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Quote de Quinta #2

Ok que o quote de quinta tá sendo postado quase na sexta, mas tudo bem, né gente!? Antes tarde do que nunca. Não é esse o ditado?

Desculpem o atraso. Não foi porque eu quis...




Então, como o primeiro livro que pensei foi Hell Paris da Lolita Pille, outro livro que me fez sentir uma necessidade louca de compartilhar citações foi "O Retrato de Dorian Grey" de Oscar Wilde. Eu gosto de dizer que tive vários orgasmos literários enquanto lia Dorian, em parte, todos ocasionados por frases de efeito de Lorde Henry. Sempre no momento certo e oportuno, ele surgia com uma frase que me fazia suspirar.


Uma boa influência é coisa que não existe […] Toda a influência é imoral, imoral sob o ponto de vista científico. […] Porque exercer a nossa influência sobre alguém é darmos a própria alma. Esse alguém deixa de pensar com os pensamentos que lhe são inerentes, ou de se inflamar com as suas próprias paixões. As suas virtudes não lhe são reais. Os seus pecados – se é que os pecados existem – são emprestados. Tal pessoa passa a ser o eco da música de outrem, o ator de um papel que não foi escrito para si. O objetivo da vida é o nosso desenvolvimento pessoal. Compreender perfeitamente a nossa natureza – é para isso que estamos cá neste mundo. Hoje as pessoas temem-se a si próprias. Esqueceram o mais nobre de todos os deveres: o dever que cada um tem para consigo mesmo. É certo que não deixam de ser caritativos. Dão de comer aos que têm fome e vestem os pobres. Mas as suas almas andam famintas e nuas.
Eu acho tão bela a forma como Lorde Henry consegue nos fazer pensar e refletir, um dos melhores personagens de todos os tempos. Mas o que eu mais gosto nisso tudo, é que muito do que ele diz, são coisas que já pensei ou penso. Rolou uma identificação da minha parte para com Henry muito forte. Talvez isso tenha ajudado um pouco, claro, aliado ao fato de que Wilde escreve de maneira fantástica.


Eu estabeleço uma norma para diferenciar bem as pessoas. Escolho os amigos pela beleza, os conhecidos pelas qualidades de caráter, e os inimigos pelas de inteligência. Todo o cuidado é pouco na escolha dos inimigos. Não tenho um único que seja estúpido. São todos homens de capacidade intelectual e, por conseguinte, todos me apreciam.

Como não te apreciar, Lorde Henry? Me diz! Hahahahahhaa


Há em toda a superioridade física e intelectual uma certa fatalidade, aquela fatalidade que parece perseguir ao longo da história os passos vacilantes dos reis. É preferível não sermos diferentes dos outros. Os feios e os estúpidos são os que mais ganham neste mundo. Podem ficar despreocupadamente embasbacados a olhar. Se não conhecem o triunfo, pelo menos também não conhecem a derrota. Vivem como todos nós devíamos viver – impassíveis, indiferentes, e sem inquietações.
Tudo na vida tem um preço, não é? Se fosse perfeito, não seria real. Seria um sonho bom.


Quando gosto muito de uma pessoa, nunca digo a ninguém o seu nome. Seria como que entregar uma parte dela. Habituei-me a manter o segredo. Parece ser a única coisa que nos pode tornar a vida moderna misteriosa, ou maravilhosa. A coisa mais banal adquire encanto simplesmente quando não revelada.
E não é assim mesmo? Algo só nosso, sob nosso controle e poder. O simples fato do mistério não revelado intriga, perturba, nos apaixona.
- Hoje em dia, os jovens imaginam que o dinheiro é tudo.- É verdade – murmurou Lord Henry endireitando a botoeira do seu casaco -, e quando envelhecem sabem que o é. Mas, não é de dinheiro que eu preciso. Só as pessoas que pagam as suas contas é que o precisam, tio George, e eu nunca pago as minhas.
Pena que eu sempre tenho contas a pagar. Vida ingrata. ):
A Humanidade leva-se a si própria demasiado a sério. Esse é o pecado original do mundo. Se o homem da caverna tivesse aprendido a rir, a História teria sido diferente.
Atualmente, grande parte das pessoas morre de uma espécie de senso comum arrepiante, e, quando é demasiado tarde, chega à conclusão de que as únicas coisas de que nunca nos arrependemos são os nossos erros.
Às vezes são os que mais mudaram o curso da nossa vida para algo que ela deveria ser, não como a gente sonhou que seria. A realidade nem sempre é de todo o mal.


Os homens casam-se por cansaço, as mulheres, por curiosidade, ambos se decepcionam.
Uma das minhas favoritas.


Há unicamente cinco mulheres em Londres com quem vale a pena conversar, e duas delas não podem ser admitidas na sociedade respeitável.
Quero que Romeu tenha ciúmes de mim. Quero que todos os amantes mortos do mundo ouçam o nosso riso e fiquem tristes.
Os únicos artistas de personalidade encantadora que conheci são maus artistas. Os bons artistas existem simplesmente em tudo o que criam e, por conseguinte, são completamente falhos de interesse em tudo o que são. Um grande poeta, um poeta que seja realmente extraordinário, é a menos poética de todas as criaturas. Contudo, os poetas menores são absolutamente fascinantes. Quanto mais medíocres são os seus versos, mais pitorescos parecem. O simples fato de ter publicado um livro de sonetos de segunda ordem faz de um homem uma pessoa extraordinariamente irresistível. Ele vive a poesia que não consegue escrever. Os outros escrevem a poesia que não ousam realizar.
- Todos os caminhos levam ao mesmo lugar, minha querida Gladys.- E qual é?- A desilusão.
Ah, são tantos, esse ficou mais longo. Eu peço desculpas, mas eu não consigo me conter diante das passagens de Wilde. São todas tão fantásticas pra mim que preciso reler o livro tão logo quanto possível. <3

Você curtiu algum "quote"? Fala aí nos comentários. Vamos interagir, galerë.

