Eu ♥ Adaptações: O Menino do Pijama Listrado

Alô você. Meu nome é Luiz Gustavo, tenho 18 anos, sou estudante de Letras/Literatura na UFG, e estou aqui para começar uma nova coluna no blog chamada Eu ♥ Adaptações, para falar especialmente sobre aquelas obras maravilhosas que saíram das páginas dos livros para atingir as grandes telas do cinema.

Antes de começar, quero avisar para os possíveis futuros leitores dessa coluna que eu não sou nenhum especialista em cinema. Não vou fazer críticas e desmembrar os filmes aqui, apenas apresentá-los e tentar fazer com que você, leitor, se interesse pela obra. Quem nunca quis ler um livro depois de assistir sua adaptação cinematográfica que atire a primeira pedra. Eu também pretendo tentar evitar spoilers o máximo possível, para não estragar a alegria das pessoas que não leram o livro ainda e estão loucas para ler mas não tem dinheiro para comprá-lo ou ainda não viram o filme porque não confiam em locadoras (ensira qualquer teoria da conspiração aqui) ou porque a internet é muito ruim para conseguir fazer o download do filme. Er..

Também quero dizer que eu fiz parte da equipe blog em seu começo... Em 2010 (caraca, já faz dois anos?) e escrevi apenas três resenhas aqui e, por algum motivo que eu não me recordo no momento (provavelmente o vestibular - e agora que eu já passei por isso, um beijo pra greve), saí da equipe. Mas eu voltei para a alegria... Não.

Pois então, vou começar essa coluna falando sobre a adaptação da obra O Menino do Pijama Listrado de John Boyne. Essa foi a primeira resenha que escrevi para o blog, e se você ainda não a leu (sinta uma pitada de rancor no meu tom), leia-a aqui. Eu particularmente acho essa uma adaptação muito bem feita, e em alguns pontos acho que o filme chega a ser até mesmo melhor que o livro. Mas para você que não conhece a obra, nunca ouviu falar do filme e não sabe sobre o que diabos eu estou falando, abaixo está o pôster e a sinopse do filme:

Alemanha, Segunda Guerra Mundial. O menino Bruno (Asa Butterfield), de 8 anos, é filho de um oficial nazista (David Tewlis) que assume um cargo importante em um campo de concentração. Sem saber realmente o que seu pai faz, ele deixa Berlim e se muda com ele e a mãe (Vera Farmiga) para uma área isolada, onde não há muito o que fazer para uma criança com a idade dele. Os problemas começam quando ele decide explorar o local e acaba conhecendo Shmuel (Jack Scanlon), um garoto de idade parecida, que vive usando um pijama listrado e está sempre do outro lado de uma cerca eletrificada. A amizade cresce entre os dois e Bruno passa, cada vez mais, a visitá-lo, tornando essa relação mais perigosa do que eles imaginam.


A adaptação para o cinema do livro "The Boy in the Striped Pyjamas" foi rodada pela Heyday/Miramar, em Budapeste, entre Abril e Julho de 2007 e foi lançado em Setembro de 2008. O filme é dirigido por Mark Herman e produzido por David Heyman.

Como muitas críticas dizem, O Menino do Pijama Listrado aborda a temática do nazismo de uma maneira muito peculiar - eu digo que foi um golpe de mestre do escritor John Boyne -, pois retrata a temática já tão exaustivamente mostrada nas telas do cinema através dos olhos e da ingenuidade de uma criança. Bruno (Asa Butterfield) é um menino extremamente inocente e não consegue entender o que está acontecendo ao seu redor. É incrível como o filme conseguiu mostrar isso, pois como eu havia comentado na resenha, no livro o leitor acompanha a trajetória de um menino de nove anos que nada sabe sobre o mundo, e no filme não é muito diferente. Apesar dos personagens adultos estarem sempre presentes, a trama acompanha o modo como Bruno enxerga os acontecimentos ao seu redor, e o modo como os adultos agem geralmente não o afetam porque o menino não entende realmente o que está acontecendo entre eles.

Após se mudar de Berlim, o garoto fica isolado em sua casa entediado como qualquer criança de nove anos ficaria. O menino começa a explorar as redondezas e logo encontra uma fazenda perto de sua casa onde todas as pessoas parecem usar pijamas listrados, e não demora muito até que ele encontra Schmul (Jack Scanlon) do outro lado de uma cerca. A cena em que os garotos se encontram pela primeira vez é interessante porque os dois são completamente opostos apenas por causa de suas origens. Schmul seria Bruno se não fosse judeu, e vice-versa. Até mesmo a idade dos rapazes é a mesma. Mas nenhum dos dois parece intimidado com o outro, e começam assim uma amizade bastante peculiar.



A cerca que os separa não impede que os dois meninos criem laços de amizades fortes entre si, mesmo que na maioria das vezes eles apenas conversem. Mas é claro que, entre os encontros dos dois garotos, muita coisa acontece ao redor de Bruno.

Ralf (David Thewlis) e Elsa (Vera Farmiga), os pais de Bruno, começam a se desentender porque a mãe do menino começa a perceber o que realmente está acontecendo na "fazenda" perto da casa, e passa a enxergar o lado humano dos judeus, especialmente por causa do seu contato com Pavel (David Hayman), o "servo" da família; e após um acontecimento marcante, a personagem de Farmiga começa a se mostrar muito incomodada com a situação na qual se encontra incluída, sem poder falar nada sobre o que ela sabe que acontece perto da sua casa.

