Eu ♥ Entevistas: Markus Thayer
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Hoje trouxemos para vocês uma entrevista com Markus Thayer o autor de " Hathor". A Julliana foi quem a fez, então vamos acompanhar um pouquinho o que esse Novo Talento tem a nos desvendar sobre seus escritos.
E♥L:Fale um pouco sobre
você, suas metas, sonhos, motivações...
M.T: Eu sou uma pessoa que
gosta muito de ler, desde romances até livros extremamente técnicos. Adoro escrever ficção cientifica e gosto de
colocar elementos como suspense e mistério para temperar a história.
Gosto
muito de música e
procuro não fazer distinção por gêneros ou estilos, na verdade o que eu
busco
em uma música, de um modo geral, é uma boa harmonia e uma bela melodia.
Assim
num dado momento posso estar ouvindo
Tchaikovsky e no momento seguinte Guns N’ Roses. No que diz respeito à
pintura eu sou fã de Salvador Dali. Uma outra grande paixão é fazer
programas
para computador, principalmente em linguagem JAVA e PHP. No mundo da
ciência admiro os trabalhos de Albert Einstein, Niels Bohr, Erwin
Schrödinger entre outros.
Sou um entusiasta pela
vida. Acredito que cada um de nós é um universo em movimento. Criamos e
recriamos a nossa realidade em função dos nossos pensamentos. Penso que a nossa
vida é extremamente importante para todo o Universo. Não estamos aqui por
acaso.
Somos cocriadores e inventamos um universo
novo à medida em que vivemos.
E♥L: A vida nos leva a vários caminhos e, durante essa jornada, qual caminho te levou a Hathor? O que te inspirou?
M.T: A historia de Hathor é interessante. A ideia surgiu em meados de 1995 quando eu assisti um documentário sobre genética. Nessa época o livro foi parcialmente escrito. Contudo, por falta de tempo o projeto foi engavetado.
Foi, mais ou menos, fim de 2009 que o livro começou a ser reescrito, colocando elementos novos e modernizando a ideia inicia. Hathor chegou às livrarias em outubro de 2010. O processo todo foi maravilhoso e carregado de emoções.
E♥L: Há algum livro a caminho que devemos esperar ansiosos? Fale a respeito.
M.T: Para o próximo ano pretendo publicar, em ebook, a continuação de Hathor. Cujo título, muito provavelmente, será: Hathor e o enigma de Almaquem.
Este livro irá fechar a história e vem carregado de temas para reflexão, tanto no contexto psicológico como no contexto científico. Aguardem.
Este livro irá fechar a história e vem carregado de temas para reflexão, tanto no contexto psicológico como no contexto científico. Aguardem.
E♥L: "Os livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas", Markus, o que você pensa que seja necessário para que o Brasil tenha mais leitores e valorize mais o autor nacional? O que você mudaria nesse cenário literário atual?
M.T: Eu acredito que idéias não têm nacionalidade, são um patrimônio da humanidade, assim encontraremos obras maravilhosas escritas por brasileiros, ingleses, alemães, americanos, enfim por todos.
O Brasil é belo em todas as suas dimensões e o povo brasileiro é maravilhoso. Tem sido imenso o carinho que recebo das pessoas. Acredito que com a chegada dos ebooks, os leitores terão mais acesso a grandes obras tanto nacionais como internacionais.
O importante é ler, alimentar o espírito com bons conhecimentos, ocupar a mente com pensamentos nobres e edificante e, com isso, encher o coração com sentimentos superiores como paz, felicidade e amor.
O Brasil é belo em todas as suas dimensões e o povo brasileiro é maravilhoso. Tem sido imenso o carinho que recebo das pessoas. Acredito que com a chegada dos ebooks, os leitores terão mais acesso a grandes obras tanto nacionais como internacionais.
O importante é ler, alimentar o espírito com bons conhecimentos, ocupar a mente com pensamentos nobres e edificante e, com isso, encher o coração com sentimentos superiores como paz, felicidade e amor.
