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Eu ♥ Resenhas: O Castelo Montessales

Nome da Obra: O Castelo Montessales


Autora: Susy Ramone



Editora: Literata



Nº de páginas: 166



Ano de Edição: 2012



O Castelo Montessales, a princípio, parece um sonho. Mas como todo sonho, os pesadelos podem tomar conta de forma incontrolável. Especialmente se esses pesadelos vêm em forma de uma criatura sobrenatural que desconhece limites, agindo como um íncubos lascivo e libidinoso que domina e cerceia a vida dos reféns do castelo, incapazes de fugirem, pedirem ajuda, escaparem do círculo vicioso e sobrenatural que se instalou em suas vidas. Vidas essas que geraram outras, totalmente dependentes do carrasco sem face, sem corpo, criando a desconfiança a cada gesto suspeito dos habitantes das grossas paredes. A nova geração desconhece a vida por trás das muralhas de Montessales, mas sonham com o dia em que poderão, finalmente, ver o mundo sem os olhos do medo. Mas o Castelo tentará impedi-los a todo custo, e descobrir em quem confiar será o principal objetivo, que poderá conduzir a tão sonhada liberdade... ou ao pior de todos os destinos. Atreva-se a conhecer as verdades por trás de suas paredes e reze para não ser você também um escravo do Castelo Montessales.




 




Acho que eu vou começar essa resenha com um: tensooo...

*Estala os ombros e os dedos*

Vamos lá, amores, com calma para eu apresentar esse espetáculo de leitura que tive. Se eu viesse aqui falar tão somente da autora da obra, eu teria mil e um adjetivos "cutes" - não me mate Su! -, e bons motivos para exprimi-los, nesse espaço nosso. Susy Ramone é uma pessoa maravilhosa, e por mais que isto possa soar uma bela puxação de saco, uma autora deliciosa de se acompanhar por diversas letras e linhas.

Contudo, vou começar falando de Castelo de uma forma peculiar, da apresentação da obra feita pelo Alfer Medeiros. Sinceramente, quando comecei a lê-lo eu não acreditei nas suas palavras... Acostumada a outro tipo de leitura e narrativa, eu não o levei a sério. E foi um erro fatal!

Entra na atmosfera da história da Susy, é se entregar ao seus receios. É mergulhar numa trama intensa e tangindo a insanidade que acaba nos embriagando e envolvendo. Assim como Berenice, que buscou nos Castelo um refúgio para ela e seus empregados de outrora, mas que se descortina uma prisão sem grades para todos.

Cada recanto e dependência do Castelo é expiado por Anthony, um fantasma pernicioso, que impede qualquer fuga de seus visitantes. Então por anos, Berenice e seus amigos se veem presos a uma rede de aliciamento e imoralidade que vão desde a consumação de atos libidinosos entre si, com a possessão dos homens pelo fantasma, até a consumação dos atos e a postergação dessa linhagem, que tange a insanidade.

Numa rede bem armada, em que filhos, pais e avôs se unem carnalmente, nossa mente é confrontada com os sentimentos atordoantes que a autora trasmite tão bem em suas letras, e toda é conturbação fatídica de laços sanguíneos aparece apenas como pano de fundo ao conflito que nos abala e sufoca quando Berenice e as outras mulheres começa a expor suas vidas.  Entre consseções e estupros, as várias facetas de Anthony são apresentadas e fica no ar a pergunta:

Por que, durante anos, ele vem semeando o pavor e a depreciação de todas aquelas pessoas tão cruelmente? O que haveria no passado de Anthony que o obrugava a agir assim com mulheres e homens ao seu puro e asqueroso prazer?    

Susy cria uma atmosfera sombria em todos nós quando lemos. Por muitas vezes eu fechei o livro e respirei fundo. Senti o medo e angústia que escorregava pelas paredes de Montessales, e me perguntei se Anthony me expiava quando tinha tais pensamentos... É uma qualidade dele observar seus receios e desejos.     

Por isso, caro leitor, ao convidá-lo a conhecer Montessales, eu observo que essa possa ser uma experiência única em sua vida. E, como toda experiência, você pode não sobreviver a ela... Talvez fosse bom você prestar atenção no que o Alfer Medeiros diz... Lá no início. Você lembra do aviso?


Blog da Susy:  http://montessales.blogspot.com/


Leitura mega recomendada!

Merry Meet!!

Roxane Norris

 

Projeto Editorial: Editora Literata





Projeto Editorial
por Roxane Norris



Susy Ramone
autora 




Susy Ramone é uma autora extremamente simpática e fofa, que eu tive a oportunidade de conhecer e trazer para vocês nesse último dia de Projeto da Editora Literata. Quem quiser conhecer essa autora e nosso diagramador, Rochett Tavares pode estar passando este sábado depois das 14Hrs no Pier 1327, na Vila Dona Mariana.

