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Coluna CNA: Adriana Vargas Aguiar

Olá Amores!!!

É com muito orgulho que venho falar de uma pessoa maravilhosa, que tive o prazer de conhecer e chamar de amiga. Que tem sonhos e devaneios como eu, que batalha por eles e que se empenha em construir algo que não só a dignifique.

Não nos tornamos grandes por sermos altruístas, mas porque as dimensões de nossas ações afetam muitas pessoas e nos fazem dignos de colhermos seus frutos e dividí-los parcialmente... É isso que penso; e foi por isso que aceitei o pedido de fazer parte do CNA - Clube de Novos Autores.

E, foi também por isso que resolvi iniciar minha coluna aqui, no blog, com a sua fundadora. Ninguém melhor para falar de um sonho, do que aquele que o viveu primeiro, Adriana Vargas Aguiar.

Para quem não a conhece, Dri é mãe, escritora, poetisa, advogada, agente literária, amiga, louca, sensível, enfim... Certamente ela ainda é muito mais coisas, mas isso você vai descobrir na entrevista que se segue:  










1 – Como você definiria Adriana Vargas Aguiar?

A.V: A Adriana é uma pessoa inquieta, insatisfeita, contradizendo a simplicidade que ela gosta de viver. Gosta de ter seu espaço; sente-se bem com a solidão, pois desta forma consegue estar o tempo todo em contato consiga mesma; precisa deste tempo, deste espaço para poder criar e cuidar daquilo que cria. Quase não sai de casa, pois prefere o aconchego da alcova a baladas sensacionais.  Amante da liberdade - é sempre guiada pelas decisões livres da razão – o coração é a chave do Universo. Muitas das vezes, um tanto tempestiva, gosta de percorrer os seus extremos e descobrir os seus limites. 

Não tem subterfúgio em seu modo de se expressar. Não vai agradar, não irá bajular. Se te ama, te quer todos os dias. Se não a agradou, você logo irá saber. 

Construiu para si, o mundo que gosta e quer viver. Não abandona as suas manias, nem tão pouco seus defeitos de estimação. Grita quando quer, chora onde estiver e daria sua vida pelas pessoas que ama.



2 – O CNA é um grupo que vem crescendo muito nos últimos anos – Graças a Deus – Cada vez mais revelando grandes talentos nacionais, o que é uma das suas propostas. Como você vê o CNA quando você criou para o que ele é agora? Missão cumprida ou ainda podemos esperar mais?

A.V: O CNA vem tomando forma, hoje caminha com suas próprias pernas. Foi um processo de muita luta; brigas homéricas para fazer com que os autores entendessem o objetivo do Clube. Muitos chegavam acreditando ser ali, seu ponto de descanso, após idas e vindas, batendo às portas das editoras, viam no CNA, a salvação de sua exclusão literária – enganavam-se! O Clube nunca foi e nunca será o esconderijo para quem quer descansar da luta. Estamos constantemente em busca de mais uma vitória; ainda precisará ser morto, um leão um por dia para ter seu livro em evidência. Estamos numa selva; num mundo desalmado de literatura e robotizado pela capitalização, não há tempo para ser perder com “mimimi”. Autor no Brasil é órfão literário, precisa escrever, divulgar e vender seu livro. No CNA, desde o ingresso, o autor é colocado diante desta realidade. 

Ainda não temos todas as missões cumpridas, pois ainda não fomos para a Bienal e nem abrimos a nossa própria editora. Ousadia é a ferramenta mais utilizada no Clube dos Novos Autores.



3 – Você é uma mulher ativa, cheia de sonhos e metas... E, bem, sua mente tá sempre trabalhando. Eu gostaria que nos mostrasse fora o CNA, um projeto concluído e um projeto futuro que considera essenciais para sua carreira.

A.V: Eu me considero uma pessoa muito abastada na vida. Tenho mil motivos para hoje dizer que sou uma mulher realizada; nem preciso dizer que meu trabalho, não é uma profissão, e sim, uma ideologia. Eu o faria mesmo sem ganhar nada por ele. Tinha o sonho de me formar em Direito para estudar Platão, e assim eu fiz, e foi maravilhoso; tenho todas as aulas de filosofia e IED e sociologia em minha mente; tesouros enterrados em minha alma, e sei, nunca ninguém conseguirá tirar de mim, porém, aqueles que quiserem, receberão por mim, o que aprendi nessas lições. Participei de inúmeros projetos sociais; fiz-me presente na sociedade que sou parte, em prol daquilo que acredito ser bom para mim e para o outro, cooperei como membro ativo de irmandades anônimas durante dez anos em minha vida, servindo a sociedade, todos os dias durante este período, mesmo que indiretamente, sem que ninguém precise saber como e qual era o meu encargo. Fui mãe e consegui em algum momento da minha vida, superar o medo de cuidar de outro ser; de amar e me doar, devido ao meu alto teor de egocentrismo vindo do kit de ser um escritor. Seguindo esta linha de raciocínio, eu amei alguns homens, e posso dizer que também fui amada, e que todos me deram aquilo que eu precisei de cada um. Fiz muitos amigos e ainda sinto pela primeira amizade que consegui fazer, aos seis anos de idade. 

