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Eu ♥ Resenhas: Mistério de Natal
Marcadores: Cia das Letras, Eu ♥ Resenhas, Jostein Gaarder
Salve, salve!
Algum tempo atrás eu lancei no
blog a pergunta: “Qual resenha vocês gostariam de ver no blog?” e as opções
eram O Guia Oficial de House, do autor Ian Jackman, e Mistério de Natal, de
Jostein Gaarder.
Mistério de Natal ficou na
frente! (:
Pra mim o resultado foi ótimo,
porque eu sou apaixonada pelos livros de Jostein Gaarder desde que li O Mundo
de Sofia e um dia ainda vou ter a coleção completa na minha estante!
Haha, então, sem demorar né?
Autor: Jostein Gaarder.
Ano: 1992
Número de Páginas: 254
Editora: Cia. Das Letras
Edição: 2 / 2006
Tradutor: Isa Mara Lando e Sérgio Tellaroli
Mistério de natal é um livro de
fantasia infantil que conta a história de Joaquim, um garoto norueguês que um
mês antes do Natal, se vê ainda sem o seu calendário comemorativo. Na Noruega
há uma tradição bem popular, em que você compra um calendário cheio de
“portinhas”, uma para cada dia. Na data respectiva você abre a portinha e tem
uma surpresa lá dentro – um doce ou um brinquedo, por exemplo.
Quando Joaquim e seu pai já
estavam para desistir, encontram um calendário com uma aparência diferente,
envelhecido, numa livraria antiga. O dono diz que foi esquecido ali por um
senhor que sempre está pelas redondezas, mas que aceita vendê-lo ao garoto.
É quando Joaquim descobre que seu
calendário é diferente. Não são balas ou lembranças que ele encontra ali e sim
um pedacinho de papel, com o início da história de uma garotinha chamada
Elisabet, que numa manhã de Natal, correu atrás de um cordeirinho saltitante e
ingressou na maior aventura de todas.
Como sempre, Gaarder consegue ser
um ícone quando o assunto é a literatura infanto-juvenil fantasiosa. Sua
capacidade de construir um texto cativante e encantador é inegável. Mistério de
Natal envolve a história cristã do feriado, um anjo que guia Elisabet e a
acompanha – juntamente com vários outros personagens que se juntam a sua
caravana enquanto viajam pelo tempo e espaço até Belém – e os três reis magos
também, portanto a influência católica é muito presente na obra. Eu não posso
dizer que sou uma praticante dessa religião em particular ou de qualquer outra
– nem as minhas crenças são relevantes – e, portanto, não vou nem entrar no
mérito da discussão que vi em algumas resenhas por aí. Na minha humilde
opinião, Jostein Gaarder não ofendeu nenhuma outra religião ou seus praticantes
ao escrever um livro focado no prisma cristão do feriado natalino.
A história é absolutamente linda
e a leitura flui muito bem. Não é um livro extenso e pode facilmente ser o
passatempo de uma tarde. Os capítulos são correspondentes aos dias faltantes até o Natal. A cada início novo há um pequeno trecho que está no texto do capítulo. Um dos meus favoritos é logo de cara o do dia 1º de Dezembro! (:
A trama merece destaque: Gaarder
acertou na medida o ponto de descrever a jornada de Elisabet e seus
companheiros, sem entretanto, descuidar-se da narrativa de Joaquim. É fácil
acompanhar a caravana que ruma à Belém como se fosse parte dela e ao mesmo
tempo, sentir-se tão ansioso quanto o menino norueguês para descobrir o fim da
história e o mistério de natal que envolve aquele calendário mágico.
E o desfecho é absolutamente perfeito. Como toda a narrativa, o final da história também é cheio de magia e encanto, demonstrando que Gaarder conhece o seu público e sabe como cativá-lo.
O clima é leve e
gostoso, sendo as descrições um ponto muito forte na escrita do autor,
especialmente considerando o fato de que a caravana rumo à Belém passa por
diversas cidades e locais por entre o tempo. A forma como Gaarder permite ao
leitor construir um cenário preciso, torna a leitura algo muito agradável e
visual.
O livro é um exemplar que eu
recomendo muito. Publicado aqui no Brasil pela Cia. das Letras (yay!) ele tem a
qualidade ímpar característica da editora – e quem acompanha as pos tagens e a
page, sabe que é uma das minhas favoritas – e as gravuras no início de cada
capítulo são um verdadeiro mimo. Eu paguei mais ou menos vinte e cinco reais no meu, na Estante Virtual. Veio lacrado! (:Tirei
algumas fotos dele aqui, ó:
A história é simplesmente bela e
é capaz de encantar leitores de todas as idades. Repleto de surpresas envolvendo
uma menininha, um cordeirinho com sino no pescoço, um velho vendedor de flores,
um garotinho norueguês e um calendário especial, Mistério de Natal é capaz de
trazer a magia do dia 25 a qualquer época do ano.