Gretel (Amber Beattie), a irmã de Bruno, tem aulas com Herr Liszt (Jim Norton), um professor nazista e começa a se transformar em uma adepta fervorosa do movimento ao mesmo tempo em que tenta iniciar um relacionamento com Lieutenant Kurt Kotler (Rupert Friend), um dos subordinados de seu pai. Além desses personagens, há também os avós (Sheila Hancock e Richard Johnson) do garoto, que se mostram contrários a mudança de Berlim para o "interior"; a avó, particularmente, contra o trabalho que Ralf está desempenhando como um "marionete" do Reich; e há também a empregada Maria (Cara Horgan), que acompanha a família de Bruno.

Como a trama acompanha Bruno, os atores que fazem os papéis dos adultos na verdade funcionam como um suporte para os protagonistas jovens (que realizam um bom trabalho mas, ao meu gosto, são um pouco "sem sal" - o que não é necessariamente ruim por causa da ingenuidade e inocência de seus personagens). E eu devo dizer que a atuação dos pais de Bruno, principalmente de Vera Farmiga é assombrosa e digna dos meus aplausos (mas como eu disse antes, não sou nenhum especialista).



A trilha sonora do filme é muito bem trabalhada, especialmente nos momentos de tensão e suspense, onde o piano preenche a cena com aquele sentimento agridoce que eu não consigo descrever com palavras. O desfecho da obra é espetacular e eu creio que irá chocar muitos. Como eu acho que não consigo falar muito mais sem acabar revelando algumas partes da trama (spoilers indesejáveis), vou encerrar por aqui. Mas quero frisar mais uma vez que eu considero este filme como sendo uma boa adaptação - para não dizer excelente - porque ele tem os seus defeitos, mas eu vou deixar que vocês o encontrem e tirem suas próprias conclusões.

Se nada do que eu disse lhe convenceu de que esta é uma boa adaptação cinematográfica, abaixo eu deixo o trailer do filme legendado e os links de algumas críticas que eu, particularmente, gostei (ATENÇÃO: algumas dessas críticas podem conter spoilers sobre o enredo da obra). E por hoje é isso. Boa sessão para vocês!

● Cinema em Cena, Pablo Villaça
● Cineplayers, Geo Euzebio
● CinePOP, Edu Fernandes
● Cineclick, Angélica Bito



8 comentários:

Anônimo disse...

Não sou nenhum especialista em livros, nem em filmes, mas sua analise me deu uma grande vontade de ler e assistir esse título. E o melhor de tudo, ser contar o enredo. Obrigado

Julliana disse...

Ai, Luiz! Retorno brilhante o seu! Ainda não li o livro, estou esperando uma promoção do submarino, mas ainda não rolou. Quem sabe agora que eu estou trabalhando eu não compre? Ainda tenho que procurar o filme pra ver, vou falar com meu namorado pra ver se ele arruma um DVD pra gente ver juntos.

Parabéns pela coluna! Love it. <3

Beijão,

Julliana.

Daniele disse...

O livro e o filme são ótimos!! Sempre fui fã de enredos que se passam durante a Segunda Guerra, mas, de fato essa história é peculiar. Sob o olhar da inocência, dificilmente não ficamos comovidos, tanto com o livro como com o filme. Sim, diferente da maioria, esta é uma ótima adaptação cinematográfica!

Recomendo :D

ps. Luiz, ótimo post!!

Anônimo disse...

Eu amo este livro e outro do John Boyne "o garoto no convés" eu não o conhecia e adoro o modo como ele escreve, me cativa do início ao fim. O Bruno é um amorzinho, eu recomendo lerem e assistirem o filme, que eu ainda preciso ver, porque vocês se lembraram dele ^^
bjksss e seja bem vindo Luiz novamente kk

Luiz Gustavo disse...

Fico feliz que tenha gostado. Vou tentar sempre não revelar o enredo das peças porque não quero ser o estraga-prazeres de ninguém. (Quem nunca aí quis matar alguém porque a pessoa acabou soltando algum spoiler sobre uma obra que você estava louco para ver/assistir que atire a primeira pedra).

Luiz Gustavo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luiz Gustavo disse...

Jubs, crie vergonha na cara e vá ler logo esse livro! É tão fininho e lindo e pequeno e lindo e ingênuo e lindo e.. Acho que você entendeu o espírito da coisa. O filme é espetacular também, mas leia o livro primeiro. (Neura minha).

Daniele, obrigago pelo comentário e pelo entusiasmo, hehe. Essa será uma coluna quinzenal, essa semana eu trago mais uma obra que eu amo... Mas não vou contar nada para não estragar a surpresa :D

Luiz Gustavo disse...

Ainda não li "O Garoto no Convés", mas estou louco querendo esse livro e o outro do Boyne, "Noah Foge de Casa", parecem ser excelentes. E eu concordo, a escrita dele é realmente cativante.. Não consegui largar O Menino do Pijama Listrado antes de terminar. Obrigado pelo comentário e pela recepção :)

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