Eu♥Resenhas: Contos da Confraria

Título Original: "Contos da Confraria".
Autor: Marcus Siani, Andrei Fernandes, Carlos Brito, Nilton Braga, Michel Messer, Elisa Celino, Pedro Woyames, Ricardo Herdy, Romeu  Regis Bittencourt, Filipe Augusto Pereira e Pablo Amaral Rebelo.
Ano: 2012.
Número de Páginas: 220 páginas.
Editora: Bookmakers.
Edição: 1ª Edição.

Bom, pessoal, eu demorei um pouco mais do que deveria para resenhar esse livro, mas é que eu estou enrolada demais com o final do período da faculdade (não levem a mal). Mas cá estou eu, finalmente, pra falar dessa fabulosa antologia. Como disse uma vez e gosto de dizer sempre que pego uma antologia: O melhor de uma coletânea de contos é que podemos provar um pouco de cada autor, um pouco de cada escrita, um pouco de cada sonho.

Fiquei muito honrada quando fui contatada pelo Marcus Siani para que o blog resenhasse o livro. Fiquei muito feliz, de verdade, quando o livro chegou. Postei logo a foto lá na fanpage do blog para que todos vissem também.

O livro possui 12 contos e eu decidi classificar no meu ranking pessoal de histórias os contos que poderiam originar futuros livros maiores e interessantes e que eu adoraria ter em minha estante. Não me entendam mal quando eu colocar alguns contos mais para baixo e outros mais para cima no ranking. Não é que o conto não seja bom. Ele é. Só que eu tenho por costume e gosto pessoal apreciar os contos que poderiam originar outras histórias ou se desenvolverem em uma trama maior. É o meu pecado. Mas vamos ao que interessa: os contos.

O primeiro conto se chama "Calabouços da Imaginação" e traz uma atmosfera sombria e que envolve o leitor. Com uma escrita envolvente, o conto nos surpreende entre as linhas e com a magia que se cria durante as passagens. Foi um ótimo cartão de visitas para o livro. Fiquei logo empolgada para ir para o próximo.

"A verdadeira magia só pode ser conquistada quando se ultrapassa os limites da imaginação" (pág. 15)
O segundo conto, "Prova Final" traz bastante essa atmosfera de filmes de terror e que nós vivenciamos especialmente no fim dos períodos da faculdade. Gostei bastante do desenvolvimento desse conto, a forma como Siani nos guiou até o final foi bastante divertido apesar da temática em si ser voltada para o terror, o "drama" feito pelo personagem é bastante familiar ao que já vivenciei uma vez (ah! Calculo I, sonhei até que batia na professora que se recusava a me deixar passar). A forma como se seguiu a história foi bastante original no meu ponto de vista, da criação dos personagens e a forma como ele direcionou o leitor para o final.
"Eu vago pelo mundo procurando, caçando aqueles que temem e odeiam a maior das ciências. Aquela que esteve presente quando O Verbo fez A Luz"
Em "Flagelo", o terceiro conto, temos o primeiro conto de ficção científica. Gostei especialmente da narrativa deste conto. Bem escrito, devo ressaltar. A história soa pouco original por se tratar de um lugar-comum utilizado em histórias do gênero. Mas o que faz uma boa história não é onde ela se passa, mas como ela é desenvolvida. Com doses de suspense e dramas na medida certa, Andrei Fernandes consegue levar o leitor a mirabolantes ideias até chegarmos ao final.

"Na minha frente jaz uma entidade estranha. Meu coração bate veloz. Nada me preparou para aquilo tudo.Seu corpo é o dobro do meu, apresenta uma forma esguia que mais lembra um rascunho mal feito de uma capa negra. Seu corpo fluídico se estende até o chão arenoso e irregular, rebatendo a seu toque, criando pequenos tentáculos que fluem para desaparecer no espaço, Sua cor negra, alterna com padrões cromáticos estranhos que meu cérebro não consegue distinguir, dançam em reflexo de explosões a quilômetros de distância, formando um caleidoscópio extraordinário."
Quando chegamos a página 49, encontramos o quarto conto deste livro. Encontramos "Pastor Virgílio". Um conto carregado de realismo e que deixa o leitor estarrecido tamanha a podridão que um ser humano pode chegar e, eventualmente, chega. Virgílio é um desses pastores mentirosos e que encontra na cega boa fé das pessoas humildes, a chance de subir na vida e é exatamente isso o que ele faz. Um dos contos que eu acredito que deveria ser lido por muitas pessoas que me rodeiam para que pensem bem se não estão apenas sendo enganadas. O final desse conto foi pra mim como o final de Dogville: esperadíssimo e delicioso quando chegou.

" - Gente pobre, fodida e burra adora nome forte e complicado. Tem tanta Geisilane e Josicleiton aqui no bairro...-, conjecturou na época da escolha do nome do Templo."
"Renascimento" de Nilton Braga é o quarto conto desta coletânea e nos faz viajar por uma história misteriosa e que só se revela no final. Gostei da forma singela que ele pôs fim ao seu conto. Gostei da forma sútil que o desenvolveu e da maneira que o escreveu.

O sexto conto, "Eledá: Ogã Meno" de Michel Messer, traz como plano de fundo a cultura africana. Apesar de confuso em algumas partes, o conto é recheado de detalhes e ação. Um prato cheio para quem curte tramas ágeis e cheia de acontecimentos e com clima de suspense.