E♥L: Você também é o idealizador do List Me, certo? Como foi o processo de criação dessa rede social verde-e-amarela? Conta pra gente :D
M.T: Na verdade, eu apenas fiz
os programas que compõe a rede social listme.
A grande idealizadora foi
a Kamila Denlescki, que apareceu um dia com a ideia e convenceu a todos sobre a
utilidade da rede.
Foram meses de
desenvolvimento e testes. Aproveito para salientar que a Mel também teve papel
importante em todo o processo. Tanto na análise de novas ideias como na
divulgação do listme.com.br.
E♥L: Durante a leitura de Hathor e o seu blog, notei a valorização do pensamento como forma de atrair boas energias (não sei se me expressei bem), mas no básico seria isso: o pensamento como forma de energia. De que forma isso o inspirou/inspira e como tudo isso surgiu?
M.T: Os estudiosos em mecânica quântica tem se deparado com
algumas situações difíceis de explicar.
Tudo leva a crer que a mente do observador altera o estado do objeto que
está sendo observado.
Em outras palavras, novos ramos da ciência começa a
acreditar que os nossos pensamentos interferem no nosso mundo físico.
O pensamento é, certamente, uma poderosa forma de
energia. Acredito que aquilo que chamamos de “realidade” é na verdade a
manifestação da somatória de nossos pensamentos passados.
Assim, se queremos alterar a nossa realidade,
precisamos primeiro alterar a nossa forma de pensar.
Controle seus pensamentos. Todos sabemos que não é
tarefa fácil. Mas é uma tarefa possível. E você só precisa de você para isso.
Encha a sua mente com pensamentos bons e o Universo irá lhe retribuir com uma
realidade cheia de paz, alegria e amor.
E♥L: O que devemos esperar mais para a frente?
M.T: Estamos trabalhando
fortemente na segunda versão do listme, que promete melhor navegação e mais
funcionalidades.
Pretendo, logo após
lançar a continuação de Hathor, escrever um novo livro que já está em processo
de estruturação.
Breve sinopse de Hathor:
John McBrian é estudante de engenharia e tem uma vida normal até
encontrar um antigo mapa na biblioteca do King's College. Acompanhado de
seu professor e de seu melhor amigo, ele cruzará o oceano com o
objetivo de chegar até onde o mapa aponta: a Serra do Roncador, no
Brasil.
Perseguidos por pessoas misteriosas e atormentados pela incerteza, eles serão movidos pela coragem e pelo desejo de possuir o maior de todos os tesouros.
Mas existe algo que ninguém sabe:
Apenas John tem a chave!
Perseguidos por pessoas misteriosas e atormentados pela incerteza, eles serão movidos pela coragem e pelo desejo de possuir o maior de todos os tesouros.
Mas existe algo que ninguém sabe:
Apenas John tem a chave!
Leia o primeiro capítulo aqui
Obrigada Markus pelo carinho em nos responder
Nós, do Eu ♥ Livros lhe desejamos todo sucesso do mundo!
Julliana Monteiro
Coluna CNA: Anna Leão
Marcadores: Anna Leão, Coluna CNA
A Autora:
Formada em Comunicação Social, Anna Leão se dedicou muito à arte,
como o teatro e a dança. Nesta última também se profissionalizou, dentro
da dança contemporânea, dança do ventre e dança-terapia. Cursou a
Escola de Dança de Angel Vianna, no Rio de Janeiro.
Mãe de duas meninas, Anna se dedica cada vez mais à sua escrita. É
colunista do site Templo de Avalon, idealizadora do blog Metamorfose e
já colaborou com seus artigos para o jornal impresso, carioca, Por do
Sol.
Anna tem três trabalhos publicados em livro. Em dezembro de 2008, a
escritora teve algumas de suas poesias selecionadas para a antologia
Letras no Brasil – X, da Taba Cultural.
