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Projeto Editorial: Editora Literata
Marcadores: Editora Literata, O Castelo Montessales, Projeto Editorial, Susy Ramone
Projeto Editorial
por Roxane Norris
Susy
Ramone
autora
Susy Ramone é uma autora extremamente simpática e fofa, que eu tive a oportunidade de conhecer e trazer para vocês nesse último dia de Projeto da Editora Literata. Quem quiser conhecer essa autora e nosso diagramador, Rochett Tavares pode estar passando este sábado depois das 14Hrs no Pier 1327, na Vila Dona Mariana.
Agora vamos desvendar os segredos dessa autora...
1 – Você é professora de
Inglês, cursou Faculdade de Letras, o que trouxe dessa sua bagagem para “O
Castelo Montessales”?
S.R: Bem, comecei a aprender
inglês aos oito anos de idade. Aos dezesseis, já era monitora em uma escola de
idiomas e aos dezoito já lecionava. O curso de letras só veio mais tarde, o que
despertou em mim o desejo de escrever em prosa. Durante a adolescência eu
costumava fazer poemas. Sempre tive certa facilidade com as palavras, mas até
então jamais havia me passado pela cabeça a possibilidade de criar histórias.
Foi durante uma aula de
teoria da literatura que comecei a rabiscar um conto. Ele acabou ficando muito
longo e se tornou um livro; O anjo maldito.
Depois eu comecei a
construir histórias curtas. Os contos que fiz, os livros que li e as criticas
que recebi me trouxeram uma valiosa bagagem literária. Graças a esta bagagem eu
escrevi o Castelo Montessales. Acredito já ter encontrado uma identidade
própria ao que se refere ao meu modo de escrita. Porém, minha expectativa
futura quanto às composições dos meus textos, é que esta bagagem seja ampliada.
Para isso é preciso ler muito e escrever sempre.
2 – Em “O Castelo
Montessales” você não aborda somente o tema sobrenatural. Trata de conceitos
sociais muito amplamente discutidos nos dias atuais como o abuso sexual. Como
foi trabalhá-lo dentro do contexto de seu livro, e como vê essa temática
trabalhada no âmbito acadêmico? Há alguma correlação implícita?
S.R: É importante ressaltar que
os habitantes do Castelo não têm a menor possibilidade de se reunir em
sociedade fora dos arredores. Estando presos, não podem compreender que o
incesto é um tabu em quase todas as culturas. Não encaram a endogamia como
pecado, mas sofrem por saber que os ataques abusivos não vêm diretamente das
pessoas com quem vivem. Os homens são manipulados, têm seus corpos possuídos
por Antony, um fantasma cujo objetivo é procriar. Ele precisa dar continuidade à
linhagem por um motivo específico. Toma os corpos dos homens e vai plantando
filhos nas mulheres, com ou sem o seu consentimento. Eles não se lembram
depois, e elas amargam a violência sofrida por não poderem culpar os seus parentes.
A maioria das mulheres sabe quem é o verdadeiro agressor e os pobres homens nem
sequer sonham terem um dia abusado de suas meninas.
Infelizmente sempre
estivemos cercados por uma realidade vergonhosa. Os abusos sexuais são frequentes,
mas mais frequentes também se tornaram as denúncias. Obviamente ainda existem
vítimas que, por inúmeros motivos, se calam. Tenho percebido, porém, que as
crianças e jovens estão cada vez mais instruídos quanto aos seus direitos.
Através da mídia em geral, dos pais e professores, eles encontram segurança
para denunciar qualquer abuso que venham a sofrer, seja ele de caráter físico
ou moral.
Trabalhar esta temática no
livro foi por vezes doloroso, principalmente por saber que em algum lugar, alguém
pode estar passando por problema semelhante. Mas eu diria que não existem
correlações com a vida real, uma vez que os monstros que habitam a humanidade
sabem muito bem o que estão fazendo, ao contrário dos personagens, que são
marionetes nas mãos de uma força oculta.
3 – Bruxas, fantasmas,
elementos mágicos. Isso por si só já apimenta uma trama, mas você descreve
cenas eróticas no livro. Algum cuidado especial lhe passou pela cabeça na hora
de compô-las? Até que ponto o horror se mistura ao prazer na trama?