Aproveitei os sabores de cada conquista – eu aprendi a sentir. 

Um projeto futuro, essencial para minha carreira, além do todos que tenho em relação ao CNA, darei início neste próximo final de semana. Estarei numa parte muito carente de minha cidade e lá, formaremos uma oficina de leitura e construção de texto para jovens e adultos que não tem acesso a livros, ou que tenha um sonho de escrever um livro algum dia em sua vida. Entre todas as pretensões, dar um livro ou ler um texto de quem não tem nem o que comer, será, com toda certeza, a experiência mais espetacular de minha vida, e quem sabe, não saia dali, um novo autor


4 – Além de sócia-fundadora do CNA, você também é mãe, agente literária, escritora... Como arruma tempo para isso tudo? É difícil achar uma sintonia?

A.V: Tudo em minha vida está interligado. Meus filhos são parte do que faço, me ajudam como podem, caminham ao meu lado. Eu não preciso sair do meu trajeto para fazer algo que preciso ou gosto, como eu disse, eu criei o meu mundo, e nele, está tudo que se atrai a ele, tudo preciso e amo.



5 – Sou suspeita de achar seus livros bons, mas de fato o são. Tem elementos neles que estão sempre mexendo com nossa alma, nos colocando em reflexão sobre nós mesmos. O que é para você ser escritora?   

A.V: Para mim, ser escritora é deixar sua alma se traduzir. Eu não posso escrever sobre aquilo que não tenho por dentro, seria pobre, vazio, sem vida; sem espontaneidade. Ser escritora para mim, é estar em comunhão comigo, com Deus e com aquilo que ainda não compreende, mas sinto, pois há muitos mistérios atrás das letras, do que simplesmente, aquilo que entendo como belo. Escrever é magia; é o avesso do criamos na trama. A fantasia existe no real, apenas está submersa em algum canto dentro de nós e espera a todo o momento por uma oportunidade de se revelar. A escrita não é, e nunca foi, pura imaginação – robôs não escrevem livros, isto sim, seria uma ficção.  



6 – Agora como profissional da MODO, o que faz de um escritor, um autor? Como você lida com os textos que recebe para analisar?

A.V: Escritor escreve qualquer redação. Um advogado é um escritor, ele estuda, adquire técnicas e monta sua peça processual. Escrivão é um escritor. Ele ouve, armazena as palavras e cumpre sua obrigação. Um aluno estudando a matéria de redação, é um escritor; ele precisa desenvolver aquele texto para passar daquela matéria. Notem! Em todos esses casos, existia a palavra – obrigação! Um autor não é obrigado a nada, ele apenas escreve o que sai de si, e no momento que quiser. Ele não precisa seguir um padrão ou modismo; ele não precisa escrever sobre determinado tema, porque este tema é a onda do momento, pois, a partir do momento que ele se prestar a este modismo, ele deixará de ser autor, estará buscando por uma aceitação, que virá como obrigação a cumprir para ser lido e vender seus livros. Um autor escreve mesmo que esta escrita seja apenas para ele ler; ele sempre escreverá, independentemente da situação que se encontre. 

Eu sempre digo que sou romancista de sangue e alma. Nada vai mudar este fator congênito. Porém, leio e aprovo originais da literatura fantástica, porque um bom autor, escreve o que ele ama.

Aprendi que quando se analisa um original, não deve se basear naquilo que você gostar de ler, para classificá-lo como bom ou ruim. Um analisador é imparcial e nada pode comprometer este fator.



7 – O que, na sua visão, falta ao mercado brasileiro; e, se dentro dela existir, o que nele já superou suas expectativas?

A.V: O que falta no mercado brasileiro é a consciência de que nós estamos diretamente ligados a arte da literatura. Não adianta sonhar com aquilo que não existe, se podemos fazer existir aquilo que precisamos – tem que vestir a camisa; valorizar o que se faz. Aí sempre vem alguém e reclama:

– Ah, mas ninguém me lê? Ninguém compra o meu livro. Eu sou autor nacional! Eu incentivo a literatura no país; eu divulgo os livros dos meus colegas. Coloco a capa dele em tudo lugar na internet; curto no facebook, mas e eu... Por que ninguém me lê?