No ano seguinte, Anna Leão lançou o primeiro livro da saga A Rainha da
Floresta. Em abril de 2011 foi a vez do segundo volume, A Rainha da
Floresta e a Deusa da Terra. No momento, Anna escreve o terceiro e
último volume desta trilogia, com lançamento previsto para o ano de
2012.
Anna gosta de escrever, desde pequena. Ela diz que para ela é a melhor
forma de se expressar, forma pela qual ela pode soltar sua imaginação e
mergulhar em outros mundos. No entanto, nem só de sonho vive Anna. Ela
afirma se conhecer melhor quando escreve e passar seus valores e
aprendizados:
— Eu me conheço melhor quando escrevo e ganho também conhecimento, além
do autoconhecimento. É como se acendesse uma luz! Quando leio o que
escrevi, eu me pergunto: como eu sabia disso?! Mas a inspiração é assim,
como um sussurro em nossos ouvidos, como uma canalização, como se não
viesse da gente, e talvez não venha! É o Awen dos celtas; aquela força
divina e invisível que anima, que entusiasma, que traz vida, que faz o
mundo girar!
Outros grandes interesses na vida de Anna, que a acompanham desde muito jovem, são a magia e a espiritualidade.
Estudou astrologia e várias doutrinas espirituais. Mas foi no paganismo,
em Lughnashad de 2005, que Anna se sentiu em casa. Ela segue e estuda o
paganismo celta, buscando e vivenciando suas origens e ensinamentos. E
procura sempre deixar claro que nada faz sentido se não vem de dentro.
"A espiritualidade é única para cada Ser. Por mais que duas pessoas
sigam o mesmo caminho espiritual, este caminho vai ressoar de forma
distinta para cada um", afirma Anna.
SINOPSE:
A Rainha da
Floresta é um gostoso convite para o mundo da magia. Nele o leitor
encontra a história da princesa Anaís, que se descobre uma bruxa. Por
conta disso, a jovem herdeira do Reino das Joias se vê obrigada a fugir
do reino no dia de seu noivado, refugiando-se na Floresta das Sombras,
vítima de uma maldição. A partir daí, a princesa parte para uma grande
aventura onde vivencia seu processo de iniciação, autodescobrindo-se e
conhecendo a magia e o seu passado ancestral.
Recheada de
personagens interessantes, como o misterioso Grande Mago, a obra mostra a
importância de sermos nós mesmos e encontrarmos nosso lugar no mundo; o
que faz da Rainha da Floresta um livro para todas as idades.
SINOPSE:
A Rainha da
Floresta continua sua saga no segundo volume dessa trilogia. Em "A
Rainha da Floresta e a Deusa da Terra" a autora Anna Leão leva a rainha
Anaís ao Reino da Terra. Precisando fazer renascer pedras e plantas
extintas por Friúza, a fim de promover a cura para um belo e doente
rapaz da Floresta da Lua, Anaís precisa encontrar a Deusa da Terra.
Paralelamente a isto ela ainda terá que lidar com o misterioso
desaparecimento do Grande Mago e com a verdade de seu próprio
coração. Uma aventura cheia de emoção e profundidade, com encontros
fascinantes, como com o Homem Verde e a Dama do Lago. Uma jornada
intensa, cheia de magia, aprendizados e surpreendentes revelações, onde a
capacidade de liderança da Rainha da Floresta é posta à prova.
A autora, apesar de ter começado seu trabalho de forma independente, será lançada ano que vem pela MODO Editora.
Acesse o site da autora para saber mais sobre suas obras e lançamentos:
Vida de Otome: MeruPuri
Marcadores: Mariana Cardoso, MeruPuri, Vida de Otome
Olá, queridos leitores! Semana de
provas da faculdade está aí, então resenharei um mangá que é bem curtinho e
simples: MeruPuri.
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| Jeile, Alam na forma criança e Aili. |
MeruPuri é um Shoujo da autora
Matsuri Hino, a mesma de Vampire Knight, é licenciado no Brasil pela editora
Panini e possui quatro volumes. Preciso
dizer que é um dos meus mangás favoritos e, definitivamente, tem a cena de
beijo mais linda do mundo s2!