S.R: Cuidados foram tomados, sem
dúvida. Apesar de escrever para adultos, eu sei que muitos de meus leitores são
adolescentes. Muitas das cenas eróticas que descrevi, estão subentendidas.
Acredito não ser necessário o uso de palavras de baixo calão para narrar uma
cena de sexo. O objetivo principal é oferecer ao leitor, além de uma história,
a possibilidade de imaginar. Às vezes o indizível é bem mais atraente do que o
explícito. Contudo, devo admitir que há, sim, algumas passagens mais picantes,
mas nada que o meu filho de quinze anos não saiba ou não possa ler.
Quanto à mistura de horror e
prazer, cada personagem tem o seu próprio ponto de vista ao que se refere aos
abusos. Uma sobrinha apaixonada pelo tio, por exemplo, não encara o assédio de
forma dolorosa. O horror maior e mais cruel é aquele que vem contra a vontade,
com violência, tirando a dignidade das mulheres, cuja única alternativa é se
calar. Mesmo compartilhando a mesma dor, elas receiam ser humilhadas pelas
outras e acabam guardando, durante anos, o peso dos seus segredos.
4 – Fala um pouco do
processo de criação dos personagens de “O Castelo Montessales”.
S.R: A primeira personagem que
criei foi Manoela Montessales. Uma mulher portuguesa que nasceu em 1540 e
levava uma vida tranquila até conhecer o espírito de Antony. Ele transmitiu a
ela os seus conhecimentos e antes que Manoela percebesse, já estava envolvida
em enrascadas e fugindo dos inquisidores.
Na época, eu estava lendo A
Hora das Bruxas de Anne Rice. Inspirada na família Mayfair eu passei a traçar o
perfil das personagens da família Montessales. A árvore genealógica abrange o
período da Inquisição Portuguesa que se estende até 1821.
Com esta turma eu fiz alguns
contos. A semelhança com os Mayfair, porém, jamais passou da construção das
personagens. Os enredos dos contos sempre foram bem distintos, de modo que o
leitor não pudesse relacionar as duas famílias, caso eu não revelasse.
Então, um dia, o que era
para ser um texto curto se transformou no livro. Tracei outra árvore
genealógica da linhagem nos dias atuais, e são essas pessoinhas que o leitor
encontrará nas páginas do Castelo. Elas descobrirão que a herança deixada pelos
seus antepassados vai além de um fantasma. Compreende uma promessa feita na
Idade Média. Promessa que os levará a desvendar os mistérios que os cercam e os
motivará a romper o ciclo de desgraças que Manoela os colocou.
5 – Como foi a sua busca por
uma editora que investisse no seu livro tanto quanto você?
S.R: A primeira publicação de um
autor é sempre a mais difícil. Tendo passado anteriormente por uma editora, eu
já sabia exatamente o que eu queria e o que eu não queria para o meu segundo
livro.
Fiz uma pesquisa, colhi
informações com outros escritores e analisei as melhores opções. Só então
enviei os originais para a editora Literata, que para a minha surpresa
respondeu rapidamente. Entretanto, a resposta que recebi não foi bem a que eu
esperava. O editor me explicou que as edições daquele ano e do próximo já
haviam sido fechadas. Perguntou se eu podia esperar e eu, mesmo desanimada,
disse que sim, que esperaria.
Voltei a me dedicar aos
contos do blog e aos textos para as antologias. Na semana seguinte, Eduardo
Bonito, o editor, me escreveu dizendo que havia lido o Castelo e gostado
bastante. Por este motivo, o publicaria já no inicio de 2012. Fiquei muito
feliz. Escolher a sua editora e ser recebido por ela, é realmente muito
gratificante.
6 – Vou abrir esse espaço
para você falar mais um pouco do seu livro e deixar um recado para o autor que
está começando agora. Pode ser até mesmo uma dica que ache essencial.
S.R: Quanto ao Castelo
Montessales, há muito o que falar. Por este motivo, convido a todos para conhecer
este universo em www.montessales.blogspot.com.br. No
blog eu conto como surgiu a ideia, falo das personagens, dos envolvidos no projeto
e disponibilizo os contos avulsos da saga das bruxas; aqueles que precederam o
livro. Lá também tem o prefácio de Alfer Medeiros e a sinopse de Georgette
Silen, além de outras curiosidades.