Aí eu penso: bom... tem alguma coisa errada nessa história. Será que eu estou realmente preocupada com a ascensão literária em meu país? Será que eu compro e leio um livro nacional? Sim, porque eu quero ser lida, mas eu... será que eu leio alguém? Será que um americano vai à livraria comprar livros de autor brasileiro ou de autor conterrâneo? Será que é isso que eles transmitem a nós, e por este motivo, conseguimos enxergar o valor em sua literatura?

Eu só irei me dar por satisfeita, quando ver autor lendo outro autor.Sim, porque, eles gostam de serem lidos, mas quando fui fazer a ciranda da leitura no ano passado, muitos na hora de comprar o livro do colega, desistiram, só eles queriam ter seus livros comprados, lidos e resenhados, aí eu me pergunto – autor que ser escritor como profissão? Só me darei por satisfeita, quando perceber blog nacional, comprando livro nacional ao invés de querer ganhar.



8 – Com qual de suas obras você mais de identifica? Dá uma palhinha delas para a gente...

A.V: Eu me identifico com O voo da estirpe, porque me salvou do caos em todos os sentidos.

- Voo da estirpe – Um romance moderno, viscerante e hot, à cerca de um casal delicioso, quase real.

- O Oitavo Pecado – O tema é fantasia mitológica, Neste misterioso lugar, onde tudo é magia, Henaph consegue transitar até o momento da verdade final, entre o amor de Hermes e Minos.

- O segredo de Eva – Um passeio no interior de Eva, que possui uma paixão proibida e um segredo que jamais revelou.



9 – Rapidinhas:

- Um ano: 2011

- Uma música: Somethig, The Beatles

- Um medo: perder um filho

- Uma alegria: um novo livro

- Uma frase: "O que se deseja é sempre mais valioso do que o que se alcança."



10 – Podemos esperar mais da Adriana daqui para frente, tenho certeza, mas alguma coisa que devemos ficar de olho? Deixa um recado para seu público.  

A.V: Vemo-nos no próximo livro – Vozes do destino...








Podemos conhecer mais a autora através de seus livros: "O Oitavo Pecado", "Vôo de Estirpe" e "O Segredo de Eva"; todos publicados pela MODO Editora.


E, como a Adriana não pára, nós também não paramos. O que os autores do CNA pensam desse sonho que ela edificou?


"Vou ser bem sincera, esse é o primeiro livro que escrevo. Quando recebi o primeiro contato dizendo que haviam recebido meu original e iriam analisar, eu não me animei muito, baseada em experiências de amigos e conhecidos que tentam publicar a anos e acabam recebendo respostas negativas. Quando a resposta veio, para minha surpresa não era uma negativa, eles solicitavam que eu fizesse algumas alterações para viabilizar a publicação, perguntei se poderiam me orientar em relação as modificações e “ quase cai dura” quando a Adriana Vargas Aguiar ligou pessoalmente e conversou comigo sobre o meu livro. A Adriana foi muito simpática e atenciosa, e o melhor, me contou que havia lido e gostado do livro! Não consigo descrever em palavras a felicidade que senti, foi um reconhecimento inesperado que nunca mais vou esquecer! O CNA para mim é uma grande família onde todos caminham juntos com um objetivo em comum, ajudando uns aos outros, nos incentivando e encorajando para tornarmos os nossos sonhos realidade! Tenho muito orgulho de fazer parte desse clube formado por pessoa tão talentosas, cada um com seu estilo e personalidade tem muito a acrescentar ao grupo! E a literatura nacional só tem a ganhar com isso!" - Fabiana Cardoso, membro do CNA e autora de "ADQS".




"Entrei para o CNA através da Editora Modo.  Porém, meu encontro com a Modo só aconteceu por causa do trabalho da Adriana com o Clube dos Novos Autores.

Paula Vendramini e eu passamos 2011 inteiro na missão de mandarmos nossos originais para editoras que os aceitassem via on-line. Como estávamos em dezembro sem nenhum resultado, nossos planos era começar a custosa jornada do original impresso. Entretanto, aconteceu de a Paula ficar sabendo da Adriana e o CNA, e logo depois sobre a Modo. Então, no finalzinho de 2011, recebemos o sim da editora.