Aili Hoshina é uma colegial que
sempre sonhou em formar a família perfeita com o amor da sua vida. Um dia, no
caminho da escola, ela deixa cair seu espelho em forma de septagrama sem
perceber, que é uma herança de família. O que Aili não sabe, é que esse espelho
é uma passagem entre o nosso mundo e o mundo mágico de Aster, e ela é
descendente de uma princesa de lá. Na volta da escola, ela encontra um
garotinho que aparenta estar perdido, e o leva pra casa, descobrindo que ele
age de forma mimada.
O nome desse garotinho é Aster-ae-Daemonia Eucarystia Alam, e ele é o
príncipe de Aster que veio fugido de seu irmão mais velho, Jeile, e usou o
espelho como passagem. Jeile jogou um feitiço em Alam que faz com que, quando
fica escuro, ele envelheça e se torne um adolescente de idade próxima a de
Aili. É claro que eles se apaixonam, embora com uma certa relutância inicial da
parte de Aili, já que ele ainda é uma criança, e devem passar por vários
desafios para ficarem juntos. Entre eles, o fato de Jeile se apaixonar pela
Aili e falar que ela será sua primeira esposa, ou o povo de Aster ser contra,
porque a ancestral de Aili é acusada de traição ao reino.
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| Alam na forma adolescente. |
De início,
você se assusta ao ler o mangá, porque pode parecer pedofilia aos nossos olhos
e culturas ocidentais, mas ao decorrer da história, você vê que a personalidade
do Alam é bem madura pra idade dele e, spoiler alert, a Aili espera ele ter
idade para eles se casarem no final.
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| A cena mais linda do mangá! |
Em relação
ao traço, é um dos mais bonitos que eu já vi, e a história segue um ritmo sem
as enrolações que vemos em muitos shoujos por aí. Eu realmente recomendo, é
fofura do início ao fim.
E é isso,
essa semana foi uma resenha bem curtinha, mas no meu próximo post espero fazer
algo mais elaborado e falarei sobre um shonen, já que até agora foquei mais em
mangás para meninas. Também espero estar formada, porque depois de quatro anos
estudando sem nunca ter pego uma DP, ninguém merece reprovar, neah?
Beijos e
até a próxima!
Eu♥Resenhas: Chamas de Sangue - The Burns
Marcadores: Literata, Literatura Brasileira, Literatura Fantástica, Literatura Vampiresca, M. L. Bastilho, Resenha, The Burns, YATítulo Original: Chamas de Sangue ~ Série The Burns
Autores: M.L. Bastilho.
Ano: 2011.
Número de Páginas:
Editora: Literata.
Edição: 1ª Edição.
The Burns conta a história de Débora Spencer, uma aspirante a atriz que acaba fazendo papéis que não condizem com seus planos e sonhos. Fazendo mais um papel em um filme B de vampiros e no papel da mocinha ingênua - para não dizer estúpida - Débora se sente cada vez mais frustrada e sem chances de sair do fundo do poço. Suas únicas fontes de alegria são Rodrigo, seu melhor amigo e conselheiro e sua linda cachorra da raça labrador. Até que em uma noite, um convite pronunciado na hora errada (ou certa!?) muda tudo.
Marcos Burns entra em sua vida, a mata e depois a faz renascer para a noite como uma vampira. Débora se vê completamente perdida dentro desse novo mundo e essa nova sociedade que tem suas próprias regras. Qualquer passo fora da lei é motivo para uma cabeça rolar, Débora aprende isso da pior maneira possível durante a sua jornada no primeiro volume da trilogia.
Em The Burns existem clãs e um conselho formado pelos líderes dos clãs mais poderosos, entre eles o clã Burns - é claro. A forma como a autora criou a estrutura da sua sociedade vampiresca me remeteu um tanto a Vampire Knight em alguns pontos, mas nada que matasse a história. Muito pelo contrário.
