O primeiro livro

Que maneira melhor de começar esse blog do que falando do meu primeiro livro? Quero dizer, livro que li consciente de estar me abrindo para o mundo da literatura. Aviso-lhes que não estamos contando aqui os livros infanto-juvenis e os gibis da Turma da Mônica, esses que fizeram não só a minha, mas a infância de muitos. É sempre mágico relembrar o primeiro livro. Talvez seja porque ele foi o primeiro. Justamente aquele que abriu milhões de portas e oportunidades para nós na literatura. Assim como o primeiro beijo (e as outras primeiras coisas), o primeiro livro também é inesquecível. Podemos esquecer o último livro que lemos (embora – particularmente – eu acho um pecado esquecer a história de um livro), mas nunca, nunca o primeiro – mesmo que a lembrança tenha sido desastrosa o suficiente para querer esquecê-la. Porém, acho eu que a primeira experiência séria na área literária não pode ser decepcionante porque aprendemos a selecionar o que queremos ler. Assim, não somos forçados a ler algo que não queremos e passamos a gostar mais do verbo “ler” próximo do substantivo “livros”.

E vocês? Quais foram os primeiros livros?

O meu primeiro livro, por assim dizer, foi “Se Houver Amanhã” de Sidney Sheldon. Minha mãe é uma grande fã do autor e sempre me recomendou a leitura deste exemplar, mas eu sempre adiava. Para falar a verdade, antes eu não tinha paciência para a leitura, para começar, eu nem queria aprender a ler porque sabia que quando aprendesse ninguém mais leria as histórias pra mim. Mas como veem agora, eu rendi-me a leitura e posso até dizer que virei uma escrava “zombie” dela, uma vez que sou viciada em comprar livros. Enfim, voltando ao tópico abordado primeiramente, “Se Houver Amanhã” conquistou-me rapidamente apesar dos primeiros capítulos um tanto quanto monótonos da apresentação da vida da personagem. Entretanto isso é de praxe e nem eram tão monótonos assim, eu apenas estava interessada em ver logo a ação, mas como sabemos a maioria dos livros não decorre assim.  Então, a primeira resenha é do primeiro livro.


Título Original: "If Tomorrow Comes"
Autor: Sidney Sheldon.
Ano: 1985.
Páginas: 402.
Editora: Record.
Edição: 14ª edição.
Tradução: A. B. Pinheiro Lemos.
NOTA




“Se Houver Amanhã” conta a história de Tracy Whitney que trabalha em um banco na Filadélfia e é noiva de um homem rico, bonito e filho de uma família tradicional americana. Tudo não poderia estar mais perfeito. Porém, após um acontecimento trágico em sua família e uma tentativa de fazer justiça, Tracy acaba caindo em uma armadilha e é condenada a quinze anos de prisão numa penitenciária de segurança máxima. Ela, porém, não se deixa abater e planeja sua vingança contra um daqueles que a prejudicou, inclusive Charles – o ex-noivo – que a abandonou no momento em que ela mais precisou dele. Sem muitos recursos no início, as únicas armas que Tracy possui são sua beleza e sua engenhosidade.
Quando sai da prisão, tenta voltar para seu antigo emprego, mas não consegue sob a alegação de que é contra política do banco, aceitar uma ex-condenada. Aos poucos, Tracy começa a se dar conta da sua nova situação e percebe que conseguir um bom emprego novamente será praticamente impossível. Sem esquecermos o plano de vingança, Tracy vai eliminando de forma engenhosa e brilhante cada um daqueles que a prejudicou, menos Charles – seu ex-noivo – pois vê que a própria vida se encarregou de vingar-se dele.
Na dificuldade de arrumar um emprego, Tracy lembrou-se que uma companheira da prisão disse-lhe para que procurasse Gunther, um avaliador de jóias e de seguro, no caso de não conseguir um emprego. Quando o procura, descobre que ele é, na verdade, um receptor de jóias roubadas e que roubava os próprios clientes.  A jovem, a princípio, recusa a oferta, mas depois de batalhar e fracassar em alguns empregos acaba cedendo e aceitando a proposta, passando assim a "trabalhar" para ele. Dessa forma, Tracy Whitney enriquece e torna-se uma perita em roubos. E, seguindo nesse ramo, acaba deparando-se com o irresistível Jeff Stevens, outro ladrão e golpista de passado tão peculiar quanto o dela. Como Tracy sabe vários idiomas e usa vários disfarces, aplica vários golpes – geniais, diga-se de passagem – na Europa também, a Interpol se envolve e acha que há uma quadrilha formada por várias mulheres e começa a investigar com a ajuda de Daniel Cooper, um investigador de seguros americano que apesar de ser um gênio, tem um comportamento estranho e desagradável fazendo com que todos o detestem. Cooper segue-a em sua pista numa obsessão extrema que às vezes parece louco.