Escrever e ter coragem de ir atrás do sonho de se escritor é uma das montanhas que temos que atravessar nesse caminho. Mas, existem várias outras depois, muito maiores, mais desafiadoras e por vezes apavorantes. Ninguém consegue seguir sozinho. Um apoio, mesmo que seja alguém que aponte uma direção, faz toda a diferença. A Adriana faz um trabalho de acender fósforos em meio à escuridão, orientando novos escritores ao mesmo tempo em que ela própria anda. Ela assumiu o papel de fada madrinha dos escritores brasileiros quando percebeu que só através de ajudas assim algo poderia acontecer. Talvez não vejamos o resultado disso agora, amanhã ou ano que vem. Mas tenho certeza que o trabalho do CNA já começou e fará muita diferença no panorama da Literatura Nacional. Por ver e acreditar nesse horizonte, disponho um tempo da minha vida em que poderia estar exclusivamente dando atenção para os meus livros para ajudar o Clube: mais do que o sonho de uma pessoa, ele é uma bandeira por um Brasil de autores e leitores. Se não começarmos agora, nós unindo e lutando para que haja um reconhecimento, quem e quando irá?" - Lhaisa Andria, membro do CNA e autora de "Almakia vol.1 - A vilashi e os Dragões".
Onde encontrar a autora: http://laproom.wordpress.com/



"Minha entrada no CNA se deu a partir do momento em que recebi uma resposta positiva por parte da Modo editora para a publicação de O Reino de Mira. Fiquei bastante feliz, aliás, acredito que feliz ainda é uma palavra que não expressaria o meu contentamento real. Era uma avalanche de notícias positivas que se seguiam após o "sim" para o primeiro livro solo. 
Minhas expectativas para o grupo passaram a se formar e gostei muito de ter tido e mantido o contato com todos os autores do mesmo, permitindo nossa troca de figurinhas e de experiências. Acredito que é uma interação única e bastante simbólica. Sem dúvidas uma ideia grandiosa que a Adriana teve.
Enxergo na Adriana uma mulher batalhadora e também sonhadora que se supera a cada dia que se passa e sempre demonstra garra para alcançar os objetivos propostos a ela. Vejo nela um exemplo de superação que merece ser seguido. 
Estou muito feliz em tê-la como coordenadora do grupo como também agente literária da Modo, e sei que ela irá muito mais adiante." - Mateus Lins, membro do CNA e autor de "O reino de Mirra".
Onde encontrar o autor: Curioso Inovador




Alguns links relativos à matéria:


Site da Editora (onde podem adquirir livros e ver as novidades):  MODO Editora

Facebook da Adriana Vargas Aguiar: http://www.facebook.com/adrianavargas.ocadv 


Eu gostaria de agradecer a todos que participaram desse primeiro post da coluna CNA, desejando que seja o primeiro de muitos nesse nosso relacionamento!

Merry Meet!

Roxane Norris

Eu ♥ Resenhas: Casa Glass


Título Original: "Glass House"
Autor: Rachel Caine.
Ano: 2010.
Número de Páginas: 208.
Editora: Underworld.
Edição: 1ª Edição.


Casa Glass é o primeiro volume da série “Os Vampiros de Morganville” escrito por Rachel Caine e faz parte do booktour da editora Underworld.

Casa Glass conta a história da perspectiva da adolescente de 16 anos Claire Danvers, estudante do primeiro ano da faculdade de Morganville e um gênio em potencial. É bem verdade que Claire poderia ir para  universidades de renome, mas por protecionismo dos pais, foi para a universidade mais próxima possível para evitar que ela corresse algum risco na “cidade grande”. Porém, é claro que eles não poderiam estar mais errados. Claire nos é apresentada como uma nerd e sem habilidades para socialização, logo nos primeiros dias acaba cruzando o caminho de uma das meninas mais influentes e populares da faculdade e, sem querer, acaba por ridicularizá-la na frente de todos.  E é a partir daí que Claire se torna o alvo preferido de Mônica.

Projeto Editorial: Editora Literata






Projeto Editorial
por Roxane Norris



Parte II - Revisor

Georgette Silen




Georgette Silen é revisora da Editora Literata, além claro de um excelente escritora. Com o tempo atribulado, mesmo assim, ela veio deixar sua marquinha aqui nessa entrevista deliciosa:



1 –O trabalho de um revisor, muitas vezes se mistura ao de coautor da obra que tem em mãos por vários aspectos, e entre eles a coerência e o desenvolvimento da narrativa. Dentro desse contexto, podemos qualificar esse tipo de revisão como literária (copydesk), já que seria uma visão bem abrangente do trabalho do autor. Especificado esse ponto, que tipo de trabalho você costuma fazer, uma revisão literária ou normativo-ortográfica das obras da editora?

