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Eu ♥ Resenhas: Coraline



Título Original: "Coraline".
Autor: Neil Gaiman.
Ano: 2003.
Número de Páginas: 160.
Editora: Rocco.
Edição: 1ª Edição. 
Tradutor: Regina de Barros Carvalho.




 
 
Falar sobre Coraline, para mim, é sempre empolgante porque esse é um daqueles livros que eu realmente amei ler e reler. Como o tema de Janeiro para o desafio 24/12 é infanto-juvenil, aproveitei para reler meus favoritos do gênero.

Coraline - e não Caroline - conta a história de uma menina que acabou de se mudar com os pais para uma curiosa "casa", mas como a casa era grande demais para a sua família, eles moravam apenas em uma parte. Assim, o apartamento térreo ficava para um par de velhas rechochudas que diziam que era atrizes e o apartamento acima a casa de Coraline ficava para um senhor idoso que dizia estar preparando um circo de camundongos. Nenhum deles consegue chamá-la da forma correta, porém são sempre amáveis e encorajam a curiosidade da menina. No dia seguinte a mudança, Coraline inicia a investigação, mas não encontra nada de interessante em sua expedição pelo terreno. No outro dia, ainda desanimada com a mudança e entediada com a calmaria do novo lugar, Coraline decide contar quantas coisas azuis haviam na casa, quantas janelas e quantas portas a fim de explorá-la, já que tinha de esperar a chuva lá fora passar para poder brincar no jardim.

Triste com seus pais que não a compreendiam, Coraline em meio a sua exploração encontra uma porta que não abre numa das salas e pergunta à mãe porque aquela porta estava trancada. A mãe lhe diz que não dava em lugar algum e para provar a filha, abre a porta para a menina ver. De fato, a passagem estava coberta por tijolos. A mãe então deixa a porta destrancada uma vez que ela dá para uma parede de tijolos, Coraline fica um pouco receosa, mas logo acaba deixando pra lá. Desanimada com o fato e a noite já ter chegado, Coraline janta e vai para a cama. Durante à noite, Coraline ouve um barulho e acorda, caminha pela casa para saber o que houve e vai até a sala onde havia a porta com paredes de tijolos, fecha a porta, tem alguns sonhos e adormece. No dia seguinte, Coraline continua a sua exploração e conversa mais com seus vizinhos. Até um diálogo um tanto sinistro, eu diria, com o senhor que mora no apartamento de cima.


— Os ratos não gostam da neblina — disse ele. — Faz com que seus bigodes se curvem.
— Também não gosto muito da neblina — admitiu Coraline. O velho abaixou-se na direção de Coraline, chegou tão perto que as pontas do seu bigode faziam cócegas na orelha dela.
— Os ratos têm uma mensagem para você — sussurrou. Coraline não sabia o que dizer.
— A mensagem é a seguinte: Não passe pela porta. — Fez uma pausa. — Isso faz algum sentido para você?
— Não — respondeu Coraline. O velho encolheu os ombros.
— São esquisitos, os ratos. Entendem as coisas errado. Entenderam seu nome errado, sabe? Insistem em chamá-la Coraline, e não Caroline. De modo algum Caroline. 
 Após outros fatos e páginas que de fato deixam o leitor um pouco preocupado com o que se dará com a menina, a mãe dela vai ao mercado e a menina fica em casa sozinha. É então que o barulho estranho da outra noite torna a soar. Coraline então segue para a sala de visitas, onde fica a porta que tem a passagem coberta por tijolos, e abre a porta. Só que dessa vez os tijolos já não estavam mais lá. Havia agora um longo corredor escuro que cheirava a algo muito velho, mas mesmo assim, ele era muito familiar. Ao chegar do outro lado, Coraline se encontra na mesma sala de visitas. Mas não era exatamente a mesma, havia algo de particular naquele lugar que não parecia ser tão amistoso. É a partir daí que a história começa a se tornar cada vez mais macabra. Coraline conhece então a sua "outra-mãe" e seu "outro-pai".

Enfim, nesse outro-lugar tudo possui uma perfeição mórbida. A outra-mãe faz comidas deliciosas para Coraline e seus outros-pais tem sempre tempo para brincar com ela. Os brinquedos são incríveis, o jardim é maravilhoso, tudo é perfeito. Bem, até quando a outra-mãe decide costurar botões no lugar dos olhos de Coraline e ela nega. Então a perfeita ilusão começa a se mostrar cada vez mais uma cilada extremamente perigosa em que até seus pais de verdade correm perigo.
Percebemos então que a "outra-mãe" faz de tudo para prender Coraline ali, naquele universo alternativo macabro a fim de costurar os botões em seus olhos.