Para o autor que está
começando, eu digo que a perseverança jamais pode faltar. Se o que você faz é
realmente bom, (e não porque a sua mãe falou, mas porque você já recebeu
críticas sérias) então vale a pena persistir. E mesmo que não esteja bom ainda,
mas você sabe que é verdadeiramente isso o que quer, vale a pena persistir
também. Lembrando que para escrever é preciso ler. Com o tempo, os olhos vão
percebendo as falhas nos textos antigos. E isso é muito bom. Significa que a
bagagem ampliou e que você evoluiu. Escreva sempre, tenha disciplina. Participe
das antologias de contos e jamais desanime com os “nãos” que vão surgir. É
assim com todo mundo. O que não parece bom hoje, pode beirar à perfeição
amanhã. Nessa eterna busca, eu também vou caminhando. Se eu vou chegar lá algum
dia, não sei. Mas ninguém pode me acusar por não ter tentado. Tudo o que é
feito com amor e dedicação é sempre recompensado, não tem erro.
Aproveito para agradecer
novamente sua atenção e lhe desejar muito sucesso pelo “O Castelo Montessales”
Obrigada Roxane! Gostei
muito de participar. =)
Nós é que agradecemos sua participação, Susy. E desejamos muitoooo sucesso para ti!
Merry Meet!
Roxane Norris
Projeto Editorial: Editora Literata
Marcadores: Capista, Editora Literata, Projeto Editorial, Renato Klisman
Projeto Editorial
por Roxane Norris
Parte IV – Capista
Renato Klisman
Essa é a fase em que o autor vê o rostinho do filhote! Acho que é a que remete ele ao serviço completo; mas também é o cartão de visita do autor e o convite da obra. Vamos ver o que o Renato nos diz sobre isso?
1 – Como vejo opiniões
diversas sobre a importância das capas dos livros, e até mesmo como o autor e a
editora encaram esse processo, gostaria de saber quais são realmente as funções
de uma capa de livro?
R.K: Bom, na minha opinião, uma
capa de livro tem a função de, em primeiro lugar, chamar a atenção do leitor.
Não quero dizer com isso que ela deve ser espalhafatosa e chamativa, mas
alguns detalhes são essenciais, dependendo do publico que se procura alcançar.
Em segundo lugar, ela deve
trazer em si a essência do livro, algumas trazem isso de maneira mais rápida,
outras tem todo um contexto por trás, que necessitam a leitura para o
entendimentos.
Em terceiro, e não menos
importante, uma capa tem a função de deixar um livro mais bonito, organizado.
Penso que um livro sem capa, é como um corpo sem pele. Ninguém quer nem chegar
perto.
2 – Sendo um profissional de
criação, como vê a tarefa de um designer de capas?
R.K: Posso definir em uma palavra?
Difícil.
Conseguir traduzir a
essência de 100, 200, 500 páginas em uma única imagem não é nada fácil. As
vezes o autor chega com algo quase pronto em mente, mas muitas vezes, é
necessário todo um trabalho conjunto para chegar num acordo, que satisfaça
tanto o designer quanto o autor.
O pior mesmo, acho que é
refazer, refazer e refazer. Tem alguns momentos que você pensa: “Oh god, não
aguento mais!”.
Porém eu sempre digo, quanto
mais difícil o trabalho com uma capa, mais satisfatório é o resultado final.
3 – Em linhas gerais, como
definiria seu processo de criação?
R.K: O Processo eu diria que
começa usando o coração do autor, a essência do livro e a alma do capista.
Tudo o que vir depois, nada
mais é que a união desses três.
4 – Eu noto que muitos
capistas trabalham com Briefings (um
tipo de dossiê do livro, pontuando dados relevantes da obra), por ser a melhor
forma de unir a ideia do ator-editora e repassá-la a você. Todavia, eles variam
muito em qualidade e quantidade de informações. O que seria um briefing eficiente
na sua opinião?
R.K: Eu não costumo trabalhar com
Briefings.
