Salve, salve!
A convite da Roxane e da
Carine, eu fui convidada para integrar a equipe do Eu <3 Livros e com muito
orgulho, estou aqui pra tentar dividir com vocês o meu vício pela literatura
como um todo e para tentar trazer um pouquinho do que eu sei e do que acho legal
de ser compartilhado com os leitores do blog. E para começar, eu resolvi criar
essa pequena coluna sobre autores. Afinal de contas, o que seria de nossas
estantes sem as obras dos nossos queridos mestres?
E para estrear esse
espaço, eu escolhi um autor que me influenciou muito mais do que qualquer
outro. Ele é um ícone mundial, especialmente para os fãs do bom e velho horror
que como ele, só dormem com os pés debaixo do cobertor.
Porque se não o fizermos,
uma mão fria e cadavérica com certeza segurará nossos tornozelos no meio da
noite.
Senhoras e senhores, o
ilustríssimo mestre do terror: Stephen King.
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Stephen Edwin King |
Stephen Edwin King nasceu
em 21 de Setembro 1947, em Portland, Maine. É o segundo filho de Donald Edwin
King (nascido em 1913, em Peru, Indiana) e Nellie Ruth Pillsbury King (nascida
em 13 de Março de 1913, em Scarborough, no Maine) que se casaram em 1939, na
cidade de Cumberland Country, no Maine.
Quando ele tinha apenas
dois anos, seus pais se separaram. O pai, sob o famoso jargão de "Sair
para comprar um pacote de cigarros" abandonou a família. Desde então,
Stephen King e seu irmão mais velho adotivo, David King, foram criados por sua
mãe, enfrentando algumas vezes, graves dificuldades financeiras que nunca
impediram Ruth de cuidar dos dois garotos.
Sua infância foi passada
entre Fort Wayne, Indiana, onde a família de seu pai vivia na época, e em
Stratford, Connecticut, onde ele viveu até os onze anos de idade, com sua mãe. A
essa altura, eles voltaram para a cidade de Durham, Maine, uma vez que seus
avós maternos (Guy e Nellie Pillsbury) já debilitados pela idade avançada,
precisavam de cuidados e Ruth foi persuadida por suas irmãs a tomar conta dos
pais.
Lá, eles receberam de
familiares uma pequena casa e algum suporte financeiro. Ruth cuidou dos pais
até que os mesmos morreram, passando depois a trabalhar em uma cozinha, numa
casa para pessoas mentalmente adoentadas.
Conta-se uma história
sobre Stephen, na qual quando era apenas uma criança, ele viu um amigo ficar
preso em uma linha ferroviária e ser morto por um trem. Várias pessoas
especularam ser esse momento tão traumatizante a origem de sua inspiração para
escrever histórias de terror. Entretanto, o próprio Stephen já admitiu não ter
memórias desse evento e não faz menção a respeito em sua obra On Writing: A
Memoir of the Craft. O que se sabe é que um dia, ele saiu de casa para
brincar com um amigo e voltou algum tempo depois, paracendo estar em completo
estado de choque. Somente mais tarde, a família soube o que havia acontecido
com o garoto e fez a associação.
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Stephen King quando era garoto. |
Seu interesse pelo horror
foi expressado ainda cedo, sendo ele um ávido fã e leitor da EC's horror
comics, incluindo Tales from the Crypt. Ele começou a escrever por diversão
enquanto ainda estava na escola contribuindo para o jornal que seu irmão David publicava,
o Dave's Rag. Algum tempo depois, ele começou a vender suas histórias para os
seus amigos, sendo estas baseadas em filmes que ele via, tendo sido forçado a
parar quando seus professores descobriram e o obrigaram a retornar aos seus
estudos acadêmicos.
Ele se formou na Lisbon
Falls High School em 1966, ingressando na University of Maine, em Orono onde
estudou inglês e escreveu para o jornal estudantil, o Maine Campus, uma coluna
intitulada "Steve King's Garbage Truck" (ou "Caminhão de Lixo do
Steve King"). Ele se graduou Bacharel de Artes em Inglês, em 1970, mesmo
ano em que nasceu sua primeira filha, Naomi Rachel King. Um ano depois, ele se
casou com Tabitha Spruce, sua esposa até hoje, que ele conheceu inclusive, na
biblioteca Fogler da faculdade onde estudava, depois de um workshop de um
professor.
Entretanto, foi em 1967
que Stephen King vendeu sua primeira história, profissionalmente, para a
Startling Mystery Stories, o conto The
Glass Floor ("Chão de Vidro"). Depois, nos primeiros anos de seu
casamento, ele continuou vendendo contos para revistas masculinas e muitos
deles foram reunidos e publicados na obra Night
Shift (traduzido no Brasil como Sombras da Noite) ou em coleções
posteriores.
