Vampiros - A Origem I

Filhos da noite, chupadores de sangue, prole do diabo, enfim, vampiros. Não é de hoje que nossos queridos ‘sanguessugas’ fazem sucesso. Para falar a verdade, os vampiros são mencionados há milhares de anos em diversas culturas, o que leva os historiadores a acreditar que cada região criou um mito para si ao invés da lenda ter sido passada de povo para povo.
[Do húng. vampir, pelo al. Vampir e pelo fr. vampire.]
S. m.
 1.     Entidade lendária que, segundo superstição popular, sai das sepulturas, à noite, para sugar o sangue dos vivos; estrige. [Fem.: vampiresa.]  
 2.     Fig.  Aquele que enriquece à custa alheia e/ou por meios ilícitos.
 3.     Fig.  Aquele que explora os pobres em benefício próprio.
É difícil afirmar com certeza de onde surgiu a figura mítica de um ser que anda à noite e se alimenta de sangue, afinal, cada cultura tem o seu vampiro e cada uma atribui uma origem diferente para o seu. A lenda do vampiro data das primeiras civilizações, como os Assírios, os Babilônicos, e outros povos do Oriente antigo. O vampiro original não era o suave e sofisticado aristocrata europeu que conhecemos hoje. O vampiro, em sua origem, era um monstro. 

- Vampiros no âmbito religioso:
 
Há aqueles que atribuem a Lilith o título de primeira vampira (outros já acham que ela foi a primeira Súcubo). Lilith, para aqueles que não sabem é tida como a primeira mulher de Adão que fugiu do Éden por não aceitar obedecê-lo e considerar-se igual a ele, querendo assim direitos iguais. Quando sai do Éden, Lilith encontra os demônios e copula com eles. Naturalmente, após isso, ela foi considerada demoníaca e dizem que à noite ela atacava os filhos de Adão e Eva, seus descendentes humanos (nós), tomando seu sangue e tirando-lhes a vida.

O "livro de Nod" explica que a origem dos vampiros está diretamente ligada ao mito judaico-cristão de Caim e Abel. Diz-se que Caim, após a morte de Abel, foi amaldiçoado por Deus. A maldição não veio diretamente de Deus (pelo menos não ela toda) mas sim dos anjos que vieram a Caim exigir que ele pedisse perdão a Deus. Orgulhoso, e certo de suas convicções, Caim preferiu sofrer as punições conferidas pelos anjos à prostar-se perante Ele. O resultado disso foram as maldições que toda vampiro carrega: horror ao fogo, à luz, vida eterna e a solidão que vem com ela. Diferente do que podia se esperar, Caim sobreviveu a tudo isso, graças em parte à Lilith, conhecida como a "primeira mulher" (expulsa do paraíso por não se subjugar aos desígnios de Deus). Ela lhe ensinou aquilo que ficou conhecido como Disciplinas Vampíricas e lhe deu conforto e amor (discute-se ainda se Lilith na verdade não apenas apresentou Caim aos seus verdadeiros dons mágicos, ou seja, às esferas de magia). Após isso, Caim se rebelou contra Lilith, por não querer mais obedecê-la, e foi viver sozinho. Conta-se que nesse meio tempo ele teria conhecido outros seres mágicos, tais como Licantropos, Fadas, Demônios, etc, até encontrar seu primeiro amor, Zillah. Nesta época ele encontrou também Crone, pessoa que o colocou sob um Laço de Sangue e ensinou-lhe o Abraço. Caim permaneceu sobre tal Laço por um ano e um dia, até atravessar Crone com uma estaca de madeira (ela foi deixada na esperança de que o Sol a dizimasse). Só então aconteceu a criação da cidade de Enoque, lugar onde foram também criados por Caim Irad e Enoque. Deles surgiram os Antediluvianos (13 no total) que numa paródia às famílias mortais criaram os Clãs. E assim a cidade permaneceu, até que os vampiros de terceira geração se revoltassem e começassem à caçar os vampiros de segunda geração, matando-os um a um. Nesta mesma época conta-se que Caim se retira definitivamente da sociedade humana-vampírica a espera do fim dos tempos, conhecido como Gehenna.

 - Vampiros no Oriente e Extremo Oriente
 
Os escritos da antiga Mesopotâmia (as terras entre os vales dos rios Tigre e Eufrates, hoje Iraque) foram descobertos e traduzidos durante o século XIX. Indicavam o desenvolvimento de uma mitologia elaborada e um universo habitado por um legião de divindades de maior ou menor expressão. Desse vasto panteão dedicado aos deuses, o equivalente mais próximo do vampiro na antiga Mesopotâmia foram os sete espíritos malignos descritos num poema citado por R. Campbell Thompson, que começa com a linha, "Sete eles são! Sete eles são!". Só eu lembrei de "Os Sete" do André Vianco? 
Espíritos que diminuem o céu e a terra,
Que diminuem a terra
Espíritos que diminuem a terra,
Com força gigantesca,
Com força gigantesca e gigantesco pisar
Demônios (como touros bravos, grandes fantasmas),
Fantasmas que invadem todas as casas,
Demônios que não têm vergonha,
Sete eles são!
Sem nenhum cuidado, pulverizam a terra como milho;
Sem perdão, investem contra a humanidade,
Vertem seu sangue como a chuva,
Devorando sua carne (e) sugando suas veias.
São demônios repletos de violência, devorando sangue sem cessar.
Montague Summers sugeriu que os vampiros tivessem um lugar proeminente na mitologia da Mesopotâmia, além das crenças nos sete espíritos. Mencionou, em particular, o ekimmu, o espírito de uma pessoa não-sepultada. Baseou seu caso no exame da literatura concernente ao Netherworld (Mundo Inferior), a casa dos mortos.

