Eu ♥ Resenhas: 100 Escovadas Antes de ir Para a Cama



Título Original: "100 colpi di spazzola prima di andare a dormire"
Autor: Melissa Panarello.
Ano: 2004.
Número de Páginas: 157.
Editora: Objetiva.
Edição: 1ª Edição.




Li esse livro faz algum tempo, mas esse é aquele tipo de livro que não passa em branco. Querendo vocês ou não, "Cem Escovadas Antes de ir Para a Cama" é um livro polêmico porque narra a iniciação sexual de uma menina de apenas 15 anos e, digamos assim, a vida sexual dela é um pouco assustadora - especialmente - para a sua idade. Afinal,

O livro vendeu
mais de quinhentos mil exemplares na Itália, e teve seus direitos de tradução negociados em 24 países. Depois me repreendem quando eu digo que tudo relacionado ao erotismo vende bem.

Pode-se dizer que a história inicia quando Melissa tem sua primeira vez. E é nesse momento que ela constata (ou tem a ilusão de constatar) que os homens não estão interessados na essência de uma mulher, nem são capazes de amar prescindindo da carne. Dessa forma, Melissa passa a se entregar à todos que a desejam, esperando que um dia algum deles possa olhar em seus olhos e descobrir que a ama.
Assim, tem o início de um período de dois anos em que a jovem experimenta as mais variadas práticas sexuais, incluindo as menos convencionais, como sexo grupal com desconhecidos e sadomasoquismo. Pode-se dizer que Melissa experiementou praticamente tudo possível. As aventuras sexuais da personagem (aventuras quais a autora diz ter vivenciado, mudando apenas os nomes e algumas datas) são intercaladas com divagações e situações do cotidiano da adolescente. A todo o momento temos a sensação de estar  realmente lendo um diário - um tanto quanto depravado - de uma jovem e inocente menina. Gostando ou não, Melissa é muito inocente, porque só com tamanha inocência - aqui como um eufemismo para burrice, com todo o respeito - é possível crer que através do sexo casual se obterá um amor verdadeiro e puro. Melissa poderia ter evitado todo essa sequência dramática de abusos e humilhações, mas ela sempre permitiu porque achava que dessa forma encontraria alguém que a amaria completamente, até a essência. Particularmente, isso ainda não me desce a garganta.
Porém o livro não é de todo o mal, há partes com algumas reflexões interessantes por parte da jovem. Melissa passa por uma crise na adolescência - digamos assim - bem comum. Aquela em que na época achamos que ninguém nos entende ou entenderá e por isso sofremos. Creio eu que seja bem comum porque grande parte das pessoas com quem conversei a respeito passaram por isso, até eu mesma passei, ah... "aborrecentes", oops. Enfim, cada um - quando passa por isso - consegue arrancar algumas reflexões interessantes e chegam algumas conclusões que dificilmente chegariam caso não estivessem passando por tal "crise". A de Melissa já foi dita aqui algumas linhas acima e como eu mesma já disse, não achei tão inteligente assim. Pareceu-me que a sede de amor que Melissa sentia, na verdade, era a falta de um amor primordial: o amor próprio.

Eu esperei o movimento seguinte, estava excitada, mas assustada também. Perguntava o que sentiria se quem estivesse me violentando fosse um desconhecido de verdade, e não o meu doce professor. Depois apaguei esse pensamento, lembrando de algumas noites atrás e de todas as violências contra a alma a que fui submetida tantas vezes... queria mais violência, violência até não poder mais. Me acostumei, talvez não consiga mais passar sem isso; seria estranho se um dia a doçura e a ternura batessem na minha porta e me pedissem para entrar. A violência me mata, me estraga, me suja e se nutre de mim, mas com e por ela sobrevivo, dela me alimento.
Esse trecho retirado do livro expõe bem como a mente de Melissa "trabalha". Eu poderia dizer até que é um livro perturbador caso o leitor tenha uma mente mais convencional. Então eu só recomendaria a leitura desse livro caso a pessoa consiga ler sem prejulgar as ações de Melissa (o que é bem difícil porque ela age com tanta estupidez que irrita), pelo menos até chegar ao final do livro. Final esse que lembra os contos de fadas, mas não vou dizer exatamente como se dá pra não perder a pouca graça que ele já tem. Só posso dizer que achei um tanto forçado, apesar de eu já ter econtrado um rapaz com as mesmas descrições utilizadas pela a autora.

Ah, uma coisa que achei bem interessante é que no decorrer da obra, Melissa encontra um homem que a chama de "Lolita", para os que não conseguiram somar A+B, Lolita é um livro de grande repercussão, além de ser polêmico já que trata do relacionamento de um homem com uma menina de 12 anos. O livro foi escrito pelo russo Vladimir Nabokov. É um livro sensacional e a escrita de Nabokov é sublime, mas enfim depois faço uma postagem à essa fantástiva obra.
O que me fez ter vontade de ler este livro foi a grande quantidade de críticas negativas, então eu decidi que precisava testemunhar se essa obra era de fato tão ruim apesar do estrondoso sucesso pelo mundo. Quando terminei, não achei a obra tão ruim como achei que poderia ser, afinal o livro me proporcionou risadas incríveis (há certas passagens que é inevitável não rir) e eu já não esperava grande coisa como podem ter percebido.
Em suma, "Cem Escovadas Antes de ir Para a Cama" não é um livro sensacional, mas possui partes aproveitáveis no decorrer da leitura. Lembro que gostei da história que a mãe de Melissa

O livro também inspirou um filme homônimo (que eu acabei de fazer o download).


No mais, boa leitura ou bom filme, caso opte pela obra cinematográfica.

2 comentários:

Andressa Leite disse...

Eu não achei o livro ruim também, e quando alguém me perguntava sobre o que eu estava lendo e lia o resumo logo torcia o nariz, eu também meio que assisti o filme e se eu me recordo a mãe dela teve maior participação e inclusive ela leu o diário dela. Gostei da forma como a autora tratou o sexo explicito, o que leva sempre ao mesmo assunto:as pessoas ainda não sabem diferenciar pornografia de erotismo. Ah e parabéns pela resenha :)

Julliana disse...

Oi, Andressa! Eu vi o filme no mesmo dia em que baixei, de fato a mãe tem mais participação no filme que no livro, porém, acho eu que o livro explicou um pouco mais tudo que se passou que o filme, certo que isso já era esperado. Mas senti que a versão cinematográfica deixou um pouco a desejar, arrisco dizer que o filme ficou bem mais leve que o livro, aliás, ficou mesmo, enfim... um prazer ter você por aqui! Obrigada :D

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