A personagem principal, Débora, é um tanto caricata em determinados momentos e chega a ser não só irritante, mas definitivamente chata, porém ela vai melhorando ao longo do livro (mesmo!). A indecisão sobre qual Burns ela quer acaba se tornando massante em certas partes e nós queremos estrangulá-la por fazer o Marcos sofrer tanto (coitado!).
Gostei bastante da parte que mostra o passado e história dos pais dos irmãos Burns, pois esses pequenos capítulos interferem bastante na visão do leitor sobre os dois irmãos, dando tons humanos aos vampiros principais da saga criada por Bastilho.
Certamente esse é um Young Adult bastante divertido e que eu não esperava que pudesse me agradar tanto. A escrita decorre bastante leve e a história é bastante dinâmica.
Vale ressaltar que a edição que tenho em mãos é a primeira e ela está com vários errinhos de revisão e a diagramação e o tamanho da letra são de matar qualquer leitor. Espero que numa segunda edição a editora em conjunto com a autora possam elaborar um livro mais agradável aos olhos na parte interior. Dar um espaço entre a margem e o começo do texto é algo essencial. Ninguém aqui gosta de ler arreganhando livro nenhum, aposto!
Marcos Burns, se tiver cansado da Debby, estamos aí! (Hahahaha, brincadeira! Mas não deu pra resistir :D)
Eu ♥ Especiais: Criaturas Fantásticas - Zumbis
Marcadores: Especial, Eu ♥ Especiais, Literatura Brasileira, Literatura Estrangeira, Literatura Fantástica, O Guia de Sobrevivência a Zumbis, ZumbisEstreando a série de posts sobre os seres que saíram das páginas dos livros para tomarem conta do nosso imaginário, eu vos apresento os dançarinos de Michael Jackson. Mortos-vivos! Cadáveres ambulantes! Mastigadores em decomposição!
Enfim, esse é o nosso dossiê literário sobre zumbis.
“Outros monstros podem ameaçar humanos individuais, mas os mortos vivos ameaçam toda a raça humana …. Zumbis são os limpadores de ardósia.” Max Brooks
ORIGEM
Bem antes do eterno Rei do Pop inspirar o mundo a imitar os passinhos de Thriller, ou da marcha arrastada dos mortos-vivos nos filmes de George A. Romero ganharem as telonas, os zumbis já estavam por aí. E não apenas no sentido figurado – mortos reanimados são reais para muita gente.
De acordo com o folclore haitiano, um feiticeiro é perfeitamente capaz de trazer uma pessoa do túmulo. Claro que, para isso, há todo um ritual envolvido. O feiticeiro, ou bokor, precisa fornecer uma poção venenosa à pessoa que será dada como morta e enterrada. Algum tempo depois, o feiticeiro desenterraria a vítima e reclamaria controle sobre o corpo, que passaria a obedecê-lo cegamente, sem consciência própria. Esses zumbis haitianos não dão a mínima para devorar cérebros alheios. O conceito era fazer um cadáver de marionete - o que não deixa de ser assustador. Segundo os haitianos, para livrar o zumbi dos comandos do bokor e levá-lo de volta à cova era preciso alimentá-lo com sal.
Tal lenda atraiu a curiosidade científica de um certo etnobotânico de Harvard chamado Wade Davis. Na década de 80, Davis viajou até o Haiti para tentar descobrir o quanto de verdade havia por trás desse burburinho. Dois livros bem controversos nasceram ali.
Em A Serpente e o Arco-Íris (1985) e Passagem das Trevas: A Etnobiologia do Zumbi do Haiti (1988), Davis afirma que os feiticeiros destruíam as funções motoras e o raciocínio lógico do ser humano através da injeção diretamente na corrente sanguínea de toxinas extraídas de peixes e moluscos. As pessoas submetidas ao envenenamento entrariam em um condição inicial de morte, parecido com animação suspensa, despertando em estado psicótico que as levariam a acreditar que estavam efetivamente mortas. Para Davis, a forte crença popular serviria para empurrar a vítima para sua “condição de zumbi”, acarretando em comportamento deprimido e hábitos viciosos (como passear em cemitérios e outras esquisitices supostamente características do cotidiano de um zumbi despertado).