Meus queridos foi isso!
Espero que tenham gostado da
resenha. Não me aprofundei muito no contexto porque tive medo de dar spoilers
sem querer ): Mas espero ter despertado o interesse em que nunca leu a obra!
Quem aí já teve a oportunidade de ler o livro?
Me conta o que achou nos comentários!
Até a próxima!
Até a próxima!
Boas leituras e um beijo da heavy.
Eu ♥ Resenhas: O Livro das Religiões
Marcadores: Didático, Eu ♥ Resenhas, Henry Notaker, Jostein Gaarder, Literatura Estrangeira, Religião, Resenha, Victor Hellern
Autores: Jostein Gaarder, Victor Hellern,
Henry Notaker (Apêndice por Antônio Flávio Pierucci
Ano:
2005
Número de Páginas:
323
Editora:
Companhia de Bolso
Edição:
1ª
“Um rápido olhar para o mundo ao redor
mostra que a religião desempenha um papel bastante significativo na vida social
e política de todas as partes do globo. Ouvimos falar de católicos e
protestantes em conflito na Irlanda do Norte, cristãos contra mulçumanos nos
Bálcãs, atrito entre mulçumanos e hinduístas na Índia, guerra entre hinduístas
e budistas no Sri Lanka. Nos Estados Unidos e no Japão há seitas religiosas
extremistas que já praticaram atos de terrorismo. Ao mesmo tempo,
representantes de diversas religiões promovem ajuda humanitária aos pobres e
destituídos do Terceiro Mundo. É difícil adquirir uma compreensão adequada da
política internacional sem que se esteja consciente do fator religião.”
Não importa onde você mora, em que acredita ou se participa
de alguma comunidade religiosa. Como o trecho acima do excelente O Livro das
Religiões deixa bem claro, nem eu e nem você podemos escapar desse tema polêmico,
pois sua influência moldou a história da humanidade. E o objetivo dessa obra é justamente ajudar o leitor na difícil
missão de entender a complexa teia de crenças que compõe as principais religiões
praticadas pelo mundo todo.
O Livro das Religiões foi escrito em parceria por três
noruegueses, e a versão brasileira foi a primeira tradução feita do idioma
original. Jostein Gaarder é conhecido do público pelo grande sucesso de O Mundo
de Sofia – se você já teve oportunidade de ler essa obra, perceberá a
semelhança no estilo de escrita de O Livro das Religiões. Victor Hellern é
historiador e teólogo. Henry Notaker é jornalista, especializado em política
exterior, com correspondências no Leste Europeu e Espanha no currículo. Esse
time ainda teve o reforço do cientista social Antônio Flávio Pierucci, que
escreveu um apêndice sobre as religiões no Brasil especialmente para a edição
tupiniquim. Se algum livro pode ser considerado uma enciclopédia de bolso para
desvendar as diferentes crenças da humanidade, é esse aqui.
A introdução do livro abrange a importância da religião na
formação do homem com tópicos como “Será que precisamos de uma filosofia de
vida?”. Logo depois, no capítulo “Conhecimento religioso” os autores apresentam
de forma bem didática os conceitos de rito, sagrado, sacrifícios e várias
outras questões inerentes a qualquer religião, preparando o leitor para iniciar
a parte verdadeiramente interessante – as
diversas religiões descritas pelos autores.
O texto é simples, direto e imparcial. Não prega nada,
apenas informa. Dividido entre religiões orientais e ocidentais, os autores
resumiram habilmente desde o Hinduísmo até o Cristianismo (incluindo as
diferentes interpretações desse último, como a Igreja Católica Apostólica
Romana, a Igreja Católica Ortodoxa, a Igreja Batista, Adventista, e etc). Vale
apontar que as informações sobre religiões orientais e africanas parecem mais
resumidas do que as ocidentais, principalmente por se tratar de crenças tão
antigas, detalhistas e complexas. Eu fiquei satisfeita com a apresentação de
algumas religiões das quais eu tinha ideias totalmente equivocadas, mas também
com curiosidade suficiente para procurar um texto se aprofundasse mais no
assunto – principalmente no Xintoísmo e Taoísmo.
A maior surpresa do livro, e também meu capítulo favorito,
encontrei em “Filosofias de vida não religiosas”. Não esperava que os autores
fossem falar sobre Humanismo, Ateísmo e até Ufologia! O livro não se abstém de
levantar questões como “Convicção ou lavagem cerebral?” ao falar sobre seitas
como as que levam fiéis a cometer suicídio coletivo, e encerra refletindo sobre
a ética como guia de conduta.
No apêndice brasileiro, o Candomblé, a Ubanda, a
diversidade de igrejas cristãs e o Kardecismo entram em cena como elementos da
formação religiosa do Brasil. Se você é daqueles que só de olhar uma oferenda
para Iemanjá sai dizendo que é macumba, recomendo sinceramente prestar atenção
nesse apêndice e desconstruir alguns preconceitos.