O sétimo conto, de Elisa Celino, traz uma história que não é de todo original, mas possui um desenvolvimento bastante envolvente. "Anel de Fogo" fala a respeito de sonhos não concretizados, desesperanças e um pacto que pode mudar tudo. Gostei de como foi elaborada a trama.

"44" Foi um conto bastante surpreendente pra mim. Um dos contos de ficção científica que me deixaram embevecida durante a leitura, apesar de ter sido interrompida umas 4 vezes durante a leitura. Quem manda tentar ler no trabalho, não é? Apesar da história de 44 me lembrar um pouco Elfen Lied, a história segue por caminhos diferentes desta última. Gostei da forma como foram colocados os questionamentos de 44 e a forma como Woyanes desenvolveu seu enredo. A história de certo daria uma boa e mais longa história.

O que eu mais gostei em "Fogo de Domingo" foi a utilização do folclore brasileiro. Ricardo Herdy me ganhou completamente com isso. Não que eu já não tenha ficado encantada com o começo da história. Bem escrito e delicioso nos pequenos detalhes que emendam esse enredo fantástico. Um parabéns ao autor por sair do lugar-comum dos contos de terror e tentar utilizar nosso folclore como plano de fundo. Fez com maestria.

"Oh, Romeu, por que és tu Romeu?" Não, pera, não é de Shakespeare que estamos falando, mas de outro Romeu. O conto de Romeu Regis Bittencourt é o décimo conto desta coletânea e nos presenteia com uma linda história. "Laio e os Onironautas" foi muito bem elaborado, devo salientar. Com uma dose de suspense perfeita e uma escrita leve e gostosa, vamos acompanhando a jornada do nosso herói até o intrigante final. Gostei bastante da colocação da esfinge e a forma como Laio desvendou a resposta que eu já conhecia de outro livro, hahahaha. 

"Êxodo!" é o décimo primeiro conto do livro e nos faz questionar determinadas atitudes que tomamos no dia-a-dia e a respeito da religião em si. Muito bem construída a trama de Filipe Augusto Pereira.  Mas, assim como o do Pastor Virgílio, eu não recomendaria aos fanáticos religiosos que não conseguem acreditar em mais nada além da sua própria religião e se limitam a isso.

O livro se despede com "Pesadelos Famintos" que também nos traz esse cenário pós apocalíptico e como tudo começou. Gostei da forma que o autor construiu essa história, a forma da narrativa é bastante interessante também, com o personagem dialogando com o leitor. E o final? Ah, eu não pensaria em nada melhor do que foi. Um merecido "Parabéns!" ao autor.

Como prometi, aqui vai o meu Ranking. Lembrando que eu escolhi as histórias de acordo com o que elas me passaram emocionalmente e que poderiam se tornar maiores do que são nesse livro. Pela grandiosidade que o enredo proporciona a mente do leitor. O livro não tem contos ruins, de forma alguma, é até um pecado ranquear as histórias, mas eu prometi que faria em todas as antologias. Só que nessa fica mais complicado ainda porque são temáticas diferentes. Nem todas são ficção científica ou só terror ou só fantasia. Meus critérios foram de acordo com o que a história poderia se tornar no futuro caso o autor quisesse dar continuidade a ela. Foram histórias que eu penso que poderiam se tornar bons livros caso os autores desejassem transformá-las em tal. Outras foram porque a visão crítica do escritor na hora de fomentar sua história me surpreendeu.

Ranking
  1. 44
  2. Laio e os Onironautas
  3. Pesadelos Famintos
  4. Fogo de Domingo
  5. Calabouços da Imaginação
  6. Pastor Virgílio 
  7. Êxodo!
  8. Anel de Fogo
  9. Flagelo
  10. Renascimento
  11. Prova Final
  12. Eledá: Ogã Meno

Eu e o Livro

3 comentários:

Kel Costa disse...

Sei que sou errada, mas não consigo me interessar por contos oO
Gosto de me apegar a uma história, aos personagens, então tudo que é curtinho (conto, minissérie), eu passo longe, pq não me sinto envolvida.

Bjs,
Kel
www.itcultura.com.br

Julliana disse...

Ah, depende do conto. O do Laio e os Onironautas é impossível não se envolver e pensar como seria um conto maior que aquele. O conto da criança 44 também. São contos longos e que nos fazem viajar por um tempo, inclusive depois que terminam. Tem vários outros que nos fazem refletir e nos fazem rir. Eu não gostava muito de antologias não, mas estou aprendendo a cada dia apreciá-las mais e mais.

É bom pegar uma antologia dum gênero que você goste e levar pra ler em ônibus, metrô e nas filas. É ótimo para passar o tempo e você às vezes nem precisa interromper sua história. Muitas vezes você termina uma e depois termina outra, na próxima condução.

Enfim... Obrigada por vir, Kel! Amanhã passo lá no It, o blog dadivoso de vocês.

Beijão,

Julliana.

Romeu disse...

Mandou bem na resenha, Juliana!
Sempre uma grata surpresa ver que os leitores estão dando atenção aos novos escritores brasileiros. Estímulo mais que necessário, continue com o bom trabalho!

beijos

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