepiar e olhar sobre os ombros com a impressão de estar sendo observada. Um livro que cumpre a proposta inicial.
Pode-se dizer que o autor traz no DNA a inspiração para o macabro. Ele até tentou esconder suas origens através de um pseudônimo, mas o disfarce não durou muito. Logo foi revelado que Joe Hill é, na verdade, Joseph Hillstrom King - um dos filhos do mestre do suspense Stephen King com a romancista Tabitha King. O nome do pai, obviamente, direcionou os holofotes da mídia para o trabalho de Joe. Eu fui mais uma leitora curiosa para conferir se o talento de King tinha herdeiro, e por isso comprei “A Estrada da Noite”. Depois de poucas páginas, já tinha a resposta para o dilema: SIM!
Deixando a comparação de lado, a atenção dirigida ao segundo livro de Joe Hill se provou merecida.
O autor soube criar personagens com um poder de empatia sensacional. Jude Coyne (trocadilho com “moedas de Judas”, em inglês) não é o protagonista simpático de costume. Roqueiro de meia-idade, Jude é o único sobrevivente de uma banda metaleira que foi sucesso no passado. Dá para fazer uma trilha sonora das boas para a história com as bandas que Jude cita como influências. O roqueiro cumpre seu papel entre altos e baixos. Tem alguns momentos heróicos, mas também deixa de agir por medo, comodismo, ou simplesmente por não se importar o bastante. Abandonou quase todos os vícios, mantendo apenas um: namorar meninas mais novas, góticas, e sensuais. A namorada da vez atende pelo apelido de Geórgia (Jude nomeia as namoradas em homenagem aos seus estados de origem), e é a personagem que mais cresce ao longo da história.
“Vou vender o fantasma do meu padrasto pelo lance mais alto...”
O livro começa com a oferta , via e-mail, de um produto que promete coroar a coleção de objetos macabros de qualquer maluco: um paletó assombrado. O roqueiro que possuía crânio humano, laços usados em forcas, livro de receitas para canibais, e até a confissão assinada de uma bruxa, não foi capaz de resistir à chance de aumentar seu conjunto de horrores. Intrigado, e divertindo-se com a idéia de comprar um fantasma, Jude pede que seu assistente, Danny, requisite o objeto. O paletó do morto chega dias mais tarde, numa estranha caixa negra em formato de coração, e parece assustar os cães de Jude a ponto de fazer as feras fugirem com o rabo entre as pernas. O próprio Jude sente calafrios inexplicáveis ao ver Geórgia vestir o paletó, e resolve devolvê-lo à caixa e deixá-lo longe das suas vistas. Porém, a presença do paletó na casa é o suficiente para que Jude comece a ver um terceiro morador pelos corredores. Um velho, vestindo o paletó, parece estar por toda parte. Trata-se do fantasma de Craddock McDermott, padrasto de uma fã com quem Jude se relacionou no passado e que, após ser dispensada por ele, cometeu suicídio. Ao se dar conta da armadilha em que se meteu, Jude tenta devolver o paletó, mas a vendedora ri do desespero do roqueiro, e confessa que essa era justamente sua intenção inicial: enviar o fantasma assassino de Craddock para que Jude pagasse por seus pecados. O que torna o fantasma ainda mais perigoso é que Craddock, quando vivo, era especialista em hipnose, e a morte não diminuiu em nada suas habilidades. Sugestões de homicídio e suicídio começam a se infiltrar na mente de Jude, Geórgia, Danny e qualquer um que se aproxime do objetivo de vingança de Craddock. A partir daí, a paz do casal está oficialmente terminada. A casa não é mais segura, e a fuga de Jude e Geórgia a bordo do Ford Mustang 1965 não desacelera em nenhum momento. Cheio de fantasmas no armário – literalmente – Jude é obrigado a enfrentar cada um deles para tentar sobreviver a caçada implacável que ameaça levar tanto ele quanto Geórgia a percorrer a estrada que leva ao mundo dos mortos.
"Mais cedo ou mais tarde os mortos nos alcançam..."
A idéia mais interessante de Joe Hill a respeito dos espectros é a seguinte proposta:
E se você pudesse planejar sua participação no mundo após a morte? Morrer com um plano construído, pronto para pôr em prática assim que a alma deixar a prisão de carne e osso. Do que – ou de quem – você viria atrás, se soubesse exatamente como resolver seus assuntos inacabados quando se tornar um fantasma? Premeditar sua assombração é possível, caro leitor. Basta treinar a mente. Aprendam com o nosso amigo Craddock como se transformar num mortífero espectro do mal para tirar o sono – e a vida – de qualquer desafeto.
"- Por que você tem de fazer todas essas malditas perguntas? – Ele quis saber. [...]
- Prefiro fazer perguntas – disse ela – a respondê-las."
Outra questão que o livro aborda é o abuso infantil, e o quanto o trauma impacta na formação do ser humano. Mais de um personagem traz essa cicatriz invisível, derivada tanto de violências sexuais quanto de torturas físicas sofridas ainda na infância. Revelar muito sobre esse aspecto da história acabaria com a graça de lê-la. Entretanto, posso afirmar que o leitor que reflete a respeito do livro após terminá-lo, consegue enxergar que o passado pode ser o pior tipo de assombração para qualquer pessoa.
“Se o inferno fosse alguma coisa, seria conversa de rádio – e família."
Joe Hill construiu uma trama ágil, que consegue mostrar o passado de cada personagem sem atrasar a ação da história. Ação, aliás, é a marca registrada do autor, que não dá chance para o leitor recuperar o fôlego durante a corrida desenfreada dos personagens em direção ao palco da cena final – o lugar de origem dos pesadelos de Jude.
“A Estrada da Noite" se tornou uma viagem melhor e mais intensa do que eu esperava.
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