Gosto de conversar com o
autor, sou mais do estilo Brainstorm, onde as ideias vão fluindo, e não ficamos
presos a certas informações. Imaginar é tudo, quanto mais novidades, estilos,
imaginação, melhor.
Assim, posso ir questionando
o que realmente necessito para criação, sem ficar barrado por algumas poucas
coisas que vem em um briefing.
5 – Mesmo contando com essa
“ajuda”, que outros fatores você leva em consideração na composição do seu
trabalho?
R.K: Imaginação, sentimentos,
amor ao trabalho. Tanto por parte do autor, quanto por parte do capista.
Gosto daquela empolgação de
estar ajudando a dar cara para mais um “filho” de um autor, que por hora, acaba
sendo meu também. Hehe.
Não gosto de mecanicidade,
onde é tudo pré-programado. Não gosto de seguir padrões, variar pra mim é tudo.
Assim, consigo aumentar meu nível de abrangência de criação.
Podendo criar capas para
ficções hiperfantásticas, romances, poesias, contos, crônicas e muito mais.
6 – Destaque um ponto que
seja relevante no momento em que está compondo a capa. Aquele pequeno (ou
grande) detalhe que você classifica essencial e que precise de um cuidado
especial. Ele existe?
R.K: O amor, é tudo. Criar uma
capa, como coração frio, sem paixão por aquilo que você está fazendo, bom, pra
mim não existe. Muitas vezes brigo com os autores, debato, exponho pontos, uso
garras, dentes, e tudo mais que eu tiver disponível para defender uma ideia.
Sempre, é claro, buscando chegar num acordo entre os dois.
A emoção que isso causa é
indescritível, e as pulsações quando você finalmente vê tudo começando a se
concretizar, é algo que não dpa muito para definir.
Só posso dizer que amo, cada
uma das minhas capas, pois querendo ou não, há uma parte de mim em cada uma delas.
7 – Em seu tempo de trabalho
com capas, já teve que refazer alguma? Como encarou isso?
Várias. Pra Vida Toda, da
Nanda Meireles e Marcada a Fogo, da Josy Tortaro, foram as piores.
R.K: Eu e as autoras discutíamos
ideias, trocávamos imagens, letras e tudo mais que você imaginar.
Me lembro que Pra Vida Toda
foi tão hard, que uma hora a autora quase chegou a desistir. Mas eu insisti,
briguei, e bom, o resultado final foi incrível.
Marcada a Fogo começou, meio
que como uma diversãozinha, mas logo se tornou sério e, bom, fiquei quase um
mês desenvolvendo aquela capa.
8 – Algum que tenha sido
extremamente trabalhoso? E qual trabalho feito para esta editora que gostaria
de pontuar como destaque?
R.K: A mais trabalhosa, acho
mesmo que foi a de Pra Vida Toda, porque houve uma hora que nada parecia dar
certo, e foi bem aí que a versão final surgiu e impactou a todos.
Entre os trabalhos da
Literata, acho que foi o Marcada a Fogo, pelos motivos da questão anterior e,
bom, ela foi meu trabalho pioneiro na literata. Se houve outros depois, foram
consequências desta.
9 – Vou, agora, pedir suas
considerações gerais sobre a entrevista, e aproveitar para agradecer em nome do
Eu<3Livros por sua atenção e boa vontade de participar desse projeto.
R.K: Bom, eu A-M-E-I a entrevista
e, só me resta agradecer e dizer que vida de capista não é fácil. Muitos me
perguntam, como me tornei capista. Só respondo que, bom, nem eu mesmo sei. Foi
naturalmente, consequências do blog e do meu livro, um dia eu simplesmente me
toquei: “Oh God, sou capista *-*”.
E, um dos pontos legais
desta entrevista foi que, acabei por descobrir pontos sobre mim que nem mesmo
imaginava, hehe. Encerro-a feliz, sabendo que realmente amo meu trabalho e,
torço para que as pessoas gostem dele.
