Eu ♥ Resenhas: Amor Vampiro

 
Título Original: Amor Vampiro
Autores: Adriano Siqueira, André Vianco, Martha Argel, J. Modesto, Nelson Magrini, Regina Drummond, Giulia Moon
Ano: 2008
Número de Páginas: 176
Editora: Giz Editorial
Supervisora Editorial: Juliana Medeiros
A conversa aqui é sobre vampiros. Um mito explorado à exaustão nos últimos tempos. Eles parecem estar mais presentes do que qualquer outra criatura no imaginário coletivo. O mais interessante é que esses seres mitológicos possuem a capacidade de transitar do mais apavorante terror ao mais doce romance, é só escolher qual o seu tipo de vampirismo. Você deve estar meio cansado de falar sobre eles, não é? Pois bem! A Giz Editorial reuniu sete dos mais expressivos autores brasileiros do gênero com a proposta de desvendar essa fascinação imortal de nós, pobres humanos, pelos poderosos sugadores de sangue.

Como toda antologia que se preze, a qualidade dos contos varia ao longo do livro. Em certos momentos, bocejei. Poucas páginas depois, um novo autor chegava injetando adrenalina na minha imaginação e me fazendo agarrar o livro novamente, sedenta por cada gotinha de sangue que salpica as páginas.
Vou tentar falar um pouquinho sobre minhas impressões de cada autor para que no final você, caro leitor, decida se vale a pena encarar mais essa jornada das criaturas noturnas.

Adriano Siqueira - Adriano Siqueira abre a coletânea. Os mais envolvidos com a cultura vampiresca devem se lembrar do criador do site Adorável Noite, ícone nacional para o assunto. Adriano desenvolve trabalhos dessa temática há tempo suficiente para palestrar sobre ela. Aliás, ele fez parte do célebre grupo de escritores nacionais “Tinta Rubra”, que também contava com nomes como Giulia Moon e Martha Argel. Ou seja, com um currículo como esse, estava ansiosa para ler pela primeira vez os contos de Adriano. Depois de conferir os três, preciso dizer: Esperava mais! O máximo de emoção que os textos causaram em mim foi a expectativa por alguma reviravolta, o que não aconteceu em nenhum momento. Adriano optou por histórias muito menores que as dos seus colegas, o que talvez tenha ocasionado a impressão de que lia rascunhos de contos maiores, ou tramas corridas que, se melhor trabalhadas, poderiam ter se tornado histórias verdadeiramente interessantes. Cito como conto mais promissor O Outro Lado do Espelho, no qual um vampiro narra o momento em que morde uma bruxa por quem está apaixonado. Nosso contato com esse romance dura apenas uma cena, mas teria potencial para envolver o leitor por várias páginas.



André Vianco - Logo em seguida temos o conto A Canção de Maria, do mais famoso autor brasileiro do gênero vampiresco. O conto apresentado por André Vianco é, ironicamente, o menos sanguinário entre os reunidos no livro. Não há caninos à mostra, mordidas no pescoço ou olhos flamejantes. Vianco optou por uma história de terror com o lado mais folclórico e antigo dos vampiros, ambientada na cidade de Nazaré, às margens do Rio Jordão - em plena época de Cristo! Um simples lenhador dá abrigo a uma moça grávida, prestes a dar a luz. Após o parto, a mãe, Maria, comete suicídio, deixando o velho homem com um bebê para cuidar. Tarefa essa que se torna muito mais difícil com a mãe morta-viva voltando da tumba todas as noites, embalando a filha com sua canção macabra e sugando a vida da pequena aos pouquinhos. Assombrado pela vampira, o lenhador tenta impedir que Maria leve a filha para a vida noturna. Vianco consegue mergulhar o leitor no seu cenário épico, do qual só se consegue sair após alguns bons momentos de tensão.