Em 1971, ele começou a
lecionar inglês na Hampden Academy. Ele continou escrevendo durante a noite e
nos finais de semana, para então em 1973 ter o conto Carrie aceito para publicação pela Doubleday & Co. e seu novo
editor, Bill Thompson, disse a ele que uma grande venda de livros o permitiria
deixar a licenciatura e se dedicar unicamente a escrita.
Em 1974, Carrie foi publicada com um investimento
inicial de U$ 2,500 gerando em retorno mais de U$ 400,000 para Stephen King nos
anos seguintes, com direitos autorais e vendas dos livros. Pouco antes, a família King se mudou para o
Maine em razão da saúde precária de sua mãe e foi nesse período que ele
escreveu o conto que originalmente se intitulava Second Coming, depois mudado para Jerusalem's Lot e finalmente, Salem's
Lot (que também se encontra em Sombras da Noite). Ruth King faleceu de
câncer no útero pouco depois da publicação de Carrie e foi sua tia Emrine quem
leu a história para ela antes de sua morte. Ruth tinha apenas 59 anos.
Nessa época, ele já
enfrentava um sério problema com a bebida, que viria a permanecer durante dez
anos, e chegou admitir que estava bêbado durante o funeral de sua mãe.
Depois da morte de Ruth,
a família King trocou o Maine por Boulder, no Colorado, que foi onde Stephen
escreveu The Shinning (traduzido “O Iluminado” no Brasil) e onde ele começou e escreveu boa parte do
conto The Stand, que foi terminado
quando em 1975 a família retornou ao Maine, sendo este conto publicado apenas
três anos depois.
Em 1978, Night Shift foi
lançado, reunindo vinte das obras de Stephen. Dentre elas, várias foram
adpatadas para o cinema, como As Crianças do Milharal (Colheita Maldita),
Último Turno (A criatura do Cemitério) e O homem do Cortador de Grama (O
Passageiro do Futuro). Nesta obra, no prefácio, ele admite seu problema com o
tabagismo, mas diz que conseguiu diminuir o vício trocando a marca de cigarros
que fumava desde os dezoito anos, sem filtro, por outra com baixos níveis de
nicotina e alcatrão. Além de falar sobre medo e sobre escrever, ao final, ele
agradece a quatro grupos de pessoas. Sua mãe, sua esposa e filhos, compõe o
primeiro grupo, por todo apoio e carinho durante sua carreira. No segundo
grupo, está seu editor William G. Thompson, que segundo suas palavras: “foi
gentil com um jovem escritor sem qualquer currículo alguns anos atrás, ficando
ao seu lado desde então.”. No terceiro grupo, Stephen dedicou seu obrigado aos
primeiros compradores de sua obra.
No último e quarto grupo, Stephen dedica
seu obrigado a cada um dos leitores que um dia compraram suas obras. Segundo
ele: “Jamais teria acontecido sem você. Então, obrigado.”
Eu sou apaixonada por esse prefácio!
Em 1978 os King já tinham se estabelecido no Maine novamente. A essa
altura, a família já estaria completa com Naomi Rachel, Joe Hill e Owen Phillip
King, os três únicos filhos do casal. Ainda hoje, Stephen e Tabitha mantém uma
casa no local, mas agora dividem sua estadia entre as casas que tem na Florida,
em Bangor e em Center Lovell.
A Coleção Torre
Negra e Pseudônimos
A coleção Torre Negra (“The Dark
Tower Series” título original) é uma coleção de livros que começou a ser
escrita na década de 70. Foi publicado o primeiro conto, The Dark Tower: The Gunslinger (“A Coleção Torre Negra: O
Pistoleiro”) originalmente sob a edição de Edward L. Ferman, em cinco partes, de 1977
a 1981, na revista The Magazine of Fantasy & Science Fiction. Um ano
depois, foi relançado em forma de livro.
Nos
próximos quarenta anos, seriam escritos e publicados os outros volumes da série
que alcançariam a marca de mais de trinta milhões de livros vendidos em cerca
de 40 países.
A trama se
passa em um cenário que mistura os mundos de Tolkien (O Senhor dos Anéis) e os
velho-oestes americanos, principalmente os do veterano Clint Eastwood. Não vou
contar a trama porque na verdade, são livros que contém histórias entrelaçadas
– tendo cada um sua própria sinopse - e pra mim é bem complicado falar deles
sem dar spoilers. Basicamente, é a trajetória de Roland Deschain em sua busca
pela Torre Negra, que na trama seria o nexo de todo o universo.