G.S: Olá Roxane, obrigada pela entrevista. Espero que os seguidores do blog apreciem esse nosso bate-papo. 

Antes de responder a essa pergunta, acho interessante esclarecer as diferenças entre a revisão ortográfica e o copidesque.

O copidesque, em geral, é feito pelo editor ou por pessoa designada por ele, e tem como finalidade o aperfeiçoamento do texto, buscando sanar todas as incoerências que por acaso apareçam na narrativa, analisando os pontos altos e baixos e buscando alcançar uma homogeneidade de trabalho. É muito mais complexo que a revisão, pois o copidesque propõe mudanças, reescritas, avaliações, tudo com o objetivo de “relavrar” um texto, tornando-o o melhor possível para o mercado e o leitor.

A revisão ortográfica seria uma etapa posterior ao copidesque. Com o texto já finalizado, o revisor procura por falhas ortográficas, problemas de acentuação, pontuação, normativas e adequação às normas vigentes. O revisor passa um pente fino em todos os possíveis erros encontrados e os corrige.
Em teoria, são trabalhos diferentes feitos por profissionais diferentes, mas em alguns casos uma mesma pessoa pode fazer as duas coisas. Como sou autora, é impossível para mim quando reviso um texto deixar de prestar atenção aos detalhes da narrativa. Se encontro passagens no texto que eu vejo que necessitam de maior atenção por parte do autor, eu as aponto, recomendo a reescrita, exclusão de trechos, mudança de posicionamento de frases ou parágrafos, entre outros.  

Mas ambos os trabalhos, revisão e copidesque, são diferentes, e o ideal é que todas as editoras tenham pelo menos um profissional de cada para trabalhar os textos dos autores. 




2 – Ainda dentro do contexto anterior, você e a editora costumam acordar previamente como será a revisão feita, ou dependendo da obra, há uma flexão que permita um trabalho mais extenso, como no caso a revisão literária? Se não, alguma vez você sentiu necessidade de solicitar uma revisão literária de uma obra, ou ao menos, sugerir que fosse feita? Foi complicado lidar com isso?

G.S: Quando recebo um pedido de revisão por parte da editora, eu solicito previamente o envio de um capítulo da obra para que eu possa analisar em que estado ela se encontra. Se nessa análise eu vejo que ela se enquadra apenas na categoria de revisão ortográfica, fechamos o trabalho nesse sentido. Mas caso eu perceba que o texto necessita de copidesque, eu comunico a editora e traçamos um plano de ação sobre ele, incluindo aí todas as etapas e cronogramas necessários. Nunca tive problemas nesse sentido por parte de editoras, elas sempre atenderam as minhas solicitações. Com autores, às vezes, é um pouco mais complicado, pois trabalho com texto e ego ao mesmo tempo, e alguns não gostam de determinados apontamentos feitos pelo copidesque. Mas tudo é questão de conversar, mostrar a que se destina o trabalho e qual será o resultado para ambas as partes, editor e autor.



3 – Seguindo essa linha, você costuma sugerir ou mesmo impor como normativa de trabalho um formato para que o livro chegue a suas mãos que possa de alguma forma torná-lo mais conciso?

G.S: De praxe, eu solicito que os textos sejam enviados em fontes Times ou Arial 12, espaçamento 1,5 entre linhas, A4, com margens de 2,5cm. Esse é o padrão que utilizo para orçar um trabalho. Dependendo do número de páginas, existe um prazo que pode ser menor ou maior para a revisão. Quanto ao tipo de trabalho a ser executado, tudo depende da análise do primeiro parágrafo para decidir se será uma revisão ou copidesque. 



4 – Certamente, no seu trabalho, uma das coisas mais corriqueiras são os famosos vícios de escrita. Entre eles temos o miguxês (termos da internet que acabam parando nas linhas de um livro, sem o autor se dar conta) e também alguns erros de fonética que são inseridos por não haver a visualização dele no cotidiano, como por exemplo: (me desculpem os cariocas, pois sou uma também) “mais” quando se deveria usar “mas”. Qual destes erros é mais comum de você observar? E, como citei o “carioquês”, você chegaria a regionalizar certos erros recorrentes no texto? 