Nem precisa dizer que eu adorei o livro, não é? É uma leitura instrutiva, se você estiver inspirado a abrir a cabeça pra diferentes perspectivas de vida. Não é um mergulho emotivo no mundo das palavras, é um exercício de reflexão. Algumas pessoas acham esse tipo de coisa maçante, mas eu consegui verdadeiramente me distrair com o texto.
Ao passar pela última página de O Livro das Religiões, senti que era uma obrigação moral trazê-lo aqui pro blog.
Nem precisa dizer que eu adorei o livro, não é? É uma leitura instrutiva, se você estiver inspirado a abrir a cabeça pra diferentes perspectivas de vida. Não é um mergulho emotivo no mundo das palavras, é um exercício de reflexão. Algumas pessoas acham esse tipo de coisa maçante, mas eu consegui verdadeiramente me distrair com o texto.
Ao passar pela última página de O Livro das Religiões, senti que era uma obrigação moral trazê-lo aqui pro blog.
Talvez uma pequena dose de
conhecimento como essa possa ser o primeiro passo para viver num mundo mais
tolerante.
Eu ♥ Resenhas: O Mundo de Sofia
Marcadores: Companhia das Letras, Filosofia, Jostein Gaarder, Muito Bom, Resenha
Título Original: Sofies verden
Editora: Cia. das Letras
Autor: Jostein Gaarder
Ano: 1995
Páginas: 550
Editora: Cia. das Letras
Autor: Jostein Gaarder
Ano: 1995
Páginas: 550
Depois de alguns rodeios e problemas, finalmente uma nova resenha postada. Desta vez o livro é um dos meus preferidos, um dos primeiros livros que li. E o primeiro livro que verdadeiramente me marcou…
“Vamos resumir: um coelho branco é tirado de dentro de uma cartola. E porque se trata de um coelho muito grande, este truque leva bilhões de anos para acontecer. Todas as crianças nascem bem na ponta dos finos pêlos do coelho. Por isso elas conseguem se encantar com a impossibilidade do número de mágica a que assistem. Mas conforme vão envelhecendo, elas vão se arrastando cada vez mais para o interior da pelagem do coelho. E ficam por lá. Lá embaixo é tão confortável que elas não ousam mais subir até a ponta dos finos pêlos, lá em cima. Só os filósofos têm ousadia para se lançar nesta jornada rumo aos limites da linguagem e da existência. Alguns deles não chegam a concluí-la, mas outros se agarram com força aos pêlos do coelho e berram para as pessoas que estão lá embaixo, no conforto da pelagem, enchendo a barriga de comida e bebida:— Senhoras e senhores — gritam eles —, estamos flutuando no espaço!Mas nenhuma das pessoas lá de baixo se interessa pela gritaria dos filósofos.— Deus do céu! Que caras mais barulhentos! — elas dizem.E continuam a conversar: será que você poderia me passar a manteiga? Qual a cotação das ações hoje? Qual o preço do tomate? Você ouviu dizer que a Lady Di está grávida de novo?(Jostein Gaarder)
Aconchegada na pelugem macia Sofia Amudsen começa a receber estranhas cartas inicialmente anônimas com questões como: “Quem é você?”, “De onde vem o mundo?” . Intrigada, Sofia começa a escalada até as pontas na pelugem do coelho a partir de novas indagações, discussões e várias outras cartas de Alberto Knox que nos transportam a verdadeiras aulas de filosofia.
Tais aulas se tornam maçantes em alguns trechos, devido a teoria pura demonstrada. Este é o único ponto negativo do livro e, também o motivo de abandono por vários leitores. No entanto, os exemplos dados no decorrer facilitam o entendimento da história da filosofia e da própria filosofia…
A vida de Sofia então se transforma devido a filosofia, mas não apenas por isso. A protagonista também parece está intimamente ligada a outra menina de mesma idade e com aniversário no mesmo dia cujo nome é Hilde Knag. Mas quem é Hilde Knag e o que ela representa nessa história? Quem é Sofia no final das contas? O Mundo é verdadeiramente o que aparenta ser? E Alberto Knox, quem vem a ser verdadeiramente?
O Mundo de Sofia não é apenas um livro sobre filosofia, mas também uma narrativa eletrizante de mistério e fantasia que nos surpreende a cada página, levando-nos a um fim surpreendentemente inesperado e, finalmente, nos tornando capazes de respirar o ar puro na ponta macia da pelugem do coelho.
Em 1999, foi adaptada para um filme norueguês que, na Austrália foi exibido como uma minissérie. Eu tentei assisti-lo, mas não consegui sair do primeiro episódio, pois, a meu ver, as características psicológicas se distanciaram demais dos personagens originais.
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