Melhor que
isso eu não consigo, meus queridos. Eu lamento ): E em off um instante, eu
pretendo fazer resenhas sobre os livros da coleção, então eu espero me redimir
com vocês pela falta de informações contidas aqui.
De todas as
formas, os demais volumes são:
The Drawing of the Three (A Escolha dos Três) (1987)
The Waste Lands (As Terras Devastadas) (1991)
Wizard and Glass (Mago e Vidro) (1997)
Wolves of the Calla (Lobos de Calla) (2003)
Song of Susannah (A Canção de Susannah) (2004)
The Dark Tower (A Torre Negra) (2004)
The Wind Through the Keyhole (O Vento
Pelo Buraco da Fechadura) (2012)
No Brasil,
foram publicados pelas editoras Objetiva, Suma de Letras e Ponto de Leitura (sendo desta, uma edição de
bolso). Nos EUA, pela editora Grant.
A versão
brasileira, da editora Objetiva, é essa aqui:
E a
ameri-meusonhodeconsumoeterno-cana:
Sobre
Richard Bachman, cabe dizer que foi um pseudônimo que King usou, para publicar
os textos Rage (1977), The Long Walk (1979), Roadwork (1981), The Running Man (1982) e Thinner (1984). A ideia dele era refutar
as alegações de alguns de que seu sucesso era mero “acidente”. Ele também usou
outro pseudônimoJohn Swithen que usou para publicar The Fifth Quarter.
Acidente e Aposentadoria
Em 1999, enquanto corria por uma rodovia, Stephen sofreu um grave
acidente quando foi atingido por um carro e lançado para fora da pista, caindo
de um barranco de cerca de cinco metros de altura. Ironicamente, naquela época,
ele também escrevia um texto onde um jovem morria atropelado por um carro. King
teve uma perfuração no pulmão, lacerações na escápula, várias fraturas na perna
direita e uma fratura no quadril – problema este que viria influenciar sua
decisão de aposentadoria, anos depois.
Depois de passar por dez cirurgias em cinco dias e tratamento
fisioterápico intenso, Stephen terminou sua obra On Writing, sendo que ele já não conseguia ficar mais do que
quarenta minutos sentado, sem sentir dor em função dos danos causados pelo acidente. Com o passar do tempo, o incômodo
tornou-se insuportável.
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Uma das versões do livro. Eu já vi também outras duas capas, mas nunca encontrei aqui no Brasil pra comprar, infelizmente ): |
Em 2002, ele anunciou que estaria se aposentando da literatura.
Para a felicidade de todos os fãs do terror, isso acabou nunca
acontecendo de fato. Em 2003, publicou “Cell”
ou “Cellphone” (O Celular) e até
2010, publicaria ainda “Duma Key”, a
coleção “Just After the Sunset” e a
história “Under the Dome”.
Novidades
Seus últimos
trabalhos publicados foram “11/22/63”,
de 2011. Em 2012 foi publicado o oitavo livro da coleção
Torre Negra, “The Wind Through the
Keyhole” (Traduzido como “O Vento Pelo Buraco da Fechadura”) e anunciadas
as publicações de “Joyland” (previsto
para 4 de Junho deste ano) e uma sequência de The Shinning, chamada Doctor Sleep (previsto para 24 de
Setembro de 2013). Essas datas são do lançamento dos EUA, então não sei quando
os livros vão – e se vão, já que muitas obras nunca vieram para o Brasil – vir
para cá. Todos de dedos cruzados!
De todas as formas,
ainda esse ano teremos mais uma adaptação do trabalho do mestre. Em 24 de
Junho, vai estrear nos EUA a série baseada na obra “Under the Dome” produzida pela CBS. A história é sobre uma
cidadezinha chamada Chester’s Mill’s e seus habitantes que lutam para
sobreviver, quando uma redoma misteriosa recobre toda a cidade, separando-os do
mundo exterior. Esse livro foi trazido pro Brasil – Hell yeah! – e publicado
pela editora Suma de Letras com o título traduzido “Sob a Redoma”. No
Submarino.com tem disponível, para quem quiser adquirir um. O preço pode
variar, mas a faixa média gira em torno de R$ 55,00.
Também foi
anunciada uma edição especial do livro The
Shinning que será lançado em Novembro deste ano, em capa dura. Em três
formatos, Gift Edition, Limited Edition e Lettered Edition, a editora
Subterranean Press vendeu 802 cópias assinadas (Limited e Lettered Edition)
sendo que as 750 cópias da Limited custavam $ 450 e as da Lettered, $2,500.