Martha Argel – A surpresa mais grata deste livro foi o meu encontro com A Flor do Mal, escrito pela habilidosa Martha Argel. Neste conto nos deparamos com a vampira européia Francesca, tão perigosa por sua natureza animalesca quanto por sua beleza e sensualidade. Em uma Florença épica, acompanhamos o encantamento de Francesca por um belo, religioso e idealista rapaz, que tenta matá-la por ter sido a vampira a assassina de seu irmão mais velho. Francesa poupa a vida do jovem, decidida a vencer a resistência do orgulho do rapaz e tomá-lo para si de corpo e alma. O joguete empreendido pela vampira seduz não apenas o ingênuo Giuliano, mas também o leitor que espia pelo buraquinho da fechadura sublimes cenas eróticas protagonizadas pelo casal que vive sobre a delicada linha que separa o amor do ódio. Martha soube como poucos descrever o romance entre predador e vítima, sem abandonar a tensão causada pela constante sede assassina de Francesca. O conflito interno de Giuliano também se mantém interessante do começo ao fim, vacilando entre o medo, a ojeriza e a atração provocada pela vampira. O ponto final deste conto, na verdade, só serve para deixar o leitor especulando sobre os destinos dos personagens... E louco de vontade de ler mais fantasias dessa talentosa autora!

J. Modesto – O escritor paulistano formado em Arquitetura e Urbanismo escolheu dois contos de estilos bem diferentes para representá-lo. Primeiro, a sensual narrativa de Amante Notívago que, como o título supõe, descreve a voluptuosa consumação do amor de um vampiro por uma mortal. Enquanto cenas eróticas se desenrolam na alcova, o Conde, marido da moça, se aproxima determinado a exterminar seu rival demoníaco. A história se desenvolve no melhor estilo dos filmes vampirescos das antigas, com direito ao castelo do Conde, luta de espadas e cavaleiros de armadura. Clichê máximo de vampiros? Sim, eu sei. Entretanto, apreciei o gostinho de um clássico amor vampiro. O segundo texto de Modesto intitulado O Anjo e a Vampira é tão inocentemente belo que nem parece ter vindo do mesmo autor. Uma avozinha muito simpática pretende ensinar o valor do amor para o netinho através da história do romance proibido entre um anjo e uma vampira. Impedidos de se tocarem por causa de suas naturezas opostas, os amantes amargam a tristeza do amor impossível até encontrar uma bruxa com o artefato capaz de burlar as regras divinas. O desenlace é uma tocante lição de amor, como a vovó tinha prometido logo no início, e conta até com uma surpresinha nas linhas finais. Palmas para Modesto pela versatilidade!

Nelson Magrini – Ao me deparar com o conto Isabella, conheci também um escritor que provocou minha curiosidade. Sem dúvidas, conhecer mais do trabalho de Magrini entrou pra minha lista de afazeres. No texto, Magrini honrou sua formação de Engenheiro Mecânico e estudioso de Física ao construir um interessante embate verbal entre a vampira que dá nome à história e um físico apaixonado por ela, que tenta convencê-la de que não existe nada que seja sobrenatural no mundo. E os argumentos do rapaz são bem fundamentados! Com base em considerações científicas, ele consegue transformar mitos vampirescos em fenômenos de natureza rara, mas plenamente compreensíveis sob a luz da lógica. A vampira, atraída ao diálogo pelo humano, reluta a princípio, mas acaba sendo obrigada a rever seus conceitos a respeito da própria condição. Isabella é surpreendida por seu admirador humano, e o leitor com o desfecho dessa história singular.

Regina Drummond – Em um único conto, Regina Drummond deixou sua marca nesse diversificado leque de vampirismo. A velha, o jovem e o casarão é a história de um rapaz que foge de casa para se afastar da madrasta que considera uma “vampira” traiçoeira que suga a felicidade de seu pai. Entretanto, essa jornada o leva para um casarão misterioso, com aparência de abandonado, apesar dos vizinhos avistarem uma velha se esgueirar do local todas as noites. Não é preciso dizer que um casarão abandonado é cenário em potencial para momentos aterrorizantes, certo? Todos sabem disso, menos o protagonista, como sempre. O lugar tem um passado bastante mórbido, ignorado pelo jovem que vê no casarão um possível abrigo e comete o terrível erro de entrar na propriedade. Fascinado com os detalhes curiosos do casarão, a hospitalidade da velha senhora e com a forma que o próprio edifício parece acolhê-lo, o rapaz vai prolongando sua estadia, até se dar conta que simplesmente não consegue mais encontrar a saída. Em alguns momentos do texto, a descrição prolongada do lugar pode se arrastar um pouco, fazendo o leitor dividir com o personagem o desejo de deixar o casarão. Entretanto, tal qual o jovem, o encantamento pelo mistério construído por Regina mantémo leitor cativo até a última frase. Final muito interessante, aliás