=*
P.S: Estou nas redes sociais
com:
Twitter: @rkbooks e
@renatoklisman
Facebook: https://www.facebook.com/renatoklisman
Meu livro no face: https://www.facebook.com/LivroDom
Meu blog no face: https://www.facebook.com/booksrk
E a página no face onde posto
meus trabalho, entre banners, capas e ilustrações (Isso aí, virei ilustrador
u_u, basta olhar no álbumdo Crônicas da Fantasia): https://www.facebook.com/designrk
Renato, quem agradece a oportunidade sou eu, em nome do blog, e deixo nossas portas abertas a você... Obrigada!
Merry Meet
Roxane Norris
Projeto Editorial: Editora Literata
Marcadores: Diagramador, Editora Literata, Projeto Editorial
Projeto
Editorial
Por Roxane
Norris
Parte III
– Diagramador
Rochett Tavares
Peço desculpas pela falha na semana do Projeto Editorial, pois por problemas técnicos tivemos que adiar as postagens. Todavia, elas seguem agora o rumo normal.
Trazemos hoje para esta coluna, Rochett Tavares, digramador da Literata, e também escritor - "Circo dos Horrores", "Sexo, Livro e Rock & Roll" (ambos pela Estronho Editora) e "Criaturas". Já viu que a vida desses profissionais sempre tem muito mais envolvido com esse mundo editorial do que imaginamos, não é?
Vamos ver o que esse profissional tem a nos desvendar dos segredos de sua profissão!
Obrigada, Rochett Tavares por dispor de um pouco de seu tempo, sempre corrido, para nós!
1 - Paginador, diagramador, editor eletrônico, designer, são
tantos nomes que encontramos na net. Qual é o verdadeiro trabalho feito por quem produz o
miolo do livro? Ele chega a envolver todas essas “etapas”?
R.T: No passado havia o responsável pelo tratamento das imagens
que vinham do fotógrafo e/ou ilustrador. Havia o responsável pelo layout de cada página,
além de outros indivíduos envolvidos no processo de confecção de qualquer material
impresso (não apenas o livro em si). Hoje, o diagramador (com o auxílio dos aplicativos de
editoração eletrônica) exerce todas as funções citadas acima.
2 - Existem vários tipos de livro. Os livros texto, de arte,
didáticos. Já teve oportunidade, na sua função, de lidar com essa diversidade? Se, sim, quais são os
mais difíceis de trabalhar?
R.T: Sim. Tanto em desenvolver e montar (didáticos na área de
informática, romances e cartilhas) quanto somente diagramar. Em minha concepção, não existe o
mais ou menos difícil. Cada ordem de material demanda um conjunto de detalhes
específicos.
Por exemplo: um livro didático foca no conteúdo e no quanto
as informações ali contidas são de fácil reconhecimento/acesso ao leitor. Um livro de arte
objetiva expressar a quem o lê, as sensações do estilo (ou estilos) que apresenta. Um romance
tem um pouco dos dois. Tanto precisa facilitar o entendimento quanto passar aquilo que o
autor deseja com seus textos.
3 - Quando você recebe o original do livro para produzir,
quais são as informações necessárias que a editora deve passar para que você realize o seu
trabalho?
R.T.: Há um checklist a ser seguido. Antes do material chegar ao
diagramador, autor e editor se reúnem (física ou virtualmente) e há a montagem de um
briefing. Dentre os itens envolvidos, posso destacar os seguintes: Qual o estilo/gênero da obra e
a que público é destinado. Quais ideias o autor e o editor possuem, e se já existe alguma arte
(confeccionada pelo autor, ilustrador, etc.). Qual será a gramatura do papel utilizado
na confecção do miolo e, o mais importante, qual sensação o escritor deseja imprimir no
público, pois um livro é a expressão daquilo a revolver-se no íntimo de quem o redige e deve
corresponder visualmente à sua proposta.
4 - Como é analisar um livro por cada elemento que ele
possui, como: título, subtítulo, texto, citação...? Você tem por hábito começar seu trabalho
especificamente por um deles, por considerá-lo principal ou mais fácil de trabalhar, ou apenas
seu estilo de trabalho?
R.T: O livro, para um profissional, é um produto que deve ser
tratado com respeito e confeccionado dentro do maior esmero possível. Cada obra possui identidade
própria e, como tal, tem seu processo de montagem diferente das outras, ainda que sejam
do mesmo gênero e até do mesmo autor.