Baital
Relatos vampirescos aparecem também na antiga China, onde existiam monstros chamados kiang shinepalês é mostrado segurando uma taça em formato de crânio, cheia de sangue. Algumas dessas pinturas nas paredes são de 3000 a.c. Rakshasas são descritos pelas antigas e sagradas escrituras indianas como "Vedas". Essas escrituras (cerca de 1500 a.c) desenham os rakshasas (ou destruidores) como vampiros. Também existia na Índia antiga um monstro chamado Baital, que, como um morcego, era desprovido de sangue próprio. Outro povo antigo da Ásia, os Malaios, acreditavam num tipo de vampiro chamado "Penanggalen". Essa criatura consistia numa cabeça humana com tripas intestinais que deixavam o corpo e procuravam por sangue alheio, especialmente de bebês. A criatura vivia por beber o sangue das vítimas. 
"Múmia" de um Kappa
 No Japão temos o Kappa, uma criatura mitológica que vive nos rios, mares, lagos, etc. Inicialmente descritos, amplamente, no século 18. Dizia-se que pareciam uma criança humanóide nada atraente, com pele amarelo-esverdeada, dedos dos pés e das mãos em forma de teia e um tanto parecidos com um macaco, com nariz comprido e olhos arredondados. Tinham uma concha, parecida com a armadura de uma tartaruga, e exalavam um cheiro de peixe. A cabeça era côncava, retendo água. Se a água de sua cabeça derramasse, o kappa perderia toda a sua força. Os Kappas atraíam suas vítimas, especialmente animais, para dentro da água e sugavam seu sangue através do ânus. Todavia, sabe-se que eles deixavam a água para roubar melões e pepinos, estuprar mulheres e atacar as pessoas em busca de seus fígados. 

Além do kappa, os japoneses tinham outra lenda interessante: "O Gato Vampiro de Nabeshima". A lenda relatava a história do Príncipe Nabeshima e sua linda concubina, Otoyo. Certa noite, um grande gato vampiro invadiu o quarto de Otoyo e a matou de maneira tradicional. Livrou-se de seu corpo e assumiu sua forma. Como Otoyo, o gato começou a minar a vida do príncipe todas as noites, enquanto os guardas adormeciam estranhamente. Finalmente, um jovem guarda ficou acordado e viu o vampiro na forma da linda jovem. Enquanto o rapaz montava guarda, a moça não pôde aproximar-se do príncipe, o qual se recuperou lentamente. Finalmente, deduziu-se que a moça era um espírito maligno que tinha o príncipe como alvo. O jovem, com vários guardas, entrou no apartamento da moça. Todavia, o vampiro escapou e se transferiu para uma região montanhosa. De lá, foram logo recebidos relatos de suas operações. O príncipe organizou uma grande caçada e o vampiro finalmente foi morto. 

Fontes: Vampiros no Mundo, Manto da Noite, Not the Neck, Alcatéia Site e ebook "Ensaio em Vermelho".
 ~*~
 Já faz um tempo que eu quero criar uma série de postagens a respeito de seres sobrenaturais, decidi começar com os vampiros porque atualmente é um dos mitos que está em maior destaque não só no cinema, mas também na literatura, embora os anjos estejam começando a ganhar terreno. Pretendo fazer uma postagem semanal, se tudo sair como planejo e vocês gostarem da proposta, teremos ao todo cinco postagens a respeito dos vampiros. Tratando se falar também das origens dos vampiros na África, América, Europa e na antiga URSS, além de falar de que forma a lenda foi representada nas telinhas da televisão até os telões do cinema, sem esquecer - é claro - de falar da evolução da figura na literatura mundial. Espero que apreciem.

7 comentários:

ThatiReinoso disse...

Amei Juh!
Continua escrevendo sobre isso sim, até porque a origem dos vampiros esta se perdendo com o tempo graças a essa moda.
Bjus ♥

Angélica Roz disse...

Que post maravilhosooo!!
Não fazia ideia da origem dos vampiros... Sempre pensei que eles tivessem saído da cabeça do Bram Stoker. :)
Bjsss!

Ana Coscia disse...

vampiros seduzem
Lilith e sabia ser a primeira demônio que surgiu após a queda de Lucifer, mas a história sobre o Conde Dracul, o Vlad III é minha preferida!
muito bom o blog viu!

Julliana disse...

@ThatiReinoso A idéia de escrever a respeito em parte é culpa tua. Desde que vi Lost Boys percebi que precisava escrever sobre isso!

@Angélica Roz Oi, querida, que bom te ver aqui! O Drácula, de certa forma, é o tipo de vampiro que se tornou mais popular. Se eu não me engano, é uma variação do vampiro eslavo. Logo mais falarei sobre ele, além de falar sobre o mito vampiresco na África, América e Europa :D

@Ana Coscia
Oi, que legal ver uma leitora nova! Nos próximos posts falarei não só da história de Vlad, o empalador, mas também da condessa Bathory, minha favorita, rs. Espero que acompanhe a série de postagens! :D

Julliana disse...

Bem legal, né Thati? Hahahhaa É incrível como o mito de uma criatura sugadora de sangue tenha em cada canto do mundo e cada canto com suas particularidades sem deixar de se parecerem.

Julliana disse...

Pois é, eu também pensava até eu me deparar com vampiros diferentes em outras histórias, hahahaha. Aí eu pensei "Peraí, preciso ver melhor esse mito..." Hahahha

Beijos,

Jú.

KLAUS OLLIVIER disse...

Tenho certo fascínio por histórias vampirescas...Muito bom...Gostei

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