As Gift Edition,
que estão estimadas em 1.500 cópias não autografadas, custam $95 e ainda podem
ser encomendadas pelo site da editora, enquanto as outras duas edições já estão
esgotadas ):
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Imagem do site da Subterranean Press. |
Atualmente, Stephen
e sua esposa ainda vivem no Maine e agora a família King conta com quatro
integrantes a mais, os netos do casal. Tabitha também é escritora e romancista,
além de seus filhos Joe Hill e Owen Phillip também terem seguido os passos dos
pais, sendo autores publicados nos EUA.
Bom, acho que era
isso. Espero ter conseguido aprofundar o conhecimento de quem já conhecia o
autor e para quem ainda não, ter despertado o interesse em ler seus contos. Meu post é mega mega mega puxa-saco mesmo, porque eu sou
terrivelmente apaixonada pelas histórias dele e já li a maioria delas. Sendo
uma grande fã de Stephen King e do bom e velho horror, posso dizer que é o meu
autor favorito e um mestre na arte de assustar.
E então galera, o
que acharam? Quem já leu uma história dele e qual? Me contem o que acharam nos
comentários e qual a sua história de terror favorita!
Até o próximo
Mestres Literários, um beijo da heavy e boas leituras!
P.S – Os livros em
inglês podem ser adquiridos pela Amazon.com e você pode tê-los entregues na sua
casa (: Eu recomendo o site para quem, como eu, gosta de ter as versões
originais das histórias.
P.P.S – As versões brasileiras podem ser encontradas
na Saraiva.com e na Submarino.com (no Submarino eu achei as edições da Objetiva
e da Ponto de Leitura da coleção Torre Negra) mas vale a pena dar uma conferida
no site da Livraria Cultura também.
(¹) As informações contidas neste post foram coletadas em sites diversos, de pesquisa e notícias, dentre eles o site oficial do autor e a wikipedia, além de registros de jornais (a exemplo das informações referentes ao acidente de 1999). Ainda foi utilizada como fonte a própria obra On Writing.
3 comentários:
Ah Yasmin, amei tudoooo!
Obrigada por fazer parte da equipe!
Seja bem vinda flor!
Merda para nós!kkkkkkkkkk
Beijokas
Ok, FINALMENTE encontrando alguns segundos livres pra parar e ler o blog.
Primeiramente, falando de uma forma geral: o layout do blog está um verdadeiro espetáculo meninas! Um verdadeiro show aos olhos!
E fiquei feliz em ver que o blog aparece NO TOPO das pesquisas do google quando colocado seu título. Isso vai ajudar MUITA gente a alcançar essa contribuição maravilhosa de vocês à nossa cultura!
Agora diretamente a você Yasmin: menina! O post está TOP!
Muitíssimo obrigada por aceitar dividir conosco esse seu arquivo tão vasto de conhecimento literário! Isso vai ser realmente fascinante!!!
Como eu não me atenho só às coisas boas (sexo verbal nunca fez o nosso estilo kkk), vou começar pelos dois únicos toques a respeito do texto que eu tenho pra dar: foram dois pequenos acidentes de digitação nos parágrafos abaixo:
- "Dentre elas, várias foram adpatadas para o cinema" - a palavra "adaptadas" trocou duas letras.
- "Ele também usou outro pseudônimoJohn Swithen" - faltou um espacinho entre pseudônimo e "John".
Só estou avisando porque sei que você é perfeccionista com os seus trabalhos, porque o post está absolutamente perfeito! Fico aqui imaginando como deve ter sido para o próprio Stephen passar o que ele passou com o amiguinho. Enxergar tão cedo a morte tão de perto talvez tenha sido uma contribuição subconsciente para o horror preciso que ele descreve nas próprias histórias. Mesmo que não mencionado ou afirmado, nós sabemos que esse tipo de trauma acaba sempre deixando uma marca...
Mas, de toda forma, o seu artigo está muito rico! É um verdadeiro prazer saber que essa riqueza de informações se repetirá a cada livro resenhado ou autor trabalhado nos seus artigos, porque com isso eu sei que vamos ter uma excelente fonte de boa informação a respeito dos nossos mestres literários favoritos (e eu uma excelente fonte de boa informação sobre quais presentes comprar pra te dar... *coleção A Torre Negra original EM ALVO)!
E mesmo com todo o meu medo da "mão fria e cadavérica" que nos segura os tornozelos durante a noite, eu vou acabar procurando os livros do King para saborear um pouco mais desse doce do qual você nos deu uma prova tão gostosa!
Parabéns Mih! Excelente artigo!!!
Seja bem vinda à lista das minhas "Leituras de cabeceira".
Beijos a todas!!!
Ah, obrigada pelo apoio e pelo carinho, meninas! E bons autores sempre merecem destaque, né? Reconhecimento por suas obras (:
E eu sou muito suspeita pra falar, porque eu sou tarada pela escrita do King, então... ):
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