5 - Muitos autores praticamente fazem uma “diagramação” no
word, independente de qualquer formatação que a editora exija para envio. Até que
ponto pode dizer que isso ajuda ou atrapalha o seu trabalho? E, quando exigido pela editora,
podemos afirmar que é uma orientação do diagramador do projeto?
R.T: O que normalmente chega para o diagramador é o texto cru,
após passar pela equipe de revisão. Nada obsta ao escritor deixar seu material da forma
como ele deseja. Contudo, as editoras tem suas regras para a formatação de originais
submetidos e, queiramos ou não, pois também sou autor, temos de nos adequar aos parâmetros
indicados pela casa editorial a qual desejamos enviar nosso livro. Quanto ao produto final,
existem medidas para tamanho de página, margens, lombadas e isso varia de acordo com o
formato acertado por autor e editora no momento do briefing.
6 – Como curiosidade, ou até para a programação do
lançamento do livro pela editora, em
quanto você calcula o prazo do seu trabalho?
R.T: Isso depende do trabalho artístico que será realizado como
também do volume de páginas da obra em questão. Além desses fatores, é norma enviar o livro
pré-diagramado em vários momentos (do primeiro layout ao boneco) ao autor para que
ele analise aquilo que está pronto e dê seu parecer. Essas etapas demandam um tempo que pode
levar de semanas a meses.
7 – Para você, existe uma parte que seja considerada mais
interessante na diagramação de um livro? Qual?
R.T: Todas as etapas são divertidas. Meus colegas de profissão
devem concordar quando digo que a sensação é análoga a do escultor trazendo “à vida” uma
imagem no mármore ou granito. O texto bruto chega, com instruções e recomendações; Nesse
momento, procuramos as fontes (estilos de caracteres), desenvolvemos a estrutura do
layout, encaixamos as imagens. É um processo tanto artístico quanto técnico.
8 – Esse é um momento em que você pode se dirigir ao autor
diretamente, algum “toque” que gostaria de deixar para todos?
R.T: Solte sua imaginação. O livro é um bem precioso e deve
apresentar de modo fidedigno aquilo que você, autor, deseja expressar em seus textos. Enquanto
autor, partilho o desejo de trazer à luz uma coisa especial, avassaladora, definitiva (como o
design do isqueiro Zippo). Todavia, deve-se ressaltar que toda idéia pode e deve ser executada
dentro dos seguintes parâmetros: bom senso e lógica.
Esperamos que estejam gostando, porque amanhã teremos o famoso profissional que sempre chega primeiro aos nossos olhos, transmitindo os primeiros ares do livro... Mas será que é assim mesmo?
Veremos com o capista.
Merry Meet!
Roxane Norris
Projeto Editorial: Editora Literata
Marcadores: Editora Literata, Georgette Silen, Projeto Editorial, Revisor
Projeto Editorial
por Roxane Norris
Parte II - Revisor
Georgette Silen
Georgette Silen é revisora da Editora Literata, além claro de um excelente escritora. Com o tempo atribulado, mesmo assim, ela veio deixar sua marquinha aqui nessa entrevista deliciosa:
1 –O trabalho de um revisor, muitas vezes se mistura ao de
coautor da obra que tem em mãos por vários aspectos, e entre eles a coerência e
o desenvolvimento da narrativa. Dentro desse contexto, podemos qualificar esse
tipo de revisão como literária (copydesk),
já que seria uma visão bem abrangente do trabalho do autor. Especificado esse
ponto, que tipo de trabalho você costuma fazer, uma revisão literária ou normativo-ortográfica
das obras da editora?
G.S: Olá Roxane, obrigada pela entrevista. Espero que os
seguidores do blog apreciem esse nosso bate-papo.
Antes de responder a essa pergunta, acho interessante
esclarecer as diferenças entre a revisão ortográfica e o copidesque.
O copidesque, em geral, é feito pelo editor ou por pessoa
designada por ele, e tem como finalidade o aperfeiçoamento do texto, buscando
sanar todas as incoerências que por acaso apareçam na narrativa, analisando os
pontos altos e baixos e buscando alcançar uma homogeneidade de trabalho. É
muito mais complexo que a revisão, pois o copidesque propõe mudanças,
reescritas, avaliações, tudo com o objetivo de “relavrar” um texto, tornando-o
o melhor possível para o mercado e o leitor.