G.S: Por incrível que possa parecer, eu nunca me vi frente a frente com erros de escrita provocados pela internet. Nenhuma contração, ou miguxês, apareceram nesse sentido. Com relação aos vícios de linguagem, os mais comuns são os excessos de interjeições, como “já”, por exemplo, e que são corrigidos. Agora, em relação aos regionalismos, é preciso que se entre em comum acordo com autor-editora. O regionalismo, em si, não é um problema, afinal, somos um país de muitas sonoridades que se refletem na escrita. Mas dependendo da quantidade de palavras e expressões que se apresentam, ele pode limitar o texto do autor à apenas um público leitor, e isso pode gerar estranheza ou mesmo rejeição à obra. Como eu disse antes, tudo depende de um planejamento e análise que deve ser feito previamente, antes de se editar um livro. 



5 – Até hoje, qual foi seu trabalho mais desafiador? 

G.S: Poderia citar vários, mas os que me deixam sempre mais animada e demandam mais energia são os copidesques, sem dúvida. Por que, de certa maneira, estou lidando com a criatividade do autor aliada a minha visão de como torná-la ainda mais interessante, então os copidesques sempre são mais desafiadores.



6 – Eu observei que o revisor costuma trabalhar por laudas – uma lauda corresponde a 1.400 caracteres com espaço (20 linhas de 70 toques). Dentro da variável de 250 a 350 páginas, qual é a média de tempo que você costuma levar para entregar seu trabalho à editora? 

G.S: Eu trabalho por páginas, formato A4, nas descrições que mencionei acima. Não utilizo laudas. E como disse antes, tudo depende do tipo de trabalho contratado. Uma revisão ortográfica é relativamente mais rápida do que um copidesque. 250 páginas de uma revisão podem ser feitas entre 20 e 30 dias, mas um copidesque demandaria bem mais tempo. Dependendo do estado do original ao chegar as minhas mãos eu estimo um prazo de entrega para a editora, nos dois casos. 



7 – Qual recurso você costuma usar para corrigir os erros na obra? E depois do texto revisado, ele volta às mãos do autor para aceite. Alguma vez o texto já retornou dessa avaliação para uma nova revisão?

G.S: Eu utilizo manuais de nova ortografia, dicionários, manuais de ortografia e gramática e sempre procuro novas publicações relacionadas à área. Existe muito material bom sendo publicado sobre o assunto. Além disso, tive formação em Literatura na faculdade, em português instrumental, e isso acrescentou muito ao meu trabalho. 

O trabalho de revisão ou copidesque segue sempre essa direção: revisão – análise do autor – aceitação do autor – retorno para a revisão – fechamento da obra para diagramação.
Os apontamentos do autor são levados em consideração em todo o processo, e tudo é feito com o consentimento dele. 



8 – Fale um pouco sobre como você vê a importância de seu trabalho para a qualidade do projeto final – ou seja, o livro na prateleira – e como é encontrar um pedaço seu em cada um deles. É emocionante?

G.S: A revisão literária, o copidesque, a preparação de texto, a diagramação, a capa, enfim, todo o trabalho que existe em um livro antes que ele vá para a gráfica e depois seja distribuído para as livrarias é de suma importância. A qualidade final do que o leitor terá em mãos depende desse trabalho que considero como a base da qualidade editorial. Um leitor atento percebe, de longe, quando essas etapas foram negligenciadas por uma editora. Uma capa mal feita, uma diagramação apertada, uma revisão que não corrigiu o que era necessário são erros gritantes, crassos até, e que depõe contra a obra, o autor e a editora. Esse conjunto de base deve ser feito com esmero, com investimento, e infelizmente tenho visto que muitas editoras não têm dado a devida atenção a isso, buscando economizar nos trabalhos de suporte. Um erro que a longo prazo trará seus danos.

Embora poucos leitores sejam atentos aos nomes da equipe editorial que ajudaram a compor uma obra, eles existem, constam no livro, e são profissionais que merecem ter seu esforço reconhecido.

Para mim, cada livro foi uma aventura diferente, algumas suaves e outras mais pesadas, que demandaram mais ou menos esforço, mas, sem dúvida, únicas. E por todos eu tenho o maior carinho.


Roxane, eu agradeço esse espaço, essa oportunidade de bater um papo com os seguidores do blog, e deixo aberto aqui os meus canais de comunicação: e-mail missgette@yahoo.com.br, twiter @georgettesilen e pelo facebook. Por qualquer um o leitor poderá entrar em contato comigo sempre que desejar. 

Abraços

Georgette Silen



Obrigada à você querida, pelo carinho!

O blog está aberto para vocês todos.