Agora vamos desvendar os segredos dessa autora...

 
1 – Você é professora de Inglês, cursou Faculdade de Letras, o que trouxe dessa sua bagagem para “O Castelo Montessales”?

S.R: Bem, comecei a aprender inglês aos oito anos de idade. Aos dezesseis, já era monitora em uma escola de idiomas e aos dezoito já lecionava. O curso de letras só veio mais tarde, o que despertou em mim o desejo de escrever em prosa. Durante a adolescência eu costumava fazer poemas. Sempre tive certa facilidade com as palavras, mas até então jamais havia me passado pela cabeça a possibilidade de criar histórias.

Foi durante uma aula de teoria da literatura que comecei a rabiscar um conto. Ele acabou ficando muito longo e se tornou um livro; O anjo maldito.

Depois eu comecei a construir histórias curtas. Os contos que fiz, os livros que li e as criticas que recebi me trouxeram uma valiosa bagagem literária. Graças a esta bagagem eu escrevi o Castelo Montessales. Acredito já ter encontrado uma identidade própria ao que se refere ao meu modo de escrita. Porém, minha expectativa futura quanto às composições dos meus textos, é que esta bagagem seja ampliada. Para isso é preciso ler muito e escrever sempre.



2 – Em “O Castelo Montessales” você não aborda somente o tema sobrenatural. Trata de conceitos sociais muito amplamente discutidos nos dias atuais como o abuso sexual. Como foi trabalhá-lo dentro do contexto de seu livro, e como vê essa temática trabalhada no âmbito acadêmico? Há alguma correlação implícita?

S.R: É importante ressaltar que os habitantes do Castelo não têm a menor possibilidade de se reunir em sociedade fora dos arredores. Estando presos, não podem compreender que o incesto é um tabu em quase todas as culturas. Não encaram a endogamia como pecado, mas sofrem por saber que os ataques abusivos não vêm diretamente das pessoas com quem vivem. Os homens são manipulados, têm seus corpos possuídos por Antony, um fantasma cujo objetivo é procriar. Ele precisa dar continuidade à linhagem por um motivo específico. Toma os corpos dos homens e vai plantando filhos nas mulheres, com ou sem o seu consentimento. Eles não se lembram depois, e elas amargam a violência sofrida por não poderem culpar os seus parentes. A maioria das mulheres sabe quem é o verdadeiro agressor e os pobres homens nem sequer sonham terem um dia abusado de suas meninas.

Infelizmente sempre estivemos cercados por uma realidade vergonhosa. Os abusos sexuais são frequentes, mas mais frequentes também se tornaram as denúncias. Obviamente ainda existem vítimas que, por inúmeros motivos, se calam. Tenho percebido, porém, que as crianças e jovens estão cada vez mais instruídos quanto aos seus direitos. Através da mídia em geral, dos pais e professores, eles encontram segurança para denunciar qualquer abuso que venham a sofrer, seja ele de caráter físico ou moral.

Trabalhar esta temática no livro foi por vezes doloroso, principalmente por saber que em algum lugar, alguém pode estar passando por problema semelhante. Mas eu diria que não existem correlações com a vida real, uma vez que os monstros que habitam a humanidade sabem muito bem o que estão fazendo, ao contrário dos personagens, que são marionetes nas mãos de uma força oculta.



3 – Bruxas, fantasmas, elementos mágicos. Isso por si só já apimenta uma trama, mas você descreve cenas eróticas no livro. Algum cuidado especial lhe passou pela cabeça na hora de compô-las? Até que ponto o horror se mistura ao prazer na trama?

S.R: Cuidados foram tomados, sem dúvida. Apesar de escrever para adultos, eu sei que muitos de meus leitores são adolescentes. Muitas das cenas eróticas que descrevi, estão subentendidas. Acredito não ser necessário o uso de palavras de baixo calão para narrar uma cena de sexo. O objetivo principal é oferecer ao leitor, além de uma história, a possibilidade de imaginar. Às vezes o indizível é bem mais atraente do que o explícito. Contudo, devo admitir que há, sim, algumas passagens mais picantes, mas nada que o meu filho de quinze anos não saiba ou não possa ler.

Quanto à mistura de horror e prazer, cada personagem tem o seu próprio ponto de vista ao que se refere aos abusos. Uma sobrinha apaixonada pelo tio, por exemplo, não encara o assédio de forma dolorosa. O horror maior e mais cruel é aquele que vem contra a vontade, com violência, tirando a dignidade das mulheres, cuja única alternativa é se calar. Mesmo compartilhando a mesma dor, elas receiam ser humilhadas pelas outras e acabam guardando, durante anos, o peso dos seus segredos.