A comunidade científica considera esse estudo tendencioso e crédulo demais para ser levado a sério. O envenenamento pelas substâncias sugeridas por Davis tem entre seus sintomas: enrijecimento dos membros, dormência, náuseas e pode levar uma pessoa à morte – mas nada que explique o comportamento característico de um morto-vivo ou o suposto controle mental exercido pelo feiticeiro.
Aprovada cientificamente ou não, essa lenda afro-caribenha é considerada a inspiração ancestral para os pútridos mastigadores de cérebro.
PRIMEIROS LIVROS
Seria Frankenstein o primeiro livro de um zumbi? Em minhas pesquisas para escrever este humilde post, percebi que muita gente encara como marco zero da história literária de mortos-vivos o romance escrito pela britânica Mary Shelley no início do século XIX. Eu penso diferente. A criatura do Dr. Victor Frankenstein é composta por partes de diversos cadáveres, não um defunto revivido. O princípio de um zumbi não é o de alguém que atravessou a fronteira da morte e voltou? Pois bem. O monstro feito de um catadão do cemitério jamais tinha experimentado a vida antes, e não passou por nenhum processo de transformação para se tornar um zumbi.
O primeiro livro que se atreveu a relatar a existência de zumbis foi publicado nos primórdios do século XX, pelo antropólogo grego Lafcadio Hearn. Em O País dos que Voltam, Hearn descreve vagamente a lenda haitiana sobre os zumbis. Porém, a obra que veio a se tornar a verdadeira apresentação dos zumbis ao mundo ocidental veio a público em 1929 sob o título de A Ilha da Magia. Após ler o livro de Hearn, o jornalista americano William Seabrook viajou até a “terra dos mortos viventes” e escreveu sua narração sensacionalista sobre o grupo de trabalhadores despertados da morte por um feiticeiro vodu para servirem nas fazendas cafeeiras. Para esses haitianos azarados a morte deixou de ser descanso eterno para se tornar lavoura eterna. Até que a mulher do feiticeiro resolve comemorar o feriado de Corpus Christi sendo boazinha, dando doces aos zumbis escravizados por seu marido. O alimento desperta os infelizes do transe por tempo o suficiente para voltarem às suas covas e tombarem de uma vez por todas. O final do feiticeiro é ser massacrado pelos familiares de suas vítimas, entretanto o feitiço de atração pelos mortos-vivos já estava lançado sobre o mundo da literatura.
LEIA ZUMBIS!
Por volta de 1930, HP Lovecraft, venerado autor de terror, escreveu romances explorando os mortos-vivos. Entre eles, o memorável
Na Vault, no qual um zumbi assume as características de devorador ao morder outro
personagem, e o popular Hebert West – Reanimator (que rendeu adaptação livre para o filme ainda mais popular).
Stephen King, o rei das histórias modernas de terror, também se rendeu ao apelo
dos zumbis. Para King, O Cemitério ressuscita entes queridos, mas os traz como
versões psicopatas e demoníacas de si mesmos. Já a trama de Celular mostra
sinais de telefonia móvel transformando pessoas normais em irracionais zumbis
assassinos.
Max Brooks é considerado o especialista
supremo da literatura de zumbis. O Guia de Sobrevivência a Zumbis prepara o
leitor para a futura contaminação mundial de forma completa – estudando desde a
fisiologia dos monstros até a escolha de armas para combatê-los. Na sequência,
Guerra Mundial Z, o narrador entrevista sobreviventes ao Apocalipse Zumbi que
quase extinguiu a humanidade. O livro usa da fantasia para comentar as reações
humanas em situações extremas e criticar problemas da organização social atual.
Best-seller instantâneo.
The Walking Dead, que já era um grande sucesso como HQ e série de TV, agora
invade também as livrarias com seu primeiro livro, A Ascensão do Governador. Os autores Robert Kirkman e Hay Bonansinga trazem
ao leitor uma trilogia separada da HQ, com história independente protagonizada
pelo Governador que comanda a Woodbury pós-apocalíptica.