Quote de Quinta #1

Buenos dias, compañeros.

Não, não vá embora! Você não entrou no blog errado, rs. Então, eu estava falando que iria fazer um post com quotes que eu achei louváveis durante a leitura de algum livro. O livro da semana é Hell da Lolita Pille e apesar de várias passagens mal escritas, o livro possui umas reflexões, momentos e frases muito bons. Eu ia falar bacanas, mas quem além de mim fala "bacana" hoje em dia?



Mas vamos ao que interessa. Alguns eu escolhi pelo significado da passagem, por mostrar a natureza selvagem dos personagem, o quote abaixo é justamente isso. Um em que Hell desnuda parte de seu passado vulgar para Andrea numa mesa de bar.


"Mostro pra ele com um movimento de cabeça todos os meus antigos companheiros de sacanagem... Aquele ali me comeu. E aquele lá, e aquele outro, e aquele... De ressaca, suruba às dez horas da manhã, orgia de dez gramas de pó; exagero, chego quase a inventar. Ele permanece impassível. Termina a garrafa e pede uma outra. Quando chega o café, já estou completamente bêbada." (pág. 105)
Não quis escolher a primeira frase de Hell no livro. Todos já conhecem ela falando que é uma putinha, daquelas mais desprezíveis. Então eu quis trazer algo novo de Hell, coisas que me conquistaram além a primeira passagem do livro.
"Estou ajoelhada, dobrada em dois, e vomito sem condições de parar os meus excessos desta noite e da vida de sempre e emporcalho meu vestido Lolita Lempicka de imundices sórdidas, e o silêncio pesado de deglutições atrozes. E ele esguicha como num pesadelo, ponho pra fora litros de vodca, litros de champanhe, minhas ilusões perdidas, os fantasmas que me assombram, e tudo espirra no asfalto negro com um ruído de explosão líquida e suja que repercute na minha cabeça como a sentença fatal da minha indignidade." (pág. 115)
E mais uma vez ela se arrepende das mesmas coisas que faz quase todas às noites.

"Nós representamos a comédia da vida, mas estamos mais mortos do que vivos. Cadáveres animados." (pág. 117)




"No meu coração estúpido, a estupidez canta estourando a garganta" (pág. 121)
 Pois é, a partir da página 100 o livro fica muito mais interessante. Na verdade, quando o Andrea aparece as coisas melhoram significantemente.

"As suas pequeninas agressões mesquinhas  são como facadas na água... você é como uma criança que se machucou e que tenta empurrar os amiguinhos no cercado de areia para que eles também se machuquem..." (pág. 134)
Ah, se eu pudesse citar todo o capítulo onze. O capítulo da apresentação de Andrea... Mas não posso. Vocês me matariam.


"Sou Jovem, Bonito, Rico e lúcido. E este é o detalhe que põe tudo a perder. (...) Sou um artista e minha obra sou Eu. (...)" (pág 139 e 140)
"Eu sacaneio o mundo porque o odeio. Eu o odeio por ele não ser o que eu gostaria que fosse. Sou um idealista que preza valores obsoletos: a coragem, a abnegação e a glória. Minha vida é uma busca por objetivos que não mais existem, meus antepassados eram heróis, eu não passo de um filhinho de papai, um rebelde sem causa, vou morrer num acidente com o Porsche ou numa overdose, quando na verdade gostaria de morrer em combate. Combater o quê? Num mundo onde Deus é o Sucesso Social, e as pessoas só são salvas no cinema. Busco em vão em cada rosto uma fagulha de poesia, busco entusiasmo nos discursos, busco ideais, ou pelo menos idéias, mas as pessoas passam ao largo, elas andam apressadas, mal-vestidas, os olhos esvaziados por preocupações. Não posso fazer nada por elas. Não posso fazer nada por ninguém." (pág 145 e 146)
 Andrea é de longe meu personagem favorito nesse palco da degradação humana que encontramos em Hell. Ele é como se fosse ela, só que mais são, mais maduro e um pouco mais coerente.
"Se os ricos não são felizes, é porque a felicidade não existe" (pág. 173).
Eu continuo pensando que eles devem estar gastando nas lojas ou coisas erradas, ai, ai... Estou sempre aceitando doações, hein!? (Só pra não esquecerem, vai que...)

Enfim, não quero me prolongar. Hell é isso. É esse desespero para fugir do vazio da vida, da mediocridade humana e de fugir dos próprios demônios. Acho que dá pra ver nos quotes que eu selecionei. Não escolhi algumas passagens por ser muito longas e tentei evitar spoilers que podem atrapalhar a leitura. Espero que tenham gostado e se deixado intoxicar pela violência de Hell.

Deixo vocês com a música que a todo o momento é citada pela personagem (nem tão personagem assim) de Pille.

 
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