4 – Fala um pouco do processo de criação dos personagens de “O Castelo Montessales”.

S.R: A primeira personagem que criei foi Manoela Montessales. Uma mulher portuguesa que nasceu em 1540 e levava uma vida tranquila até conhecer o espírito de Antony. Ele transmitiu a ela os seus conhecimentos e antes que Manoela percebesse, já estava envolvida em enrascadas e fugindo dos inquisidores.

Na época, eu estava lendo A Hora das Bruxas de Anne Rice. Inspirada na família Mayfair eu passei a traçar o perfil das personagens da família Montessales. A árvore genealógica abrange o período da Inquisição Portuguesa que se estende até 1821.

Com esta turma eu fiz alguns contos. A semelhança com os Mayfair, porém, jamais passou da construção das personagens. Os enredos dos contos sempre foram bem distintos, de modo que o leitor não pudesse relacionar as duas famílias, caso eu não revelasse.

Então, um dia, o que era para ser um texto curto se transformou no livro. Tracei outra árvore genealógica da linhagem nos dias atuais, e são essas pessoinhas que o leitor encontrará nas páginas do Castelo. Elas descobrirão que a herança deixada pelos seus antepassados vai além de um fantasma. Compreende uma promessa feita na Idade Média. Promessa que os levará a desvendar os mistérios que os cercam e os motivará a romper o ciclo de desgraças que Manoela os colocou.






 

5 – Como foi a sua busca por uma editora que investisse no seu livro tanto quanto você?  

S.R: A primeira publicação de um autor é sempre a mais difícil. Tendo passado anteriormente por uma editora, eu já sabia exatamente o que eu queria e o que eu não queria para o meu segundo livro.

Fiz uma pesquisa, colhi informações com outros escritores e analisei as melhores opções. Só então enviei os originais para a editora Literata, que para a minha surpresa respondeu rapidamente. Entretanto, a resposta que recebi não foi bem a que eu esperava. O editor me explicou que as edições daquele ano e do próximo já haviam sido fechadas. Perguntou se eu podia esperar e eu, mesmo desanimada, disse que sim, que esperaria.

Voltei a me dedicar aos contos do blog e aos textos para as antologias. Na semana seguinte, Eduardo Bonito, o editor, me escreveu dizendo que havia lido o Castelo e gostado bastante. Por este motivo, o publicaria já no inicio de 2012. Fiquei muito feliz. Escolher a sua editora e ser recebido por ela, é realmente muito gratificante.




6 – Vou abrir esse espaço para você falar mais um pouco do seu livro e deixar um recado para o autor que está começando agora. Pode ser até mesmo uma dica que ache essencial. 

S.R: Quanto ao Castelo Montessales, há muito o que falar. Por este motivo, convido a todos para conhecer este universo em  www.montessales.blogspot.com.br. No blog eu conto como surgiu a ideia, falo das personagens, dos envolvidos no projeto e disponibilizo os contos avulsos da saga das bruxas; aqueles que precederam o livro. Lá também tem o prefácio de Alfer Medeiros e a sinopse de Georgette Silen, além de outras curiosidades.

Para o autor que está começando, eu digo que a perseverança jamais pode faltar. Se o que você faz é realmente bom, (e não porque a sua mãe falou, mas porque você já recebeu críticas sérias) então vale a pena persistir. E mesmo que não esteja bom ainda, mas você sabe que é verdadeiramente isso o que quer, vale a pena persistir também. Lembrando que para escrever é preciso ler. Com o tempo, os olhos vão percebendo as falhas nos textos antigos. E isso é muito bom. Significa que a bagagem ampliou e que você evoluiu. Escreva sempre, tenha disciplina. Participe das antologias de contos e jamais desanime com os “nãos” que vão surgir. É assim com todo mundo. O que não parece bom hoje, pode beirar à perfeição amanhã. Nessa eterna busca, eu também vou caminhando. Se eu vou chegar lá algum dia, não sei. Mas ninguém pode me acusar por não ter tentado. Tudo o que é feito com amor e dedicação é sempre recompensado, não tem erro.

Aproveito para agradecer novamente sua atenção e lhe desejar muito sucesso pelo “O Castelo  Montessales”


Obrigada Roxane! Gostei muito de participar. =) 

Nós é que agradecemos sua participação, Susy. E desejamos muitoooo sucesso para ti!

Merry Meet!

Roxane Norris 
 
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