O inimigo, de Charlie Higson, mostra a
infestação zumbi em Londres. Contudo, apenas pessoas maiores de 16 anos são
afetadas. A criançada que resta precisa se unir para tentar sobreviver.
Em Mar Morto, escrito por Briane Keene, os ratos não transmitem só as doenças nojentas
que nós já conhecemos. Eles são os disseminadores da praga zumbi que transforma
humanos em devoradores irracionais de carne viva.
O roteiro criado por
Paul W. S. Anderson para o
quinto filme da ilustre franquia Resident Evil foi transformado em romance pelo
escritor John Shirley. Resident Evil: Retribuição é a guerra já
conhecida contra a Umbrella Corporation – só que o trabalho de imaginar a Milla
Jovovich barbarizando os zumbis fica por conta da sua imaginação.
Para os pequeninos aprenderem a se virar no caso de um Apocalipse Zumbi, temos
o didático That's not Your Mommy Anymore (sem versão em português), de Matt
Mogk. Alguém tinha que pensar na educação das crianças! Ufa!
Um dos mestres da literatura brasileira,
Érico Veríssimo, usou o tema dos mortos-vivos para fazer uma inteligente crítica
social em Incidente em Antares. No livro, uma greve de coveiros impede a
realização de enterros na cidade de Antares por vários dias. Cansados de
esperar pelo serviço, os mortos se levantam e vão atrás de seus problemas mal
resolvidos em vida. Esse eu li e recomendo para todos os leitores exigentes - fãs de zumbis ou não.
Nenhum autor conseguiu despertar tanto
interesse quanto revolta nos amantes de desmortos do que Isaac Marion. No livro
Sangue Quente, o zumbi R não só é capaz de tecer linhas de raciocínio enquanto
devora seres vivos, como também de se apaixonar. Há quem diga que a história é
apenas uma jogada para aproveitar o sucesso de romances adolescentes com
monstros “adocicados” (como Crepúsculo, é claro). Uma coisa é certa: esse livro
vendeu pra burro e já está com adaptação cinematográfica no forno.
O Guia de Sobrevivência a Zumbis: Protocolo
Bluehand é a versão brasileiríssima de uma enciclopédia para superar um
eventual Apocalipse Zumbi por essas bandas. Escrito pela dupla Deive
Pazos e Alexandre Ottoni, do site Jovem Nerd, a ideia do livro surgiu na
brincadeira durante as gravações do podcast.
Mashups com obras clássicas se multiplicaram
no mercado literário recentemente. O mais popular deles é a versão de Seth
Grahame-Smith do romance Orgulho e Preconceito, de Jane Austen. Nessa
releitura, a corajosa Elizabeth Bennett, treinada em artes marciais, combate
uma misteriosa doença que afeta a Inglaterra do século XIX, trazendo os mortos
de volta à vida devorando cérebros. Claro que o orgulhoso Sr. Darcy aparece
para desconcentrá-la. Nem o clássico brasileiro Memórias Póstumas de Brás Cubas
escapou de ganhar sua versão trash: Memórias Desmortas de Brás Cubas. Escrito
por Pedro Vieira, o livro mostra a “continuação” da história de Brás Cubas, que
se levanta do caixão para aterrorizar o Rio de Janeiro.
Prometendo ser um guia completo e recheado de
ilustrações nada agradáveis aos olhos, Zumbi: O Livro dos Mortos chegou às
livrarias. O autor e jornalista Jamie Russel acompanha a evolução dos zumbis no
mundo do cinema, com direito a uma extensa lista de obras cinematográficas
protagonizadas por eles.
Pra quem prega que o universo dos mortos-vivos é o cinema, estão aí boas dicas para encher sua estante com provas do contrário. Zumbis estão em alta, e a influência deles no mundo da literatura inspirou histórias para todos os gostos.
Boa leitura e até a próxima Zombie Walk!
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