A revisão ortográfica seria uma etapa posterior ao
copidesque. Com o texto já finalizado, o revisor procura por falhas
ortográficas, problemas de acentuação, pontuação, normativas e adequação às
normas vigentes. O revisor passa um pente fino em todos os possíveis erros
encontrados e os corrige.
Em teoria, são trabalhos diferentes feitos por profissionais
diferentes, mas em alguns casos uma mesma pessoa pode fazer as duas coisas.
Como sou autora, é impossível para mim quando reviso um texto deixar de prestar
atenção aos detalhes da narrativa. Se encontro passagens no texto que eu vejo
que necessitam de maior atenção por parte do autor, eu as aponto, recomendo a
reescrita, exclusão de trechos, mudança de posicionamento de frases ou
parágrafos, entre outros.
Mas ambos os trabalhos, revisão e copidesque, são diferentes,
e o ideal é que todas as editoras tenham pelo menos um profissional de cada
para trabalhar os textos dos autores.
2 – Ainda dentro do contexto anterior, você e a editora
costumam acordar previamente como será a revisão feita, ou dependendo da obra,
há uma flexão que permita um trabalho mais extenso, como no caso a revisão
literária? Se não, alguma vez você sentiu necessidade de solicitar uma revisão
literária de uma obra, ou ao menos, sugerir que fosse feita? Foi complicado
lidar com isso?
G.S: Quando recebo um pedido de revisão por parte da editora,
eu solicito previamente o envio de um capítulo da obra para que eu possa
analisar em que estado ela se encontra. Se nessa análise eu vejo que ela se
enquadra apenas na categoria de revisão ortográfica, fechamos o trabalho nesse
sentido. Mas caso eu perceba que o texto necessita de copidesque, eu comunico a
editora e traçamos um plano de ação sobre ele, incluindo aí todas as etapas e
cronogramas necessários. Nunca tive problemas nesse sentido por parte de
editoras, elas sempre atenderam as minhas solicitações. Com autores, às vezes,
é um pouco mais complicado, pois trabalho com texto e ego ao mesmo tempo, e
alguns não gostam de determinados apontamentos feitos pelo copidesque. Mas tudo
é questão de conversar, mostrar a que se destina o trabalho e qual será o
resultado para ambas as partes, editor e autor.
3 – Seguindo essa linha, você costuma sugerir ou mesmo impor
como normativa de trabalho um formato para que o livro chegue a suas mãos que possa
de alguma forma torná-lo mais conciso?
G.S: De praxe, eu solicito que os textos sejam enviados em
fontes Times ou Arial 12, espaçamento 1,5 entre linhas, A4, com margens de
2,5cm. Esse é o padrão que utilizo para orçar um trabalho. Dependendo do número
de páginas, existe um prazo que pode ser menor ou maior para a revisão. Quanto ao
tipo de trabalho a ser executado, tudo depende da análise do primeiro parágrafo
para decidir se será uma revisão ou copidesque.
4 – Certamente, no seu trabalho, uma das coisas mais
corriqueiras são os famosos vícios de escrita. Entre eles temos o miguxês
(termos da internet que acabam parando nas linhas de um livro, sem o autor se
dar conta) e também alguns erros de fonética que são inseridos por não haver a
visualização dele no cotidiano, como por exemplo: (me desculpem os cariocas,
pois sou uma também) “mais” quando se deveria usar “mas”. Qual destes erros é
mais comum de você observar? E, como citei o “carioquês”, você chegaria a
regionalizar certos erros recorrentes no texto?
G.S: Por incrível que possa parecer, eu nunca me vi frente a
frente com erros de escrita provocados pela internet. Nenhuma contração, ou miguxês, apareceram nesse sentido. Com
relação aos vícios de linguagem, os mais comuns são os excessos de
interjeições, como “já”, por exemplo, e que são corrigidos. Agora, em relação
aos regionalismos, é preciso que se entre em comum acordo com autor-editora. O
regionalismo, em si, não é um problema, afinal, somos um país de muitas
sonoridades que se refletem na escrita. Mas dependendo da quantidade de
palavras e expressões que se apresentam, ele pode limitar o texto do autor à
apenas um público leitor, e isso pode gerar estranheza ou mesmo rejeição à
obra. Como eu disse antes, tudo depende de um planejamento e análise que deve
ser feito previamente, antes de se editar um livro.