Beijokas


Roxane Norris

Projeto Editorial: Editora Literata











Projeto Editorial
Por Roxane Norris


Parte I – Editor

Eduardo Bonito




Eduardo Bonito é editor-chefe da Literata e contou para gente um pouquinho do seu trabalho, dedicando uma parte de seu tempo para dar essa entrevista que passo a vocês na íntegra:



1 – O editor é a pessoa responsável por fazer toda a “engrenagem” editorial rodar, até mesmo, e principalmente, no que concerne a avaliação dos textos enviados à publicação. Dentro desse contexto, quais são os principais fatores que você costuma usar como “filtro” para escolher entre tantos originais aqueles que são publicáveis e estão dentro do padrão da editora? Com os anos de prática adquiridos na função, já desenvolveu alguma técnica que otimize esse seu trabalho?

E.B: Primeiramente agradeço a oportunidade dada à Editora Literata. 
No que se refere a escolha de originais, temos uma equipe que cuida desta parte, mas tudo passa por último em minhas mãos. Já tenho um pouco de experiência, e às vezes só de ler o inicio da trama sei se o livro aos nossos olhos é bom ou não.Claro que vários fatores ajudam em uma vendacomo o autor ter um circulo de amigos que possam ajudar na divulgação de sua obra e canais de comunicação,pois acredito que o fator editor e autor unidos possam colher mais frutos do que o autor esperar que tudo caia do céu, ou ainda ficarnas mãos de uma editora que apenas edite o livro e não se preocupe com mais nada deixando tudo nas costa do autor. Ambos os casos, não tendo este entrosamento, afetam muito o quesito venda e divulgação.



2 – Como editor, você sempre tem de estar antenado nas tendências do mercado, que muitas vezes imitando o dólar, são flutuantes. Essa parte do trabalho vai muito além do autor ter um bom texto. Nesse momento da avaliação como você conduz a demanda que existe de autores e obras às necessidades que, do outro lado, os leitores estão ávidos em consumir? É mais fácil haver ou não um casamento repentino desses anseios?

E.B:O interessante do Brasil é isto: a diversidade cultural. No meu caso não penso muito em moldarmos, ou seja nos adequarmos, à moda editorial. O que acredito que seja, no meu ver, bom; tanto que a Literata tem autores que escrevem crônicas e poesias, um mercado muito criticado por muitas editoras, mas temos autores nessa linha que venderam cerca de 400 livros, coisa que muitos autores que se julgam “estrelas “ no meio da literatura fantástica não conseguiram atingir.Falo desse número de vendas em 2 meses de livros lançado.



3 – Não vou mentir dizendo que estou há anos no meio editorial. Muitas vezes estou mais para leitora... Mas é fato que sempre que pude estive em contato tanto com leitores, como com os autores. Mesmo assim, pude perceber um crescimento significativo no mercado, quer seja sob a ótica de novos autores, ou pelo número de leitores, principalmente jovens, no país. A que você atribui esse crescimento? E o que, na sua opinião, esse crescimento trouxe de bom para os autores dessa nova geração?

E.B: Tanto para termos novos autores, como também leitores, atribuo à internet este crescimento e o que trouxe de bom num todo foi a divulgação da literatura em si para lugares que jamais pensei que, como editor, teria algum autor e alguém lendo nossos livros.



4 – São vários profissionais envolvidos na publicação de um livro. Não é um processo fácil, nem rápido. . E vamos apresentar dentro desse projeto cada etapa da edição de um livro. É fácil conciliar a opinião de cada profissional envolvido nesse processo ou são processos independentes, em que raras as vezes os profissionais tem oportunidade de conversar o projeto como um todo? Qual dessas etapas você considera a mais importante, ou não existe uma mais importante?

E.B: Todas as etapas são importantes, a começar pela revisão do livro, onde não há apenas o fator de erros ortográficos, mas também se o desenlace da historia e foco estão corretos. O inicio, no meu ponto de vista é o mais difícil depois tudo se transforma, ou seja cria forma e assim o barco toma o devido rumo.



5 – Em qual parte do projeto, nesse seu tempo de editor, você identifica como o momento em que o autor realmente está visualizando a sua obra como algo concreto? Porque, convenhamos, de início o autor vive um sonho, mas sempre existe aquela “acordada” para o mundo. 
 
E.B: Quando ele estiver com seu filho(livro) pronto para mostrar ao mundo irá enfrentar o maior desafio que é dar a cara a tapa para não apenas elogios, mas criticas também. Essa etapa e a mais difícil, pois não são muitos autores que aceitam criticas.



6 – Muitas vezes – ou pelo menos uma (isso seria uma proeza) – você já teve de dizer não a uma obra. Como você lida com esse fato, quando isso acontece? Quais são os fatores que geralmente o levam a tomar esse tipo de decisão?