Giulia Moon – Quem já teve o privilégio de ler o livro Kaori – Perfume de Vampira observou na página 120 a seguinte nota de rodapé:
“32. O primeiro encontro entre eles foi narrado no conto Dragões Tatuados da coletânea Amor Vampiro, publicada pela Giz Editorial, 2008. [N. do E.]”
Esse foi o principal motivo que me levou a procurar a coletânea. Reencontrei os apaixonantes personagens de Giulia Moon, matei minha curiosidade, e só por isso o livro já teria valido a pena. Nesse conto, o olheiro de vampiros Samuel Jouza e a vampira oriental Kaori se cruzam pela primeira vez, um encontro extremamente sensual e tenso como o esperado. Samuel é um vampwatcher, profissão oculta dos olhos da sociedade, cujo ganha-pão consiste basicamente em observar e catalogar os vampiros de uma área e entregar os dados ao IBEFF (Instituto Brasileiro de Estudos de Fenômenos Fantásticos), agência responsável por investigar toda sorte de seres místicos em território nacional. É parte do trabalho manter distância das criaturas que observa, mas ao seguir uma vampira japonesa que se faz passar por prostituta para atrair seus jantares, as coisas começam a sair do controle de Samuel. Ele, de observador, passa a ser a vítima de Kaori, e do perfume apaixonante que emana da vampira. Kaori é uma personagem instigante, que faz o leitor torcer para Samuel se aproximar mais dela para ver a própria curiosidade saciada. Entretanto, para saber mais sobre a vampira que tatua dragões nos dorsos dos seus amantes é preciso conhecer os demais livros que Kaori protagoniza. São dois até o momento, e Giulia já anunciou que um terceiro título virá para encerrar a trilogia. Se você não leu Kaori, não se preocupe. A idéia desse texto se concentra no encontro dos dois, e não pede nenhum conhecimento prévio de quem são. O conto é muito bem escrito, não deixando a desejar na caracterização de personagens ou cenários. Aliás, a maior parte da história se passa num hotel no coração do bairro da Liberdade, em São Paulo, dando aquele típico tempero japonês às aparições de Kaori. Sangue, mordidas e sexo para fechar com chave de ouro essa experiência vampiresca.

Ao terminar o livro, fiquei surpresa com a visão especial de cada autor sobre o tema. De modo geral, aprovei as escolhas da Giz Editorial e não me arrependi de ter me entregado uma vez mais ao amor pelos imortais, sedutores, aterrorizantes e irresistíveis sugadores de sangue.

4 comentários:

Leitoras Anônimas disse...

Não vou negar que estou evitando ao máximo esses livros sobre vampiros, mas como eu sou apaixonada por contos, fiquei bastante interessada nesse! Principalmente porque inclui o André Vianco na lista dos autores, rsrs

Amei a dica!

Abraços,
http://leitorasanonimas.com

Mari Sampaio disse...

AI, que bacana! Vou procurar por aí também! Fiquei curiosa!!

Beijos.

Mariana Sampaio
Blog Tijolinhos de Papel

Martha Argel disse...

Olá, muito obrigada por resenhar o "Amor Vampiro". Que bom que gostaram de meu conto, agradeço muito pelos comentários.

Bom, quanto a Francesca, só posso dizer que já tem mais coisa publicada com ela por aí... ;-)

E se alguma de vocês é de Sampa, aproveito para convidá-las para o lançamento de Amores Perigosos.

abraços!
Martha Argel

Nelson Magrini disse...

Olá, meninas do Eu amo Resenhas!

Antes de tudo, obrigado pela bela resenha de Amor Vampiro. Fico contente que Isabella agradou e, ao mesmo tempo, instigou. Aliás, atualmente comecei a escrever um livro onde ela é a personagem principal, reunida com outro de meus personagens mais popular, Lúcifer, de ANJO A Face do Mal.

Um beijo grande a todas vocês e parabéns pelo ótimo blog!

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