5 – Até hoje, qual foi seu trabalho mais desafiador?
G.S: Poderia citar vários, mas os que me deixam sempre mais
animada e demandam mais energia são os copidesques, sem dúvida. Por que, de
certa maneira, estou lidando com a criatividade do autor aliada a minha visão de
como torná-la ainda mais interessante, então os copidesques sempre são mais
desafiadores.
6 – Eu observei que o revisor costuma trabalhar por laudas –
uma lauda corresponde a 1.400 caracteres com espaço (20 linhas de 70 toques).
Dentro da variável de 250 a 350 páginas, qual é a média de tempo que você
costuma levar para entregar seu trabalho à editora?
G.S: Eu trabalho por páginas, formato A4, nas descrições que
mencionei acima. Não utilizo laudas. E como disse antes, tudo depende do tipo
de trabalho contratado. Uma revisão ortográfica é relativamente mais rápida do
que um copidesque. 250 páginas de uma revisão podem ser feitas entre 20 e 30
dias, mas um copidesque demandaria bem mais tempo. Dependendo do estado do original
ao chegar as minhas mãos eu estimo um prazo de entrega para a editora, nos dois
casos.
7 – Qual recurso você costuma usar para corrigir os erros na
obra? E depois do texto revisado, ele volta às mãos do autor para aceite.
Alguma vez o texto já retornou dessa avaliação para uma nova revisão?
G.S: Eu utilizo manuais de nova ortografia, dicionários,
manuais de ortografia e gramática e sempre procuro novas publicações
relacionadas à área. Existe muito material bom sendo publicado sobre o assunto.
Além disso, tive formação em Literatura na faculdade, em português
instrumental, e isso acrescentou muito ao meu trabalho.
O trabalho de revisão ou copidesque segue sempre essa
direção: revisão – análise do autor – aceitação do autor – retorno para a
revisão – fechamento da obra para diagramação.
Os apontamentos do autor são levados em consideração em todo
o processo, e tudo é feito com o consentimento dele.
8 – Fale um pouco sobre como você vê a importância de seu
trabalho para a qualidade do projeto final – ou seja, o livro na prateleira – e
como é encontrar um pedaço seu em cada um deles. É emocionante?
G.S: A revisão literária, o copidesque, a preparação de texto, a
diagramação, a capa, enfim, todo o trabalho que existe em um livro antes que
ele vá para a gráfica e depois seja distribuído para as livrarias é de suma
importância. A qualidade final do que o leitor terá em mãos depende desse
trabalho que considero como a base da qualidade editorial. Um leitor atento
percebe, de longe, quando essas etapas foram negligenciadas por uma editora.
Uma capa mal feita, uma diagramação apertada, uma revisão que não corrigiu o
que era necessário são erros gritantes, crassos até, e que depõe contra a obra,
o autor e a editora. Esse conjunto de base deve ser feito com esmero, com investimento,
e infelizmente tenho visto que muitas editoras não têm dado a devida atenção a
isso, buscando economizar nos trabalhos de suporte. Um erro que a longo prazo
trará seus danos.
Embora poucos leitores sejam atentos aos nomes da equipe
editorial que ajudaram a compor uma obra, eles existem, constam no livro, e são
profissionais que merecem ter seu esforço reconhecido.
Para mim, cada livro foi uma aventura diferente, algumas
suaves e outras mais pesadas, que demandaram mais ou menos esforço, mas, sem
dúvida, únicas. E por todos eu tenho o maior carinho.
Roxane, eu agradeço esse espaço, essa oportunidade de
bater um papo com os seguidores do blog, e deixo aberto aqui os meus canais de
comunicação: e-mail missgette@yahoo.com.br, twiter @georgettesilen e pelo
facebook. Por qualquer um o leitor poderá entrar em contato comigo sempre que
desejar.
Abraços
Georgette Silen
Obrigada à você querida, pelo carinho!
O blog está aberto para vocês todos.
Beijokas
Roxane Norris
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