O enredo criado por Neil Gaiman é incrível e os personagens perfeitos. Eu, particularmente, desde que li Coraline e outros romances gráficos do autor me apaixonei pela forma dele contar as histórias. O que eu mais achei incrível foram as referências que há dentro do livro, é preciso ler as entrelinhas para poder acompanhar tudo. É claro que para crianças, o livro possui significados diferentes do que quando é lido por um adulto. Eu, particularmente, achei genial. Para crianças, talvez, o conto assemelha-se ao de João e Maria que encontram uma casa feita de doces onde na verdade mora uma bruxa que deseja comê-los. Para, adultos, pelo menos para mim e uma amiga, a outra-mãe vai além da bruxa diabólica, está mais para um demônio mesmo, enfim... Vocês podem até pensar que eu falei alguns spoilersCoraline é - obviamente - muito mais que isso que escrevi. É maravilhoso acompanhar a personagem através desse outro-universo bastante suspeito. Acompanhar a aventura repleta de ação e mistério que Coraline se envolve.

Há um filme homônimo baseado no livro, mas devo dizer que com toda a certeza o filme - que já é um tanto macabro para ser infantil - suavizou bastante as coisas que aconteceram no livro. Recomendo que leiam primeiro e depois possam ver o filme.

Eu ♥ Resenhas: Se eu Ficar



Título Original: "If I Stay"
Autor (a): Gayle Forman
Ano: 2009.
Número de páginas: 185.
Editora: Rocco
Edição: 1ª edição.
Tradução: Natalie Gerhardt.



 
A história de "Se eu Ficar" começa de uma maneira simples, mostrando um pouco da família de Mia, uma “típica” família americana feliz. Porém, um acidente muda toda a realidade da protagonista e ela se vê entre a vida e a morte. Seu espírito (eu preferi escolher esse termo, não posso definir se é certo ou errado para você que lerá o livro) precisa decidir se ainda quer lutar para viver ou se simplesmente aceita a morte. Parece bem simples, mas Mia se sente cada vez mais perdida e através das lembranças dela podemos conhecer mais um pouco mais de si e de todos que a rodeiam, inclusive de seu namorado Adam (que por ironia do destino ou não faz parte de uma banda de rock). Os flashbacks não são tão cansativos porque eles ajudam o leitor a conhecer mais a história e a entender os motivos que afligem a personagem principal nessa escolha. E nesses flashbacks, ainda, Mia lembra que teve de escolher entre Adam e a Juilliard (Escola de Música e Artes Cênicas, conceituadíssima em todo o mundo).

Um livro que trata de uma temática delicada como “a morte” e fala, de certo modo, do plano espiritual. Achei isso interessante de certa forma, mas um tanto clichê talvez. Porém o que me chamou realmente a minha atenção para esse livro foi a citação da música clássica no contexto. Não é algo tão comum. Além de eu ser apaixonada pela escrita e pela literatura em si, sou apaixonada também pela música, especialmente a música erudita. Enfim, vamos ao que interessa! Confesso que esperava mais da parte musical do livro, isso talvez se deva ao fato que eu senti vontade de lê-lo justamente por causa da música. Há menções de algumas coisas, porém não é nada tão profundo como pensei que seria e eu não achei tão coerente o fato da Mia não gostar de rock só porque prefere música clássica. Há vertentes no rock em que os instrumentos eruditos recebem destaque, como – por exemplo - o metal sinfônico (que eu adoro, mas não vem ao caso). E, inclusive, há uma banda de nome “Apocalyptica” que possui em sua formação três ilustres violoncelistas (como a protagonista deste livro). Acho que, talvez, a autora poderia ter pesquisado melhor e ter se aprofundado nessa área também. Mas ok, deixando isso de lado, seguiremos com a resenha.

O livro traz uma escrita de fácil compreensão e, por vezes, exibe algumas frases de cunho filosófico, nos fazendo refletir tanto sobre a vida como sobre a morte. Achei isso bem interessante já que o livro não é um romance tão maduro. Os parágrafos não são tão longos, tornando a leitura bem leve. A temática é tratada de uma forma delicada, não tão profundamente, mas não menos interessante.

Eu, particularmente, achei o final meio sem sal para tudo que nos foi apresentado antes. Basicamente a sinopse conta resumidamente o que se passa no livro inteiro, mas vale à pena ler para se inteirar dos detalhes. Algumas passagens nos fazem relembrar partes da nossa própria vida e isso que é importante em um livro. Não é exatamente o começo, o meio ou o fim; mas sim os detalhes e como todos eles juntos mostram uma vida, uma pessoa, uma história que pode ou não lembrar aspectos de nós mesmos e nos fazer pensar.

Se eu Ficar” é um livro bom e bonitinho. É um livro que eu recomendaria a aqueles que gostam de um romance leve para passar o tempo e por ter poucas páginas, dá pra lê-lo facilmente em um dia ou dois.

"Se eu ficar" é o terceiro livro de Gayle Forman, também autora do sucesso adolescente "Sisters in sanity". O livro vai virar filme com direção de Catherine Hardwicke (Crepúsculo), com previsão de estreia em 2011.
 
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