E.B: Várias vezes já disse não (risos). Algumas vezes as obras não são ruins, apenas já tenho livros no mesmo estilo literário e não compensa para nós, e acredito que também para o autor, ter na mesma editora um livro parecido com o dele. Outras vezes, infelizmente, a obra não é boa.



7 – Gostaria que você deixasse uma dica para o autor iniciante. Algo que você ache relevante e faça um diferencial no momento em que ele for procurar uma publicação.

E.B: Pesquise bastante sobre o que quer escrever antes de enviar a uma editora, e também mostre sua obra a outra pessoa para que assim essa o ajude a encontrar elementos desconexos que possam prejudicar seu trabalho e avaliação. Às vezes recebo obras que se tornam um tanto confusas para se ler e isso atrapalha muito na seletiva .




Em nome do blog Eu ♥ Livros agradeço a confiança depositada em nosso trabalho e espero que o projeto se mostre á altura de suas expectativas.


Roxane Norris

Eu ♥ Momentos Literários: Livros em Pauta Andross Editora


O LIVROS EM PAUTA – ENCONTRO DE LEITORES COM ESCRITORES E OUTROS PROFISSIONAIS DO LIVRO ocorrerá em 09 de junho de 2012 e abordará alguns temas que envolvem produção, distribuição e demais etapas do processo editorial





 

O evento contará com dois auditórios, um com 50 e outro com 60 lugares, onde acontecerão palestras, debates e mesas-redondas com profissionais da área.





 


Todas estas atrações são gratuitas e estarão reunidas no China Trade Center, na zona Sul de São Paulo. Para a programação nos auditórios é necessário retirar senha com 30 minutos de antecedência. Quem não puder comparecer poderá assistir às atividades online por intermédio de exibição via twitcam. Basta acessar o website do evento e se conectar: www.livrosempauta.com












Enquanto as atividades acontecem nos auditórios haverá uma feira de livros no saguão do China Trade Center. “Queremos oferecer livros a preços populares”, explica o criador e organizador do evento, o escritor Edson Rossatto. “Teremos livros que custarão a partir de R$ 4,90”, completa. Rossatto estima que comparecerão cerca de 600 pessoas, entre leitores, escritores amadores e demais profissionais do livro.

Entre os nomes confirmados estão os escritores de micronarrativas Samir Mesquita, Wilson Gorj, Tiago Moralles e Carlos Seabra, o advogado especialista em direitos autorais Gilberto Maryot, os editores Ednei Procópio e Maurício Muniz, a escritora e preparadora de originais Helena Gomes, o assessor de imprensa especializado no mercado editorial Jota Silvestre, os capistas Rafael Victor e Welby Dantas e os livreiros Daniel Honorato e Rafael Seibel.







Abaixo programação completa:

10:30 – (Auditório 1) Palestra “Bastidores editoriais: o funcionamento de uma editora”, com Ednei Procópio
11:00 – (Auditório 2) Palestra “Direitos Autorais: princípios e conceitos básicos que todo escritor deve conhecer”, com com Gilberto Maryot
13:00 – (Auditório 1) Palestra O livro na mídia: como divulgar lançamentos, com Jota Silvestre
13:00 – (Saguão) Lançamento de livros
13:30 – (Auditório 2) Debate “Literatura minimalista: tendência, modismo ou um novo gênero?”, com  Samir Mesquita. Tiago Moralles, Carlos Seabra e Wilson Gorj, sob mediação de Edson Rossatto
15:00 – (Auditório 1) Palestra “Preparação de Originais: o ajuste profissional no texto do autor”, com Helena Gomes
15:00 – (Saguão) Lançamento de livros
16:30 – (Auditório 2) Debate Vitrines e Prateleiras: quais são os critérios utilizados pelos livreiros para expor um livro?, com Daniel Honorato e Rafael Seibel, sob mediação de Maurício Muniz
17:00 – (Auditório 1) Debate “Julgue pela capa: conceitos de desenvolvimento da “cara” do livro”, Rafael Victor e Welby Dantas, sob mediação de Chico Anes
18:30 – (Saguão) Lançamento de livros




Serviço:

LIVROS EM PAUTA – ENCONTRO DE LEITORES COM ESCRITORES E OUTROS PROFISSIONAIS DO LIVRO


Data: 
09 de junho de 2012, das 10h às 20h

Entrada: Gratuita

Local: China Trade Center - Rua Pamplona, 518 – Cerqueira César – São Paulo
Informações: (11) 2943-7687


Promoção e realização: Andross Editora 


Patrocínio: China Trade Center, Editora Europa, Gráfica Viena


Apoio: Okê Representações


Media Partner: Revista Fantástica












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