É com esse clima de tensão e aventura que a história de “Se Houver Amanhã” vai se desenrolando, deixando nossos olhos fixados no livro até não aguentarem mais e se fecharem com exaustão para depois, no dia seguinte, retornarem de onde pararam. Com golpes e roubos precisamente calculados e executados, o leitor fica extasiado com as aventuras de Tracy e, eventualmente, Jeff Stevens.  Esse livro, hoje, é o meu xodó e é um dos poucos que sinto vontade de reler. Além de nos emocionar a cada página, é o tipo de livro que nos faz pensar um pouco sobre a sociedade em que vivemos. Principalmente a dificuldade que alguém com passagem pela polícia têm em encontrar algum emprego, indiferente de ser inocente ou culpado, tendo que voltar ao mundo do crime se quiser continuar vivendo. Apesar de Tracy fazer isso de uma maneira encantadora e graciosa, ainda é uma realidade triste o preconceito existente com ex-presidiários.  A sua escrita não é tão rebuscada para que uma criança não possa lê-lo, mas para compreender melhor a história e a leitura fluir mais facilmente, é necessário algum grau de maturidade. Não há como estabelecer uma idade apropriada para isso, já que o nível de maturidade varia de pessoa para pessoa. Mas acredito que pré-adolescentes já poderiam ler o livro sem problemas porque foi a época em que o devorei. Contudo, ainda assim, recomendo o livro para todos os apreciadores de uma boa história independente da idade que tenham.

4 comentários:

Roxane disse...

Ju, além de vir te dar a maior força no novo blog, eu queria muito dizer que acho os trabalhos como esse seu muito interessantes, e nunca suficientes... porque há tantos livros no mundo e tantos pontos de vista, que nunca é demais ter alguém nos indique um boa leitura e em quem a gente confie.
Nesse seu primeiro post, esses dois fatores vieram bem casadinhos. Se Houver Amanhã é uma ótima leitura, envolve muito mais que ação do que a primeira vista a gente pensa. Enfim, é uma excelente indicação do blog.
Continue assim, flor!
Eu vou vir sempre colher informações sobre boas leituras aqui!
Parabéns por demais!
Beijos

Camile disse...

Achei super interessante esse blog, gosto muito de livros e sugestões ficam bem legais. Ju esper oque tenha muito sucesso com esse blog porque você merece e o blog está maravilhoso. beeijos Camile (:

pedro disse...

Ju, amei seu blog, ainda me lembro EXATAMENTE IGUAL, do primero livro que eu li, "As Florestas do Silêncio" da Emily Rodda, fiz a minha mamis comprasó pq eu queria joga um joguinho, e tinha que le o livro pra descobri a resposta, ai depois foi só alegria (R) demorei mais de 5 anos pra completa a coleção toda, e fico feliz que eles estão la, guardadinhos <3

ab-jaded disse...

VOCÊ TAMBÉM ADORA ESSE LIVRO? AH JUH, que meigo, eu tenho ele. É um xodó mesmo! Adoro ele, demais mesmo, assim como o Sidney.

Não foi o primeiro que eu li (o meu foi Aleluia, a Cigana, de Gilda de Abreu, um livro velho, caindo aos pedaços, ainda digitado em maquina de datilografia!), mas é um ds que eu mais amo.

Depois quero ver você resenhar Jane Austen e Oscar Wilde, os idolos da minha adolescencia =D

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